sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A NUMEROLOGIA CABALÍSTICA (GEMATRIA)



    O Alfabeto Hebraico possui 22 letras e cada letra uma equivalência numérica. Aleph é a representação numérica de 1, Beth a segunda letra o número 2, e assim por diante até a letra correspondente ao número 10. A partir do 10 elas passam a contar o valor de forma decimal, ou seja, após a letra cujo valor corresponde ao número 10, a seguinte já corresponde ao número 20, e segue a sequência do valor de 30, valor de quarenta, e assim por diante , até chegar o valor numérico de 100. A partir do momento em que a letra corresponde o valor numérico de 100, a letra seguinte corresponderá ao valor numérico de 200, em seguida a do valor numérico de 300, até chegar à última letra do Alfabeto Hebraico cujo valor numérico é 400.
  



    Na numerologia cabalística há a Gematria Exata , de valor absoluto para uma determinada palavra (somando-se todos os valores das letras desta palavra) e a Gematria Reduzida, na qual efetua-se a “redução cabalística” dos números correspondentes às letras de tal palavra.
   

  








   

    Nos gráficos acima há o equivalente numérico de todas as 22 letras hebraicas , assim como o correspondente do nosso alfabeto. Desta forma poderemos notar que, de acordo com ao valor da numerologia cabalística, cada letra possui um índice que vale do número 1  ao número 9. Exemplo : Da letra Aleph à letra Teth , os valores variam de 1 a 9; da letra Yod à letra Tsade de 10 a 90, o que , segundo a redução cabalística, irão valer de 1 a 9 , da mesma maneira que de Aleph a Tsade.  
          
   


    Vejamos como se opera a redução cabalística: suponhamos o número 3.487. A redução cabalística se faz da seguinte maneira, isolando cada número e somando-os, até que se tornem apenas um dígito : 3 + 4 + 8 + 7 = 22.  Teremos então o número 22, que mais uma vez, segundo a fórmula da redução cabalística dará:  2 + 2 = 4. Então o número correspondente à Gematria Reduzida de 3.487 (Gematria Exata) é o número 4. Dessa forma , por exemplo, o número correspondente à letra hebraica Phe, por exemplo, que é 80, será 8; a letra hebraica Shin , cujo valor é 300, terá o valor correspondente , na Gematria Reduzida ao número 3.
    
    É dessa maneira que operamos a redução de cada palavra, cada fonema correspondente ao nosso próprio alfabeto para determinarmos o número final, aquele que dá a conotação numérica de toda uma palavra, ou toda uma sequência de palavras, fazendo para isso sucessivas reduções. 
    

  



    Veremos agora a peculiaridade do alfabeto hebraico , que tem uma representação muito forte, dentro da Torah, por possuir uma correlação estreita entre as letras e os números, onde todas as ideias e derivações representam também as  sequencias e combinações dos próprios números  cujos valores as letras são correspondentes .  O nome de Abrão (Abram em hebraico, pai ilustre), possuía um valor numérico que equivalia ao número 243, posteriormente Yahweh  mudou seu nome, passando a chamar Abraão(em hebraico Abhrāhām), ganhando o valor numérico de 5, passando a valer 248, que são o número de órgãos do corpo humano, e o número de 5 que foram acrescentados representam os órgãos genitais. Abraão enquanto se chamava Abrão não tinha filhos, um tempo após a mudança de seu nome , e ele tem um filho, o que traz no significado de seu próprio nome Abhrāhām  אברהם = pai de muitos.  Outro exemplo , a palavra אהבה, que significa amor. Tem o valor numérico para cada letra de 1, 5, 2 e 5 (o alfabeto hebraico, assim como o árabe se lê da direita para a esquerda), cuja somatória corresponde ao número 13. Já a palavra “um”, אחד em hebraico, cujas letras possuem o valor respectivo, da direita para a esquerda, de 1, 8 e 4 , com a somatória correspondente a 13 (como poderemos observar a redução cabalística ambos chegam ao algarismo 4), assim como da palavra “amor” em hebraico. Veremos aí o grande poder do alfabeto hebraico, pois faz a combinação numérica de ambas as palavras que constituem o verdadeiro sentido da palavra amor, que é a unidade, a união, o sentido de tornar “Um” na sua mais profunda concepção filosófica . Amar é, pois ser um, seja no sentido humano do homem e da mulher que se unificam “ em uma só carne”, para a geração de filhos, seja no sentido mais pleno, da grande unidade cósmica à qual retornaremos no advento da Grande Síntese. 
    
