domingo, 27 de novembro de 2022

OS MISTÉRIOS DA REENCARNAÇÃO

                                      



 

        "E até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados". (Mateus 10, 30).

 

        Nada é por acaso. Todas as coisas estão estruturadas na consciência universal, há uma razão para cada uma das mais simples e imperceptíveis manifestações que surgem a todo instante nos insondáveis recantos do cosmo. Os grandes sábios compreenderam a matemática universal, um deles, Hermes — tomado como um deus em algumas civilizações — estabeleceu sete princípios para a compreensão do dinamismo e do sequenciamento cósmico. Estes sete princípios ou estas "sete leis" são as premissas estruturantes de todo o universo, as quais descortinam o funcionamento do dinamismo cósmico manifesto em suas infinitas dimensionalidades.

 

        Em textos anteriores já explanamos sobre cada uma destas leis, no entanto, cabe aqui recordar cada uma delas, pois todas as demais sequências derivam destes princípios.

 

        São estas:

 

        1. O Mentalismo – tudo é mente, o universo é mental;

 

        2. Correspondência – tudo está relacionado, existe uma correlação entre todas as coisas;

 

        3. Vibração – nada está parado, tudo está em constante movimento;

 

        4. Polaridade – tudo é dual;

 

        5. Ritmos – tudo é fluxo, tudo flui nos ciclos do universo;

 

        6. Causa e efeito – não existe acaso;

 

        7. Gênero – feminino e masculino.

 

         A evolução não é uma atribuição exclusivamente disposta ais seres humanos. Tudo é um fluxo de transformações. Todas as coisas seguem um caminho de modificações, desde uma ínfima partícula subatômica até as incomensuráveis supernovas dispostas nos algures celestiais. A reencarnação é um processo que acelera a marcha evolutiva. Imaginemos o espírito como uma água turva que necessita ser filtrada, e a matéria — energia densificada — um filtro sólido de calcário que retém parte das impurezas. Este fenômeno está fundamentado em cada um dos sete princípios universais de Hermes, dos quais descreveremos alguns passíveis de uma maior compreensão — correspondência, polaridade e gênero — para que possamos compreender toda sua dinâmica, suas características e suas regras. Compreendendo este dinamismo, entenderemos a essência do próprio ser, entendimento fundamental a todo magista que anseia pela sabedoria.

 

        O princípio da correspondência: "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima". Ou seja, A partir de uma análise profunda, poderemos deduzir o que existe em outros planos de diferentes vibrações. No astral, por exemplo, há toda uma correspondência com aquilo que tomamos por realidade física. Cada ser, envolto em seu veículo físico, possui o DNA, composto orgânico cujas moléculas codificam as instruções genéticas que determinam o desenvolvimento, o comportamento e a condução existencial de todos os seres vivos. Assim como há o DNA físico, que se dispõe segundo a hereditariedade dos seres, há o DNA astral, que acompanha a linhagem espiritual direcionando o sequenciamento físico.

 

        Conforme descrevemos em textos anteriores, assim como o DNA físico provém de uma linhagem genética familiar, o DNA astral se dispõe da mesma maneira. Imaginemos um indivíduo nascido na China há séculos atrás, seguramente sua próxima encarnação se dará entre seu próprio povo; mais precisamente no mesmo clã ou na mesma família cujo DNA físico é compatível com o seu DNA astral. Dificilmente tal indivíduo irá reencarnar dentro de um povo europeu, ou um povo árabe ou africano. Embora haja exceções, dentro de um clã familiar existirá muito maior compatibilidade para que tal espírito receba seu invólucro físico para mais uma jornada existencial.

 

        Segundo alguns autores teosóficos, o tempo de permanência de uma entidade no astral pode se estender a vários séculos, alguns ultrapassando um milênio. Esta estimativa pode ter sido correta nos milênios que se antecederam à Era Cristã, quando a população da terra não ultrapassava os 500 milhões de habitantes, e, segundo as revelações dos grandes mestres, o número místico de entidades espirituais humanas gira em torno dos 20 bilhões de seres. Dessa forma, conforme a população do planeta aumenta, aumenta também, proporcionalmente, a velocidade com que os espíritos tendem a reencarnar no plano físico. Calcula-se, através da diferença entre o número total de entidades, e os mais de sete bilhões de seres presentes no plano físico, que o tempo de permanência no plano astral pelas entidades não ultrapasse o período de pouco mais de um século. Não estamos levando em conta as antigas raças de seres humanos que não conseguem mais reencarnar no plano físico, isto devido à incompatibilidade de seu DNA astral com a frequência atual do DNA da humanidade — Como já vimos em textos precedentes sobre os Kama Rajas, cuja evolução se processa exclusivamente no plano astral, de forma muito mais lenta que a humanidade geral.

 

 


 

        Quanto mais próximo à linhagem espiritual do indivíduo, maior compatibilidade há com o DNA hereditário.

 

        Em países onde ocorre intensa mistura racial, como no caso do Brasil, ocorre algo diferente daquilo que se dá nos países homogêneos. Logicamente as entidades reencarnarão seguindo as suas próprias linhagens familiares, mas não estarão restritas a uma única etnia. A mistura racial é muito importante, não somente ao abrir a compatibilidade genética para os povos que fazem parte de sua miscigenação, mas também, para o advento da futura Sexta Raça Raiz, advinda justamente da mistura entre inúmeros povos — este tema é extensamente explanado no texto "As Raças Raízes", exposto anteriormente.

 

        Segundo os ensinamentos dos antigos mestres, o princípio hermético do gênero e o princípio hermético da polaridade praticamente se fundem nos aspectos que se seguem. Assim como a diferença de potencial é essencial para que se encete a corrente elétrica, na alternância das polaridades positivas e negativas, a dinâmica da evolução humana flui através da dualidade. A diferença sexual existe apenas no nível físico, no plano astral tais diferenças ainda persistem devido à permanência da concepção física nos seres que ainda não atingiram edição necessária para o total desprendimento. Um indivíduo ao desencarnar, que ainda não atingiu elevado grau de iluminação, permanecerá ainda por muito tempo com as características que possuía enquanto vivia no plano físico. Seu veículo astral tenderá a manter as características que se moldaram através de seu invólucro físico, desfazendo-se gradualmente no período que permanece no Mundo de Kama.

 

        Sempre lembrando que existem expressões, a alternância dos sexos entre as encarnações seguem o princípio da polaridade, variando o gênero em cada uma de suas peregrinações terrestres. Um indivíduo nascido homem em determinada vida, sofrerá uma mudança de sexo em sua nova roupagem física. Esta alternância segue as leis que regem todos os ciclos em suas sequências transformadoras. O dia retorna após a noite, as lunações se processam seguindo as modificações presentes em cada uma de suas fases. A característica essencial do dinamismo cósmico é a impermanência, todas as características de cada momento cronológico obedecem a lógica da transitoriedade.

