terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

INVOCAÇÃO DOS ESPÍRITOS ELEMENTAIS





    Os Espíritos Elementais são entidades dinamizadoras da energia existente na natureza. Sabemos que a natureza se manifesta no universo pela ação da Grande Consciência Cósmica, e esta equaciona todo o processo gerador de vida, regido por leis imutáveis, dentro da cíclica renovação que perpetua o modelo existencial determinado pela dinâmica celeste.  Os Espíritos Elementais possuem uma consciência predominantemente instintiva, relacionados com os elementos da natureza. As palavras Água, Terra, Fogo e Ar são princípios e não substâncias, e, os Elementais são entidades espirituais relacionadas com estes princípios, se agrupando a cada um deles segundo suas afinidades. São procedentes de uma longínqua experiência evolutiva através dos reinos inferiores. E, como nada se faz estático no universo, segue também um caminho evolucionário, sendo então a grosseira imagem do Homem, assim como o homem se faz também a grosseira imagem de Deus. São eles entidades que habitam exclusivamente o Mundo Astral, não possuindo atributos de maldade ou bondade. Superiores ao espírito dos animais, são aqueles que mais se aproximam e mais se assemelham ao espírito do Homem. Quando seu corpo astral se desfaz, ingressam no Plano Mental Concreto, pois possuem apenas o Corpo Mental Concreto, em estado embrionário, pouco superior aos animais, não possuindo, assim como os homens o Corpo Mental Abstrato. São os guardiões e mantenedores da natureza, os zeladores da espiritualidade que molda os fenômenos anímicos da natureza que dá vida e sustentação a todos seres existentes. Aqueles que presidem o Elemento Fogo são os Ígneos ou Salamandras (características femininas); aqueles que presidem o Elemento Ar são os Silvanos (características masculinas); do Elemento Água são os Ondinos ou Ninfas (características femininas); e do Elemento Terra são os Gnomos (características masculinas). Possuem entre si algumas afinidades peculiares, pois, assim como o fogo penetra o ar, os Ígneos penetram os Silvanos. Assim como a água penetra a terra, os Ondinos penetram os Gnomos. No mundo Elemental, em contraste com um Plano Físico, a fêmea interpenetra o macho. O princípio feminino penetra o princípio masculino.  



Possuem gestos peculiares aos elementos dos quais são regentes, assim como costumes, linguagem, feição e aspectos. O instinto os impele a proceder de acordo com sua própria natureza. Quanto mais denso o elemento, mais sutis são seus habitantes. O Homem, cujo meio é o ar, é denso, portanto os Silfos ou Silvanos são os elementais que mais se assemelham ao homem. 

    Agora poderão perguntar: Qual a razão de se fazer este ritual de invocação dos Espíritos Elementais?
    Este não é um ritual semelhante à necromancia, nem mesmo um ritual para que sejam pedidas intercessões para qualquer finalidade fútil. Este é o ritual de iniciação propriamente dito de um Mago, pois através dele inicia a harmonização e o domínio do Homem sobre a natureza, domínio este perdido ao longo dos milênios, e que vem resgatar a função do Homem como dominador das forças regentes da natureza em todos os seus aspectos, para que se possa fazer dele um magista que possui à sua disponibilidade a obediência dos elementos que compões toda a vida e a essência de todas as coisas. É a chave para a sabedoria Xamânica, da qual um verdadeiro magista não poderá jamais prescindir. Sem o domínio e a submissão dos elementos todo o poder de um magista irá carecer da própria essência que rege o seu próprio ser.
    Faz-se muito perigosa a evocação dos elementais ao acaso. Muitas regras e particularidades devem ser respeitadas e condicionadas a todo um cerimonial ou uma ritualística que exige do operador um processo preparatório. Tais cuidados são necessários devidos à própria natureza destas entidades, pois assim como a natureza sempre ataca aqueles que, inadvertidamente, invadem e depredam seus domínios, estes podem desestabilizar os elementos constitutivos do organismo do ser humano, causando distúrbios que poderão ser desde simples doenças até perturbações de ordem mental ou psíquica. Eles defendem os elementos que lhes são próprios dos agressores. 

    A invocação dos Elementais deverá ser feita de maneira sequencial. Sendo necessário executar a invocação de um único Elemental cada vez, devido à complexidade do trabalho. Sempre deve ser feito à noite, por conta do silêncio e, principalmente devido à ausência da luminosidade e a consequente emissão de oxigênio, através da fotossíntese, que interfere fortemente nos odores necessários à atração dos elementais, que se faz através das fumegações. Pois este tipo de invocação deverá ser sempre inserido ao meio da natureza, ao ar livre, para que sejam captadas as energias que predispõem o êxito do trabalho.     Cada espécie de Elemental influi harmonicamente ou não com diferentes indivíduos, segundo seu temperamento e suas características naturais. Por esta razão é essencial definir as afinidades, o que pode ser verificado através dos signos dos indivíduos, os quais possuem correspondência com cada um dos quatro elementos regidos por essas entidades. Se o signo do magista ou operador for do elemento Terra, este deve iniciar as invocações pelos Gnomos e, em seguida pelo seu correspondente em afinidade, que são os Ondinos. Seguindo a estes deverá seguir a sequencia pelo outro elemento masculino, que são os Silfos ou Silvanos, e finalmente pelo elemento feminino dos Ígneos. Lembrando aqui que os signos do elemento Fogo são : Áries, Leão e Sagitário; da Terra são Touro, Virgem e Capricórnio; do Ar são Gêmeos, Libra e Aquário; da Água são Câncer, Escorpião e Peixes.  
É necessário que se faça o Círculo Mágico na terra com a “Espada Mágica”, que pode ser uma espada de madeira com um furo em uma de suas extremidades. No interior do Círculo Mágico desenha-se o Pentagrama, com o ápice, ou cabeça voltada para o norte. Simbolizará o Homem sob o domínio de Deus, e as demais quatro pontas simbolizará os quatro elementos sob o domínio do Homem. Sob os quatro pontos cardeais, no interior do círculo, acende-se uma vela, cujas cores deverão ser verde, simbolizando o Elemento Terra, na invocação dos Gnomos; branca para o Elemento Ar; vermelha para o Elemento Fogo e azul para Água. 