    Para transliterar os valores numéricos das letras do alfabeto hebraico para o nosso alfabeto faz-se aqueles cujos fonemas são os correspondentes: A=1 B=2 C=3 D=4 E=5 F=6 G=7 H=8 I=9 J=9 K=10 L=20 M=30 N=40 O=50 P=60 Q=70 R=80 S=90 T=100 U=200 V=200 W=200 X=300 Y=9 Z=400. Aos quais, para chegar ao número final deve-se efetuar a redução cabalística. Assim , alguém  chamado Carlos Silva por exemplo, teremos Carlos = 28, que é 10, ou seja , número 1. Silva = 23, que é 5. A somatória final de tal nome será igual a 6. Caso o indivíduo se chamasse , por exemplo, Carlos dos Santos, ou Carlos da Silva, sempre acrescentaríamos o valor numérico correspondente às letras para o “de”, ou o “da” , etc...
    




     Os números cabalísticos guardam uma significação metafísica , e indicam as características e estabelecem os destinos. Essa numerologia relaciona o desenvolvimento  da alma nesta existência como a resultante daquilo que a alma trouxe das existências passadas, definindo todo o caráter evolutivo com o qual a pessoa traz, dentro do aspecto Kármico , como a análise de uma força vetorial equacionada através dos tempos. 
    
    O número 1 é o ponto de que se geram as linhas. Aquele que possui este número como resultante final de seu nome  possui como principal característica a ausência de subordinação, o espírito essencial do empreendedorismo , a auto confiança. Seu sucesso poderá estar alicerçado na sua efetiva força ativa. Seu fracasso estará condicionado à presunção e ao egoísmo, os quais são incompatíveis com o número da unidade. Pois a unidade é a primeira causa, o princípio criador dos números. O número da unidade divina, de Deus, e aquilo que se espera dos quais esse algarismo vem a ser  regente, é fazer da resultante de sua força o benefício de muitos. É o número dos antigos mestres que fizeram sua aparição em nossa história.

   
   O número 2 é um número binário, pois a unidade por si só não pode produzir. O número 1 é ativo, o número 2 é passivo, o número um, como foi dito anteriormente , é o número de Deus, o 2 é o número da natureza. “Um” é o princípio masculino, “dois” é o princípio feminino. O número dois é aquele que indica a passividade e a receptividade. O sucesso daqueles cuja regência resulta neste número reside na organização, no escrúpulo, e principalmente no poder de persuasão. Seu fracasso está condicionado à hesitação, assim como também em buscar algo através da força. Sua missão no mundo é fundamentalmente a conciliação, para que se possa somatizar as forças sutis que regem sua própria essência. 
    

    O número 3 resulta da união entre a unidade e a dualidade. É o terceiro princípio, o ternário, do qual se gera a neutralidade. É o filho que participa do pai e da mãe sem, no entanto, ser nenhum deles. É o número sagrado, o número da luz, a trindade das três primeiras Sephiroth. O poder característico daqueles que são regidos por este número está, essencialmente, na criatividade, no poder de criar, elaborar, produzir, sintetizar. Pois é o número da divindade, assim como também da Forma, simplesmente porque não pode existir um corpo sem a tridimensionalidade, que se configura na altura, na largura e na profundidade. O poder criativo está no sujeito que age, no objeto no qual se dirige a ação, e no próprio principio de agir. Seu sucesso dependerá exclusivamente da força de sua fé, do otimismo que é o combustível para o seu poder criador, pois assim como as três pontas do triangulo sagrado, possui a obrigação de estar seu espírito alicerçado nas três virtudes teologais. No grau da paciência reside seu sucesso ou seu fracasso, caso explore esta virtude ou não. As vibrações da inveja e da ganância são totalmente incompatíveis com este número, pois a sua essência está alicerçada nos três pilares sagrados do Templo Espiritual.
    

