A Simbologia Esotérica.
Símbolo é uma palavra de origem grega,
"Symbolon", cujo significado é sinal ou signo, que vem ser a
representação de uma realidade abstrata, tornando-se uma iconografia fundamental
no processo de identificação, de caráter indicativo, onde se estabelece
referência sugestiva de algo maior e mais profundo.
As próprias letras são símbolos,
grafias de sons e linguagem fonética, com referência precisa no vocabulário de determinada
cultura.
Os primeiros desenhos dos seres humanos
nas paredes das cavernas representam a grafia de eventos, situações ou seres
que estes desejavam tipificar sob sua tosca e incipiente arte de configuração.
Determinados riscos desenhavam os próprios seres humanos, ponta representavam
armas, outros riscos os animais, formando caçadas, eventos sob pequeno círculo
em meio a pequenos traços contíguos, que representavam o Sol, talvez o primeiro
símbolo de uma nascente forma de divindade.
A
complexidade da escrita nasceu através do gradativo aprimoramento de pequenos
sinais, como poderemos ver nos escritos cuneiformes das primeiras civilizações
mesopotâmicas, e nos intrincados hieróglifos das avançadas civilizações do
Nilo. Contudo, houve a necessidade de se estabelecer a representação de ideias,
cada vez maior em nível de complexidade, em uma única representação conotativa.
Nascia, assim, a simbologia esotérica, onde pequenos sinais e figuras
justapostas desafiavam indicavam padrões do avanço da compreensão humana dentro
das perspectivas da semiótica.
Para maior organização dos símbolos mais
comuns na literatura esotérica, resolvemos seguir à ordem alfabética,
facilitando qualquer futura consulta individual.
A Ankh ou
Cruz Ansata.
É um antiquíssimo símbolo egípcio que
faz conotação com à imortalidade. O aro superior representa a eternidade
cíclica, que os antigos personificavam através do Sol em seu "eterno"
sequenciamento, sobre uma trave horizontal, representativa do horizonte e,
abaixo desta, uma trave vertical, que alinhava o caminho do sol em relação ao
mundo visível. É o sol espiritual cíclico, regente da vida, muito além da
materialidade. A vida eterna que se estabelecia entre as sucessivas
existências, o elo indelével entre o homem, inferior e à divindade superior,
com a qual está eternamente conectado. E tal conexão se estabelece inteiramente
neste símbolo, onde, a vida física na terra, estaria sob a divina regência de
uma vida eterna acima das perspectivas humanas. Por isso a Ankh era também
conhecida como a "chave da vida", conferindo proteção, sabedoria e
fertilidade a todos aqueles que portassem o sagrado objeto de conexão divina.
BAPHOMET.
Aparentemente este símbolo sugere um
demônio, algo assustador à primeira vista. E talvez seja esta sua intenção para
com os leigos, porém, não com os iniciados nos mistérios do ocultismo,
simplesmente porque Baphomet é uma imagem cuja simbologia remete à cabala, a
alquimia, a astrologia e o hermetismo. É uma das mais ricas simbologias em todo
contexto esotérico, riqueza esta que repele todos aqueles que desconhecem seu
verdadeiro significado, que se assombram diante da figura, sem dúvida,
execrável, para todos aqueles que ainda vivem sob a sombria atmosfera da idade
média. Atmosfera esta, muito mais horripilante que esta magnífica representação
da sabedoria essencial à elevação das consciências.
A própria palavra "Baphomet"
provém de uma sequência hebraica, a "Atbash", uma codificação
cabalística da qual extraímos a palavra grega "Sophia", cujo
significado é a sabedoria.
Em sua cabeça poderemos notar as
características de três animais: o bode, o touro e o chacal, e cada um deles
faz referência a determinado princípio alquímico. O chacal, figura de Anúbis,
representa o esperma dos metais, precisamente mercúrio. O touro, elemento
terra, representa o sal; e, finalmente o bode, enceta a figuração ignea, o
enxofre. Aqui temos o enxofre, o sal e o mercúrio, os três princípios
alquímicos sob a tocha, que representa a luz e a sabedoria divina essencial à
Grande Circulação.
Aquilo que, aparentemente, nos assalta
à primeira vista como dois chifres, são, na verdade, os pilares da severidade,
à esquerda, e o da misericórdia à direita, e, a própria tocha como o pilar do
equilíbrio, do centro da Árvore da Vida; o influxo do tempo e da matéria da
Sephirah de Binah; a energia e o espaço da Sephirah de Chokmah, e a suprema
consciência da Sephirah de Kether, respectivamente.
À sua direita vemos a lua branca, a
Sephirah de Chesed, em sua visão magnânima de amor, a primeira manifestação da
Árvore como Microprosopos, o universo em sua manifestação. Abaixo, à esquerda vemos
a lua negra, representando a Sephirah de Geburah, em sua força e severidade,
Júpiter e Marte, respectivamente, sob suas atribuições benéfica e maléfica.
Observamos o pentagrama em sua testa, e
notamos que não está invertido, representando o domínio do espírito sobre os
quatro elementos da materialidade, neste contexto se estabelece como a estrela
da manhã, aquela que desponta ante nossos olhos no céu das primeiras luzes, o
planeta Vênus, representação dos sentimentos, da arte e da atração.
As pernas cruzadas representam o
entrelaçamento do espírito à matéria, que se processa na dimensão evolutiva da
Sephirah de Malkuth.
Observamos seus braços, um indicando o
céu, outro indicando a terra, o princípio hermético da correspondência:
"Aquilo que está em baixo é igual àquilo que está em cima"; o
microcosmo em sua sagrada correspondência ao macrocosmo. Nestes mesmos braços
vemos transcritas as palavras "solve" e "coagula" — A
dissolução da luz astral, no braço apontando para cima, e a coagulação no plano
físico, todo o processo da co-criação, o poder da concretização física através
da plasmação astral, a manifestação física que se consegue através da
mentalização — o grande poder do Kryiashakty.
Observemos as escamas em seu ventre, o
domínio sobre o princípio aquoso, o emocional, as asas, o domínio do espaço
aéreo, a racionalidade; os pés de bode, o domínio da terra, a percepção; e o
fogo sobre a tocha, o domínio ígneo, a intuição.
Vejamos agora os seios. Nesta
configuração se estabelece o princípio da androgenia, o sequenciamento
espiritual que denota aquele que se situa acima do gênero, este mesmo gênero peculiar
apenas ao plano físico e às entidades que ainda permanecem a ele ligado.
Baphomet está em parte vestido e em
parte nu. Sua vestimenta representa a perspectiva física, transitória quanto
uma roupagem, da qual se veste o espírito em cada veículo de manifestação na
diversidade dos mundos.
O falo de Baphomet é o caduceu, o qual
veremos especificamente mais adiante, embora neste contexto possa sugerir o
Nadi Sushuma, que desperta no Chakra raiz Muladhara e ascende na ativação dos
Chakras em sua sequência superior.
Ele se assenta sobre um cubo, e este
cubo jaz sobre uma esfera. O cubo, como podemos concluir, representa o
quaternário, o mundo material da Sephirah de Malkuth, a esfera o universo, a
totalidade, a suprema divindade imanente no todo, no qual todos os mundos se
interpenetram.
Toda esta simbologia faz de Baphomet a
mais bela representação dos grandes mistérios do universo. Definitivamente não
é um ser, nem qualquer outro tipo de entidade, mas uma simbologia, que rejubila
os sábios, desafia os negócios e afugenta os covardes ainda presos às mais
limitantes das crenças.
O Caduceu.
Também conhecido como o Emblema de
Hermes, ou Caduceu de Mercúrio, vem ser um bastão alado, com um globo dourado
em sua extremidade superior, entrelaçado por duas serpentes que se encaram
frontalmente logo abaixo de suas asas.