Antes de adentrar no Círculo Mágico deve-se colocar do lado de fora as oferendas aos Elementais, segundo a espécie de cada qual a ser invocado: cristais para os Silfos; mercúrio para os Ondinos; cobre para os Ígneos e chumbo para os Gnomos. Antes, porém, com uma bússola deve traçar corretamente os pontos cardeais, determinando-os com exatidão. Para os Gnomos as oferendas deverão estar posicionadas para o norte; para os Ígneos ao sul; para os Silfos ao leste; para os Ondinos ao oeste. As fumegações deverão ser colocadas no interior do Círculo Mágico, sob a localização exata dos quatro pontos cardeais: açafrão para os Ígneos; aloés para os Silfos; enxofre aos Ondinos e heléboro para os Gnomos.
    Como a invocação para cada Elemental deverá ser feita de cada vez, poderá a invocação do Elemental seguinte ser feita na noite subsequente, porém não deve exceder por mais de sete luas inteiras (196 dias, ou pouco mais de seis meses).
    Acesas as fumegações que correspondam à natureza do Elemental a ser invocado, iniciam-se as orações para cada qual. É interessante notar o teor divino que estas orações se constituem, através da força e da beleza das palavras que conotam o poder essencial presente em cada uma delas.
    Oração dos Silfos:
    Espírito de luz, espírito de sabedoria, cujo alento dá e toma todas as coisas. Tu perante o qual a vida de todos os seres é uma sombra, que o mundo é um vapor que passa; tu que sobe até as nuvens e que andas sobre os ventos; movendo-te sem cessar na estabilidade eterna, és eternamente bendito. Nós te louvamos e bendizemos e aspiramos continuamente a tua luz imutável e imperecível. Deia penetrar até nós o raio de tua inteligência e o calor de teu amor. Então o que é móvel será fixo; a sombra será um corpo; o espírito do ar será uma alma; o sonho será um pensamento. E nós já não seremos levados pela tempestade e seguiremos as rédeas dos cavalos alados e dirigiremos as corridas dos ventos da noite para voar à tua presença. Oh! Espírito dos espíritos! Oh! Alento imperecível de vida! Oh suspiro vencedor! Oh boca que aspira  e respira a existência de todos os seres no fluxo e refluxo da tua palavra eterna, que é o oceano divino do movimento e da vontade. Amem!
    Oração dos Ondinos: (Atribuída a Salomão).
    Rei terrível do mar, tu que tens as chaves das cataratas do céu e que encerras as águas subterrâneas das cavernas da terra; rei do dilúvio e das chuvas da primavera. Tu que mandas na humanidade que é como o sangue da terra, és adorado por nós que o evocamos. A nós tuas móveis e volúveis criaturas, fala-nos das grandes comoções do mar e tremeremos; fala também do murmúrio das águas límpidas e desejaremos teu amor. Oh, imensidade na qual se vão perder as correntes do ser que sempre renasce em ti! Oh, oceano das perfeições infinitas! Altura que tu contemplas na imensidade; profundeza que tu exalas nas alturas, conduza-nos à verdadeira vida pela inteligência e pelo amor! Conduza-nos à imortalidade pelo sacrifício para que sejamos dignos de oferecer-te um dia a água, o sangue e as lágrimas para o perdão dos erros. Amem!
    Oração dos Gnomos:
    Rei invisível que tomaste a terra para apoio e que cruzas os abismos para enchê-los do teu poder; tu, cujo nome faz tremer o mundo; tu que fazes correr os sete metais nas veias das pedras, monarca das sete luzes, remunerador dos operários subterrâneos, conduza-nos ao ar desejável e ao reino da luz. Nós vigiamos e trabalhamos sem descanso sem descanso, nós buscamos, pelas doze pedras da cidade santa, pelos talismãs que estão abismados, pelo túnel que atravessa o centro do mundo. Senhor, senhor, tem compaixão dos que sofrem, alarga os nossos peitos, levanta as nossas cabeças, engrandece-nos. Oh, estabilidade e movimento! Oh, dia e noite! Oh, obscuridade velada de luz! Oh, mestre que jamais retém o salário de seus trabalhadores! Oh, brancura de argentius! Oh, esplendor dourado! Oh, coroa de diamantes vivos e melodiosos! Tu que levas o céu em teus dedos como um anel de safiras; tu que ocultas debaixo da terra no reino das pedrarias, essência maravilhosa das estrelas, vive, reina e sê o dispensador de riquezas  de que nos tem feito guardas. Amem!
    Oração dos Ígneos:
    Imortal, eterno, invisível e incriado pai de todas as coisas, que é levado sobre o eixo dos mundos que sempre se movem; dominação das imensidades terrenas onde está levantado o trono do teu poder do qual teus olhos sem par tudo veem e teus ouvidos belos e santos tudo escutam, ouve teus filhos, a quem amaste desde o nascimento dos séculos; tua adorada. Grande e eterna majestade resplandece por cima do mundo e do céu e das estrelas; tu estás elevado sobre estas. Oh! Fogo cintilante! Ali tu mesmo te iluminas com teu próprio resplendor, que sai da tua essência, dos arroios de luz que nutre todas as coisas e está sempre disposto para a geração que os trabalha e que se apropria das formas de que tu impregnaste desde o princípio. Deste espírito tiraram sua origem esses reis muito santos que estão ao redor de ti e que compõem a tua corte. Oh, Pai universal! Oh pai dos bem-aventurados mortais e imortais! Tu criaste potencias maravilhosas semelhante ao teu eterno pensamento e à tua essência adorável; tu os estabeleceste superiores aos anjos que anunciam ao mundo a tua vontade; enfim, tu nos criaste no terceiro grau do império elemental. Ali nosso exercício contínuo é adorar teus desejos; lá nós nos consumimos sem cessar aspirando a tua posse. Oh, pai! Oh, mãe, a mais tenra das mães! Oh, modelo admirável da maternidade do puro amor! Oh, filho! A flor dos filhos! Oh, forma de todas as formas, alma, espírito, harmonia, nome de todas as coisas. Amem!