    O número 4 é o número da harmonia, dos 4 elementos. Como em toda a numerologia cabalística os números pares são menos desejáveis que os ímpares, é também um número passivo, de equilíbrio de forças. Equilíbrio este que se faz prejudicial no aspecto em que dele é exigido, muitas vezes acima daquilo que suas forças permitem. É o numero da honestidade, da sinceridade da dignidade. Todo o destino daqueles que são regidos por este número está no controle de tudo aquilo que pode se exceder. O excesso é incompatível com este número que representa o equilíbrio e a harmonia.
    O número 5 é o número mágico . O número do princípio da vida, do Espírito dominando os 4 elementos , sua figura corresponde à estrela flamejante de cinco pontas, o pentagrama, que representa o corpo humano com ao vértice para cima, simbolizando a cabeça direcionada às coisas elevadas. É o símbolo de Adam-Kadmon , ou Adão antes da queda. Se porém o vértice superior, que representa a cabeça, estiver para baixo, representa Adam-Belial, ou o homem caído, o espírito dominado pela matéria. Aqueles que são regidos pelo número 5 possuem intrínsecos o dinamismo , a inteligência , a disposição. Seu destino será definido justamente pela disposição do pentagrama em seu próprio coração em sintonia com o mundo que o rodeia. Sua mente terá que estar acima do domínio da materialidade, pois como um número mágico, as intenções determinarão seu Karma, ou será luz, ou será trevas, para este número não existe um meio termo. 


    

    O número 6, como é explícito, representa a duplicidade do número da perfeição, e representa a imagem das relações que existem entre o céu e a terra. È o símbolo do antagonismo entre o bem e o mal. Aqueles que são regidos por este número são os mais passivos de todo o restante das regências numéricas. Pode significar todos os tipos de problemas e discórdias, isto não significa, porém, que não possam ser resolvidos através da purificação. Está entre a virtude e o vício, entre os dois caminhos entre o céu e a terra, nos meandros da materialidade passiva, isto é, com os caminhos da luxúria que pode levar ao fracasso. É essencial que sinta a liberdade diante de seu espírito, porém está na moralidade seu caminho de luz. O seu signo hieroglífico correspondente é o Hexagrama, a estrela de Salomão, que também representa o axioma  da Tábua de Esmeralda de Hermes: “O que está em cima é igual àquilo que está em baixo.”  
    



    O número 7 é o número do princípio neutro, da divindade, 3, dominando os 4 elementos, a conjugação entre a ideia e a forma. Este número é a representação do “poder mágico” em toda sua evidenciação. Representa o triunfo do espírito sobre a matéria. É o número que rege os introspectivos, os magos, filósofos, místicos e ocultistas. Também rege as pessoas compenetradas, que apresentam auto domínio, e a indiferença às riquezas materiais. O maior perigo para aqueles que são regidos por este numero sagrado é o conflito. Pois muitos sábios, regidos pelo tal, sucumbiram-se , muitas vezes na defesa ardente de seus postulados. Iremos encontrar este número nos sete dias da criação, nas sete notas da escala musical, nas sete cores do arco íris, nos sete sacramentos, nas sete virtudes, nos sete vícios, nos sete planetas simbólicos, nos sete dias da semana. 