A serpente à esquerda do bastão
representa a vida sob o direcionamento do livre arbítrio, cujo nome é Odi. A
serpente da esquerda do bastão representa a vida sob seus aspectos kármicos,
resultante do livre arbítrio pretérito os quais fazem seu direcionamento
através do destino previamente estabelecido, e seu nome é Obi. O globo dourado,
cujo nome é Aur, representa a luz do equilíbrio, o domínio da suprema
consciência.
O sentido esotérico deste símbolo está
no perfeito equilíbrio advindo da sabedoria e da elevação dos níveis de
consciência, onde se ascende a energia telúrica do Kundalini, seguindo seu
caminho através do pilar ascensional. As serpentes, em disposição oposta,
configuram a analogia dos contrários, que se assomam para estabelecer o
equilíbrio do dinamismo essencial à "vida".
O Caduceu é sempre muito confundido com
o Bastão de Asclépio que é simplesmente uma cobra entrelaçada a um bastão, a
qual é o símbolo da cura alicerçada na simbologia da renovação, pois a cobra se
renova constantemente em sua troca de pele; e o bastão representa o tronco
central da árvore da vida, o pilar do equilíbrio que dá sustentação a todos os
propósitos estabelecidos em conformidade com a sabedoria. O Bastão de Asclépio
tornou-se o símbolo da medicina, pois Asclépio era o grande terapeuta, aluno de
Quiron. O Caduceu se associa ao próprio Hermes, o mensageiro dos céus, contando
a integração, o intercâmbio, e por isso o comércio e todas as atividades a ele
relacionadas, como as ciências contábeis.
O Caduceu também foi conhecido, na
remota antiguidade, como o Bastão dos Arautos, ou seja, a representação da
própria eternidade, pois as serpentes se entrelaçam formando o número oito, as
forças antagônicas que estabelecem o eterno movimento da dinâmica cósmica, na
verticalidade que se ascende ao "retorno", o caminho místico da
unidade suprema.
Círculo.
O
círculo é um dos primeiros símbolos utilizados pelos seres humanos para
estabelecer conexão entre a concretude e o abstrato. Expressava todas as
direções a partir do ponto central, no caso o ser humano e todo o seu derredor,
até onde alcançava a sua visão, estabelecendo a ligação entre o homem e a
divindade, e com ela, todos os ciclos que regem a vida: o dia, a noite, as
estações, o Sol, a lua, o movimento dos astros, e o próprio ciclo da morte e do
nascimento.
É fácil notar, nos antigos monumentos
do período paleolítico, as formações circulares, sempre ligadas aos fenômenos
astronômicos; nos tempos em que a astrologia e a astronomia em nada se
diferenciavam. Tanto que toda a eclíptica das "estrelas fixas" foi
disposta em um círculo, que denominamos Zodíaco.
O ciclo não simboliza apenas a
eternidade cíclica do universo, simboliza o movimento, o tempo, a expansão. O
ponto dentro do círculo representa a origem do universo, o "Ovo
Primordial".
A célebre frase: "_Deus est
sphaera infinita cuius centrum est ubique, circumferentia nusquam_”, ou
seja: “Deus é uma esfera infinita, cujo
centro está em toda parte e cuja circunferência não está em lugar nenhum”.—
Disse Santo Agostinho repetindo Empédocles. O círculo, pois, sugere a divindade,
seja em sua eterna trajetória cíclica, seja na sua infinita expansão a partir
de cada ponto.
A Cruz
A simbologia da cruz reside conjugar
os opostos, externando a adesão dos contrários, na grande poder subjacente às forças antagônicas. A trave
vertical pode ser tomada como uma polaridade masculina, a trave horizontal como
uma polaridade feminina. Utilizei o verbo "poder" justamente porque
cada trave representa polaridades opostas, como o positivo e o negativo, o
superior e o inferior, o sol e a lua, o ativo e o passivo, a vida e a morte, o
espírito e a matéria. Representa a chave da polaridade, e, por esta razão, em
inúmeras ritualísticas é utilizada como ancoragem de bloqueio.
Como uma intersecção entre dois
segmentos, estabelece simboliza o sequenciamento restante, por esta razão que
se diz "cruzamento", quando duas características distintas se unem
para estabelecer a resultante desta união. Mesmo em determinados rituais, a
encruzilhada de caminhos representa um forte ancoramento de manifestações extra
físicas, estimuladas pela força arquetípica alicerçada na dualidade espírito e
matéria.
A Cruz, em seu sentido mais profundo,
representa a androgenia dual consistente às ocorrências de toda a fenomenologia
natural, e sob este prisma, representa o homem ascenso em sua auto realização,
o qual, crucificado em seu ego, renasce como Ser na unidade sagrada da
plenitude existencial.
A cruz também representa o quaternário
misterioso, os quatro reinos: em sua totalidade representa o substrato mineral,
em sua haste vertical inferior o reino vegetal, a haste horizontal o reino
animal, e, em sua haste vertical superior o homem em seu caminho evolutivo
dirigido para o alto.
Aqueles que pensam ser a cruz,
exclusivamente, um símbolo cristão desconhecem a sua origem. Pois sua
simbologia se perde nas brumas do tempo. Já era um símbolo muito comum nas
primeiras dinastias do povo do antigo Egito; sendo utilizada também pelos
fenícios, persas, medos, celtas, entre outros. E, por esta grande diversidade
de culturas e povos, surgiram inúmeros outros símbolos derivados da simples
intersecção de segmentos de reta. Dos quais dissertaremos a seguir.
A Cruz do Zodíaco.
Vem ser uma cruz dentro do círculo, um
antiquíssimo símbolo demonstrativo do caminho através do qual "o sol faz a
sua viagem" através da eclíptica, passando pelas doze estações, ou signos.
Ela divide o zodíaco em quadrantes, os quais representam os solstícios de verão
e inverno, e os equinócios de outono e primavera. A Cruz Celta aparenta ser a
mais próxima derivação desta, se apresentando como uma cruz com um círculo
imediatamente atrás que lhe faz intersecção. Muito anterior ao cristianismo, a
Cruz Celta remonta ao equilíbrio da existência em sua eternidade cíclica, assim
como os quatro elementos em sua junção, essencial à vida física.
A Cruz Gamada ou
Suástica.
A Cruz Gamada apresenta sua conformação
em uma cruz cujas extremidades são dobradas em sentido horário ou anti-horário,
em suas variações, formando um ângulo de 90° com seus eixos principais que
surgem do centro, estabelecendo perfeita simetria. Ela representa, em sentido
geral, o movimento cíclico das existências, e a plenitude de vida no sentido de
sua regeneração.
É um símbolo extremamente antigo, e seu
nome deriva da palavra sânscrita "svtika", cuja significação é
"bem estar". Foi inspirada nos movimentos cíclicos do sol pelos povos
indo arianos, há mais de sete mil anos, por isso é um símbolo amplamente
utilizado no hinduísmo, no jainismo e no budismo
A Suástica com os braços voltados à
direita, no sentido horário, representa a polaridade masculina; em sentido
anti-horário, com os braços voltados à esquerda, representa a polaridade
feminina.
É a representação dos eflúvios cíclicos
dos renascimentos, indicando a constante
renovação através das sucessões das existências, indicando o sentido
evolutivo do universo, seguindo a sequência do tempo nos caminhos da
eternidade.
Este símbolo de grande profundidade
filosófica e religiosa, no entanto, é até hoje estigmatizado por inúmeras
pessoas em todo mundo devido à sua utilização pelos nazistas, a pior e mais
nefasta das ideologias já surgidas na história da humanidade. Os nazistas se
apropriaram deste símbolo justamente por sua origem indo ária, utilizando-o
como referência da identidade ariana e orgulho nacional da Alemanha Nazista. O
essencial, no entanto, é ter em consciência que tal símbolo já existia há sete
mil anos antes da formação do primeiro reino importante da Europa Central, e,
em seu aspecto original e essencial, denota todo o equilíbrio da regeneração
cíclica, consubstanciado no dinamismo cósmico, na universal consciência que
plasma as existências.