    Os Elementais aparecem subitamente, mostrando-se diretamente ou confusamente, assim como também através de ruídos ou sopros. Podendo também apresentar-se de maneira pela qual as forças da natureza emitem seu sinal de poder e manifestação presencial, na forma de luzes das mais variadas matizes, bailando sob a melodia do vento. Caso não surja nenhuma manifestação, deve-se repetir a oração novamente em tom imperioso.
    Após a manifestação deve-se fazer a saudação da seguinte maneira: Saúdo-te, Elemental do (citar o elemento), sob os auspícios da Suprema Divindade do Amor. Selo aqui a harmonia com a força da natureza da qual tu é regente, para que, sob a inefável luz de Deus, possa ser estabelecida a perfeita congruência com a tríplice dimensionalidade da natureza: o elemento do qual tu és regente; os elementos que compõem meu corpo físico e a soma dos elementos que cumprem o propósito do amor divino. Para que, perfeitamente harmonizado com essas forças, possamos estabelecer os atributos que competem aos iluminados, que é o auxílio a todos os seres. Prometo solenemente respeitar as leis sagradas da natureza e vivenciá-las como o princípio Ativo do Grande Espírito. Amem!

    Ditas estas palavras o Elemental torna-se o Elemental torna-se submisso à vontade do magista, e a este sempre será fiel, desde que respeite à natureza e exerça esta harmonização em benefício de todos os seres.
    Um detalhe que deverá ser observado é a fase da lua na qual for feita a invocação. Observemos a invocação dos Gnomos, do Elemento Terra, deverá ocorrer na lua cheia, na qual o sol a lua e a terra (seu elemento0, estarão em alinhamento. (representa aqui o humor melancólico). Na invocação dos Ígneos, regentes do Elemento Fogo, a lua deverá estar sob a força da crescente, a lua a leste do sol. (representa o humor colérico). Na invocação dos Silfos, do Elemento Ar, deverá estar sob a lua nova, novo alinhamento dos três astros.(representa o humor sanguíneo). Na invocação dos Ondinos, regentes do Elemento Água, a lua deverá estar na fase minguante. (representa o humor fleumático).

    Terminando o trabalho de invocação é necessário, antes de sair do Círculo Mágico, propiciar a despedida do Elemental invocado. Para isso utiliza-se da fumegação contrária ao próprio Elemental, as quais são o açafrão para os Ondinos, o aloés para os Gnomos, o enxofre para os Ígneos, e o heléboro para os Silfos. Colocam-se a fumegação para o ponto cardeal correspondente ao Elemental junto aos pés do operador. Poderá sair do Círculo Mágico assim que a substância queime completamente. 


    Aqui está o completo ritual da invocação dos Espíritos Elementais, cujo conhecimento não se trata apenas de letra, mas da prática efetuada através dos anos. Como citei anteriormente, dificilmente um neófito se tornará um magista sem esta preliminar e essencial iniciação que confere a este o perfeito domínio das forças da natureza. Através dele compreenderá a fala do vento, o murmúrio das águas, o sinal das luminosidades e a linguagem dos seres vivos, animais e vegetais. Traduzirá o silencio e todos os sons e sinais com que a natureza nos fala. Perguntará a ela e ela responderá. Conhecerá o seu “animal do poder”, e olhará pelos olhos que nem sempre serão os seus, porque a natureza fluirá em seu ser, na inefável beleza que tão poucos chegam a conhecer.
    Namastê.       

   

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O CÍRCULO MÁGICO



    Muitos autores definem o que é um Círculo Mágico, explanam sobre seu significado místico e simbólico, demonstrando magnificamente a sua funcionalidade dentro da ritualística de inúmeros Sistemas Mágicos. Porém poucos são aqueles que investigam seu prospecto histórico. Tal contexto decorre, justamente, pelo fato de que a Magia faz parte da Religiosidade do gênero humano, e esta é inerente à sua própria natureza. Nos primórdios da racionalidade humana o recém-chegado da forma hominídea, o primordial Homo Sapiens, já possuía a cognição da existência de um ser superior, que comandava as forças da natureza, na qual ele próprio estava inserido. Até onde seu campo de visão alcançava definia seus espaços, sob os quatro pontos cardeais. Esse era o seu universo. Um universo que o circundava por onde quer que fosse, e isso fez com que concebesse a noção do “Circulo”. O mesmo círculo que os predispunham em torno das fogueiras, de onde provinha luz, calor e proteção. Dessa maneira  os primeiros seres humanos conceberam o Círculo como noção de divindade, e iniciaram sua primitiva religiosidade derivada desta noção. O Círculo simbolizava a compactação, a força, a união. E, unido a algo superior, o homem iniciou suas práticas religiosas, místicas e mágicas na vicinalidade desta figura geométrica, a qual começou a elaborar nas mais diferentes configurações.
    Quase todas as pessoas conhecem a megalítica estrutura pré-histórica chamada Stonehenge, no Condado de Whiltshire, mas nem todos sabem que tal monumento é, na verdade, um Círculo Mágico, símbolo da essência mística e religiosa da cultura céltica, por isso se presta às mais variadas interpretações e perspectivas. Assim como Stonehenge, há também pelo mundo, como Callanish Stones, Avebury, etc. Todos eles intimamente ligados aos fenômenos astronômicos, onde o microcosmo se integra ao macrocosmo, em uma disposição realística na qual a religiosidade se faz intimamente ligada à magia. 