    



  
    O número 8 é um número muito difícil para aqueles que o têm como regência , pois é preciso muita determinação para que se obtenha sucesso sob a regência deste numero. O segredo para neutralizar seus aspectos negativos está na consciência que deve procurar sempre estar nos caminhos do amor e da virtude. Representa  a balança universal das coisas. A circuncisão entre os judeus era feita após o oitavo dia, por credenciá-lo como “o portal da eternidade”, pois sucede imediatamente o número sete.
    O número 9 é o aquele dos iniciados, é o ápice da realização intelectual, sob a regência deste número se encontram  românticos, idealistas, visionários, poetas, líderes religiosos, possuem alta disciplina e altruísmo. No seu destino se espera profundas experiências, o maior cuidado está em jamais perder a cordialidade, essencial para o número que exprime a razão de ser de todas as formas, porque nele estão contidos todos os números simples.
    O número 10 representa a eternidade, é o número do ciclo perfeito, e pode ser representado pela figura de um círculo com um ponto central, pois retorna ao número 1, e, como este simboliza Deus , a infinita unidade, como “um circulo cujo centro está em todas as partes e a circunferência em parte alguma”.  Sua regência é análoga ao número 1. 
    



    O número 11 representa a receptividade mágica, correspondente ao número 2 . Corresponde a uma força que deve ser direcionada sempre no aspecto do equilíbrio da dualidade, pois o princípio dual, quando descontrolado, pode assumir o aspecto negativo de uma das vertentes.
    O número 12, assim como o número 3  representa a harmonia perfeita. Doze são os signos do Zodíaco, 12 são os meses do ano, 12 são as tribos de Israel, 12 são o número dos apóstolos dos Grandes Mestres Espirituais da humanidade.
    Na Cabala que toda a numerologia buscou toda a base de seus ensinamentos. Contudo existem inúmeras maneiras diferentes de interpretar a numerologia, dentro ou fora da cabala. O essencial, porém, não é a determinação de nomes , mas a misteriosa essência que elaborou toda a magia deste alfabeto numérico. Alfabeto este, cujas operações literais e numéricas exigirão, não somente um rápido resumo como este, mas uma obra completa, pois a extensão destes estudos exige não somente uma boa dosagem de meditação, mas também  a sagrada virtude da paciência, essencial àqueles que buscam os caminhos do mistério e do ocultismo.
Namastê.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A ARVORE DA VIDA DA CABALA ( AS 10 SEPHIROTH)