 


        Como citado anteriormente, as impressões do aspecto físico, após o desenlace da matéria, permanecem na entidade por um longo período no plano astral. Ocorre que, se o período de permanência no astral fluir em maior celeridade, algo não tão raro neste momento atual em que a humanidade se aproxima dos oito bilhões de habitantes, o indivíduo poderá voltar ao plano físico com as impressões de sua vida anterior — sua alma poderá manter tendências à feminilidade em um corpo masculino e vice versa. É um processo natural, porém, discriminado pela ignorância ainda predominante no estágio atual da humanidade, eivado de intolerância.

 

        Os mesmos princípios de polaridade e gênero se dá no sequenciamento da linhagem familiar, talvez o mais interessante do ponto de vista esotérico. A alternância sempre será a regra nos sequenciamentos cíclicos — mesmo desconhecendo as leis herméticas, os chineses entenderam os mesmos princípios que equacionam o universo — basta que observemos as energias opostas e complementares dispostas no diagrama do Yin e Yang, onde todos os princípios fundamentais do universo, em perpétua oscilação de predominância, se integram no fluxo universal do dinamismo cósmico. Esta oscilação de predominância é a força motriz que promove o equacionamento de toda existência.

 


        Seguindo esta polaridade, o filho, com raras exceções, pertence à linhagem espiritual da família da mãe; a filha à linhagem espiritual da família do pai, é este regramento vai se seguindo na trajetória das gerações — poderemos notar que, via de regra, o filho possui semelhança com as características do lado materno, as filhas com o lado paterno.

 

 

        O karma, seguindo este sequenciamento, não está restrito à individualidade. Há o karma familiar, incidindo sobre a família, unida através de laços espirituais que atravessam os séculos, assim como o karma grupal, ou até mesmo nacional, de um mesmo clã ou povo, unidos por laços espirituais que atravessam os milênios.

 

        Sempre paira uma dúvida sobre aqueles que ainda, mesmo possuindo alguma noção da espiritualidade, não têm uma profunda compreensão sobre a natureza dos sequenciamentos. Seriam efeitos do karma as vítimas da guerra? Seria karma coletivo as tragédias familiares? Como as encarnações acompanham a hereditariedade física, o karma existente entre as famílias e clãs estão interligados, mesmo em nível do próprio povo em que as famílias pertencem — atrocidades, genocídios, guerras e usurpação de terras normalmente transcendem o nível grupal. Os nazistas cometeram as mais perversas atrocidades contra o povo judeu durante o período da Segunda Guerra Mundial, e nada pode justificar essa ação diabólica. Os hebreus destruíram "ao fio da espada" homens, mulheres, velhos e crianças de inúmeras cidades dos povos cananeus — basta que se faça uma leitura no livro de Josué no Velho Testamento — e para tal atitude abominável qualquer justificativa se tornará, no mínimo, hipócrita. Existem ações individuais, ações grupais e ações coletivas. Para cada ação existe uma reação, é este incide diretamente na genealogia de um determinado grupo.

 

 


 

        Vamos agora observar um caso de regressão hipnótica à qual presenciamos, gravando em fitas K7 — comuns no final da década de 70 quando a sessão foi executada. A Senhora F., de livre e espontânea vontade, submeteu-se ao procedimento especialmente após constatada sua susceptibilidade ais comandos do mestre operador.

 

        Inicialmente, o magista regrediu a senhora, com pouco mais de 50 anos na época, até vinte anos atrás, quando teve seu primeiro filho. Em seguida retrocedeu sua mente ao período da adolescência, até o momento do desenlace físico de seu pai. A regressão baseou-se nos momentos mais marcantes da vida da pessoa até o momento em que esta revelou estar no útero de sua mãe, ainda em estagio fetal.

 

        Após este estágio o magista retrocedeu ainda mais além, adentrando em sua vida passada, que, após um longo período de vida astral, pôde descrever um momento de grande enfermidade, antecedendo o próprio desenlace físico. Tratava-se de um indivíduo do sexo masculino, em idade relativamente avançada, no século 18, muito triste por ter dois de seus filhos nas terras do Novo Mundo — no caso o Brasil — sem dar notícias a vários anos à sua família, residente na cidade de Faro, no litoral português.

 

        Este relato, em seus momentos iniciais de uma vida pretérita, já demonstrou por si só, como pudemos constatar perfeitamente, que se tratava da linhagem espiritual do pai daquela senhora, submetida à sessão de hipnose, demonstrando ser um ancestral de seu lado materno — tetravô de seu pai. Houve, portanto, a mudança de sexo e o sequenciamento pelo lado paterno, conforme os princípios anteriormente descritos — permanecendo no astral um período superior a 130 anos.

 

        Fez-se, em seguida a regressão nos momentos marcantes da vida desse homem, até o início de sua vida na extração de cortiça na região do Algarve. Após regressar à primeira infância, prosseguiu a regressão até o momento em que se manifestou em outra existência, desta vez como mulher, seguindo a ancestralidade materna do indivíduo de Faro. O tempo, no entanto, a pessoa não pode precisar. Estimamos, porém, que se tratava de um período na segunda metade do século XXV, pois fez referência ao rei Afonso V, e o recrutamento de um de seus irmãos para o norte da África. Sem mencionar diretamente cronologias — a mulher em questão talvez se desconhecesse sua própria idade — aparentemente teve seu desenlace físico ainda muito jovem, profundamente entristecida pela partida de um de seus irmãos mais próximo. Neste caso também houve mudança de sexo, sequenciamento a partir da linhagem materna, e um período significativamente maior no mundo de Kama, superior a 150 anos.

 

        O operador fez ainda mais uma regressão a outra vida daquela pessoa, chegando até, possivelmente, o final do século XXI — a partir da jovem não se conhecia mais a data na qual se passava a vida da pessoa — na condição de alguém que faleceu ainda menino, na Andaluzia sob o domínio Mouro.

 

        A partir de então, devido aos exaustivos minutos em que se transcorreu a sessão, o operador decidiu suspender a experiência. E, através desta pudemos referendar aquilo que nos revelavam os antigos fundamentos amparados nos princípios herméticos: a sequência das reencarnações seguindo a hereditariedade; a alternância de gêneros; a polaridade entre as linhagens paterna e materna segundo o gênero dos filhos; assim como o tempo de permanência no plano astral, cada vez mais curto, conforme se aproxima dos tempos atuais.

 

 

 


        Do Homoerectus à supraconsciência.

 

        Sabemos que cada ser na escala evolutiva é uma aglutinação energética proveniente de outros seres de níveis inferiores nesta mesma escala.

 

        Em textos anteriores utilizamos a analogia dos mananciais que se dirigem ao oceano. Uma gota d'água à semelhança de um organismo unicelular, se aglutinando até a formação dos mais simples organismos multicelulares, como um veio d'água formado pelas incontáveis gotas em um constante fluxo a partir de sua nascente. Seríamos hoje "rios que correm para o oceano", encetando a aglutinação em rios cada vez maiores até que suas águas adentram na unidade maior — o Todo, a imanência divina para onde todas as coisas se convergem.

