domingo, 26 de abril de 2020

OS PRINCÍPIOS DA ALTA MAGIA.



           



                      OS PRINCÍPIOS DA ALTA MAGIA.

1. INTRODUÇÃO.
2. ALTA MAGIA E BAIXA MAGIA.
3. XAMÃS, BRUXOS, FEITICEIROS E MAGOS.
4. MAGIA BRANCA E MAGIA NEGRA.
5. DAS ANCORAGENS.
6. O VERDADEIRO PRINCÍPIO MÁGICO.
7. A PLASMAÇÃO NA LUZ ASTRAL.




                                     1. INTRODUÇÃO.

        Talvez a melhor definição  para a Magia, na literatura esotérica, seja de Gérard A. Vincent Encausse, conhecido mais amplamente como Mestre Papus, em seu livro Tratado Elementar de Magia Prática, no qual se refere: "A Magia é a aplicação da vontade humana, dinamizada, à evolução rápida das forças vivas da natureza".
        Esta é a definição daquilo que desempenha o homem como verdadeiro mestre da aplicação de suas próprias forças para a potencialização daquilo que chama "forças vivas da natureza".
        Vamos então ver o que são estas "forças vivas da natureza", sobre as quais o homem pode dinamizar através de seu caráter volitivo.

        "Tudo é magia", já disse um velho mago. A própria "Existência" já é o resultado do Grande Processo Mágico da Respiração Divina, em cuja essência se estruturam todas as coisas visíveis e invisíveis. A vida é a grande Magia, a Magnus Opus, efetuada pelo Grande Arquiteto do Universo. Na Energia Primordial desta "Respiração" está subjacente a todas as energias que compõem o mundo espiritual e sua densificação onde está presente a concretude na matéria.
        Esta Força Viva da Natureza, a qual muitos também chamam "akaxa" ou "luz astral" é de onde tudo se forma, tudo se plasma, tudo se deriva. O homem, cujo poder volitivo, isto é, o poder de sua vontade, "Dinamizado", efetua a plasmação, a transformação, a transubstanciação nesta força viva.
        E o que vem ser esta "Vontade Dinamizada"?
        É o poder divino inerente a todos os seres humanos, a Fé, que é o grande mistério de acionamento deste poder intrínseco.
        Certa vez perguntei a um velho mestre se ele era um mago. E ele me respondeu: "Todos nós somos. Muitos estão adormecidos, alguns despertando e poucos cientes desta condição”.
        Aquele que dinamiza sua vontade, capta, canaliza e direciona tais forças, e com elas recria padrões, formas e perspectivas, potencializando-as.
        Esta potencialização se dá através de seu próprio ser, como uma lente de aumento colocada sob a luz do sol, e é capaz de criar o fogo sobre os objetos aos quais faz sua incidência.
        Um mago é semelhante a esta lente, pois vê com amplitude aquilo que quase ninguém vê, e se descobre através de sua interação com o mundo invisível aos olhos comuns.
        "O homem é o microcosmo ou o pequeno mundo, e conforme o dogma das analogias, tudo o que está no grande mundo se reproduz no pequeno. Há, pois, três centros de atração e projeção fluídica: o cérebro, o coração ou epigástrio e o órgão genital. Cada um destes órgãos é único e duplo, isto é: neles se encontra a ideia do ternário. Cada um destes órgãos atrai de um lado e repele do outro. É por meio desses aparelhos que nós nos pomos em comunicação com o fluido universal, transmitido em nós pelo sistema nervoso." — Disse Eliphas Levi em sua obra "Dogma e Ritual de Alta Magia". Aqui está o que poderíamos chamar de ligação entre a densidade e a sutileza. No ser humano fluem as energias sutis se distribuindo através da complexidade das gradações energéticas. O ser humano é o microcosmo dentro do macrocosmo, é um universo dentro de outro universo, com infinita capacidade co-criadora, um deus que se esqueceu de sua própria divindade. Na  imanência de Deus está contigo o homem, e, através da consciência deste atributo imanente, ele se torna um magista, estruturado no poder que lhe é próprio.
        "Deus só pode ser definido pela fé; a ciência não pode negar nem afirmar que ele existe". — Diz novamente Eliphas Levi em sua obra "A Chave dos Grandes Mistérios". Aqui o grande segredo da "vontade humana", da qual se refere Mestre Papus, a Fé, tão escassa no gênero humano. E é justamente pela sua escassez que o homem recorre a inúmeros aparatos, inúmeras ritualísticas, inúmeras doutrinas nos mais diversos sistemas mágicos, para aflorar, em seu subconsciente, a ancoragem necessária para que seu poder intrínseco possa ser manifestado.




                            2. ALTA MAGIA E BAIXA MAGIA.
                          
        São designações muito utilizadas na literatura esotérica, as quais, particularmente, considero muitas vezes inadequado no âmbito da espiritualidade.
        Muitos autores consideram a alta magia aquela praticada por escolas esotéricas, de sistemas mágicos definidos, estudados em tratados e obras diversos, originalmente propagados entre as elites em ritualística secretas e também, extremamente, seletas.
        A baixa magia já é aquela envolta na simplicidade, na natureza, originalmente feita por humildes camponeses advinda da preservação ancestral. Esta foi na remota antiguidade a medicina dos povos primitivos, trazendo, até mesmo aos dias de hoje, grande aceitação nas regiões mais remotas da civilização. Seus praticantes muitas vezes eram chamados bruxos, enquanto aqueles, da "alta magia" de magos ou magistas. Foram os que mais sofreram durante o trevoso período da inquisição, pois não possuíam apoio nem a proteção da qual se dispunham as elites que, na maioria das vezes, passavam incólumes às autoridades do Tribunal do "Santo" Ofício.
        Na verdade não existe nenhum grau de superioridade ou inferioridade entre estas duas esferas de práticas mágicas. O bem e o mal poderiam e poderão estar presentes em cada uma delas, tudo sempre dependerá da intencionalidade, no aspecto moral e na magnitude espiritual do conjunto de seus adeptos.