    A árvore da vida possui a sua estruturação disposta em 10 esferas, cada qual denominada Sephirah, cujo conjunto decimal pluralizado dá-se o nome de Sephiroth. Estes seriam analogicamente os 10 frutos da então "Árvore Sephirotal", os quais representam os princípios energéticos da criação, e estão dispostos sob a forma de três triângulos, o superior com o vértice voltado para cima, o central e o inferior com os vértices voltados para baixo. A décima esfera se encontra isolada no ápice inferior da árvore.
    Os frutos ou esferas desta árvore possuem interligações entre si, tais linhas são em número de 22, as quais cruzando-se entre si formam 32 pontos cujo simbolismo é o objeto de estudo dos arquétipos de tudo aquilo que se faz presente no universo manifestado. tais frutos, da mística árvore, podem ser observados tanto no sentido macrocósmico , quanto no sentido microcósmico. Macroscopicamente ela define o próprio sentido da criação do universo manifestado , a partir do imanifestado : o "Ain Soph", que é o incognoscível, ou seja, aquilo que está além de toda a compreensão humana. Inicia-se a manifestação na primeira das esferas, a esfera superior denominada Kether, a coroa, a causa primária de todas as coisas manifestas, e, a partir da descida para os ramos inferiores, representa a densificação , a partir do universo arquetípico das sutilezas , até o denso mundo da concretude da matéria, simbolizado pela esfera de Malkuth. Microcosmicamente , faz-se o sentido inverso, ou ascendente, ou seja, a desdensificação,o retorno ao estado original da sutileza. Desta maneira a Árvore Sephirothal exemplifica , tanto a criação e densificação das energias, quanto ao retorno, a evolução do Homem ao seu estado arquetípico, inserido na centelha divina. As Sephiroth, portanto, seguindo o caminho desde Kether, a esfera número 1, até a décima, Malkuth , seguem o caminho da força primordial e essencial, que é o sentido da emanação das energias, o decaimento na matéria, desde o que se denomina "Deus", até a criação que nos faz tangível, adjacente àquilo que chamamos "mundo".
    Além das 10 Sephiroth, há aquela que denominamos a falsa Sephirah, localizada entre as bases do triângulo superior e o triângulo do meio. Daath vem ser uma Sephirah oculta, invisível, localizada entre Tiphereth e Kether, como citei anteriormente entre as bases de ambos os triângulos. Ela representa o abismo entre a nossa concepção dual e a concepção una, divina. Acima de Daath inexiste a dualidade; abaixo de Daath tudo está inserido na dualidade. Por esta razão inúmeros cabalistas chamam Daath a "entrada para a vida e a saída para a morte". No corpo humano ela é análoga ao Chakra Vishuda, que se localiza na tireoide, e separa os chakras da cabeça daqueles do tórax. Na verdade Daath simboliza um estado místico onde todas as demais Sephiroth se identificam, como em um espaço vazio, onde qualquer uma das demais esferas possam ali serem colocadas, portanto é um reflexo vivo da luz divina que determina a perspectiva humana, saindo de Malkuth perfazendo o caminho em direção a Kether. Ela representa o conhecimento, o merecimento e o entendimento.
    Na Árvore Sephirothal poderemos notar, verticalmente, a manifestação de três pilares, os quais representam os princípios que definem as forças do universo: a passividade, a Atividade e o Equilíbrio. As quais analogicamente nos remetem à teosofia, às Três Gunas : Sattva, Rajas e Tamas, que compõem o Prakriti, que é  a natureza de tudo – desde o átomo ao elemento, desde a planta ao animal,  tudo que se é conhecido nesse mundo, tangível e intangível, é a manifestação das Gunas em suas variadas formas. Estes são pois os pilares que sustentam a existência, tudo aquilo que chamamos pelo nome de Universo . O pilar da esquerda representa a severidade, a força. O pilar da direita a misericórdia, a beleza, o pilar do centro representa o equilíbrio , a sabedoria. Como podemos notar , tais pilares representam também a polaridade que é a motriz do cosmo, indicando que os opostos se assemelham na natureza, mas se diferenciam em grau. O pilar do meio é a força neutralizadora. A ponte da reconciliação, a distribuição das forças que dá magnitude e pulsação à Vida. tudo no universo é vida. 