 

        O homem moderno se formou a partir do aprimoramento, ao longo de milhões de anos de evolução, a partir de formas menos evoluídas, em um contínuo processo evolutivo incessante, que permanece e continuará, seguindo o dinamismo universal sob os princípios do ritmo, da vibração e das causas e efeitos, diretos e indiretos.

 

        Em um mundo, cada vez mais integrado, onde através das novas tecnologias são suprimidas, cada vez mais as barreiras de distância, o intercâmbio entre os povos se acentua de maneira cada vez mais intensa. São cada vez mais raros os povos ou grupos que se mantêm em isolamento nos tempos atuais. A mistura racial se intensifica à medida que são rompidos os distanciamento e as barreiras geográficas. O homo sapiens teve sua origem na região sul da África Oriental, e a partir daí se espalhou pelo planeta se diferenciando em povos diferentes moldados pelos diferentes climas existentes na Terra. Com a integração e o crescente intercâmbio da humanidade, a miscigenação se acelera, e isso desde o início das grandes navegações, tendo o Continente Americano como centro de todas as direções de todos os povos do mundo, em especial o Brasil, o berço da Sexta Raça Raiz que está se formando devido à miscigenação.

 

        Conforme citação anterior, dificilmente um chinês irá reencarnar em um árabe, ou um africano ou europeu. Já nos povos miscigenados tal incompatibilidade desaparece, pois possuem as linhagens dos diferentes povos que participaram de sua genética. E, assim como o DNA astral acompanha o DNA físico, os sequenciamentos espirituais terão maior abrangência dentro da perspectiva espiritual — as barreiras do distanciamento serão desfeitas através da força das aproximações.  O nefasto sentimento do racismo e também da intolerância, tenderão a ser aniquilados com o advento da Sexta Raça, simplesmente porque todas as raças nela estarão presentes. Uma nova consciência surgirá a partir desta nova tônica da humanidade.

 

 


                                                                 As Almas Antigas.

 

        Sempre paira uma dúvida nos estudantes de ocultismo no que se refere ao adiantamento de alguns seres diante do atraso de muitos. Por que razão alguns seres elevam sobremaneira seus níveis de consciência enquanto outros ainda permanecem em níveis quase estacionários, beirando à barbárie?

 

        Muitas suposições já foram lançadas sobre esse tema, inclusive a hipótese de seres advindos de outros orbes. Como dissemos anteriormente, a população humana foi se diferenciando à medida que esta se espalhava pelas extensões do globo. À medida que ocorriam distanciamento, novas adaptações eram necessárias aos organismos para a adaptação às novas condições que foram surgindo. Isso se confirma no estudo dos troncos linguísticos — Tomemos, por exemplo, o Tronco Indo-europeu, originário provavelmente nas regiões setentrionais do subcontinente indiano. À medida que se distanciavam das planícies indo-gangéticas novos padrões surgiam alterando o idioma original, surgindo o persa, na região do atual Irã e todas as demais línguas europeias acompanhando o deslocamento desse povo às regiões ocidentais. Tais transformações ocorreram, da mesma maneira, no Extremo Oriente, na África e no sudeste asiático. São, portanto, as transformações, ocorridas em relação ao próprio meio, que definiram as diferenciações, fossem elas fenotípicas, culturais, tecnológicas, comportamentais…

 

        Alguns indivíduos tiveram que travar intensa luta pela própria sobrevivência, outros, devido às melhores condições, tiveram mais tempo para fazerem suas observações ao mundo no qual estavam inseridos. A ciência se originou a partir de tais observações, os ciclos sazonais, os astros, a geografia, as plantas, os animais…

 

        Em cada povo seguiram-se "castas de observadores", médicos tribais, "cientistas da natureza" cada vez mais respeitados pelos clãs, formando uma elite religiosa, formulando os rudimentos da filosofia. Desses núcleos surgiram expoentes no direcionamento das consciências que, "abriram os caminhos" para um mais amplo conhecimento e maior entendimento da própria vida e da razão de ser e de existir. Esses "espíritos" dotados de uma maior compreensão — conforme explanamos sobre a compatibilidade do DNA físico e astral — reencarnaram predominantemente em seus próprios clãs e em suas próprias castas, como podemos observar entre os brâmanes — casta sacerdotal da Índia, a mais elevada dentro de sua própria cultura. Ocorre que, no decorrer da história, cada ser, dotado de um nível de consciência mais elevado em relação aos demais, foram "abrindo caminhos" — missão espiritual a estes conferida pela consciência universal — auxiliando no processo da evolução espiritual de toda a humanidade.

 

 


 

                      As características intrínsecas carregadas através das linhagens.

 

        O magista pode, muitas vezes, analisar profundamente cada membro de um determinado grupo através do sequenciamento assim como o sequenciamento através de um determinado membro. Sua visão, pois, se estabelece diante da amplitude do panorama que se descortina a partir de seu conhecimento.

 

        Cada ser possui três variantes que definem seu verdadeiro aspecto: sua natureza interior, as circunstâncias nas quais está envolvido, e a disposição que resulta da ação das circunstâncias diante de sua própria natureza.

 

        Imaginemos uma linhagem de um grupo altamente belicoso, que seja propenso à pilhagem e ao conflito. Seria correto afirmar que um indivíduo advindo deste sequenciamento genético, retirado desse meio logo ao nascer, não fugiria à fatalidade de ter sua vida propensa à violência?

 

        Ou, em outro caso, um indivíduo nascido em uma família de alcoólatras, adotado logo ao nascer por uma família isenta de vícios, teria no decorrer da sua vida a sombra dos vícios a perseguir suas perspectivas?

 

        Diz um ditado árabe: "Se o pai é um alho e a mãe uma cebola o filho dificilmente irá cheirar jasmim". A palavra "dificilmente" não é sinônima da palavra "jamais", nossa trajetória no mundo possui a sagrada finalidade de romper as predisposições, desvanecer as tendências e destruir as fatalidades.

 

        Certamente que o nosso livre arbítrio poderá nos conduzir a novos caminhos e novas perspectivas. Não existe nenhum destino inexoravelmente pré-determinado. A própria razão da existência se estabelece nas transformações, todas as coisas são passíveis de mudança, inclusive a nossa natureza interior.

 

        Consideremos a primeiramente a essência do ser da pessoa advinda de uma linhagem eivada de vicissitudes. Esta possui determinado grau de evolução espiritual. Este grau não costuma contrastar significativamente dos níveis das demais pessoas de sua própria linguagem. Seres evoluídos nunca se constituíram como regra, mas sim como uma exceção. Mesmo em linhagens de grupos pacíficos e comedidos, os seres avançados configuram como raros adventos, na maioria das vezes, influenciados por outros seres de níveis elevados de consciência, alheios à sua linhagem.