                   3. XAMÃS, BRUXOS, FEITICEIROS E MAGOS.

         Nomenclaturas nada mais são que meras classificações seguindo critérios humanos, muitas vezes falíveis.
        Não podemos nunca esquecer que um dos grandes males do mundo é a rotulagem.

        Os Xamãs são sacerdotes (embora para muitos o sacerdócio exija requinte e alguma ostentação), e como tais, adotam um tipo diferenciado de vestimentas, na maioria das vezes repletas de símbolos e de ornamentação natural. Praticam a magia ancestral, na qual estão presentes suas características tribais preservadas em sua cultura.
        Os Xamãs são profundos conhecedores da ma­gia na­tu­ral e nas suas confirmações astrais, são detentores da ciência das ervas e po­ções má­gi­cas, assim como a utilização dos sons e mantras específicos para cada situação peculiar. Em suas práticas invocam o "animal do poder", que vem ser um magnífico arquétipo, que configura uma energia que liga a consciência e a força do instinto essencial à seu propósito e sua missão sagrada.

        Bruxos são aqueles cujos princípios se baseiam na ligação entre o mundo espiritual e os ciclos naturais, sempre conectados aos quatro elementos, terra, fogo, água e ar.
        Os então denominados bruxos possuem suas ritualísticas as quais são preferencialmente à noite, condicionadas às fases da lua, cada qual com seu propósito específico. Tais fases, assim como também as estações do ano são muito importantes nestes rituais, pois nestas residem todo o princípio ativo de seus poderes.
        Costumam também utilizar grimórios em suas intervenções e práticas.
        Existem vertentes na prática ritualística que costumam escalonar seus praticantes em três diferentes aspectos:
        A) Os jovens, que representam a virgindade e as demais características correspondentes a seu aspecto essencial, como a formação, a potencialidade criadora, o encantamento expansivo, cuja essência está conjugada à lua crescente.
        B) A maturidade, na figura paternidade ou materna, que representa o poder, a força, o embate contra as sugestões contrárias e adversas e a capacidade de liderança. A lua cheia personifica este aspecto dentro da maior perspectiva presente em todas as ritualísticas.
        C) O ancião ou a anciã plasmam a sabedoria, a doçura, a vivência e a compreensão. Através desta sabedoria que o bruxo efetua o banimento, propício na lua minguante que caracteriza este aspecto.

        Os Feiticeiros muitas vezes são confundidos com os bruxos e xamãs, e, como citado anteriormente, tudo é uma questão de nomenclatura, pois para os antigos missionários cristãos, pouco importava se fossem chamados pelo nome que fosse, e, durante a inquisição, não havia nítida diferença quanto à bruxaria ou à feitiçaria. Seguindo a literatura esotérica, contudo, poderemos verificar que, entre algumas similitudes, há também algumas diferenças fundamentais.
        Os feiticeiros normalmente praticam invocações, e, através destas, o encantamento. Via de regra, o feiticeiro conhecem a hipnose e condicionam pessoas susceptíveis induzindo-as à sugestão.     Diferentemente dos bruxos, não possuem grimórios, e em suas práticas se utilizam muito de objetos mágicos e simpatias diversas.
         Geralmente o nível de consciência e espiritualidade de um feiticeiro deixa muito a desejar quando comparado a um bruxo ou a um xamã.  Conhecem como todos os demais as forças ocultas latentes da natureza, mas, contrariamente, não são senhores destas forças, mas escravos destas.

        Os Magos, também chamados de magistas, diferem de todos os demais em alguns aspectos de profunda relevância. Possuem amplo conhecimento filosófico, muitas vezes proveniente de uma ou mais escolas iniciáticas. A grande maioria detém o uso correto de antigas práticas sacerdotais, e basicamente permanecem envoltos no estudo e aprimoramento, equilíbrio e constante busca de iluminação.
        Mas é essencial notar que, logo acima, frisei "a grande maioria", e não sua totalidade. O amplo conhecimento não significa, todavia, um nível elevado de consciência de um guia espiritual, comum à maioria dos magos. Muitas vezes todo conhecimento, aliado às grandes potencialidades, não estão subordinados à nobreza de caráter. Existem também os magos negros, cujo conhecimento é sombreado pelo ego. E, muitos magos negros nem mesmo sabem que estão distantes da luz, pois, da mesma maneira que esbanjam conhecimento, carece-lhes o discernimento, permanecendo sempre ao lado do Poder, que lhes fascina.
        Os magos possuem, em sua maioria, o poder da transformação, focados na alquimia proveniente do domínio da luz astral. Há uma enorme diversidade de magos dentro dos sistemas mágicos mais diversos que se espalham pelos cinco continentes.
        É essencial saber que alguns rituais litúrgicos, de determinadas religiões, não deixam de ser sistemas mágicos, alguns dos quais "Teúrgicos", sistema diretamente ligado à essência divina e primordial.
        Contudo em um texto se torna impraticável a citação dos sistemas mágicos, devido à sua extensão, pois alguns dos quais são muito complexos e demandaria muitas páginas para se explanar em apenas um destes.