Cruz de Malta
Também conhecida como Cruz de São João,
é uma cruz na qual cada um de seus quatro segmentos divide em duas partes,
formando um símbolo de oito pontas, ou quatro letras V, dispostas em cruz. Está
associada com a Ordem dos Cavaleiros de São João da Ilha de Malta, os
Cavaleiros Hospitaleiros. Simboliza as forças centrípetas do espírito. Suas
oito pontas simbolizam as obrigações dos cavaleiros, a saber: ter a vida na
verdade, ter a vida na fé, disposição ao arrependimento das faltas, perseverar
na humildade, perseguir o senso de justiça, exercitar a misericórdia, exercer a
sinceridade e suportar as provações.
Cruz Templária.
Também chamada de Cruz Pátea, possui
seus segmentos mais largos à medida que se distanciam do centro, tendo suas
pontas bastante ampliadas, assemelhando-se a "patas", por esta razão
o nome de Cruz Pátea.
Seu formato mais comum é aquele que
apresenta as pontas ligeiramente côncavas, especificamente utilizada pelos
Cavaleiros Templários. Há também versões cujo formato das pontas é convexos,
assim como inúmeras outras variações de pontas planas, triangulares (como a
Cruz de São Jorge), algumas das quais o triângulo chega quase a fechar todo o
espaço.
A Cruz Templária tem sempre a cor
vermelha representando a fé e a proteção. O centro representa a origem, o ponto
inicial de toda a criação, onde reside toda força criadora, a síntese de todas
as possibilidades o princípio da Emanação Divina, a partir da qual toda
pluralidade será possível; a manifestação divina será a expansão deste ponto,
traçada na cruz seguindo as direções do espaço.
A Cruz de
Caravaca.
Vem ser um crucifixo disposto com duas barras horizontais, onde a barra
horizontal superior, sendo a trave de cima menor que a trave de baixo.
Assemelha-se e, até mesmo se confunde com a Cruz de Lorena, devido à enorme
similaridade. A diferença, contudo, está na presença de dois anjos na porção
inferior, um de cada lado, na Cruz de Caravaca. Simboliza a providência divina
e seu conseguinte poder e proteção. Sua história envolve lendas e crenças
asseveradas ao longo de sua longa história, que remonta desde o século XIII da
era cristã, a qual tem seu nome derivado da cidade da Espanha na qual ocorreram
os supostos milagres.
A Cruz e a Rosa.
Símbolo da Ordem Rosacruz, onde a cruz
representa a matéria, mais especificamente o homem, com os braços abertos em
saudação ao sol, a luz maior em sua plenitude; e a rosa representa a
espiritualidade, ou a unidade do homem em sua missão cósmica, a intercessão da
materialidade e da espiritualidade, o mundo material e o espiritual. A linha
vertical conduz ao plano superior, e a linha horizontal da cruz rrpresenta o
reino animal, o plano dos instintos que o homem sobrepõe em seu caminho
ascensional. A cruz representa o corpo físico, e a rosa, em seu desabrochar, o
quanto o homem vai evoluindo nos caminhos da espiritualidade. A rosa é a purificação
que desvanece os desejos carnais. A cruz traz em si o conhecimento, a rosa a
sabedoria, polaridade masculina e feminina, na síntese dos elevados
sequenciamentos.
Dharmachakra ou A
Roda do Dharma.
Evoluído à partir do hinduísmo, a Roda
do Dharma foi se aprimorando até se tornar um símbolo quase que exclusivamente
budista. Vem ser uma figura semelhante, ao mesmo tempo, a uma roda de carruagem
e o timão das antigas embarcações, cujos raios variam de número. A representação
no centro é muito variável. Possui, portanto, quatro porções distintas em sua
configuração: o círculo que representa o Dharma, o "correto caminho";
a borda da roda que representa a atenção plena; o eixo que representa a
disciplina consubstanciada na moralidade e os raios cujos significados variam
segundo seu número. Quatro raios: as quatro nobres verdades. Oito raios, que é
a representação mais usual: o caminho óctuplo do budismo. Dez raios: representa
a abrangência de todas as direções. Doze raios: os doze elos da originação do
budismo. Vinte e quatro raios é a figura chamada Roda de Assoka, por ser um dos
monumentos edificados pelo grande rei, patrono do budismo no século II, e
representa a libertação do Samsara, o ciclo das encarnações. Muitas vezes no
eixo estão representadas três figuras preenchendo o círculo, que representam as
três joias do budismo: Buda, Dharma e Sangha (assembleia ou ordem religiosa
estabelecida no budismo).
A Roda do Dharma é um símbolo muito
utilizado para a concentração que precede os estados meditativos, comuns à
religião budista.
O Dragão.
A simbologia do Dragão envolve duas
diferentes perspectivas, a ocidental e a oriental.
No ocidente está relacionada ao
maléfico, ao monstro aterrorizante, guardião dos tesouros e passagens para
novas paragens. Seguindo a Bíblia observamos a figura do leviatã, a besta que
batalha contra o bem na figura demoníaca daquele que se faz destruidor.
Perfigura-se como um mal a ser enfrentado, a iniciação onde a derrota da
negatividade se faz essencial para que sejam descortinados novos horizontes e
novas sendas. Associado diretamente à serpente simboliza o mal vencido por
Cristo, assim como o mal enfrentado por São Jorge, cavaleiro, destruindo sua
própria negatividade encarnada sob tal estigmatizada figura traspassada pela
lança. Ainda no ocidente pagão podemos vê-lo no mito germânico de Siegfried, na
qual Sigurdo mata o dragão, no qual Fafnir havia se transformado para proteger
seu tesouro.
Na perspectiva oriental, o dragão é
visto por uma ótica completamente diversa, simbolizando o poder divino, a
harmonia dos contrários, a imortalidade e a própria sabedoria, como demostra
Helena Petrovna Blavatsky na sua obra A Doutrina Secreta.
Podemos ver nas lendas do
oriente, o dragão, habitantes das grutas e profundezas da terra, ser também um
animal alado, que voa pelos ares, simbolizando a harmonia dos contrários, a
conexão dos opostos, que vive na umidade e exala fogo através de sua boca;
podemos ver nestes aspectos a ação figurativa dos quatro elementos, tendo
íntima relação entre o Yin e Yang na China, onde o diagrama é muitas vezes
representado por dois dragões, um claro e outro escuro. Está presente nos
brasões e bandeiras de alguns países, como o País de Gales na Europa e o Butão,
na Ásia.
Eneagrama.
Simbologia reverenciada por grandes
nomes da antiguidade como Zoroastro e Pitágoras, e modernamente George
Ivanovich Gurdjieff, mestre do denominado "Quarto Caminho" o qual
considerava o eneagrama um mapa norteador.
O eneagrama vem ser uma figura
geométrica que, em seu aspecto geral, representa os nove padrões fundamentais
da personalidade humana e suas interpenetrações.
Tal símbolo, desenho gráfico de nove
pontos, estampa três figuras que nos descortinam à visão: o círculo, o
triângulo e a héxade (figura que surge através da ligação dos seis pontos do
eneagrama 1,4,2,8,5,7). Cada uma dessas figuras revela uma lei universal.
O círculo traz em si a lei da unidade,
na qual encontramos a revelação cósmica de que “todos somos um”, dentro da
realidade única na qual dispõe o universo.
O triângulo nos revela a sagrada lei
do três, onde a unidade em essência se faz em tripla manifestação; no
macrocosmo: Pai, Filho e Espírito; no microcosmo: a ação, a razão e a emoção.
A héxade traz em si a lei dos sete, que
alguns mestres também chamam "lei das oitavas", e esta nos expõe todo
o dinamismo essencial do universo, que, sob regências cíclicas, abomina o
vazio, o estático e o retrocesso. Nela vemos os sete planos de existência, os
sete veículos do espírito humano em seus corpos para cada plano e todo o
processo evolutivo dos estados emocionais.
O eneagrama é a junção destes três
elementos e suas leis correspondentes, plasmando a integridade e a identidade
sequencial resultante desta sagrada interação.
Escaravelho.