 

        As circunstâncias são todos os fatores extrínsecos que incidem sobre o indivíduo no decorrer de sua peregrinação pelo plano físico, e estas têm sua origem nas sementes kármicas plantadas em tempos pretéritos, assim como nos resultados das escolhas tomados no tempo presente. As circunstâncias definem os caminhos na prossecução da senda evolutiva. O indivíduo é, em partes moldado pelas circunstâncias, assim como as circunstâncias são delineadas a partir de sua natureza intrínseca, seu aspecto fundamental. A disposição é o resultado das circunstâncias sobre a sua natureza. O propósito da encarnação, ou da própria dinâmica de vida espiritual, é aprender através das circunstâncias, fazendo com que sua natureza seja transformada, aflorando a sua verdadeira essência, a assinatura divina presente em todas as coisas.

 

 


                                                             A Metempsicose.

 

        Esta designação provém do grego, sendo que "meta" significa "além de" e "psique", alma. É um termo que abrange a transmigração da alma, não restrito, por sua vez, à reencarnação do gênero humano inserido à própria humanidade, mas que enceta a possibilidade da transmigração da alma humana também para os animais de toda escala zoológica conhecida. Esta crença adveio dos preceitos hinduístas, e consequentemente, as demais religiões que derivaram do hinduísmo, especialmente o budismo tibetano.

 

        Sem desprezar qualquer outra filosofia ou crença, em seus pontos de divergência com os preceitos que focamos nossa consideração, tal ensinamento se faz incompatível com todo o contexto que, desde o início, expusemos ao longo do texto. A incompatibilidade do DNA astral com o físico já torna difícil a reencarnação em grupos diferentes, quanto mais às espécies cuja estrutura do genoma se diferenciou através de milhões de anos das diferentes eras geológicas. Mesmo seres humanos das civilizações pretéritas, destruídas pelas hecatombes climáticas da mais remota antiguidade, como no caso dos Kama Rajas, explanado em textos anteriores, se fazem incompatíveis com a condição da humanidade atual, quanto mais seres de espécies diversas que nem mesmo os órgãos se fazem propícios para transplantes. Toda mudança fenotípica se dispõe através de transformações em nível dos genótipos, as quais foram estabelecidas durante milhões de anos, entre mutações e adaptações às variações do meio.

 

        Uma pergunta, ainda que hipotética, foi formulada por um adepto do ocultismo durante uma explanação sobre a compatibilidade do DNA. Indagou ele: "Segundo as premissas do esoterismo, o universo traz em si infinitas possibilidades. Consideremos, pois, a possibilidade da criação de seres híbridos, entre humanos e animais — sabemos que a ciência está rompendo paradigmas, alguns inimagináveis, como o sequenciamento dos genomas, fato que tornará possível trazer de volta à vida alguns animais extintos em períodos mais recentes. Diante da possibilidade da criação de seres híbridos — considerando que se trata de algo plenamente possível — e também considerando que toda matéria física é estruturada na matéria sutil, aquilo que poderemos chamar "alma" — a que nível ou qual a estruturação do corpo energético de um ser híbrido, criado a partir da mais avançada engenharia genética?"

 

        No esoterismo sempre devemos evitar o "nunca" e nunca deveremos dizer o "sempre", portanto, toda questão, ainda que dentro das conjecturas, deve ser encarada como uma possibilidade.

 

        Em tais perspectivas, no âmbito das suposições, deveremos imaginar o hipotético contexto, e, nesta presumível "realidade" enquadrar nossos conceitos preestabelecidos.

 

        Imaginemos se o ser híbrido advém de um sequenciamento espiritual humano — sua condição certamente será de um ser humano eivado de limitações, haja vista que terá metade de suas codificações formadas a partir de graus inferiores na escala zoológica. Imaginemos agora que este novo ser possua seu sequenciamento espiritual advindo de sua contraparte animal. Teríamos um animal que sobrelevou milhões de anos na escala evolucionária — uma surpreendente, extraordinária e inimaginável  aceleração do processo evolutivo. Há uma "alma" ou contraparte energética para todas as coisas que se distingue no universo físico. Uma simples micropartícula é formada de ondas energéticas. Tudo é energia! Tudo está em processo de transformação!

 

 

 


                                                       As missões espirituais.

 

        Toda encarnação tem um propósito. Todos possuem uma missão e nenhuma delas deixa de ser grandiosa. Porém, poucos são aqueles que têm consciência de sua missão e concentram suas energias para o seu cumprimento.

 

        Existe a missão dos seres elevados. Existe também a missão dos seres ainda em processo de transformações. Não existe, porém, nenhuma missão engendrada através dos planos divinos que deixe de ser elevada. Existe uma perspectiva até para o mais ínfimo dos seres vivos. Há um projeto de luz que envolve todos os seres.

 

        Se tomarmos a bíblia por referência, poderemos observar inúmeros missionários dos propósitos divinos, entre os quais, explicitamente, está João, o batizado, descrito pelo próprio Jesus. Poderemos observar também que, na própria descrição, ele cita uma de suas encarnações anteriores, na figura de Elias, no reinado de Acabe, nove séculos anteriores à Era Cristã, ou seja, cerca de 900 anos antes do nascimento de João.

 

        Sua missão essencial era preparar os caminhos para o advento da perspectiva crística de uma nova consciência — ao contrário do que muitos pensam, Jesus não veio criar uma instituição, nem mesmo dogmas, preceitos e doutrinas religiosas, e sim inaugurar uma nova consciência, rompendo paradigmas de uma "letra morta" para o advento de uma perspectiva lúcida da vivificação espiritual. Considerado como a "Voz que clama no deserto" — a verdade que surge através do silêncio — ele descortina as características de uma alma antiga comungando sua força em meio à disposição humana — humanidade presa em um encadeamento circunstancial de servilidade ante um poder opressor instituído há séculos através do medo — as almas antigas buscam o silêncio, o isolamento, a introspecção. Elas são alheias à cronologia, sempre parecendo mais velhas quando jovens, e mais jovens quando idosos. Enxergam muito além da perspectiva física, por isso seu olhar se faz penetrante e direcionado. Não evidenciam seu próprio ego, muitas vezes não relevando importância ao aspecto físico — no caso de João, este se vestia rusticamente,  vivendo nos ermos solitários dos desertos.

 

        Mahatma Gandhi, outro exemplo clássico de uma alma antiga, vivia toscamente em um "Asheran" entre os "dalits", quando poderia ser a maior autoridade civil em todo o subcontinente indiano.

 

 

 


                                                  Memória das vidas anteriores.

 

        Antes de adentrarmos nos profundos mistérios que entrelaçam as memórias pretéritas, a consciência superior e o ego reencarnante, é necessário que se faça um retrospecto sobre a divisão setenária daquilo que é o homem em sua interação com os planos de existência.