    Os círculos Mágicos, portanto, são muito mais antigos do que se registram em muitas obras que os vinculam à idades mais recentes. Possivelmente é o símbolo mais antigo que o ser humano tenha forjado para lhe auferir uma ligação com o eterno, o infinito e o celestial. No nível físico o círculo delimita os lindes do trabalho humano, no nível espiritual ele complementa o espaço com o poder divino emprestado ao Homem.
    Antes de adentrarmos diretamente no significado e papel do círculo mágico se faz necessário saber primeiro quando este é utilizado, e em qual tipo de situação.  O círculo mágico é utilizado em diversas práticas onde estão envolvidas diversas modalidades de magia, as quais serão expostas nos parágrafos subsequentes, e, entre todas estas diversificações destaca-se a Magia Cerimonial, a qual, devido à sua complexidade, é de fundamental relevância detalhá-la preliminarmente.
     A Magia Cerimonial é a prática, através da qual se buscam os impulsos das potências invisíveis através das forças da própria natureza. Tais forças espirituais agirão conforme o desejo e o domínio que o operador apresenta sobre elas. Esta categoria abrange inúmeros sistemas mágicos, como o sistema Enoquiano, o Greco-Egípcio, o Salomônico, entre outros. A Magia Cerimonial se constitui através do rito e o ritual. Ambas as designações podem parecer sinônimas uma da outra, contudo, rito significa os elementos necessários para o cerimonial, isto é, cada objeto, assim como o posicionamento e a movimentação dos participantes, assim como suas gesticulações. Ritual é a parte onde ocorre toda a sonoridade, como os cânticos, as preces, as evocações, as invocações, assim como toda a palavra proferida durante a cerimônia.

    Algo importante para dirimir alguns equívocos entre os aprendizes de alta magia é a diferença entre invocações e evocações, como foram citadas parágrafo acima. Evocar consiste no chamado, na presença de determinada força apenas para dar suporte a determinado trabalho mágico, se prestando como coadjuvante no processo em questão. Invocar significa recorrer ao auxílio, cabendo às forças invocadas o papel principal ou fundamental no cerimonial de magia.
    Na Magia Cerimonial são utilizados os Pantáculos, e estes são os símbolos que possuem conexão com o mundo espiritual, os quais encerram dentro de si poderes fabulosos que sintetizam forças advindas da natureza, constituindo-se nas “armas” que são utilizadas no domínio e equilíbrio das forças que constituem nosso universo invisível.
    Os Pantáculos podem ser evidenciados como o Pentagrama, o Tetragrammaton, e, fundamentalmente, o Círculo Mágico. O qual possui papel fundamental nas operações de magia cerimonial. Há inúmeras maneiras de configurá-lo, e pode ser idealizado entre diversas ordens de magia, assim como também para os mais diversos objetivos. Mesmo nos mais antigos Grimórios, há uma diversidade enorme na sua elaboração, desde os mais simples traçados às mais complexas disposições. 

    Fundamentalmente o Círculo Mágico representa um arranjo simbólico do infinito e da eternidade. Pois como disse Santo Agostinho: “Deus é o círculo cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não está em lugar algum”. Conforme tal citação filosófica, poderemos concluir que o Círculo Mágico é o esquema simbólico representativo da divindade em sua perfeição. E, por conseguinte, obter contato com Ela. O magista inserido no círculo representa, pois, o microcosmo em unidade ou comunhão com o macrocosmo. Portanto, muito mais que uma proteção contra forças indesejáveis, é o Círculo Mágico a representação da unidade do Homem com Deus, dentro da mais plena perspectiva de elevação do estado de consciência.