                            4. MAGIA BRANCA E MAGIA NEGRA.

         Utilizam-se estes termos na vasta literatura esotérica há muito mais tempo que imaginamos, assim como os já citados Magos Negros e Magos Brancos. O correto, porém, seriam as denominações Magia de Luz e Magia das Sombras, porém estes termos são raramente utilizados.
        O que faz uma magia ser de luz ou trevas não é somente o conteúdo e a prática de sua ritualística, mas as suas intenções.
        É claro que determinadas práticas como sacrifícios de animais ou até mesmo humanos já denotam o aspecto macabro da intencionalidade, porém a distinção daquilo que é luz e daquilo que são trevas não é tão simples como parece. Muitas vezes aquilo que parece "bom" é muitas vezes pior do que aquilo que é explicitamente mal. Justamente porque o mal que não é notado pode ser muito mais nefasto do que o mal detectável.
        Em inúmeras vertentes religiosas e filosóficas existem verdadeiros magos, altamente nefastos, ludibriando seus seguidores e usufruindo da ingenuidade de muitos.
        Um verdadeiro mago capta pelo olhar, pela voz e até pela visão à distância qualquer outro mago ou qualquer tipo de ser envolto em malignidade. Porém a grande maioria das pessoas não consegue notar ou o faz muito tardiamente.
        Um ritual de magia negra explícito sempre terá como foco o Ego, seja do magista e seus seguidores ou das pessoas que a ele recorrem.
        Mas muitos rituais de aparente magia branca  na verdade não o são. Mesmo que a ritualística possa ser puramente angelical. Imaginemos alguém que se dispõe a pedir auxílio a um magista para que seu filho seja aprovado em um concurso, ou uma pessoa que deseja conquistar o amor de alguém. Imaginemos que o intento de ambos seja concretizado. Seria esta uma magia de luz?
        Certamente que não, pois colocar alguém em um cargo em detrimento de outro que era o verdadeiro merecedor é um ato de perversidade. Interferir no livre arbítrio de alguém para se fazer apaixonar por uma determinada pessoa também é um ato que fere todas as premissas da fraternidade.
        A ação da magia está limitada ao Karma. Toda vez que se interfere no karma de uma pessoa é como tentar conter fumaça dentro de um saco plástico repleto de pequenos orifícios. Se a fumaça não sair por um furo sairá por outro espontaneamente. Um magista, cuja consciência esteja consubstanciada na luz, deve ser um orientador espiritual, pois sabe que a magia pode curar o corpo, mas só a consciência pode curar a alma. Sem a consciência toda cura será um mero paliativo.
        A magia da luz não só combate o mal em sua origem, mas sabe discernir aquilo que é luz daquilo que não é. A humildade está na luz, a luz está no amor, que suplanta o Ego e promove a consciência.

        "Ai dos que ao mal chamam bem, e o bem mal; que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade; e fazem do amargo doce, e do doce amargo". (Isaías 5, 20).



                                      5. DAS ANCORAGENS.

        O ancoramento sempre significa um mantenedor.  Aquilo que mantém, seja o equilíbrio, seja o foco, seja o direcionamento. No caso da magia, das imprecações, de todas as práticas espirituais é para firmar o propósito, estabelecer as perspectivas, e direcionar as intenções.
        Conforme citado anteriormente, temos o poder co-criador inerente ao nosso próprio ser, e para acionar este poder se faz necessário descobri-lo. É como a criança na qual se retira as rodinhas de apoio da roda traseira da bicicleta sem que ela perceba. E ela anda sobre as duas rodas. E logo depois percebe que já sabe se equilibrar sobre essas duas rodas, e, segura de si passeia tranquilamente pela trilha. As ancoragens são as "rodinhas de apoio de nossa bicicleta", até termos a certeza que podemos nos equilibrar, trilhando, cada vez mais perfeitamente, os caminhos que surgem à nossa dianteira. Este é o segredo da Fé: redescobrir nossas potencialidades e delas fazer uso.
        Toda ritualística, paramentos, cânticos, sons e encantamentos são as ancoragens para suprir a nossa falta de fé,  e canalizar todas as forças que conseguiríamos sem "as rodinhas de apoio".
        Todos os sistemas mágicos têm suas ritualísticas próprias, seu modo particular de captar, canalizar e emitir as energias das forças latentes da natureza. Nossa capacidade volitiva se potencializa através do ancoramento, necessário para os magistas que "ainda não sabem equilibrar em suas bicicletas".
        Símbolos, armas mágicas, velas, incensos e tantos outros paramentos, são, sem dúvida, necessários à concretização de um propósito na magia, mas seriam dispensáveis se tivéssemos a fé perfeita.

         "Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito." (Marcos, 11, 23).

        O Magista, primeiramente precisará fazer de si, uma "semente de mostarda", para fluir sua potencialidade, florescer a centelha divina intrínseca à sua alma, para efetuar a Grande Obra, e transmutar seu próprio ser na sagrada alquimia que sintetiza a grande realização.
       É essencial acrescentar aqui um comentário cuja essência dificilmente é mencionada pelos autores esotéricos. Muitos recursos de ancoramento são necessários nos sistemas mágicos que envolvem a invocação de entidades espirituais diversas. — Detalharei os rituais de invocação nos parágrafos mais adiante. — Pois a grande maioria das entidades, sejam espíritos humanos desencarnados ou não, respeitam, quase que de maneira servil, certos procedimentos, como a ação das pontas metálicas, os pantáculos,  imprecações, círculos mágicos traçados, entre outros artefatos e práticas. Há, contudo, aquelas entidades, especialmente as "não humanas" que simplesmente ignoram tais recursos, e estas apenas são dominadas pelo grande poder da aplicação volitiva humana dinamizada.
       Observemos nos evangelhos que todos os exorcismos e banimentos dispensaram qualquer prática ritualística, pois estavam "ancorados" justamente na Fé, o grande poder de dinamização.