 

        Temos o corpo físico, o duplo etérico, o corpo astral, o corpo mental concreto, ou mental inferior, o corpo mental abstrato, ou mental superior, o corpo Búdico e o corpo Átmico.

 

        Através do corpo físico percebemos três dimensões, por isso alguns espiritualistas modernos denominam o plano físico de terceira dimensão. Acima deste, em grau de sutileza está o corpo etéreo ou o duplo etérico, disposto na quarta dimensão, entre o astral e o físico, o qual recebe as energias através do Prana, distribuindo-as através dos vortex energéticos chamados chakras — amplamente comentados em textos anteriores. O corpo etérico é a interface de correspondência entre o corpo físico e o corpo astral.

 

        O corpo astral, também denominado corpo emocional, é o veículo de vida no Mundo de Kama  o plano astral, a quinta dimensão dos modernos esoteristas. É este o veículo responsável pelo nosso quadro emocional, pela emotividade e sensibilidade às emoções que fluem no plano kamásico, assim como os vários distúrbios, desestabilizações e enfermidades psicossomáticas. (kamásico: relativo ao Mundo de Kama, o Plano Astral).

 

        Adentrando em maiores graus de sutileza, temos o corpo mental inferior, ou concreto, onde fluem as atividades do raciocínio objetivo, do mundo concreto onde os pensamentos discernem a matéria em sua absoluta concretude. Situa-se na sexta dimensão, onde as ideias se plasmam focadas no palpável, onde a teoria sintetiza a praticidade.

 

        Além do mental concreto está o corpo mental superior ou mental abstrato, ligado ao mental concreto através da Ponte de Antakarana, a ligação sutil que separa os três corpos superiores: mental superior, Búdico e Átmico dos demais inferiores — estes três corpos formam o que chamamos o Corpo Causal, sobre o qual dissertaremos a seguir. Aqui está a sétima dimensão onde são resguardadas as memórias ancestrais das vidas pretéritas.

 

        O corpo Búdico se localiza na chamada oitava dimensão, armazenando e direcionando as sutis energias que estruturadoras da evolução da alma.

 

        O Átmico está na 9° dimensão, onde a sublime revelação da verdade se revela no amor e flui através da fé.

 

        Essa tríade superior, acima descrita, representa nossa contraparte divina acima da contraparte humana, o Corpo Causal, o Triplo Logos encausado na dimensionalidade humana. O mental abstrato permite a formulação das ideias abstratas, acima da concepção concreta da percepção dos sentidos físicos. No corpo Búdico está contido o sentimento devocional, o dom artístico transcendente, a intuição que se sobrepõe à própria lógica e o raciocínio cartesiano. O Búdico corresponde ao refinamento das emoções adstritas ao astral — enquanto neste último se deflagra a paixão, no Búdico se consagra o amor. No Átmico se consagra a consciência acima da concepção humana, a realidade crística na suprema unidade com a consciência cósmica.

 

        O nome "Causal" assim se designa, pois ele é a causa da formação dos outros quatro veículos inferiores humanos, o mental inferior, o astral, o etéreo e o físico. É a permanência do corpo causal que determina a sucessão das existências, das encarnações, guardando nele as sementes kármicas que germinarão ao longo da Roda do Samsara — os ciclos sucessivos das encarnações.

 

        Quando um ser humano se desenlaça de seu invólucro físico, permanece por um curto espaço de tempo envolto em seu duplo etérico, o qual se desfaz assim que se inicia a decomposição orgânica de seu corpo físico — no antigo Egito os corpos eram unificados para a preservação do corpo etéreo, fazendo com que o corpo astral do indivíduo não conseguisse, por um longo espaço de tempo, se distanciar do local onde localizava seu sarcófago, perto do qual eram colocados seus antigos pertences, joias, e muitas vezes, absurdamente, suas mulheres e escravos.

 

        Após a degeneração do duplo etérico, o corpo astral permanece no Mundo de Kama por um longo período, dificilmente abaixo de um século. Após uma prolongada estadia neste plano, seu corpo astral começa a se desvanecer, e, após a perda deste veículo kamásico, seu corpo mental concreto rapidamente se desagrega, restando o corpo causal, a "essência reencarnante". O corpo causal encetará uma nova encarnação agregando novamente os quatro princípios ou veículos inferiores, reiniciando um ciclo em sua senda evolutiva.

 

        Como a grande maioria dos seres humanos se encontra em estágios abaixo da quinta dimensão em suas percepções espirituais, ao reencarnar sua consciência estará expressa nesses veículos mais baixos, e não na sétima dimensão do corpo mental superior, o primeiro veículo do corpo causal, onde estão resguardadas as memórias das vidas pretéritas. Dessa forma há o quase completo esquecimento das experiências anteriores, com exceção das pessoas mais evoluídas com a percepção além da sexta dimensão do mental concreto.

 

Existem também, além dos seres evoluídos, outras exceções que reacendem as memórias passadas, a primeira é na primeira infância, onde a pureza das crianças e o desconhecimento das milícias do mundo faz com que, a percepção espiritual se estenda além dos quatro veículos inferiores, alcançando o corpo causal, onde se têm acesso às memórias passadas, as quais, assim que os quatro veículos inferiores se estabelecem, em sua maior projeção para o mundo físico, tais memórias sai rapidamente esquecidas. A outra exceção ocorre em raros eventos nos quais a permanência no plano astral é demasiadamente curta. Nesse caso os princípios inferiores não chegam a se desvanecer completamente, formando, na encarnação que se segue, um canal com o corpo causal, por onde fluem as memórias das vidas anteriores. Em casos assim, muitas características físicas da vida anterior estarão presentes nesta vida presente. Alguns sinais físicos, ricamente documentados na literatura esotérica, são explícitos no corpo físico presente — as famosas marcas de nascença. Em seu livro Reencarnação Baseada em Fatos, Karl E. Muller, entre outros inúmeros casos relata o caso de um menino sírio, um fato irrefutável comprovado de lembrança de vidas anteriores. Um menino nascido em uma localidade da Síria, logo que aprendeu suas primeiras palavras, dirigiu-se à sua família e falou que aquela não era sua família original, é sei nome tão pouco era aquele pelo qual o chamavam. Afirmou de maneira segura qual era o seu verdadeiro nome e qual a cidade da qual provinha. Tal fato levado ao conhecimento dos  "Drusos" da aldeia,  estes sugeriram que levassem o menino à cidade e à casa onde este afirmava ter vivido, para que fosse comprovado tudo aquilo que este dizia. Logo que chegou na casa, reconheceu todos os seus parentes  até mesmo antigos retratos onde sua imagem era exposta. Falou que havia escondido uma determinada quantia de dinheiro antes de sua morte, que, para espanto geral logo foi comprovada. Disse também que uma pessoa daquela localidade lhe devia um determinado valor, fato que também fora comprovado, assim que encontraram o devedor.