É um antigo símbolo egípcio retratado
nos templos, nos monumentos e tumbas, em muito dos quais aparece empurrando uma
imagem do sol, assim como faz com o estrume. Era um talismã de sorte naqueles
povos, pois ele renascia nas sombras, advindo dos dejetos, passando assim a
simbolizar o retorno a vida.
Sua
imagem faz referência à ressurreição, e, de certa forma, à eternidade, pois
suplanta a brevidade da vida. Mas imagens que aparece empurrando o sol, mostra
sua correspondência com esse astro, o qual, assim como o inseto, nasce por si
mesmo, surgindo das sombras externando vida e força. Indicando as forças
criativas, nos sarcófagos, plasmava a configuração da vida, a saudação à
existência, que a morte era incapaz de conter, ressurgindo à luz na eterna
novidade de cada existência.
A Esfinge.
Um dos mais antigos monumentos da
humanidade relativamente bem preservado, a esfinge da Gizé, construída no
antigo Egito sempre intrigou o homem. É este monumento a representação
característica da esfinge sob os moldes egípcios. Embora muitos autores citem a
existência de quatro animais diferentes, touro, leão, águia e homem,
representando o quaternário, e Esfinge, como a conhecemos, nas proximidades das
pirâmides possui o corpo de um leão com a cabeça humana, simbolizando o poder e
a realeza. Adentrando em maior profundidade na mística do país de Mizrain, sua
simbologia reflete o mistério, o sagrado e a própria sabedoria.
Alguns autores acreditam que a esfinge
egípcia seja uma variação importada da esfinge grega, suposição que humildemente
discordo, pois a civilização egípcia é comprovadamente muito mais antiga que a
grega, e acredito ser muito mais provável a situação inversa.
Na versão grega a esfinge possui
uma conotação destrutiva, apresentando corpo de leão, asas de pássaro e rosto
feminino, e simbolizava a tirania e a destruição, como podemos ver nas lendas
onde Édipo, filho de Laio, decifrou o enigma, libertando a cidade de Tebas de
sua maldição.
Como podemos concluir a simbologia de
intrincada conotação esotérica que muitos atribuem à esfinge, aparentemente,
está amparada muito mais no caráter imaginário que em algum aspecto místico.
Espiral Tripla.
(Triskle).
Também chamado de Triskle Celta, evoca
o princípio animista da religiosidade celta, o qual condiciona toda existência
aos princípios energéticos que geram os mundos através das sequências
espiraladas de propagação. Sua simbologia está relacionada às fases da vida: a
criança, o adulto e ao velho, e, especialmente no sexo feminino: a virgem, a
mãe e a velha. Faz dessa forma a conotação com os ciclos da existência, a vida,
a morte e o renascimento, assim como também a mente, o corpo e o espírito.
Estrela de David.
Conhecida em hebraico pelo nome
"Magen David", em hebraico "escudo de David", remonta o
período da formação do Reino de Israel, permanecendo como símbolo nos escudos
mesmo após o cisma das doze tribos, presente na tribo de Judá, fiel à dinastia
do Rei David. Está presente, até os dias de hoje, na bandeira do Estado de
Israel, fundado nos finais da década de quarenta.
É constituída por dois triângulos
sobrepostos, e sua conformação por base triangular segui a sequência das letras
hebraicas que formam o nome de David, o "Dalet", o "Vau" e
o "Dalet", os três pontos dos quais surge o triângulo.
O triângulo superior significa a
divindade, uno em essência e trino em manifestação, o triângulo inferior
representa o homem, em corpo, alma e espírito; e a sobreposição na qual ambos
formam a estrela, o homem aderido à divindade, na sua plenitude do ser, a união
entre o céu e a terra.
Os doze lados da estrela representa as
12 tribos de Israel, o número doze, do equilíbrio, da justiça e da elevação,
cuja soma cabalística é 3, novamente os pontos que formam o triângulo. Nela
podemos ver os quatro triângulos representação dos quatro elementos: a água, a
terra, o fogo e o ar, assim como toda a sequência da árvore da vida (Cabala),
onde o topo pergunta a Sephirah de Kether.
Cada um dos seus seis pontos possuem
uma referência simbólica, iniciando pelo vértice superior, em sentido horário:
misericórdia, justiça, bem, verdade, amor e perdão.
Ocorre muita confusão entre a Estrela
de David e outro símbolo hebraico, o Selo de Salomão, os quais, apesar das
explícitas similitudes, possuem algumas diferenças, que veremos logo mais
adiante.
A Estrela dos
Magos.
A Estrela dos Magos é também chamada
Heptagrama. No entanto, existe a representação, conforme a figura acima, muito
utilizada na literatura e ordens esotéricas, que difere da figura geometrizada
específica do Heptagrama, à qual por motivos didáticos, resolvi expor
separadamente. Certamente Heptagrama e Estrela dos Magos são nomes diferentes
para o mesmo símbolo, mas devido às representações distintas resolvi dissertar
separadamente cada uma delas. Esta primeira exponho com o nome de Estrela dos
Magos, a segunda Heptagrama, como será fácil de notar, são as mesmas figuras,
porém dispostas sob simbologias distintas.
Representa o homem em seu estado de
perfeição, o ser resultante da redenção plena dos caminhos ascensionais.
Em seu ápice está a representação da
cabeça, as pontas superiores laterais, esquerda e direita, seus membros
superiores, os braços; as pontas laterais inferiores, as pernas em sua
simetria.
No círculo localizado exatamente ao
centro é representado o coração, o propulsor da vida, a qual irradia para todo
o perímetro adjacente. A vida, que deste ponto é emanada, revela em si a
própria existência, o fundamento do ser, cuja expressão "Eu Sou"
referenda a realidade de ser, estar e vivenciar.
A ponta apical, de matiz amarelo
dourado, direciona-se ao Sol e representa a vontade, essência do livre
arbítrio, que consagra o aspecto do aprimoramento.
A ponta superior à direita de cor
avermelhada, faz equivalência ao braço e à mão direita, à destra dirigida a
Marte, o planeta que irradia a força e a vitalidade energética.
A ponta superior esquerda apresenta a
tonalidade esverdeada, correspondendo aí braço esquerdo e à mão esquerda
dirigida a Vênus, o planeta que inspira beleza, amor e sua consequente atração.
A ponta inferior à direita possui matiz
amarelada, e faz correspondência à perna direita; dirige-se à Saturno, o
planeta que tipifica a experiência, conforme demonstra a figura.
A ponta inferior à esquerda de cor
violeta corresponde à perna esquerda, e se direciona a Júpiter, o grande
benéfico da elevação e consequentemente ação.
Do centro saem pequenas pontas com as
palavras Harmonia, Amor, Verdade e Justiça, atributos da divindade imanente.
A Estupa.
Símbolo budista que remonta o período
anterior ao próprio budismo. Sua estrutura completa representa o próprio
universo. Vamos tratar exclusivamente da Estupa geométrica, da qual derivam
todas as expressões arquitetônicas e esculturais da cultura budista. A base da
figura é um cubo, representado na maioria das vezes de cor amarelo ouro, o qual
representa o elemento terra. Sobre este cubo há uma circunferência, geralmente
de cor branca, simbolizando o elemento água; esta é encimada por um triângulo,
comumente vermelho, expressão do elemento fogo, que, por sua vez tem acima um
meio círculo, ou a "crescente",
assemelhando-se a uma tigela, cujas representações variam desde o preto
até o cinza claro, que simboliza o elemento ar. Sobre esta aparente tigela,
vemos a imagem de uma "gota", de cor normalmente azulada, que
representa o éter.
A sua base (material) está conectada ao
pináculo (essência espiritual), por uma linha imaginária em seu interior, o
"eixo cósmico", a interpenetração ou conexão entre todas as
realidades, que traz subjacente a essência primordial da própria existência.
Flor de Lótus.