    A divisão da Árvore da vida se dá em 4 diferentes planos, o primeiro denominado Aziluth, o mundo das emanações, composto pelas três esferas, conhecidas na Cabala pelos nomes Kether, já mencionada acima, Chokmah e Binah. Nesta divisão é onde a manifestação divina , ou Yahweh atua diretamente, e não através de seus princípios ativos intermediários de manifestação. Seria algo muito semelhante ao Plano Átmico, dos estudos teosóficos, onde Brahman , o princípio manifestado do imanifesto Parabrham (correspondente ao Ain Soph da cabala) atua "através de suas próprias mãos". O segundo, Briah, conhecido como o Mundo das Criações , constituído pelas esferas ou frutos denominados Chesed, Geburah e Tiphereth, o qual devido à sua maior amplitude de densificação não sofre a atuação direta da divindade manifesta, mas através da intermediação dos Eloin, que são os princípios criadores, os arquitetos cósmicos que engendram e definem a essência dos mundos. O terceiro, Yesirah (Mundo das Formações), de maior amplitude de densificação que o Briah, é formado pelas Sephiroth Netzach, Hod e Yesod . Neste mundo também a intervenção vem ser indireta da divindade manifesta, sendo o plano no qual a ação é ministrada pelas entidades que são denominadas Anjos, no judaísmo e no cristianismo, aos quais se assemelham os "Devas" dos hindus, constituindo o plano espiritual do Devakan, a morada dos Devas. Convém aqui lembrar do nome de uma das obras principais da literatura cabalística que é o Sepher Yesirah, o livro da "formação", que , juntamente com o Sepher  Ha Zohar compõem a base de toda a sabedoria da tradição esotérica do ocidente. O quarto mundo vem a ser o Assiah, que é o mundo da ação , da efetividade da densificação, o qual possui apenas uma esfera , o Malkuth ,   a manifestação final das forças sephirotais, o último estágio da energia onde ela se solidifica. Porém, cabe aqui ressaltar que  Malkuth não é formada apenas pela matéria, mas também seu aspecto psíquico e sutil.( Não esquecendo de  acrescentar a noção primaz de que a matéria nada mais é que energia densificada).
    É importante salientar que, antes que reste qualquer dúvida sobre aquilo que vem ser cada esfera da árvore da vida, é que cada esfera representa uma emanação, e, no mundo físico, que é a canalização de cada uma dessas emanações , todas elas se fazem presentes, pois tudo aquilo que é denso é composto e estruturado por tudo aquilo que é mais sutil. portanto no mundo material há os "sentidos" e "sentimentos", isto é, "Estados de Consciência", representados por cada uma dessas esferas. Aqui pensamos , sentimos e idealizamos. O mundo material, Malkuth é composto por matéria, sentimentos , dos mais instintivos aos mais elevados, "estados de consciência", absolutamente primitivos, e "estados de consciência" expansivos, que ultrapassam os lindes da materialidade. Aqui está  a interpenetração de todas essas emanações. cada uma representa um estado de consciência, em diferentes graus de sutileza que serão explanados a seguir. 
  Esquadrinhando cada uma das Sephiroth,  iniciaremos a análise da Sephirah superior, denominada   Kether,  localizada no topo do pilar do equilíbrio, no triângulo supremo , e esta representa a essência das essências, livre da grandeza física a qual chamamos "Tempo".  É a origem de todas as outras emanações, direcionadas nas demais Sephiroth. Em hebraico a sua significação literal é Coroa. É a luz que concede o poder da compreensão do princípio que não possui um começo. É a experiência espiritual da união com Deus. Sua correspondência no mundo microcósmico é o crânio , a centelha divina existente em cada ser, o Jivatman dos Hindus, o Lótus das Mil Pétalas.
    A segunda Sephirah ,Chokmah, em hebraico traduz-se por sabedoria , cuja localização se faz no topo do pilar, ou coluna da misericórdia. Possui caráter masculino, e é a força da sabedoria representada seu sentido mais puro e de maior abrangência. Representa o arquétipo da intuição, da manifestação,  do discernimento, de onde se diferencia a inteligência da verdadeira sabedoria, mestra de tudo aquilo que se aproxima do "grande caminho da luz", onde Abba, o pai celeste confere a graça da magnitude de sua luz. Está, no Homem, representada pelo hemisfério cerebral direito. Tal representação microcósmica se faz como se a árvore das Sephiroth fosse o reflexo do corpo humano em um espelho plano, e que o Pilar Central, em sua reta, desde Kether até Malkuth, faz a representação dos sete Chakras principais existentes no corpo etéreo do ser humano. A começar com Kether, representando o Sahashara ou Brahmaranda; o cruzamento do Pilar Central com a linha que une Binah e Chokmah, representando o Chakra Ajnan; a Sephirah oculta Daath que representa o Chakra Vishuda; o cruzamento entre a linha que interliga Chesed e Geburah com o Pilar Central que representa o Anahata; a Sephirah Tiphereth que representa o Chakra Manipura; o cruzamento da linha que une Hod e Netzach ao pilar central que representa o Chakra Swaddhistanna; e, por fim o Yesod que representa o Muladhara.