 

        Levado com sua atual família de volta à sua residência da vida presente, o menino gradualmente foi olvidando as antigas recordações, até que, após alguns anos, nada maus lembrava, passando a levar uma vida normal.

 

        Poderíamos citar dezenas e dezenas de casos, porém, serviriam apenas para relatar casos semelhantes ao menino sírio. O que se verificou, neste e também na maioria dos casos de lembranças inatas, foi a reencarnação quase que imediata de certos indivíduos, assim como o afloramento dessas memórias durante a primeira infância.

 

        Uma experiência, embora extremamente rápida, ocorreu certa vez com uma criança de maneira inusitada.

 

        "Notei que a criança, de apenas 3 anos de idade, falava a letra r com um acentuado sotaque francês. Em um dado momento, enquanto desenhava junto à sua mãe em folhas de papel sulfite, vi uma borracha ao lado de sei estojo. Não esperando obter resposta alguma, quase que automaticamente lhe fiz um pedido: 'S'il vous plâit, prête moi le gomme'. A criança, no mesmo instante, pegou a borracha e a deu em minhas mãos — o pedido foi: 'por favor me empreste a borracha'. A mãe ao observar meu espanto perguntou o que eu havia falado, e, logo que contei, esta também ficou assombrada. Perguntei inúmeras coisas à criança em língua francesa, mas nada mais pareceu entender. Até hoje fico espantado quando relembro esta inusitada ocorrência".

 

        Acreditamos que existem flashes de memória ancestral, que podem ocorrer na infância e também se estender por toda a vida adulta. Muitos são os adultos que afirmam situações que parecem ter vivido em alguma ocasião, muitas vezes em circunstâncias que jamais poderiam ser lembranças ocorridas na vida atual.

 

        Nossas percepções físicas e extrafísicas, em cada uma de nossas vidas sucessivas, passam para o corpo causal, o qual determinará, de acordo com as sementes kármicas, advindas em cada ação, condições para a forma, variantes emocionais e mentais da nova pessoa a reencarnar no plano físico. Apenas quando não carregamos as sementes kármicas para a tríade superior, o corpo causal, cessarão os ciclos sucessivos de encarnações.

 

        O corpo causal é, pois a parte imortal do homem, enquanto este permanecer na condição humana. É este que nos liga a Deus em sua "imagem e semelhança". O destino do corpo causal é como o imenso rio a desaguar nas águas do oceano. Quando isto ocorrer será a sua sublimação, não sua aniquilação, pois assim como somos a junção de "vários rios" em nosso "pequeno oceano". E, em nenhum momento deixamos de expressar o nosso "eu". Seremos a junção das muitas águas, no "grande oceano da bem aventurança", e em nenhum momento deixaremos de ser ou expressar o nosso "Eu" maior.

 

        Eu e o Pai somos Um — já disse certa vez o Espírito Crístico em sua explicitação das verdades eternas.

 

        Paz e Luz.

 

 


 

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

AS "LEGIÕES" ASTRAIS — O DISCERNIMENTO DAS ENTIDADES ESPIRITUAIS.

 

 

 

         

 

 

                                                        

 


                                                       AS LEGIÕES ASTRAIS.

 

        Conhecer a fundo os seres astrais é de fundamental importância tanto para os magistas e místicos quanto para todos os demais espiritualistas em suas mais diversas vertentes. Porém, neste texto não ficaremos a diversidade dos seres que comungam suas existências no mundo de "Kama", pois já discorremos amplamente sobre o assunto em textos anteriores. Veremos aqui a natureza espiritual dos grupos de seres que atuam coletivamente nesse plano de existência, os quais muitas vezes são creditados como um único ser para a maioria das pessoas não aprofundadas nos arcanos esotéricos.

 

        Parafraseando a assertiva hermética da correspondência: "Aquilo que está em cima é como o que está em baixo e aquilo que está em baixo é como o que está em cima", veremos que, assim como no plano físico, onde um líder, ou um representante, responde por uma agremiação, um grupo, um partido ou toda uma nação, como no caso de um presidente ou primeiro ministro, no astral uma entidade responde por um enorme grupo de espíritos coligados, os quais tomam pata todo o conjunto nomes diversos, muitas vezes como um ser famoso, um mestre ascensionado, um deus ou um nome de alguma figura arquetípica de uma determinada crença, ou até mesmo de algum nome de demônio ou uma representação ligada à um determinado propósito no mundo astral.

 

        Este assunto é extremamente importante para todos aqueles que se propõem, não apenas à amplificação de seus conhecimentos místicos, mas obter o amplo domínio das práticas esotéricas, desembaraçando-se de todos os entraves e obstáculos astrais ocultos, fazendo com que seus propósitos e metas fluam de modo favorável dentro do mundo invisível.

 

        Os maiores embaraços no mundo espiritual são o medo, o desconhecimento e a insegurança além dos limites da existência física. As correntes astrais são análogas a um rio, que começa sua trajetória ante uma vertente lamacenta, que, ao prosseguir sua trajetória, insurge-se como um tênue grotão, aumentando gradualmente as suas águas, até que se tornam mais e mais profundas, até o momento em que se faz impossível caminhar sobre seu leito, devendo seguir seu percurso a nado. O estudo das entidades espirituais coletivas são as águas mais profundas, onde é necessário que se saiba nadar sobre elas, para que não venha a se afogar sob a veemente força de seus turbilhões.

 

        Essas "entidades" grupais congregam maior e mais potente força à medida que o número de seus componentes se eleva. Podemos até lançar como exemplo a passagem dos evangelhos de Marcos capítulo 5, versículos de 1 a 20, e de Lucas, capítulo 8, versículos 26 a 39, que discorre sobre o "endemoninhado gadareno", o qual sob o domínio de seres espirituais, possuía a inusitada força de romper cadeias e grilhões, e andava rondando os cemitérios e lugares inóspitos. No momento em que Jesus com ele se defrontou, iniciando seu banimento, perguntou-lhe o nome, o qual respondeu ser uma legião, um grande agrupamento de seres, e por esta razão, sua força prodigiosa e a incapacidade de que fossem expurgados do corpo daquele homem, o qual se restabeleceu plenamente após a libertação. Nestes versículos podemos ver claramente a potencialidade manifesta através de um grupo de espíritos atuando como se fosse uma unidade. E, geralmente, se potencializam as naturezas de seus indivíduos, no caso, se a natureza predominante individual é perversa — os grupos se alinham dentro dos mesmos níveis de consciência de seus asseclas — quando coletivo a perversidade será expandida a níveis cada vez maiores. É como uma torcida de algum time que parte para o confronto, no contexto grupal tenderá a ser muito mais violenta que um de seus indivíduos se agisse isoladamente.