    Inserido no Círculo Mágico o magista, dentro desta perspectiva de união com o Todo, assume, simbolicamente, o poder e o controle sobre todas as demais forças da natureza, pois estas estão submissas à grande Consciência Universal, através da qual todas as coisas recebem existência e coesão. O magista está simbolizando Deus, e, tendo “Consciência” desta situação em que a plenitude lhe é dispensada, ele terá influencia sobre seres, forças ou entidades de qualquer espécie, porém não estará restrito a uma mera influencia sobre essas forças, ele possuirá também autoridade sobre as tais. Ele terá poder sobre quaisquer formas espirituais que tenha conjurado.
    Desprovido desta Consciência que lhe outorga tal supremo poder, o magista perderá o controle sobre tais forças, e isto poderá desencadear uma série de eventos nefastos, não só para o mago operador, mas para todos os demais praticantes da ritualística. Pois o Poder da Vontade, efetivamente, determinará o sucesso de um ritual onde entram em contato com forças, as quais, nem sempre podem ser benéficas. Tal poder se consiste na consciência que o magista se apoia, conforme foi dita acima, assim como também em sua elevação espiritual. Pois muitos magistas, cuja essência da moralidade não se dignifica para assumir uma posição de harmonia com o divino, muitas vezes, ao invés de se tornarem “Senhores” dessas forças invocadas, acabam se tornando seus “Servos”. Situação na qual estão presos grande número de magistas, os quais muitas vezes nem se dão conta dessa infeliz perspectiva.
    Dentro do Círculo Mágico, no entanto, apesar de simbolizar o nosso mundo, estaremos fora do mundo profano e dentro do mundo dos iniciados, na qualidade de magista. Tudo o que é colocado no Círculo Mágico é potencializado, pois recebe uma força muito além daquela efetuada fora do círculo. Podendo ser tal força de peculiaridade cósmica, telúrica, etc... Rituais para oferendas, para pedidos e tantos outros são colocados dentro do círculo mágico porque em seu interior a própria ritualística estará potencializada, onde se estabelece uma forte canalização de energia, concebendo uma amplificação de forças necessárias ao pleno êxito do trabalho. Entidades perigosas não terão alcance àqueles que se encontram no interior deste círculo, não podendo desviar a ritualística de seu proposito.  O Círculo Mágico não estabelece proteção apenas ao seu derredor, ele estabelece um escudo de proteção como se formasse uma esfera, sob e sobre os participantes. Dentro do circulo o magista pode transformar as coisas fora deste círculo, assim como se determinou em seu interior.

    O desenho ou diagrama que o magista confere na elaboração de seu Círculo Mágico, sempre é determinado pelos conceitos filosóficos ou pela religiosidade do magista. Expressar a divindade através do circulo possui a subjetividade da consciência daquele que a elabora, a perspectiva de um mago indiano ou chinês é diferente daquela de um mago ocidental. Cada qual insere desenhos, símbolos e objetos aos quais possui, não somente a familiaridade, mas a fé que determina o Estado de Consciência essencial para assumir a condição de um representante da divindade.  Na construção do Círculo Mágico estão envolvidas as crenças, assim como também as ideias e concepções particulares do indivíduo que ele possui da divindade a ser simbolizada nesta figura geométrica. Da mesma maneira todo o próprio  ritual, deverá ser estabelecido dentro das  concepções do magista que o preside, adequado completamente a um sistema onde estão envolvidas as bases filosóficas e religiosas que sustentam a sua fé. Cada qual elabora seus procedimentos de acordo com a concepção da harmonia, do amor e da verdade que dispõe, e isto avultará a disposição inexorável para seu efetivo desempenho.

    Portanto, cada magista possui a liberdade para acrescentar dentro do Círculo Mágico diagramas das mais diversas formas, representativos das forças nas quais reside a sua crença, assim como nomes divinos ou de hierarquias das mais diversas categorias. Ele elabora seus prospectos para consolidar a fé em seu ser, para que não ocorra falha alguma no esquema estabelecido que substancia a plenitude da Força Viva em sua consciência. Dessa maneira o círculo, desde o mais simples até o mais detalhado, será efetivo de acordo com a consciência do magista. Consciência esta que deverá estar em inteira concordância com a concepção de Consciência que ele considera Cósmica, Divina e Suprema. Todo trabalho mágico deverá ter o seu suporte psicológico, além do filosófico, pois nele reside a fé, a essência primordial para qualquer tipo de crença, propósito ou religiosidade.  


    Existem magistas envolvidos com os mais diversificados sistemas. Alguns, quanto mais letrados, acrescentarão em seus prospectos um maior incremento de sinais e sigilos, assim como também maior aparato em sua ritualística, sempre direcionado ao suporte espiritual que determina sua consciência. Existem aqueles magistas que possuem um conhecimento e prática ancestral, e dentro de sua simplicidade elaboram simbologias e rituais de menor complexidade. Há, contudo, alguns que, embora profundamente intelectualizados, possuem elevada espiritualidade, a qual é suficiente para dar concretude à sua fé, e comungar sua própria consciência com a consciência universal. Este estabelecerá tanto seu diagrama quanto sua ritualística dentro da mais plena simplicidade, muitos dos quais traçam seu Círculo Mágico mentalmente, prescindindo de grafias ou esquemas. 

    Apenas como ilustração, na Magia Salomônica, por exemplo, o Círculo Mágico consiste em um círculo traçado feito juntamente com um triângulo de invocação, o qual deve ser sempre apontado para o Leste, onde o Sol nasce. Como se o Círculo mágico estivesse inserido dentro de um quadrado, sobre cada um dos quatro ângulos do quadrado (quadrado o qual não se desenha) se faz um pentagrama de Salomão, invertido. E é neste o local onde são colocadas as velas acesas. No interior do Círculo Mágico se coloca desenhado o Hexagrama. Neste Sistema Mágico é dada importância fundamental aos quatro pontos cardeais, cada um dos quais faz correspondência a dezoito “anjos” ou Daemons, os quais totalizam o número cabalístico setenta e dois. O Triângulo de Invocação é feito para estabelecer uma fronteira entre as forças. O círculo representa o mundo no qual pertencemos, o triângulo o mundo onde as forças invocadas são provenientes, e este limite é feito para que essas fronteiras sejam respeitadas, para que não ultrapassemos os limites de nosso mundo entrando no mundo das forças, e para que as forças não internem em nosso mundo. Fundamentalmente o Círculo Mágico representa um arranjo simbólico do infinito e da eternidade. Pois como disse Santo Agostinho: “Deus é o círculo cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não está em lugar algum”. Conforme tal citação filosófica, poderemos concluir que o Círculo Mágico é o esquema simbólico representativo da divindade em sua perfeição. E, por conseguinte, obter contato com Ela. O magista inserido no círculo representa, pois, o microcosmo em unidade ou comunhão com o macrocosmo. Portanto, muito mais que uma proteção contra forças indesejáveis, é o Círculo Mágico a representação da unidade do Homem com Deus, dentro da mais plena perspectiva de elevação do estado de consciência.