                        6. O VERDADEIRO PRINCÍPIO MÁGICO.

        Todas as classificações de sistemas mágicos, que normalmente são mencionados, inclusive nas obras clássicas esotéricas, não fazem a distinção fundamental entre a Magia, segundo a definição citada pelo Mestre Papus, no início do texto, e a magia que recorre à invocação, sobre a qual citei alguns parágrafos atrás.
        O Velho Mestre Gérard simplesmente fez a definição do verdadeiro princípio da Alta Magia, que é a atuação direta de um magista sem com que se recorra a entidades espirituais diversas para que imprimam sua vontade sobre as forças vivas da natureza, algo que deveria ser feito pelo mago. Neste caso o "magista" estará atuando muito mais como um "médium" do que como um autêntico Mago.
        Há, portanto, de acordo com a atuação direta ou indireta do "magista", duas classificações distintas: 1- O Mago, ou um conjunto de magos que aplicam sua vontade diretamente dinamizada sobre as forças latentes da natureza. 2- O "Mago" que recorre as entidades espirituais para que estas atuem sobre tais forças.

        —Mas, e este Mago que recorre às entidades espirituais, se tiverem realmente domínio sobre estas serão muito poderosos? — Poderão indagar.
        Certamente que sim, se tiverem o total domínio, pois, do contrário, será um escravo destes seres espirituais. Mas, mesmo aqueles que possuem o completo domínio, terão que pagar sempre um preço, cedo ou tardiamente. As entidades de luz orientam os Magos para que estes realmente sejam Magos, atuando apenas como um veículo de canalização. As entidades invocadas para  exercer atuação no lugar de um Mago, via de regra, são extremamente perigosas, pois são os Antigos Kama-Rajas, não evoluídos, também conhecidos por Daemons, ou ainda seres muito piores, remanescentes da antiga cadeia lunar. (Assunto visto no texto Rondas Cósmicas e Cadeias Planetárias). Estes são amplamente utilizados e invocados na Goétia. (Magia Negra).
        Um exemplo, segundo muitos autores versados na Alta Magia, é o de Salomão, Rei de Israel. Segundo estes autores, o rei era um grande mestre cabalista, de elevadíssima sabedoria, porém, o contato com inúmeros magos egípcios, fenícios e caldeus, o fez adentrar nos domínios da magia, e invocou os setenta e dois espíritos da Goétia. Sobre eles Salomão tinha amplo domínio, em toda sua vida. Nunca Israel viveu tão esplendorosamente quanto nos dias de seu reinado. Porém, seu reino não foi confirmado nas gerações procedentes. Seu filho Roboão teve o reino divido, ficando com apenas duas tribos remanescentes das doze: a tribo de Judá e Benjamin. As restantes ficaram sob o reinado do grande inimigo de Salomão, Jeroboão, o qual fez guerra à Judá todos os dias de seu domínio.
        Sempre há um preço para aqueles que deixam de recorrer ao poder intrínseco da centelha divina e recorrem aos espíritos. "O verdadeiro dom de um Mago está no Espírito e não nós espíritos" — Já dizia um antigo hermetista.

        —Mas como iniciar a dinamização da vontade humana para que possa ser aplicada de maneira eficaz sobre as forças vivas e sutis da natureza?

        Os grandes mestres brâmanes chamam este poder de Kriyashakti, terminologia sânscrita proveniente das palavras "Kriya", que significa esforço; e da palavra "Shakti", que se traduz em poder divino. Sobre a qual está exposto a seguir.



                            7. A PLASMAÇÃO NA LUZ ASTRAL.

        “Os antigos afirmavam que qualquer ideia será manifestada exteriormente se nossa atenção estiver profundamente concentrada nela. Do mesmo modo uma vontade intensa será seguida do resultado desejado". (Helena Petrovna Blavatsky).

         Toda e qualquer ideia é passível de manifestação futura, podendo elas  ser benéficas ou maléficas.
        Tanto a insegurança quanto o medo, poderá se realizar no plano físico aquilo que seu pensamento deixou impresso no plano astral.   O tempo de sua realização será diretamente proporcional  à intensidade de seu pensamento. A vontade é o direcionamento daquilo que se deseja que se realize.
        Vejamos um exemplo do poder que existe naquilo que se acredita.
        Um hipnotizador, durante uma demonstração, exerceu sua sugestão sobre uma pessoa passível de ser hipnotizada, e deu-lhe uma cebola como se fosse uma maçã, a qual foi deliciosamente degustada pela pessoa mesmerisada.