 

        Assim como no plano físico, o embate frontal a esses seres sempre é desaconselhável, mesmo aos mais experientes magistas. As forças malignas do astral se engrandecem e se potencializam principalmente através do medo, pois o medo castra a própria fé. É essencial não dimensionar os atributos dessas entidades conjuntas. Todas essas forças nefastas se estruturam no próprio ego, e, nada pior para o ego que relegá-lo à inexistência. O poder das entidades coletivas, e mesmo dá a individuais, é anulado através da indiferença, como se não manifestassem a própria existência. Vamos citar aqui o exemplo do Vodu no Haiti, onde os feitiços, especialmente do envultamento só têm efeito após o alvo do feitiço tomar conhecimento que existe magia contra ele. Para isso colocam aviso na casa do indivíduo, que geralmente é um pé de frango amarrado com uma fita preta ou vermelha, assim como a cabeça de algum animal perfurada com agulhas. O detalhe curioso é que, aos ateus ou aos estrangeiros que não sabem do que se trata, não surte efeito algum, porque simplesmente desprezam ou até riem dessas práticas. A indiferença e o destemor enfraquecem a operância maligna dos seres trevosos do mundo espiritual, cujo detalhes daremos a seguir.

 

 

 

            


 

 

                                              Como são formadas as "Legiões"

 

        Assim como no plano físico, onde existem clãs, grupos, facções, confrarias e governos, no astral não é diferente, especialmente dentro das frequências mais baixas do "mundo de Kama".

 

        Um exemplo que podemos dar vem ser o dos nazistas mortos durante a derrota do Terceiro Reich. O fanatismo e o idealismo não são suprimidos com a morte física. No astral, grupos afins acabam se unindo através da sintonia de suas frequências. Enormes grupos fascistas, presentes na segunda guerra, permaneceram unidos no mundo espiritual, assim como suas vítimas e também seus adversários, tanto do Leste quanto do Ocidente do continente europeu, prosseguindo, embora de maneira muito diferente, seus embates e suas divergências presentes enquanto inseridos em seus veículos de manifestação física.

 

        Logicamente cada grupo se estratifica segundo pontos específicos de consonância e afinidades, nascendo grupos mais coesos agindo como se fossem um indivíduo isolado.

 

        Assim também se formam os grupos religiosos, os grupos raciais, os grupos submissos a alguma casta espiritual de líderes, reis ou mestres de irmandades místicas.

 

        É possível, em alguns tipos inusitados de rituais, estabelecer diálogos com certas entidades que atendem pelo nome de Lúcifer, Lilith, Asmodeu, etc…

 

        Mas será que existem realmente essas entidades individuais no astral?

 

        Primeiramente Lúcifer nunca foi o nome de qualquer entidade, mas sim um título, como discorreremos a seguir, assim como os inúmeros nomes de demônios e títulos dos quais as legiões se utilizam para denominar suas falanges astrais.

 

        Lúcifer, como o próprio nome já denota, do latim significa "o portador da luz", tanto que é associado à "Estrela da Manhã", o Planeta Vênus — Fósforo para os gregos — que expõe sua luminosidade mesmo depois que a escuridão da noite se dissipa. Associado a este planeta, era, entre os romanos, associado às divindades celestes no período clássico desta civilização, considerado um deus, posteriormente na medida em que os astros tomavam corpo no encadeamento astrológico no Império.

 

        A partir de então poderemos ver a origem da grande maioria dos "demônios" nas civilizações que surgiram e desvaneceram na superfície da Terra. Quando uma civilização conquistava ou sobrepujava outra civilização, os deuses destas últimas já não eram mais deuses, e sim demônios, assim intitulados pelos seus conquistadores. Lúcifer, inicialmente um título de sabedoria, transformou-se em Deus com o passar do tempo, e, com o advento do cristianismo tomou a figura do príncipe dos infernos.

 

        No livro de Isaías, capítulo 14, versículo 12 assim diz, referindo-se ao rei da Babilônia: "Como caíste do céu, ó "estrela da manhã", filha da alva! como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações". E prossegue até no versículo 15 assim se referir: "E contudo levado serás ao 'Sheol', ao mais profundo dos abismos". (Sheol vem ser a morada dos mortos, a região do esquecimento segundo a literatura hebraica). Vemos que aqui se refere unicamente a um inimigo do povo hebreu, tomado como Vênus — viam em Vênus uma luz menor que se insinuava entre uma luz maior do dia, o Sol, simbolizando Deus, tendo a luz menor de Vênus, como um arremedo, alguém que pretendia tomar o lugar divino, que no entanto, desaparecia no decorrer do dia, mergulhando novamente na própria escuridão, visto novamente no cair da noite.

 

        O cristianismo considerou estes versículos muito além de uma profecia contra um rei humano, transformando-a na mítica queda de Satanás (nome que simplesmente significa "acusador") do reino dos céus, transformando a denominação "Lúcifer" — a estrela da manhã, o Planeta Vênus — no príncipe dos infernos.

 

        Assim veremos também Asmodeu, um príncipe das hostes invernais, que nada mais é que uma versão demoníaca da deusa cananéia e fenícia Astarte. Do mesmo modo o temido Belzebu, que é Baalzebuth, onde há a aglutinação de dois deuses do povo conquistado de Canaã, Baal, sua principal divindade, da fertilidade e do ar atmosférico, e Zebuth, das moscas e das enfermidades, transformando-se em um mítico ser criado essencialmente pela imaginação humana sobre deuses das antigas nações camito-semitas.

 

        Não podemos esquecer Lilith, personagem do folclore judaico, assim como o Saci Pererê para os brasileiros, onde não consta em nenhum livro religioso, nem em comentários talmúdicos, e que, ganhou "existência" também na imaginação humana, e que, assim como as incontáveis hipotéticas divindades, se comunicam com os homens em rituais e invocações.

 

        Mas, se são hipotéticas e lendárias como se comunicam com os seres humanos?

 

        Assim como grupos, partidos políticos ou associações, onde pessoas afins se agrupam, no mundo espiritual ocorre da mesma maneira. Sigamos uma analogia: imaginemos que um grupo de pessoas, que deseja o ensino religioso nas escolas, se organize em uma associação e instituam como nome de seu grupo seja a sigla "Enrelig" — Ensino Religioso, e também organizem um conselho para o qual seja escolhido um porta-voz que expresse a público todos os anseios e decisões deste conselho. Alguma decisão que por ventura seja tomada pela maioria ou pela unanimidade do grupo com repercussão na mídia, será anunciada da seguinte forma: A "Enrelig" propõe que sejam analisadas as seguintes propostas… Certamente o porta-voz falará pelo grupo, e, da mesma maneira que no plano físico, no astral, uma entidade responderá e falará por toda uma corrente espiritual unida sob um determinado aspecto. Vejamos algo que ocorre: Um grupo de Kama Rajas (em textos anteriores já dissertamos amplamente sobre estes seres do mundo astral, não humanos — do sânscrito, "Os Reis do Astral", normalmente muito mais poderosos que os humanos desencarnados) se associa sob a denominação de Adramelek, nome de um lendário demônio das legiões infernais, e, em seus rituais de invocação façam favores aos seus devotos em troca de sacrifício de sangue de animais. (Neste exemplo seria em relação aos Kama Rajas não evoluídos que necessitam da energia do sangue para manter a estrutura astral de seus veículos kamásicos). Em meio a uma civilização de cultura judaico-cristã Adramelek soa como um nome muito sugestivo para expressar a sua própria natureza maléfica, mas normalmente esses grupos não estão restritos em um único país ou a um único continente. Em um país africano, por exemplo, ele teria outro nome relacionado à divindade africana também relacionada às mesma a práticas sacrificiais, para a qual adotaria os trejeitos e características peculiares ao determinado povo em que a entidade é invocada, valendo-se da versatilidade própria dos Kama Rajas, que atuam sempre seguindo as particularidades do povo que os evoca.