    Como já havia citado anteriormente, o Círculo Mágico depende da concepção que cada indivíduo possui da divindade, inerente àquilo que procura, ou seja, em concordância com o tipo de magia com a qual está familiarizado. Por esta razão citarei a prática na qual pessoalmente sinto maior familiaridade. Inicialmente há um estado mental que deve ser estabelecido, e este deve ser alcançado através da submissão a Deus, dentro de uma pureza espiritual onde toda a materialidade deve ser subjugada pelo Espírito, através da supressão de todo e qualquer desejo mundano. Isto requer um preparo prévio, como a abstinência por alguns dias de todo tipo de alimentos de origem animal, bebidas alcoólicas, etc. Enfim, uma preparação espiritual. Isto facilitará a concentração essencial para que o círculo seja realmente Mágico, pois como representa a Divindade, deverá estar despojado de toda a materialidade, incompatível com a Essência Divina que se propõe que tal círculo se constitua.
    O circulo poderá ser feito ao ar livre ou no interior de um espaço coberto. No ar livre poderá ser feito com uma vara, uma espada ou um athame. No interior de um recinto poderá ser traçado com giz, alguns tipos de grãos, pó de calcário etc... Caso seja possível poderão ser acrescentados cristais espaçados por todo o contorno, isso potencializa ainda mais o fluxo de energia. Na Wicca costumam-se traçar o Círculo Mágico com pétalas de flores, “pedras mágicas” ou pedras comuns, pois apreciam muito o contato e a harmonização com a natureza.  Inicia-se pelo sentido anti-horário, deve ser contínuo e feito pelo magista em seu centro. O tamanho deve ser amplo o suficiente para dar ao magista plena mobilidade em seu interior. Quando o magista estiver traçando o contorno do círculo deverá mentalizar o Espírito Divino como o verdadeiro artífice na sua construção, devendo estar sempre em perfeita consonância com este Espírito. Existem círculos que são de tecidos bordados, assaz utilizados por muitos magistas. Porém, creio que perderá muito em relação àqueles que são confeccionados de momento, pois estes são feitos dentro de clima de respeito e concentração.  Pode-se desenhar um pentagrama no interior, com o vértice sempre voltado para o norte, este é o sinal contrário à goécia.  Pode-se também desenhar vários círculos concêntricos no interior do Círculo Mágico, caso esta prática possa derivar maior segurança ao magista, segundo a sua consciência. Outro ponto essencial a ser frisado é que, assim como se inicia o círculo no traçado sentido anti-horário, deve ser desfeito no sentido horário. Tal procedimento possui como base o princípio da similaridade, ou da analogia, onde realizações efetuadas no mundo físico possuem correspondência com o mundo espiritual. “Um portal que se abre, impreterivelmente deverá ser fechado”, ou vice-versa. Nenhum trabalho deverá permanecer inacabado. Esta prática é respeitada em todo o mundo espiritual, e através dela que se promove o banimento.   

    O Círculo Mágico pode ser utilizado para inúmeras finalidades. Pode ser usado em invocações, evocações, como já foi mencionado, mas também pode ser utilizado para visualizações, concentrações, meditações , orações, consagrações  e feitiços das mais variadas formas, inclusive em trabalhos onde se envolve incorporações mediúnicas comumente usadas no espiritismo e na umbanda.  Outra utilização do Círculo Mágico está na potencialização dos exercícios de Yoga. Em seu interior o Yoguim poderá praticar, desde exercícios respiratórios em seus asanas (posturas de assentos)  desejáveis, até outros exercícios próprios do Hata Yoga.
     É essencial dizer que o magista, durante as invocações, jamais deverá deixar o interior do círculo, nem mesmo pisar fora dele. Deverá permanecer em seu interior até que tenham sido dispensadas as forças invocadas. Para a invocação ou evocação de seres sempre é necessário fazer o pentagrama em seu interior, pois representa o Homem no interior do círculo, que representa Deus. Com o vértice sempre para cima (norte), e cada membro representando os quatro elementos submissos a Deus. Quando se necessita trabalhos menores, como consagração, orações, entre outros, pode-se utilizar o circulo com o pentagrama em seu interior desenhado em um painel ou mesmo uma folha grande de cartolina. O próprio pentagrama, com o vértice na posição correta, estará ocupando o lugar do magista. 

    Não precisa ser um mago experiente para traçar o Círculo Mágico, nem mesmo um sacerdote, pois para as finalidades nas quais não sejam executadas invocações e evocações, o circulo funcionará como potencializador, e não como uma barreira protetora contra entidades. Dentro dele serão aumentadas a visão e audição astral, toda concentração será de muito maior efetividade, assim como meditação e orações. Mais uma vez lembro que o Círculo Mágico representa a divindade, e o magista em seu interior representa o Homem em perfeita harmonia com Deus, tanto em virtude quanto em poder. A consciência desta representatividade divina é o que determina a ação de todos os mais benéficos propósitos. Sem querer criticar os inúmeros Sistemas Mágicos que também se utilizam do círculo, acredito que representar Deus para que se entre em contato com entidades maléficas constitui, por si só um despropósito e uma incoerência sem tamanho, pois o bem só atua junto ao mal quando tem por finalidade transformar as trevas em luz.
Namastê.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A NUMEROLOGIA CABALÍSTICA 2ª PARTE