É seguramente um dos mais belos
símbolos, tanto no hinduísmo quanto no budismo. Sua representação,
paradoxalmente, evoca a simplicidade explícita na beleza de uma flor que surge
dos lodaçais, quanto na metafísica espiritual dos ciclos ascendentes da
transformação. Toda beleza e perfeição que surge a partir do caos, contrastante
com sua aparente origem nas águas pútridas. É a centelha divina imanente em
todas as coisas, na sua manifestação espiritual de beleza, grandeza e
luminosidade.
O símbolo tradicional da Flor de Lótus
tem sua representação estampada em oito pétalas, que se relacionam com as oito
direções do espaço. Seu substrato são as águas turvas, que representam os graus
primitivos, instintivos do individualismo, que, seguindo os caminhos da luz, do
amor e entendimento, renascem através da transformação rumo à divindade, cuja
flor autentica a pureza deste elevadíssimo nível de elevação. É o símbolo da
harmonia cósmica deflagrado a partir no nascimento do novo ser, a partir da
"morte do ego", nas turvas águas da ignorância e da ilusão.
Heptagrama.
Fiz, para estabelecer melhor didática a
distinção do heptagrama com a Estrela dos Magos, devido à diferença que existe
no delineamento das duas variações que surgem sob duas formas distintas na
literatura esotérica, conforme expliquei anteriormente.
Heptagrama é uma estrela de sete
pontas, também chamada por alguns de Estrela dos Elfos. Sua conformação e até
mesmo seu próprio prefixo "hepta", demonstram que esta figura está
diretamente relacionada com o número sete, o setenário e suas correspondências
esotéricas.
Suas pontas possuem
correspondência direta com os sete "planetas" visíveis a olho nu do
zodíaco. Sua cúspide superior se relaciona ao Sol, o astro rei que comanda todo
o sistema, seguindo em sentido horário teremos vênus na segunda ponta, mercúrio
na terceira e Lua na quarta; vindo Saturno logo na quinta, Júpiter na sexta e
finalmente Marte na sétima ponta.
É utilizado na astrologia para
esquematizar os planetas regentes de cada ciclo e de cada ano.
Suas correspondências relacionam-se com
os sete planos de existência, os sete corpos, veículos do Jivatman para cada
plano, sete dias da semana, sete direções sagradas, sete cores do arco-íris,
sete notas musicais e todo setenário em suas mais diversas expressões surgidas
a partir do ternário.
Hexagrama
Unicursal.
Trata-se de uma estrela de sete pontas,
a qual pode ser grafada de forma contínua, com linhas contínuas entrelaçadas
umas sobre as outras, diferente do hexagrama que se configura como a conhecida
Estrela de David, formada pela sobreposição de dois triângulos em disposições
contrárias e por isso o nome unicursal.
Na magia possui a nítida função de
barreira energética, por ser estabelecida através de uma única linha, que
confere unidade e força inexpugnável, dentro dos princípios da ancoragem nos
rituais de magia. Representa as forças do microcosmo em perfeito entrelaçamento
com as forças macrocósmicas na inabalável estruturação da unidade. É utilizado
na magia thelêmica, porém, com o acréscimo de um pequeno pentagrama, ou um
trevo de cinco folhas no seu centro.
Lingam.
Símbolo da sexualidade e da potência
masculina, é, no hinduísmo a representação de Shiva, por isso chamado Shiva
Lingam, cuja significação, em sânscrito, vem ser "marco", ou
"signo". Seu uso religioso remonta os tempos da cultura védica, há
mais de três milênios anteriores à era cristã.
Trata-se de um pilar com a ponta
arredondada, representando um fluxo de energia advindo do órgão genital, em
ereção, de Shiva, muitas vezes sobre o Yoni, representação do órgão genital
feminino da deusa Parvati, consorte de Shiva.
Por se tratar de um símbolo fálico,
causou repulsa aos primeiros ocidentais em contato com a civilização hindu, no
entanto, o falo sempre simbolizou a fecundidade e a potência presente na
natureza, longe de qualquer conotação pornográfica ou mesmo estimulante à
sexualidade. É visto muito mais através do estímulo procriativo que ligado à
lubricidade.
A Lua Tripla ou Triluna.
Advinda da cultura celta, embora sua
utilização seja recente, surgida principalmente com o advento da Wicca e outros
movimentos neopagãos, representa a unidade existente nas fases da Lua, porém
não as quatro fases, e sim três: a crescente, a cheia e a minguante; fases
estas que fazem correspondência aos ciclos da vida, personificada no que se
denominou "deusa tripla" cuja divisão vem ser a donzela, a mãe e a
anciã.
O símbolo consiste em uma lua cheia, em
formato de círculo, ao centro, tendo à sua direita a lua crescente e à sua
esquerda a lua minguante, intimamente ligadas.
Sua simbologia está relacionada com a
polaridade feminina e seus aspectos de transformação correspondentes às
transformações da lua, que toma diversas formas através dos seus ciclos de
lunações.
A crescente, donzela, representa a
promessa de novos caminhos e perspectivas, em toda expansão presente no
entusiasmo das primeiras experiências.
O plenilúnio, a mãe, representa a
maturação e toda fertilidade procriativa, externando o respeito, o poder e a
determinação.
A minguante, anciã, representa a
sabedoria, o dever cumprido, a realização e o preparo para a finalização de um
ciclo.
Mão de Fátima.
Também Hansá, no hebraico, e Chansá do
árabe, são um símbolo comum tanto no judaísmo e no islamismo. É um símbolo
simétrico, com o anular ao centro sobressaindo aos demais, tendo o indicador e
o anular com as mesmas dimensões e o polegar e o mínimo também do mesmo
tamanho.
Comumente possui um olho no centro, mas
também existem inúmeras versões com inscrições, em caracteres árabes ou
hebraicos, com a Estrela de David, e outros desenhos que enfatizam seu
simbolismo. O qual é utilizado contra a inveja, ciúme e mau-olhado.
É muito popular no oriente médio e
norte da África, onde, mesmo diante da proibição de amuletos, seu uso se
propaga nos diversos países dessas regiões. O nome Fátima provém da filha de
Mohamed (Maomé), esposa de Ali. Os judeus chamam-na de Mão de Miriam, em
referência à irmã de Aarão e Moisés.
Menorah.
É uma designação hebraica cuja tradução
é "lâmpada", "candelabro". Se configurando como um
candelabro de sete hastes, respeitando uma simetria de três em cada lado de uma
haste situada exatamente no meio, continuação do eixo central sustentáculo de
toda a peça. Era colocado junto aí altar do incenso logo à entrada do sagrado
recinto "santíssimo", conforme as orientações de Moisés.
Juntamente com a Estrela de David, é um
importante símbolo da nação judaica.
A Menorah simboliza o homem que atingiu
o estado da mortificação do ego, tornando-se um veículo da luz divina, é a imagem
inversa de Adão em sua queda, pois reflete a luz do próprio estado de
regeneração, e como tal assume o pleno desejo de doar, atestado pelo número
sete, correspondente as sete Sephirot emocionais (Midot), que fazem
correspondência ao Zeir Anpin, "a pequena face", o "rosto
divino" revelado através de sua imanência. A Menorah vem ser, portanto, a
doação da luz que se projeta do alto, até a humanidade, a vela central, em
conexão com o criador.
O Octograma.
É uma figura composta por dois
quadrados, um deles em diagonal sobre o outro, formando uma estrela de oito
pontas, também conhecida como a Estrela de Lakshmi, deusa do hinduísmo, a qual
é representada em suas oito formas. Lakshmi provém da palavra sânscrita
"Laksya", cujo significado vem ser "meta",
"objetivo". É a deusa que representa a beleza, a pureza e a
fertilidade. Cada uma de suas pontas simboliza as riquezas concedidas pela
deusa, a riqueza monetária, a prosperidade, a vitória, a paciência, a saúde, a
nutrição, o conhecimento e a família.
Na análise simbólica de sua geometria,
o Octograma, por se tratar de dois quadrados cem sobreposição, esquadrinha a
dualidade, a polaridade masculina e feminina, o material e o espiritual, a luz
e as trevas, entre os inúmeros princípios que regem as disposições contrárias.