        Já diziam os velhos sábios para que vigiássemos os nossos pensamentos porque deles são plasmadas nossas ideias, e estas se tornarão nossa realidade e nosso próprio destino.
        Na própria formação do universo a matéria foi formada através da densificação das energias, plasmadas através das mais remotas sutilezas e ganhando forma gradualmente, até atingir seu esboço astral e consequentemente a concretização física.
        Tudo se iniciou no pensamento. O pensamento divino. E tudo pode ser iniciado no nosso próprio pensamento, pois somos também o resultado do pensamento divino, e temos a própria divindade intrínseca.
        Quando fechamos nossos olhos abrimos a "Tela Mental", onde nossos pensamentos começam a ganhar formas visíveis. Aqui está um exercício utilizado nas antigas e secretas escolas iniciáticas: Fixa-se o pensamento na estrela de cinco pontas, do Pentagrama, aos poucos começa a imprimir na Tela Mental esta estrela, com o vértice para cima. Aos poucos ela se torna visível e vai adquirindo cores, cintilações conforme nosso próprio desejo. Este é o antigo exercício da plasmação. Da mesma forma que é a nossa Tela Mental, é também a luz astral, e nela que deveremos atuar para acompanhar a formação astral daquilo que desejamos.
        Vamos um pouco mais adiantei. Imaginemos uma circunstância que desejamos, seja o crescimento de uma planta, a realização de um desejo, qualquer obra, cura de uma determinada doença. Para a determinada circunstância que desejamos deveremos criar uma figura em nosso pensamento, que simbolize este desejo o qual queremos que seja realizado. À semelhança da estrela do pentagrama mentalizamos esta figura e concentramos toda nossa vontade nesta figura. Estaremos criando sua imagem astral, e, fechando os olhos veremos este símbolo ganhando forma, cada vez mais. O tempo para que nosso propósito se realize dependerá do esforço e da fé que temos em sua realização, e poderemos dispor das ancoragens necessárias para o avivamento deste rudimento de fé, como as orações, os mantras nos quais depositamos nossas convicções. Tudo irá ganhando forma, poderemos fazer todos ancoramentos que potencializa nosso subconsciente. Uma vez impressa no Astral, tornará uma realidade física, cuja cronologia dependerá exclusivamente de nós, de nossa própria potencialidade, encurtando à medida que meditarmos neste grande milagre da transformação.
        O perfeito domínio deste poder vem ser o grande segredo dos verdadeiros Magos. Contudo para que seja alcançado este perfeito domínio poderá demandar tempo, décadas ou vidas. Os magistas iniciantes poderão potencializar este poder no "agrupamento". Várias mentes sintonizadas em uma mesma meta específica fará com que ocorra uma convergência destas forças, e a canalização terá a amplitude necessária para as mais incríveis realizações. É o que chamamos de Egrégora, muito comum nos rituais Teúrgicos que dinamizam e amplificam o poder volitivo individual. A dinamização, a aplicação, a canalização, o direcionamento, e, portanto, o domínio destas forças vivas da natureza, é a Alta Magia a qual é acessível a todos aqueles que perseveram na busca da sabedoria.

Paz e luz.



        

sábado, 28 de março de 2020

AS RAÇAS RAÍZES


                                 
                                  

                                          

        Primeiramente é necessário esclarecer que o conceito de raças no esoterismo nada tem a ver com os conceitos de raças padronizados pela humanidade, que gerou ao longo dos milênios todas as errôneas conceituações de diferenças e separatividade. As raças raízes são padrões específicos das etapas em que as essências espirituais de um planeta se adequam a determinados períodos cíclicos da história da humanidade. Este assunto é largamente abordado tanto na Teosofia quanto na Gnose, logicamente com algumas pequenas diferenças comuns entre as diferentes escolas esotéricas.
        No texto anterior sobre Rondas Cósmicas e Cadeias Planetárias pudemos notar que, assim como o caráter evolutivo individual, existe também a evolução de toda a Alma Planetária, de todo o conjunto de vida que segue seu encadeamento na sequência de um constante aprimoramento, direcionado através da equação do dinamismo cósmico. Um ser reencarna, seguindo a "Roda do Samsara" em sua jornada evolutiva, a vida ou alma planetária também, passa de um planeta a outro de acordo com este sequenciamento das energias cósmicas, dentro das "cadeias planetárias".
        Estamos na quarta cadeia do esquema evolutivo, a terceira foi a cadeia lunar, visto anteriormente, e seguimos a cadeia terrestre, na qual estamos na quarta ronda (assunto totalmente abordado no texto anterior).
        E é em cada ronda planetária que existem sete períodos, nos quais se formam as então denominadas Raças Raízes. Estamos na quarta ronda da cadeia planetária terrestre no período correspondente à Quinta Raça Raíz, que veremos logos mais juntamente com as quatro iniciais.
        Cada ronda planetária é formada por sete períodos ou sete ciclos cósmicos, e, em cada um destes períodos há uma determinada raça raiz.
        Seguindo o esquema da cadeia planetária terrestre, veremos que nos encontramos no globo D, que, como citado acima, corresponde à quarta Ronda, onde se iniciou todo o esquema evolutivo neste planeta. Sabemos que a evolução se processou desde as formas mais rudimentares de vida. Como citada no texto da Cosmogênese, tudo se iniciou através das primeiras moléculas de carbono se agrupando em uma constante graduação de menor para maiores complexidades. Formando os hidrocarbonetos, posteriormente os aminoácidos e, sob a sequência evolutiva, os primeiros organismos unicelulares. Estes, por sua vez, através dos milhões de anos, cuja cronologia exata nem mesmo a ciência pode se aproximar, foram se aglutinando em organismos cada vez maiores e mais complexos. É importante que seja guardada esta simples palavra: "aglutinação", pois nela estão estabelecidas todas as perspectivas da evolução em todos os mundos.  Pois a ideia de seres individuais e isolados é uma mera ilusão, um conceito adquirido através das crenças limitantes desprovido de realidade. A própria física quântica tem demonstrado que o universo não é um turbilhão formado por objetos físicos, mas um encadeamento de relações de diferentes formas transitórias de um todo unificado. Nós mesmo somos a aglutinação de infindáveis pequenos seres, formatados através das infindáveis linhas temporais, e seremos, futuramente, a aglutinação de inúmeros seres, assim como somos hoje, em uma constante busca da unidade, até nos transformarmos novamente no grande oceano infinito e eterno. Lembremos que qualquer oceano é a aglutinação de um número quase infinito de moléculas de água, as quais formaram gotas, grotas, riachos, grandes rios até desaguarem no oceano, sem jamais perderem, ainda por um segundo, o sentido vivo da própria existência.
        Mas, voltando à evolução... Tais organismos foram formando os menores animais da escala zoológica, formando os seres aquáticos, os anfíbios, os répteis, os mais variados seres, os mamíferos até chegarem aos primatas, dos quais derivou o homem dotado de uma consciência superior ao restante dos animais, cujos níveis deverão se ascender, cada vez mais, até que sua frequência esteja compatível com os novos ciclos das futuras emanações.
       Seguindo os princípios esotéricos, advindos principalmente da Teosofia, adentraremos nas particularidades de cada raça raiz. Antes, porém, é aconselhável estarmos desprendidos da "crença", pois toda crença limita, e a "busca da verdade jamais poderá estar limitada a conceitos de quaisquer escolas Esotéricas, sejam quais forem. Nem limitadas a este texto, pois qualquer ideia jamais deverá conter a essência da verdade, mas sim ser um instrumento esclarecedor para que a verdade seja gradualmente descortinada à luz da razão e dos evolutivos níveis de consciência aos quais chegaremos nos futuros ciclos com suas frequências compatíveis. 