    Notadamente apresenta ser muito difícil expor a numerologia cabalística fora do âmbito de um inteiro volume, se faz ainda quase impossível expor toda a numerologia em apenas uma postagem. Por esta razão, é necessária uma segunda parte para complementar tudo aquilo que estenderia demasiadamente aquela que foi a primeira parte. E, por ser dividida em duas, pode se tornar, até mesmo, menos maçante para que um tema tão complexo possa ser entendido de forma gradual e dentro de uma perspectiva cuja leitura possa se fazer de forma mais lenta. A assimilação sempre é mais positiva quando são abertos maiores espaços para melhores explicações.  
    Conforme já foi visto na postagem anterior, a redução cabalística se faz necessária para que cheguemos a um número determinante em uma palavra. Vejamos em hebraico a palavra Ab, que significa Pai : A = 1, b = 2. Agora a palavra Am, cujo significado é Mãe : A =1, M = 4. Façamos a soma numérica de ambas as palavras : 3 da palavra Ab, e 5 da palavra Am, veremos que 3, da primeira palavra, assomado de 5, da segunda palavra corresponderá ao valor numérico 8. Como todos sabem o Pai e a Mãe estabelecem uma Geração, da qual nascem os filhos. A palavra Geração em hebraico tem por tradução Ild. Conhecendo o valor numérico de cada uma dessas letras teremos I = 10, que é 1 (1 + 0 = 1); L vale 30, ou seja, 3 e por fim D, cujo valor corresponde a 4 . Teremos aqui 1 + 3 + 4 = 8. O número 8 possui a mesma redução cabalística da soma da palavra Pai e da palavra Mãe, idêntica à redução cabalística da palavra Geração, que também é o número 8.

    Observemos o tetragrama sagrado YHWH ( יהוה ) : I possui valor = 1; H = 5; V = 6 , e novamente o H cujo valor, como já vimos é igual a 5. Somando-se 1 + 5 + 6 + 5 = 17 . Reduzindo o número 17 : 1 + 7 = 8, o número do infinito.
    O primeiro livro da Torah, Spher Bereshit , ou BRAShITh ( tradução do Hebraico é Gênese), é composta por 6 letras, a saber : B, R, A, Sh, I, Th, corresponde ao macrocosmo, que é o duplo triângulo, a Estrela de Salomão e possui os valores para cada letra, respectivamente : B = 2, R = 200, A = 1, Sh = 3, I = 1, Th = 400 , cuja somatória seria 2 + 2 + 1 + 3 + 1 + 4 = 13, 1 + 3 = 4. O número 4 corresponde à letra Daleth, ou D, que é o símbolo da natureza divisível. O ano hebreu não é Solar, é Lunar, e possui 355 dias, a palavra hebraica que significa ano é ShNH ( ShaNaH ) , que possui respectivos valores numéricos Sh = 300 , N = 50, H = 5. A soma cabalística dá exatamente o número de dias do ano lunar judaico que é 355 dias. A redução cabalística seria : 3 + 5 + 5 = 4. Novamente o número da natureza divisível, condicionada à Cronologia, ao "Tempo".
    Na primeira parte da Numerologia Cabalística, observamos como extrair o número regente através das letras do nome. Agora veremos o regente que corresponderá à data de natalício de uma determinada pessoa. Por exemplo, um indivíduo cujo data de nascimento corresponde ao dia 02 de junho de 1970.  Teríamos desta forma o número 2 , correspondente ao dia, o número 6 correspondente ao mês e 1+ 9 + 7 = 17, que é o número 8, correspondente ao ano. Chegaríamos então à soma dos três elementos 2 + 6 + 8 = 16 , o qual, por sua vez: 1 + 6 = 7. 
    Voltando aos parágrafos anteriores, observaremos que, toda a criação fez-se  equacionada à divisibilidade da natureza. Pergunto agora, qual a divisão mística da natureza ? Sabemos que a natureza se divide em quatro elementos : o fogo, o ar, a água e a terra. Lembrando que estes são  princípios e não substâncias. O fogo, o princípio da força, ar, o princípio volátil, água o princípio fluídico, e a terra o princípio da solidez. A partir da Gênese, a origem, a natureza recebeu a codificação numérica, da matemática divina, e cada princípio, ou elemento,  recebeu o número cuja essência está ligada a determinado elemento através da Força Criadora, como citei acima , YHVH possui o número 8, que divisionado teremos o 4. E esta Força deixou registrada em cada elemento os Princípio determinantes de cada um deles. Temos, dessa forma os  Princípios Numéricos do Elemento Ar , os quais , por sua volatilidade possui o 3 como origem e seus múltiplos como subsequentes, o número 7. É o ar  elemento que possui os algarismos correspondentes à perfeição e à divindade. Os Princípios Numéricos do Elemento Fogo seguem seu grau de sutileza, pois é o mais sutil de todos os demais, portanto, se inicia com o número 1e se repete no número 5. Os Princípios Numéricos do Elemento Água se iniciam pelo número 2, e na sequência o número 6. Teremos agora o número 4, do próprio quaternário e a sua duplicidade, o número 8, dos quais derivam o Elemento terra. Os quais formam a sequencia que simboliza a coesão, atributo da solidez, Princípio Fundamental do Elemento. 
    Teremos então : Ar , 3 e 7. Fogo, 1 e 5. Água 2 e 6. Terra 4 e 8. Assim como os signos do zodíaco, os números de 1 ao 9 se distribuem pelos 4 elementos, formando assim 4 grupos, que podem ou não se harmonizarem entre si.
    Seguindo a lógica da natureza, ocorrerá a harmonia dos números em duas hipóteses. Quando ambos, os números regentes do nome e o número regente da data de nascimento perfiguram-se no mesmo elemento essencial da natureza. Ou quando, mesmo sob elementos diferentes estes elementos se interagem. Por exemplo, o fogo penetra o ar, então o fogo e o ar são harmônicos entre si, ou a água e a terra. A água penetra a terra, fazendo-se harmônicos do mesmo modo. Esta interação é semelhante à relação sexual, onde o princípio masculino penetra o princípio feminino. Embora nos elementos ocorra sentido inverso: Os Gnomos, elementais da terra (princípio masculino) são penetrados pelos Ondinos ou Ninfas (princípio feminino), da mesma maneira os Silvanos (princípio masculino), do ar, são penetrados pelo fogo, Ígneos ou Salamandras (princípio feminino). 