Os quadrados trazem intrínsecos todos os mistérios do quaternário, no qual
podermos pronunciar os quatro elementos essenciais, os quatro pontos cardinais
e todas as demais correspondências da dupla dualidade.
O Olho de
Hórus.
Também conhecido por Udyat, é um dos
mais importantes símbolos do Antigo Egito, sendo um amuleto que resistiu aos
milhares de anos que se passaram desde que se tem registro da primeira peça
elaborada, seja em forma de pequenas esculturas, seja nos desenhos nas paredes.
Segundo a lenda, Hórus ao retornar à vida em um novo corpo desejou fazer-se
reconhecido, e trouxe em seu corpo sinais em forma de olho, como cicatrizes das
lutas com Set.
Simboliza a onipresença e a
onisciência da divindade, um sinal de sabedoria concedido aos iniciados em
várias ordens místicas iniciáticos, referendando um novo nascimento em
correspondência aos sinais de Hórus. Em inúmeras ordens esotéricas de hoje, semelhantes
àquelas do passado, é visto como um poderoso amuleto de proteção.
Há uma profunda similaridade da
disposição deste símbolo com o corte transversal anatômico da glândula pineal e
suas adjacências, onde o canto esquerdo do olho seria a própria glândula, a
pupila em grande similitude com o tálamo, o corpo caloso aparenta com a
sobrancelha, a curva na extremidade com o bulbo e, na lágrima a hipófise. Em
sua configuração alguns autores apontam os cinco sentidos dos seres humanos,
porém, todas estas correspondências se encontram no âmbito das conjecturas.
Ainda no campo das suposições, alguns
autores seguem a proporcionalidade de suas seis partes, lado direito 1/2;
pupila 1/4; sobrancelha 1/8; lado esquerdo 1/16; curva 1/32; e lágrima 1/64.
Todo o Egito Antigo ainda está sob a
atmosfera do mistério, na dificuldade das verdadeiras decifrações. Por esta
razão, a certeza se perde diante das inúmeras conjecturas, cabe aqui registrar
apenas seu aspecto relacionado ao renascimento e a proteção, baseado nas lendas
e nos costumes que ainda perduram, respectivamente.
O Olho que
Tudo Vê.
Também chamado Olho da Providência, é
um olho inserido no interior de um triângulo equilátero ou em uma estrutura
piramidal, do qual fluem inúmeros feixes de luz. Em conformidade com seu nome,
este símbolo remete à divina providência, assim como o "olho de Deus"
visualizando a humanidade. Teve, possivelmente, origem no Renascentismo no
século XVI, como uma tentativa de expressar a divina providência.
Na maçonaria prefigura-se como um
lembrete, do Grande Arquiteto do Universo, explicitando sua vigilância.
O triângulo traz em si o ternário, mais
especificamente no âmbito cristão, a trindade na figura do Pai, do Filho e do
Espírito Santo; o olho representa a onipresença divina, em sua imanente
manifestação em todos os recantos do universo. Os raios são os influxos da
providência divina presentes na grande aventura humana através de sua própria
história.
Este símbolo, no entanto, parece ter um
forte atrativo para todos os tipos de teorias da conspiração, talvez por sua
ligação com a maçonaria e outras possíveis sociedades secretas (como os
Illuminati), assim como também sua presença na nota de um dólar, alimenta
inúmeras histórias, lendas e suposições.
Parece possuir alguma correlação com o
Olho de Hórus, dentro da ótica cristã. A primeira aparição deste símbolo parece
ser a obra do pintor renascentista italiano Pontormo, na obra intitulada
"Ceia de Emaús", datada no ano de 1525.
"Os olhos do Senhor estão em todos
os lugares, contemplando os maus e bons", diz o livro dos Provérbios,
capítulo 15, versículo 3, explicitando a universal presença divina junto à
humanidade. Este símbolo, apesar da correspondência com outros similares mais
antigos, possui nitidamente conotação judaico cristã, e, neste aspecto, a
imagem parece expressar o mesmo versículo do livro dos Provérbios sem a
necessidade de uma única palavra.
Om.
O
mais importante de todos os mantras. É o som da própria criação, o
sopro divino que se faz semente do universo que fecunda a existência.
Presente nos outros mantras sagrados, imprime-lhes a dinâmica da vida, o
hálito da existência e o espírito essencial a todos os sequenciamentos.
Sua
sonoridade advém do ditongo "au" acrescido do sonido nasal do "m", por
esta razão muitas vezes é descrito como "Aum" ao invés de Om
propriamente, representando o absoluto, aquilo que não está submetido
tanto ao tempo quanto ao espaço.
Consiste
sei símbolo de três curvas, uma superior, duas à sua direita, uma sobre
a outra formando um sinal semelhante ao número três, um círculo à
esquerda que não chega a se fechar, e um ponto em seu ápice. A curva
maior, a inferior à direita simboliza o estado normal de consciência, a
curva a seguir sobre ela representa o estado de sonho, onde afloram os
contatos astrais, a pequena curva de cima é o estado da inconsciência. O
ponto significa o estado de consciência pleno, a supraconsciência. O
semicírculo significa a ilusão, o "Maya" que nubla os caminhos do
despertar para a realização.
É
um mantra que produz elevadíssimas vibrações cósmicas, repelindo a
negatividade, estabelecendo o equilíbrio da harmonia universal, por esta
razão, é entoado antes e depois das práticas espirituais, assim como
antes de meditações e relaxamentos.
O
importante é frisar que seu próprio símbolo fala, pois é a
representação da abstrata essência que engendra os mundos, o que confere
energizações altamente positivas nos ambientes onde se faz presente.
Ouroboros.
A raiz etimológica desta palavra é de
origem grega, onde "oura" significa rabo ou cauda, e “boros" é
um verbo com a significação de morder, engolir devorar, sendo, portanto, o
"devorador da cauda".
A imagem configura uma serpente,
formando uma perfeita imagem circular, na qual sua boca engole a própria cauda.
A primeira retratação que se tem desta
figura remonta o segundo milênio antes de Cristo, no Antigo Egito, no segundo
milênio anterior à era cristã. Contudo tal simbologia estive sempre presente em
diversos povos e inúmeras culturas da antiguidade.
Traz em si o ciclo de vida em suas
transformações, os caminhos evolutivos tangenciando o infinito e a eternidade,
as aparentes destruições e criações, toda a renovação nos ciclos eternos que
regem o universo.
Parece ter correlação com Quetzalcoatl,
a serpente emplumada dos antigos povos
astecas da América Pré-Colombiana.
Podemos afirmar, contudo, que Ouroboros
simboliza a contínua trajetória da existência através da eternidade, os
infinitos ciclos dos “manvântaras” e “pralayas”: os "grandes dias" e
as "grandes noites" do universo que se perpetua através dos
renascimentos.
O Pentagrama.
O Pentagrama é uma estrela de cinco
pontas. É o símbolo, sem sombra de dúvida, mais utilizado nos inúmeros sistemas
mágicos existentes. Sua origem, contudo, permanece incerta. Segundo alguns
autores os primeiros registros deste símbolo remontam mais de cinco mil anos na
antiga Mesopotâmia. Sempre relacionado à magia, à mística e ao mistério, mantém
sua correspondência tanto no âmbito mágico quanto no religioso.
Simboliza a harmonia e o equilíbrio no
aspecto geral, relacionando sua identificação com o divino, o celeste, o
cósmico, tendo íntima correlação com o sagrado e o divino.
Considerado pelos pitagóricos como um
emblema da perfeição, como comprova o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci,
disposto em alinhamento com o pentagrama dentro de um círculo, em suas
proporcionalidades, representa os cinco elementos que compõe o homem, o
espírito em seu vértice superior, e em sentido horário, a água, o fogo, a terra
e o ar. O Espírito dominando a
materialidade, em seu aspecto divino e ascensional, configurando como o próprio
estado de iluminação, na mística simbologia universal.