                     



                   A PRIMEIRA RAÇA RAIZ OU ADÂMICA

         Também conhecida como raça protoplasmática.
        Evito colocar tempos cronológicos, pois, é neste quesito onde se adentra no âmbito sombrio das conjecturas. Pois se nem as datas corretas dos mestres de pouco mais de dois mil anos conhecemos perfeitamente (as vezes até suas próprias existências históricas), como poderemos cifrar períodos acima de milhões de anos?
       Segundo fontes antigas esta raça (observem bem o conceito de raça segundo os padrões Esotéricos) não era física, alguns autores falam em etérica ou semi física, contudo era, na verdade uma raça de "preparação" do planeta para o início da quarta Ronda, pelo fato de ser preexistente toda esta evolução Planetária, como citarei mais adiante.
        Segundo textos esotéricos, esta raça vivia nas terras de Asgard, a lendária Thule, também denominada Ilha de Cristal. Ainda segundo textos antigos, a terra estava ainda em estado etérico quando esta raça estava aqui, e, como não possuíram origem nesta ronda, eram os catalisadores da formação evolutiva deste planeta que ainda estava para acontecer. Dessa maneira não pertenciam, definitivamente, a este ciclo, sendo que alguns seres não alcançaram a tônica necessária para seguir na evolução junto aos seus semelhantes, sendo mantidos neste orbe como um efeito kármico a resgatar suas missões não cumpridas em suas rondas próprias. E, deixados neste planeta a fim de serem auxiliares da evolução nascente, e foram os antigos mestres da humanidade, também conhecidos como os Filhos dos Deuses. Embora inaptos a prosseguir seus caminhos, eram infinitamente superiores à humanidade que ainda iria se formar ao longo da escalada evolutiva. Por isto chamada Adâmica, pois foram excluídas do seu mundo glorioso e resplandecente. Alguns autores falam em reprodução desta primeira raça raíz, porém esta não era envolta em qualquer nível de materialidade, e, seus corpos etéreos eram simplesmente regenerados após um longínquo período de tempo, seriam como o estado de Jinas dos grandes mestres que alcançaram seu estado de luz. Outros autores falam que estes eram perfeitos, porém se fossem perfeitos não estariam inseridos na sequência evolutiva das rondas e cadeias planetárias. Portanto não eram protótipos da perfeição, embora fossem altamente evoluídos em relação à humanidade nascente, assim como também a humanidade em seu estágio atual. O mundo como conhecemos ainda estava em processo de materialização, e dessa forma autores que falam sobre suas vestimentas ou sobre sua flutuação nos ares, deveriam lembrar que seres etéreos podem apresentar com vestimenta apenas para se fazer notáveis aos humanos, assim como assumir determinadas formas aparentemente tangíveis, e, por não serem dotados de massa física certamente sua dimensionalidade está muito além da sutileza do ar e até mesmo do espaço visível, e seria uma redundância falar em suas peculiaridades "flutuantes".
        Blavatsky denomina a primeira raça como os "nascidos por si mesmo", ou os "sem mente". Isto denota justamente sua condição extrafísica, assim como também sua origem anterior à nossa ronda.
        Segundo alguns mestres, sua "Ilha de Cristal" existe no Astral Superior, ou em estado de Jinas, e as lendas de Avalon estão intimamente relacionadas com as antiguíssimas tradições advindas dos antigos mestres da humanidade.
        Muitos destes mestres seguem a humanidade guiando seus passos no caminho evolutivo, outros, porém, tiveram que seguir a jornada evolutiva junto à própria humanidade. Da mesma maneira que aqueles, que serão completamente reprovados nesta ronda, terão que seguir toda uma nova sequência evolutiva. Esta é a "segunda morte" como se refere o Livro do Apocalipse, o qual poucos conseguem entender sua linguagem cifrada. 



                       
                    
                  A SEGUNDA RAÇA RAIZ OU HIPERBÓREA

        Blavatsky também chama esta raça de "nascidos pelo suor". Também etérea adveio da densificação da primeira raça, e, por ter maior densidade, é chamada por muitos autores, tanto gnósticos quanto teosóficos, de semi-etérica. Segundo textos esotéricos, esta habitou toda a região da calota polar boreal. Assim como a primeira raça se estabeleceu na "descida à materialidade", não participando do sistema evolutivo das espécies propriamente materiais. Conforme explanado no texto anterior, esta raça estava consubstanciada na Segunda Efusão do Segundo Logos.
Nesta etapa já havia a densificação do planeta, os vegetais e as primeiras formas de vida animal. Por ser semi etérica esta raça se reproduzia, era, contudo, andrógena. Esta raça acompanhou toda a evolução animal e a formação, através da aglutinação, dos primeiros hominídeos. Diferente da primeira raça que tinha o intuito da "preparação", esta, por ser mais próxima à materialidade, tinha o intuito de acentuar ou acelerar o lento caminho evolutivo do homem ainda simiesco, modificando o genoma do hominídeo transformando-o no atual ser humano. A própria ciência atesta uma brusca transformação que ocorreu a partir do homo erectus, transformando-o em homo sapiens, em um período relativamente curto, cerca de trezentos mil anos, em comparação ao anterior australopiteco, que para chegar ao homo erectus levou mais de dois milhões de anos. Dessa forma a raça hiperbórea, acabou por integrar-se na nova raça nascente, a terceira raça, definitivamente humana, da qual falaremos a seguir.
         Houve ainda uma segunda intervenção efetuada pelos grandes mestres: "os filhos dos deuses" teriam, à partir do homo sapiens, feito uma modificação, criando uma raça de gigantes, iniciada no período da terceira raça.
        Vejamos o que diz a Bíblia: "Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”. (Gênesis 6:2) E novamente: "Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama". (Gênesis 6:4)
        Moisés relata, no Sepher Bereshit, aquilo que lhe foi ensinado nas antigas tradições no alvorecer do gênero humano.