 
    Binah, em hebraico significa entendimento, a primordial manifestação da forma, ainda que arquetípica. Situa-se no topo da coluna da severidade , e microcosmicamente representa o hemisfério cerebral esquerdo .Impõe limitações a Chokmah, pois dá forma à força . A força aderida à forma dá origem a Fé, ou seja a percepção daquilo que não existe como se já existisse. Possui um princípio feminino, como a grande Mãe, que fecundada, gera   o universo. Como o intuito que sempre me proponho é demonstrar a analogia da sabedoria de todas as civilizações (mostrando que a Cabala é o entendimento da essência divina e está presente na sabedoria universal), observamos na teosofia que Fohat fecunda Koilon para nascer o Prakrit, a semente do universo.
   Chesed , também chamada de Gedulah ,em hebraico significa misericórdia, abaixo da Sephirah Chokmah. Representa o triunfo do Eu sobre o ego, o desejo do ideal coletivo, a abnegação, tudo aquilo que está inserido no sentimento da compaixão. aqui representa a morte daquilo que é carne para o renascimento daquilo que é espírito. É considerado como o quarto caminho, o da receptividade, pois descortina as virtudes espirituais no seu aspecto "Crístico": o desejo de doar. É  a esfera primeira das sete  emocionais.Sendo a primeira dos sete múltiplos, esta Sephirah faz um paralelo com o primeiro  dia da criação, o domingo. Como está descrito na Torah, a principal criação no primeiro dia foi a luz. essa é a luz da abnegação. No corpo humano simboliza a mão direita, com a qual se estabelece o reconhecimento fluindo a energia da gentileza. 
    Geburah, significa em hebraico "julgamento". Sua localização efetua-se abaixo de Binah. Representa o questionamento, essencial a todos aqueles que trilham o caminho da verdade, pois sem julgar as ações todos os caminhos se invalidam diante da dúvida. O julgamento é, em si, o juízo que se faz nos princípios da retidão, para que a natureza seja transformada e sejam transpostos os obstáculos que cegam o entendimento. No corpo humano representa a mão esquerda, o principio auxiliar e equilibrante que define o posicionamento.
     Tiphereth da tradução literal do hebraico significa beleza. Está localizada no centro da Árvore Sephirotal, logo ela representa o equilíbrio de toda a Árvore. è a essência transformadora da força e da forma. Na astrologia é representada pelo Sol, o astro que dá luz e desvenda a beleza que se irradia diante dos olhos, por esta razão no corpo humano, além de representar o tronco, que dá sustentação à árvore em si, tem analogia com o Chakra Manipura , que representa o quarto centro psico-espiritual, e se localiza na parte central do corpo etéreo correspondente ao ponto do equilíbrio.
    Netzach, que em hebraico significa Vitória, tem a sua localização na árvore da vida logo abaixo de Chesed. Representa o sentido de vencer a materialidade intrínseca ao próprio ser humano, é a afirmação do sentido de busca, de expansão, da aquisição do saber essencial para aquele que busca superar-se nos caminhos que conduzem à plenitude. No corpo humano representa a perna direita, aquela que dá o passo para a concretização e a positividade.
    Hod, cujo significado em hebraico é esplendor, tem sua localização logo abaixo de Geburah, Hod é uma dimensão relacionada ao auto aperfeiçoamento. Simboliza o refinamento, a identificação com o semelhante . No corpo humano corresponde à perna esquerda, a que aperfeiçoa o sentido dos passos, e dá projeção para os movimentos refinados, dando o aspecto esplêndido à trajetória. Junto com Netzach dá o equilíbrio essencial aos caminhantes da senda da justiça. 