O Pentagrama Invertido, já possui toda
disposição simbólica e energética contrária ao pentagrama em seu correto
posicionamento. Significa o homem submisso às forças negativas, prisioneiro do
próprio ego e escravo dos elementos, dos quais deveria assenhorar-se. Assume,
através das pernas” voltadas para cima e da "cabeça" voltada para
baixo a figura de um bode, do qual as igrejas fizeram a personificação do
demônio e das hostes infernais. O verdadeiro demônio, admitido em filosofia,
vem ser o próprio homem no seu apego ao poder, às posses e à materialidade,
fazendo do ego seu deus, ao qual serve através da ânsia do desejo de ter, de
possuir, em detrimento do espírito de fraternidade essencial à redenção humana.
Conforme alguns autores eivados de sabedoria, o Pentagrama Esotérico foi criado
O Pentagrama Esotérico.
Também chamado de Estrela Flamígera,
tem sua formatação básica na própria figura do pentagrama descrito logo
anteriormente. É uma chave para o trabalho interior, no qual reúne a cabala, o
hermetismo, a astrologia e a alquimia. Traz em sua configuração a fusão da alma
com o espírito.
Conforme alguns autores eivados de sabedoria,
o Pentagrama Esotérico foi criado pelo Abade Trithemius no século XV, mestre do
grande Paracelso, e Cornélio Agripa, sendo que tornou-se amplamente conhecido
através da obra do grande mestre Eliphas Levi, em sua obra clássica do
esoterismo, Dogma e Ritual de Alta Magia, sendo posteriormente sofrido pequenas
correções do mestre gnóstico Samael Aun Weor, que agregou ao símbolo o
hexagrama, Estrela de David, substituiu a palavra "Eva" por
"Jeová" e recolocou o cálice, ligeiramente inclinado para uma posição
correta.
Possui os sete planetas e suas
correspondências nos sete metais, a saber: o ouro, o Sol; a prata, a Lua; o
mercúrio, o próprio Mercúrio; cobre, Vênus; ferro, Marte; estanho, Júpiter e
chumbo, o planeta Saturno.
Podemos observar as palavras em letras
hebraicas, como Tetragrama sagrado iod, he, vau, he, que formam a palavra
Jeová; o Adam Kadmon, homem cósmico. Também a palavra Adam, a humanidade no
microcosmo. A palavra Pachad, o domínio físico, emocional e mental.
Podemos observar a letra alfa,
simbolizando o princípio de toda a criação. O ômega, que representa a
realização da grande obra completada. Os números em sequências 1,2 e 1,2,3;
números que fundamentam a grande obra cuja soma cabalística é igual ao nove, o
número que contém todos os números, que representa o homem.
Abaixo do Pentagrama vemos a espada,
elemento fogo, que representa a defesa psíquica.
Sobre o braço esquerdo vemos o cálice,
elemento água, que simboliza o Graal Crístico, sacrário sagrado do sangue da
eterna aliança.
Sob o braço direito vemos o hexagrama,
elemento ar, do qual já dissertamos.
Podemos ver lateralmente o cajado,
elemento terra. Todas estas figuras têm representação nos elementos, servindo
de proteção ao magista.
O olho representa a onipresença divina.
O Caduceu de Mercúrio representa síntese da grande obra assim como o despertar
do Kundalini.
Circunscrevendo o pentagrama vemos o
tetragramaton o nome sagrado impronunciável além do âmbito ritualístico, mantra
de grande poder no sacerdócio mágico.
Através deste símbolo pode ser
efetivado o domínio sobre os elementais dos sub planos astrais, e que também
faz repelência a toda energia maléfica de negatividade.
Pentáculo.
Pentáculo possui similitude em sua
forma escrita com os Pantáculos, e em sua forma geométrica com o pentagrama.
Enquanto os Pantáculos vem ser os infindáveis símbolos de natureza mágica da
mais ampla diversidade, o Pentáculo assemelha-se a um pentagrama inserido em um
círculo, muitas vezes na firma de um amuleto pendente, do grego
"pentaculum". Pentagrama já provém de outra palavra grega, o
"pentagramon".
É, portanto, uma estrela de cinco
pontas no interior de um círculo.
Assim como o Pentagrama, possui
correspondência com os cinco elementos, e, por estar inserido dentro de um
círculo, possui conotação com os ciclos que transpõem a eternidade, os ciclos
da natureza que dinamizam o aspecto sequencial dos elementos nele inseridos. É,
dessa forma, um gerador e captador de energias mágicas, e, por esta razão,
utilizado para energizar e consagrar seres e objetos. Embora possua ligação com
todos os elementos, nele se evidencia o elemento terra, devido à sua
circunscrição, neste sentido é também utilizado para o descarrego das energias
densas, formalizando processos de purificação.
Selo de Salomão.
Representa-se por dois triângulos
entrelaçados. Diferentemente da Estrela de David, a qual é formada por dois
triângulos sobrepostos, significa Deus em seu aspecto criador e sua perfeição,
diferente da Estrela de David que significa a união dos opostos, homem/Deus.
É utilizada para afastar entidades e
energias negativas, assim como também para exercer domínio sobre entidades não
humanas do plano astral. Segundo a lenda, Salomão possuía em seu anel este
selo, com o qual exerceu domínio sobre os 72 espíritos da Goétia.
Este Selo também simboliza as
transformações na "grande circulação" dos processos alquímicos.
O Selo de Salomão é, na verdade, muito
anterior ao próprio rei, filho de David. Uma herança dos patriarcas, desde
Abraão, chegou ao período da realeza de Israel advindo da Suméria (Lembremos
que Abraão, filho de Terá nasceu na cidade de Ur, na Mesopotâmia). Os segredos
contidos no selo foram revelados a Salomão através da iniciação nos mistérios
cabalísticos. A meditação neste selo, onde as linhas se entrelaçam sem perder a
unidade, comunga aspectos transcendentes que elevam o ser à supraconsciência,
daí o domínio sobre a luz astral e as energias primordiais. Sua linha que
ininterruptamente serpenteia formando a estrela, é a ancoragem psíquica e
espiritual que, após o afloramento do Eu superior, comunga sua essência com o
Criador, em sua unidade essencial. Neste aspecto todo o poder sobre as
emanações se faz presente, na indissociável unidade que íntegra toda a natureza
universal.
Selo - Sociedade
Teosófica.
Acima do emblema vemos o símbolo, OM,
cujo significado já foi explanado anteriormente. Sua posição, encimada no selo,
simbolizando o absoluto, inaugurando uma nova perspectiva de devoção, pois
simboliza a origem de todas as coisas, o som divino da criação.
Logo abaixo vemos a Suástica, à qual também
já adentramos em sua simbologia, revela o dinamismo dos caminhos cíclicos em um
sinal de boa aventura nos caminhos que o ciclo descortina. O anel que circunda
a Suástica representa o universo onde o sequenciamento promove a existência, a
vida que viceja no eterno movimento. A Suástica inserida no círculo simboliza,
portanto, o aspecto dinâmico do universo, sob o símbolo do Om que representa o
imutável, a transcendência. O mundo das transformações está na dependência
deste aspecto absoluto e imutável. O restante do selo traz em si os aspectos do
mundo em evolução, seguindo os caminhos das transformações.
Conectada à Suástica vemos o Ouroboros,
também já visto no decorrer do texto, e representa a eternidade, sob os
sucessivos ciclos das transformações.
No interior do círculo da serpente está
representado o universo em duas tonalidades de azul, onde estão representadas
as densidades e as sutilezas. Sobre este fundo vemos o hexagrama, o Selo de
Salomão, no qual o triângulo com o vértice para cima de cor clara simboliza o
espírito, e o triângulo escuro representa a matéria, e o entrelaçamento
representa a interdependência entre o espírito e a matéria.
No centro da estrela vemos a Ankh, os
seus pontos dos triângulos assomados à Ankh, que no contexto se faz também uma
representação do espírito e da matéria em uma interação, da qual promove a
geração de vida.