                    A TERCEIRA RAÇA RAIZ OU LEMURIANA.

       Floresceu no Grande Continente de Mu, ou Lemúria, a terra vulcânica que se estendia desde o pacífico até onde se situa a ilha de Madagascar. Era um período de constantes instabilidades no planeta, repletas de abalos sísmicos. Convém aqui acrescentar noções fantasiosas sobre a raça lemuriana, como homens com guelras e reprodução hermafrodita.
        Em cada raça raiz há períodos de sete sub-raças de cada qual, e uma destas era a dos gigantes, os quais subsistiram por um longo período na história da humanidade. Com o desaparecimento da Lemúria, o que foi ocasionado de forma lenta e gradual, suas populações foram migrando para outros continentes e ilhas que afloraram, desta forma, povoando a Austrália, a África e grande parte das ilhas próximas à atual Polinésia.
        O clima da Lemúria era quente ao extremo, por isso seus habitantes se adaptaram facilmente nas regiões meridionais do planeta.
        Na Lemúria havia grandes magos, que herdaram a sabedoria dos grandes mestres etéreos, porém, posteriormente seguiu-se uma era de degeneração, que se derivou do mau uso da magia e pelo crescente materialismo do seu povo.
        É interessante notar que em quase todas as civilizações há um grande apogeu da sabedoria, das artes, da ciência e do conhecimento transcendente, e, após atingir seu ápice inicia-se o declínio, como veremos na quarta raça, a atlante, , na quinta, a ariana, como estamos vendo, e também no Egito, um legado da raça atlante em meio aos povos semitas. Observemos o Egito, pois é até onde a história oficial alcança: possuíam uma imensa sabedoria, legado dos remanescentes da última ilha da Atlântida, construíram templos e espalhou sua ciência por toda sua adjacência. Contudo, assim como muito anteriormente a Lemúria, o materialismo grassou, ao ponto de acreditarem em ressurreição de seus corpos. Suas múmias eram enterradas com tesouros para que deles gozassem em sua vida futura, e, até mesmo o casamento era feito, muito comumente, entre irmãos para que não fossem divididas as riquezas das famílias. Hoje o povo original egípcio, de origem atlante-lemuriana desapareceu, em seu lugar habitam os árabes que ali se estabeleceram após sucessivas invasões.
        Voltando à degradação da Lemúria, após seu continente desaparecer, se estabeleceram principalmente na África, de onde iniciou todo o povoamento do mundo conhecido, (a ciência constatou isto através da confirmação da descendência matrilinear de todos os seres – a Eva Mitocondrial) assim como o da desconhecida Atlântida, da qual falaremos a seguir.

      






       A QUARTA RAÇA RAIZ TAMBÉM CHAMADA ATLANTE.


        A partir dos lemurianos todas as raças derivam de suas predecessoras. Os antigos habitantes da Lemúria, em sua dispersão pelo mundo, formaram novas civilizações, e, sobre o cenário geológico que existia onde é hoje o oceano atlântico, fez florescer aquela que se denominou Atlante.
        Este continente abrangia todo o espaço do atlântico norte, estendendo-se até às regiões mais ao sul. Seus conhecimentos abrangiam os processos alquímicos, a alta magia, os mais elevados princípios metafísicos, assim como o domínio das energias mais sutis e sua aplicação prática nas situações mais comuns.
        Dominavam também o princípio da gravidade, através do conhecimento do lendário "Vrill", a energia da estruturação do Universo.
        Ao final das sete sub-raças atlantes iniciou-se a sua degeneração, a magia negra tomou lugar da magia de luz, e o crescente individualismo se exacerbou até adquirir proporções inimagináveis. Uma das sub-raças atlantes, cujos caracteres herdaram dos gigantes lemurianos se degenerou até o ponto de tomar o poder em todo o continente, deflagrando um período promíscuo eivado de toda espécie de perversidade.
        O que nos chegou a respeito da Atlântida veio-nos através da obra do grande filósofo Platão, "Timeu e Criteas", na qual relata a visita de Sólon ao Egito, onde teria recebido as informações durante os relatos dos sacerdotes de Saís, com os quais manteve amplo contato.
       A imersão deste continente foi ocasionada em etapas, e sugada pela fúria do oceano, novas terras emergiam, surgindo o continente que hoje chamamos América, para o qual foram gradualmente migrando os atlantes, assim como também para o extremo leste da Ásia.
        Restou, porém, uma última ilha, após o longínquo período de tempo de submersão, e esta submergiu finalmente há cerca de 10 mil anos, da qual seus sobreviventes fundaram a nascente civilização egípcia, junto aos antigos lemurianos. Desta última leva Atlante nasceu a Epopeia de Gilgamesh, onde relata o "grande dilúvio", que nos chegou através das escritas cuneiformes da Mesopotâmia, dois mil anos mais antiga que Noé, do Sepher Bereshit, cuja narrativa certamente adveio da mesma antiga tradição.
        Levas anteriores, como a citada anteriormente, onde os sobreviventes atlantes chegaram à Ásia, formaram, em sua região central, o núcleo daquela que seria da futura quinta raça raiz, a Ariana.
        É interessante frisar aqui que, esta leva que atingiu a Ásia, se fez enquanto eram formadas as placas do continente americano.
        As levas atlantes, que se fizeram pela rota ocidental, formaram as civilizações dos povos amarelos da Ásia, assim como também os povos índios da América, a qual também recebeu sucessivas levas das rotas asiáticas nos períodos em que ambos os continentes ainda eram coligados ao norte.
        Na América os toltecas e outros povos atlantes de levas mais recentes, herdaram grande parte do conhecimento de seu antigo continente. Observemos as construções dos incas na América do Sul, assim como as pirâmides da América Central, e notemos a incrível semelhança com as pirâmides do Egito, onde recebeu a última leva após o desaparecimento completo do último resquício da antiga Atlântida.
        Até hoje a ciência não consegue explicar a incrível tecnologia de seus construtores nas obras, tanto no Egito quanto nas Américas, as quais se contrastam com tudo aquilo referente à época de tais edificações.