    Yesod significa fundamento em hebraico, se dispõe abaixo de Netzach e Hod. Yesod representa o plano astral, o plano emocional, onde os pensamentos engendram formas e criam"realidades".Astrologicamente corresponde à Lua, o astro mais próximo da terra. É a fundação que existe por detrás do mundo físico, que muitos chamam de Luz Astral ou de Primeira Matéria. Seu nome pronunciado com pausa dá   Yah Sode, que
significa "semente secreta". Yesod é um campo de energia que coordena o trabalho das partículas formadoras da matéria, desde as mais ínfimas até as nossas células corporais. assim como a lua é um reflexo da luz do Sol  é esta Sephirah um reflexo de Tiphereth. Penetrando o homem nesta esfera, inicia para ele, o caminho da iniciação, que é o período de consciência astral. É o nono caminho , o início da exploração da espiritualidade, o ponto de partida para os neófitos nos caminhos do domínio dos mistérios. A relação citada logo acima sobre a relação entre Yesod e Tiphereth indica que,  se a conclusão da grande obra está em Tiphereth, então teremos que purificar as energias anteriores, para a "regeneração", de Hod e Netzach, através de Yesod, donde concluímos que, a esfera da Lua é a base da operação da Grande obra, que é a transmutação daquilo que é ego naquilo que é "SER". Yesod, no âmbito microcósmico , corresponde à genitália, ao chakra raiz, o Muladhara dos hindus, onde dormita o Kundalini, a serpente ígnea que se eleva ao Chakra das mil pétalas, o Brahmaranda ou Sahashara. O fogo que purifica ou ouro.
   Malkuth em hebraico significa reino, e situa-se na posição central mais inferior da árvore. É o reino, o mundo material, ou plano físico, onde é densificado o "material" advindo das demais emanações,. É justamente o distanciamento de kether que provoca o "desejo" de ascensão, o sentimento de incompletude inerente à toda criação. É Malkuth também denominado o caminho de toda a terra, pois só passando por Malkuth é que se poderá ascensionar à senda superior. É como a água repleta de resíduos, que , para ser purificada, necessita passar pelos filtros densos do calcário. Vencer a esfera de Malkuth significa o triunfo da espiritualidade. Yesod é uma ante sala de Malkuth, assim como também Malkuth é uma ante sala de Yesod, pois ambos são a arena de luta entre o ego e o Eu. 
    No rosto humano também existe uma correspondência entre as 10 Sephiroth. A testa, onde se localiza o terceiro olho astral é Kether, os olhos trazem a luz, e são correspondentes a Chokmah;  os ouvidos trazem o equilíbrio e o entendimento, e são portanto Binah; o nariz é a Sephirah de Zeir Anpin (aquilo que antigos mestres da Cabala explicam que, das 10 dimensões que são representadas pelas Sephiroth, seis Sephiroth, Chesed, Geburah, Tiphereth, Netzach ,  Hod e Yesod, estão firmemente compactadas uma dentro da outra, em uma dimensão (Sephirah) chamada  Zeir Anpin ou Mundo superior. Toda a luz projetada no nosso plano físico é proveniente de Zeir Anpin); a boca é Malkuth.
   Esta é a árvore da vida, cuja explicação mais profícua  talvez necessite de um volume completo, mas foi aqui sintetizada dentro de um resumo no qual foram compactadas informações mais necessárias a um entendimento básico. E através deste resumo poderemos concluir que todas essas dimensões se permeiam dentro de uma perspectiva cósmica. Há seres que vivem em Malkuth, mas possuem a espiritualidade de Hod, outros de Yesod, outros em Tiphereth, e muitos no próprio Malkuth, inseridos em seu mundo egocêntrico e impregnado de toda a mais densa materialidade. Contudo mesmo aqueles que possuem a espiritualidade retornada a Tiphereth, passaram um dia por Malkuth, e compreendem que o caminho do retorno é constituído por passos, sejam eles longos ou curtos, rápidos ou lentos. Há rios que atravessam os desertos. Tudo se resume em uma jornada, em um caminho de retorno, mesmo que nossos rios sejam lentos, mesmo que nossos desertos sejam imensos. 
    Namastê.