    Uma pessoa por exemplo, que tenha a data de nascimento citada acima, a qual possui a regência do número 7, cujo nome poderia ser Saul Jones. Saul = 15 = 6. Jones = 32 = 5 , então 6 + 5 = 11 = 2. O número regente do nome é 2 que corresponde ao elemento água, ao passo que o número 7, da data de seu natalício corresponde ao elemento ar, ocorrendo, portanto uma incompatibilidade dos princípios.

    Mas o que significa estar em harmonia o regente numérico do nome com o regente numérico da data de natalício ?  Ocorre o acasalamento dos princípios da natureza que configuram ambos os conjuntos. Insto não significa nenhuma fatalidade, mas uma tendência. Toda tendência é neutralizada pela conduta. Uma conduta consubstanciada no amor e na virtude supera todas as tendências de desarmonia tendentes pela regência numérica. Do mesmo modo o inverso, mesmo que ocorra harmonia numérica, porém, inserida dentro de um panorama repleto de vícios e individualismo, ocorrerá a neutralização da harmonia numérica. O que os números indicam são tendências, propensões, principalmente atreladas ao caráter de cada indivíduo. Muitas são as pessoas que alteram algum item da sua assinatura normal, fato que aparentemente parece ser muito mais fácil que alterar um aspecto do caráter, contudo, a segunda opção é infinitamente de maior relevância.


    Vejamos agora outro aspecto da numerologia a qual chamamos de "Números Kármicos".
    Os Números Kármicos são encontrados antes da redução cabalística final, tanto na data de nascimento quanto no nome da pessoa. E eles indicam os padrões kármicos de vidas anteriores, geralmente obstrutivos, os quais terão que ser resgatados nesta encarnação, seja na maneira de passar por tribulações correspondentes à intensidade desse karma, seja no abandono do vício de caráter que vincula tal karma ao destino da própria pessoa (lembrando aqui que arrependimento não é a tristeza  advinda de um erro cometido, mas o abandono do "vício de caráter que propiciou a execução do tal erro). 
   Como citei parágrafo acima, a soma de uma data ou de um nome, antes de ser reduzida a um único dígito, pode representar  um dos quatro números kármicos, os quais são 13, 14, 16 e 19. Eles intensificam os aspectos negativos dos números que resultarão em sua redução . Por exemplo, o 13 intensifica os aspectos negativos do número 4, o 14 do número 5 , e assim por diante. O 13 é representado pelo Arcano 13 do Tarot, que perfigura a morte. Mas não a morte no sentido literal. Pode ser o representativo de uma ruptura, uma transformação, uma renovação, uma tomada de consciência necessária para que seja anulado ou abrandado o efeito desse karma, que é o da indiferença, da preguiça e da inoperância. A missão está justamente em transformar indiferença em atenção, em se prestar à solidariedade. O número 14 é o aviso à moderação, para neutralizar o karma atribuído aos excessos, como bebidas, comida, sexo, e outras prazeres momentâneos cujo excesso prende o indivíduo à esfera espiritual mais densa. É por isso representado pelo Arcano 14 do Tarot, que perfigura a temperança. O número 16 tem por missão a humildade, para atenuar o Karma engendrado pela tirania, pelo orgulho, pela altivez, pela vaidade e pelo excessivo apego material. É representado pelo Arcano 16 do Tarot, a Torre, que não sugere apenas destruição e perdas, mas a reconstrução e a reestruturação do caráter através da destruição de todo tipo de preconceito e de intolerância.O número 19 tem por missão específica a "Honestidade", para compensar prejuízos e grandes injustiças efetuados em outras existências. Representa o Arcano 20 do Tarot, que configura o Sol que nos traz o valor inefável do brilho e da luz para que possam ser subjugadas todas as trevas que um dia inundaram o próprio caráter. 
    Como podemos ver os Números Kármicos não são números que indicam o azar, ou um destino desfavorável. pelo contrário indicam caminhos, necessários para que se faça o aprimoramento do caráter para que sejam corrigidos os defeitos que atraem pesadas reações às ações, cujos vícios ainda podem estar presentes intrínsecos ao ser, promovendo o Karma. 
    Aqui foram expostos não só a numerologia vazia sem especificar a origem e o porquê do conhecimento dos tais, Sejam eles para o conhecimento ou para que se façam as correções necessárias para que possamos ser libertos da influência negativa de alguns aspectos. Toda genética humana é precisa, numérica, elaborada sob uma misteriosa matemática que não deixa jamais de ser determinística. Poderemos dizer que somos escravos de nossos genes. Porém a razão da existência é justamente sermos libertos de toda influencia determinística codificada dentro da materialidade. Para que sejamos libertos da escravidão da matéria e de todo o Karma é necessário "morrer" para aquilo que nos subjuga à materialidade, para que sejamos "Renascidos em Espírito". Pois somente através deste novo nascimento é que nos libertaremos de tudo aquilo que nos faz escravos, para que sejamos Senhores de um eterno "Hoje" na infinita e divina proporcionalidade.
 Namastê.