                      A QUINTA RAÇA RAIZ — A RAÇA ARIANA.  


         Cabe aqui um prévio esclarecimento sobre um conceito errôneo que, até hoje, está na mente da maioria das pessoas. A raiz dos povos arianos não é, de modo algum, os povos nórdicos ou germânicos do norte da Europa, estes são ramos, os sub raças do grupo ariano que se formou na Ásia Central, e que, posteriormente se fixou no norte da Índia, sendo que uma outra parcela se dirigiu ao ocidente, formando, posteriormente, os povos  do continente europeu.
        A primeira sub-raça ariana floresceu próximo ao Tibete, onde desenvolveu uma civilização ricamente impregnada dos mais profundos conhecimentos esotéricos. Grandes deslocamentos em massa formaram na Índia o grande berço dispersor de sabedoria Ariano, desde o período pré-védico, que perdura até hoje no grande conhecimento brâmane, preservada através dos Rishis, herdeiros dos antigos arcanos das civilizações pretéritas.
       Levas arianas partiram da Índia para a antiga Pérsia, tanto que o nome do país, Iran, provém de Ária, que compreende toda sua ancestralidade.
       Os arianos atingiram a Caldéia e a região que atualmente se denomina Curdistão, mesclando-se ao sul com os povos, também de origem mista, atlante-lemuriana, dando origem aos cananeus, e todos os demais povos semitas nos quais se incluem os árabes e judeus. Outras sub-raças arianas formaram os povos que imigraram para o oeste, dando origem aos europeus, entre os quais os gregos e romanos herdaram também grande conhecimento de seus antigos predecessores.
        Um detalhe importante de ser mencionado vem ser a extinção dos povos gigantes, que ocorreu no período ariano. Podemos observar no livro dos Juízes e nos livros dos Reis na Bíblia que há relatos de homens de enorme estatura nestes textos. Estes foram declinando em número a partir da última glaciação, devido à escassez de víveres neste período, e, posteriormente assimilados pelos demais povos. Nas guerras,  também, se tornaram mais vulneráveis devido às novas espécies de armamentos e a própria lentidão comum à própria estatura.
        Segundo alguns autores, estamos vivendo o período da quinta sub-raça ariana, porém é só analisarmos toda a história recente da humanidade para notarmos que tal conceituação não procede. Pois está claro que estamos já saindo do período da raça ariana, e adentrando no período da sexta raça raíz.
        E poderão me perguntar: qual a base para se determinar o final de um período de uma raça raiz?
        Vejamos algo que é claramente compreensível para estabelecermos esta conclusão. As raças raízes não são extintas para que seja formada uma nova raça raiz, é só observarmos que subsistem na África, Ásia, Europa e Índia os troncos Lemuriano, Atlante e Ariano, respectivamente. E, desde a integração entre os povos, que teve início na idade moderna, vêm se misturando, inicialmente na América, e gradativamente em todo o mundo. Por isso a América, o novo continente será o berço da sexta raça raiz, onde todos os povos do planeta se reúnem e se aglutinam no amalgamento que se faz através dos séculos. Na América ficou demonstrado aquilo que todos os mestres já diziam que não existem povos superiores ou inferiores, o que existem são explorados e exploradores, o segundo em detrimento da vantagem do primeiro, determinando aquilo que hoje chamamos países ricos e países pobres, e dentro de cada país, parcelas privilegiadas com acesso à cultura, e parcelas marginalizadas frustradas de direitos essenciais. Contudo, é só observarmos a evolução dos tempos e da própria sociedade, para que possamos constatar que a evolução social também avança com a evolução espiritual, ainda que lenta. Há pouco mais de cem anos, observávamos o absurdo dos regimes escravocratas, das monarquias absolutistas, do despotismo, das oligarquias e da escassez de direitos democráticos e sociais. O esclarecimento está surgindo aos poucos, a nefasta ideia do racismo, e de toda forma de preconceito e intolerância, já é algo abominável na maioria das mentes esclarecidas. O despertar para novos níveis de consciência, mesmo que moroso, é algo real e efetivo quando olhamos para a história. Estamos no limiar de um Ciclo Cósmico, e, seguindo os princípios esotéricos, sempre no início de um novo ciclo surge uma nova raça raiz, e vemos esta surgir, alicerçada sob uma nova consciência e em uma nova concepção de valores, pois as três estão se unindo para que seja formada a sexta.
        Saímos da era instintiva  para entrarmos na era da sobrevivência; saímos da era da sobrevivência para entramos na era da crença; estamos saindo da era da crença para entrarmos na era do conhecimento. Onde existe conhecimento é plasmada a sabedoria, e esta concebe a verdade, que é a chave da verdadeira libertação.

        Om Tat Sat 🕉️