Externamente ao círculo da serpente
vemos o lema: "Satyan nasti paro dharma". Não há religião superior à
verdade. Assim como todo o restante do símbolo vemos aqui a expressão da
unidade, pois a verdade congrega, e ela está amém de "Maya", as
ilusões que destoam da realidade suprema. A verdade é a suprema realidade, o
Todo infinito e eterno.
Tetragramaton.
Tetragramaton é uma palavra grega cujo
significado é "conjunto de quatro letras", YHWH, o iod, he, vau, he.
Letras hebraicas que formam o nome divino. Todas essas letras são consoantes,
porém a pronúncia mais provável é Yahweh.
Essas quatro letras formam um símbolo
que preside um poderoso ancoramento espiritual que repele energias negativas,
assim como também consagra, purifica e promove transformações.
Sua tradução vem ser "Eu
Sou", "Sou aquilo que sou" ( Ehyeh Asher Ehyeh) na resposta dada
a Moisés no Monte Horeb, no livro do Êxodo 3, 14.
A pronúncia deste nome sagrado é
evitada pelos judeus, substituindo por Adonai, Senhor, inclusive nas leituras.
Dessa maneira, o tetragrama sagrado se tornou um símbolo, as letras do nome de
Deus, com todo o poder que emana de sua energia na força plasmada na própria
fé.
Triângulo.
Ele é o símbolo da trindade divina em
diferentes culturas ao redor do globo. Tem como base o número três, que
simboliza a unidade e a perfeição. E, em decorrência deste número, faz
correspondência a todo sequenciamento trino, como o corpo, a alma e o espírito,
as esferas do reino de Aziluth: Kether, Chokmah e Binah, passado, presente e
futuro, etc...
O triângulo equilátero com o vértice
voltado para cima representa a polaridade masculina, assim como o elemento
fogo. Voltado para baixo, representa a polaridade feminina, e o elemento água.
O triângulo equilátero com o vértice para cima e cortado por uma reta
horizontal, representa o elemento ar; voltado para baixo, também cortado pela
linha horizontal, representa o elemento terra.
Faz também correspondência com as três
virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.
A Triquetra.
É um símbolo utilizado no paganismo, e
também no cristianismo.
Vem ser um tipo de estrela de
três pontas, inseridas parcialmente dentro de um círculo, interligadas de
maneira triangular sugerindo uma perspectiva de movimento.
Sua origem remonta cerca de três
milênios anteriores à era cristã, usada pelos povos indo-europeus, dos quais os
celtas se originaram. Simbolizava, em sua origem, o céu, a terra e o mar. É uma
representação cíclica do eterno em uma tríplice dimensionalidade.
Possui também relação com a Triluna, e
seus três aspectos da Grande Mãe, a energia criadora do universo, trazendo
também o aspecto da interpenetração do trino na configuração da unidade, uma
representação cristã da trindade divina, muitas vezes na configuração de três
peixes unidos.
Yin Yang.
Símbolo Tei-gi.
Expressão do Taoísmo, o Yin e o Yang
expressam a dualidade de tudo aquilo que existe no universo. Em sua
conformação, mostra as duas forças essenciais opostas e complementares
presentes em tudo que existe. O Yin vem ser o princípio passivo, feminino, frio
e escuro; presente do lado esquerdo do diagrama, de cor preta. Yang é o complementar
masculino, ativo, claro e quente; presente no lado direito do diagrama, e sua
cor é branca.
O círculo em seu interior denota a
unidade, que na sequência cíclica, estabelece a conexão dos diferentes aspectos
de uma única realidade, em seu dinamismo e perfeição. Um pequeno círculo negro
está inserido no lado branco, assim como um pequeno círculo branco está
inserido no lado negro, significando que o Yin possui o Yang, da mesma maneira
que o Yang possui o Yin.
Para os chineses o universo é composto
por forças antagônicas, e a meta essencial é a busca do equilíbrio, tanto
individualmente quanto em todas as relações com o meio. O conceito do Yin e
Yang é revelado no I- Ching, onde se afirma que quanto mais saudável for o indivíduo, mais equilíbrio energético este
possui.
Nada pode ser exclusivamente Yang nem
totalmente Yin, pois cada qual possui uma parte de seu oposto.
Uma das leis do Yin e Yang assim diz:
Nada
é estático no universo, tudo segue um dinamismo transformador. Isso é bom
sempre ter em mente.
Yoni
Yoni é uma palavra sânscrita cujo
significado sugere "templo sagrado", "fonte de vida",
"passagem divina"; diretamente relacionada com o órgão genital
feminino.
É
a designação de vulva que recebe o Lingam amplamente descrito nos versos do
Kama-Sutra. É, portanto, o símbolo de
Shakty, a polaridade feminina do Lingam de Shiva.
É um símbolo essencial do sagrado
feminino, representando o ventre da deusa onde a vida tem início, estabelecendo
toda uma conexão com o sagrado e com a própria espiritualidade. Muitas de suas
representações, especialmente na Índia, estão juntas ao Lingam.
Sua origem, contudo, é bem anterior à
florescente civilização indo-gangética, pois existem provas de que, desde o
período paleolítico, é representada em inúmeras imagens simbolizando a
fertilidade com seu potencial gerador e também a proteção advinda do aspecto
progenitor que confere a própria doação de vida.
Sua representação mais comum consiste
em um triângulo invertido em cujo vértice inferior desenha-se uma vulva (as
vezes como uma invaginação), ou uma flor, ou até mesmo uma espiral, podendo
também ocorrer combinação destes vários elementos. Na antiguidade era comum a
existência de um artefato, feito de pedra, no qual o Yoni recebia o Lingam onde
eram friccionados, um contra o outro, cujo atrito produzia faíscas, as quais,
junto à fragmentos de palha, produziam o fogo.
Os Símbolos
Menores.
Estes símbolos, embora muito simples,
são de fundamental importância em diversas áreas do ocultismo, seja na
astrologia, na alquimia e outras áreas onde são necessários o conhecimento da
representação simbólica de planetas, signos ou elementos. Mais do que
sugestivos são estes indicativos, presentes em inúmeros tratados e obras, cujo
desconhecimento prejudica grandemente a compreensão de seus textos repletos
destes sinais.
Na sequência acima poderemos ver: ♈ Áries, ♉ Touro, ♊ Gêmeos, ♋ Câncer,
♌
Leão, ♍ Virgem, ♎ Libra,
♏
Escorpião, ♐ Sagitário, ♒ Aquário
e ♓
Peixes.
E também os planetas: Sol, Lua,
mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão, e
outros elementos como Cabeça do Dragão, Cauda do Dragão, Parte da Fortuna,
Parte do Espírito, Quiron e Lilith.
Os elementos: Água, Terra, Fogo e Ar.
São estes os símbolos mais comumente
utilizados na literatura esotérica. Certamente existe uma infinidade de outros
símbolos, os quais seriam impossíveis de que fossem expostos em um texto e
mesmo em tratados específicos. Familiarizando com os símbolos principais, e de
maior utilização, nossa percepção irá adentrar na essência e na significação
presente nessas representações, e , com alguma análise e percepção poderemos
decifrar muitos símbolos que possuem suas correspondências com as perspectivas
esotéricas que compõem a ideia da grande diversidade existente na simbologia.
Os sinais nos falam, assim como muitas
outras disposições na natureza e nas circunstâncias nos falam, o que precisamos
é ouvir as suas vozes e compreender suas mensagens. Lembremos que um símbolo é
sempre uma faceta de ideias em maior complexidade, a matéria é o símbolo
visível de outra realidade invisível. Compreendendo a visibilidade teremos
acesso às ideias ocultas sob o véu misterioso das percepções. Deus se expressa
através das coisas mais simples. A complexidade se revela através das
compreensíveis analogias que descortinam segredos, arcanos e mistérios. Um dia
compreenderemos que tudo é divino, na infinita unidade, tão simples quanto os
ruídos do amanhecer que pronunciam a cíclica eternidade da "vida".
Paz e luz.