 

       Mesmo nos grupos de Kama Rajas há inumeráveis entidades humanas desencarnadas, seguidores desses espíritos que já foram os deuses e demônios da antiguidade.

 

        Vejamos outro exemplo de Kama Rajas mais evoluídos que, em meio ao contexto judaico‐cristão, poderá se apresentar com o nome de um anjo, e prestar favores e curas em troca de orações e oferendas pacíficas, como flores, velas ou incensos. Possivelmente dentro de alguma vertente da magia grega responderá pelo nome de um de seus antigos deuses, da escandinava da mesma maneira, assim como nas matrizes africanas por seus espíritos ou divindades. Até mesmo nas civilizações centro ou sul americanas podem responder pelos nomes indígenas ou mesmo alguma denominação popular em língua portuguesa ou espanhola, muito comum no Brasil e diversos países latino americanos. São nomenclaturas das mais diversas, incluindo, até mesmo, nomes de personagens históricos, vultos ilustres ligados à espiritualidade, mártires e religiosos de vida terrena abnegada. No continente asiático da mesma forma, isso explica como entidades com o mesmo nome podem atuar ao mesmo tempo em inúmeras cidades, regiões e países diferentes, modificando suas denominações somente quando a cultura de um povo se diferencia da de outro povo.

 

        As correntes espirituais humanas também se formam amplamente no mundo astral. Um grupo espiritual pode assumir o nome de uma determinada pessoa, e atender simultaneamente inúmeras disposições em lugares diferentes. Por esta razão, determinada entidade que tenha, por exemplo, o nome de Doutor Fulano, pode estar, ao mesmo tempo, diligenciando em São Paulo, Recife ou Fortaleza, ou até mesmo incontáveis locais dentro ou fora de um país.

 

        Recentemente um místico, com qual mantemos laços de amizade há mais de três décadas, estabeleceu um diálogo com uma "entidade" que atende por um determinado nome muito conhecido nos meios espiritualistas. Inicialmente ele notou que uma individualidade espiritual falava por dezenas que com ela formava um imenso círculo, perguntou em seguida se era ele quem sempre falava pelo grupo. "Certamente que não" — Respondeu a entidade — "Nem mesmo teria condições para estabelecer tantos contatos. O círculo que você pode ver são todos os nossos interlocutores que estabelecem contato em inúmeros locais diferentes, muitas vezes em tempo concomitante". Em seguida ele perguntou se eles mesmos faziam a assistência espiritual às quais eram solicitados. A entidade então lhe respondeu: “Muitas vezes sim, porém, dispomos muito mais de 'obreiros' que interlocutores, os quais, dentro das possibilidades, auxiliam as pessoas em suas necessidades e tribulações". Fez ele então a terceira pergunta: "Existem apenas espíritos desencarnados entre vocês ou há também entidades não humanas?" "Entre nós existem apenas espíritos humanos desencarnados, mas não haveria problema algum se em nosso meio houvesse também os 'Díspares' (por esta denominação ele faz referência aos Kama Rajas, que também em outros círculos já foram citados pelo nome de 'encantados'), que atuam em conjunto com outras correntes espirituais juntamente com os humanos desencarnados". Fez então uma última pergunta, se havia diferença entre grupos mistos de humanos e Kama Rajas e grupos exclusivos de Kama Rajas. "Existem diferenças quanto ao poder de atuação" — Respondeu a entidade — "Os 'Díspares' têm este nome justamente atribuído ao seu próprio poder atuante, superior aos humanos. Para que um grupo, composto exclusivamente por humanos, tenha poder equivalente a um grupo de 'Díspares', necessita de um número muito maior de componentes, dez a vinte vezes maior. Os grupos mistos normalmente têm os 'Díspares' como obreiros, já que existe uma dificuldade maior na comunicação destes com os humanos encarnados, e seu poder de ação é inúmeras vezes maior. Já os grupos exclusivos de 'Díspares', são significantemente menores, e normalmente respondem pelo nome de Bodhsattwas na Ásia, deuses pagãos na Europa, ou de nomenclaturas regionais, em grupos de matrizes africanas e ameríndias, pois esses espíritos possuem a capacidade de se expressar sob os aspectos peculiares de cada cultura, porém, seus 'cavalos' ('cavalos' tem aqui o significado de médiuns) devem ser iniciados dentro do sistema mágico que estão inseridos, devido à dificuldade que esses seres têm em se aproximar do plano físico sem que determinados 'portais' sejam abertos".

 

        Conhecemos outro místico que estabeleceu contato com tipos diferentes de Kama Rajas em canalização teúrgica. Quando estabeleceu contato com um Kama Raja evoluído e perguntou o porquê das oferendas de incensos, velas, flores ou caridade em troca de seus serviços, estes lhe responderam que, as energias emanadas através de tais propiciações servem para manter o corpo energético no astral de tais seres, ao passo que, à mesma pergunta feita aos Kama Rajas trevosos que se apresentam co o demônios, quanto aos sacrifícios de sangue, assim como oferendas ligadas à dependências e vícios (álcool, fumo e outras substâncias nocivas), estes responderam que eram, também, para manter as energias estruturais de seus veículos astrais, pois uma vez o corpo astral desintegrado, perderiam seu vínculo peculiar a este plano, caindo diretamente nos submundos astrais, perdendo acesso ao plano físico.

 

 

 


A Relação das Legiões Astrais aos Seres Presentes no Plano Físico. Os Pactos e Alianças. O Domínio Sobre as Entidades Coletivas.

 

        Costuma-se a acreditar, nos meios espiritualistas, que o astral não tem interferência direta sobre o destino do plano físico, no entanto, é importante ressaltar que a diferença entre o astral e o físico se dá apenas em nível de frequências, a primeira mais sutil, a segunda mais densa. É sempre muito difícil a aceitação de que os planos espirituais não são locais, mas estados diferentes de vibração, permeando-se em um mesmo contexto de existência. "Aquilo que está em baixo é como o que está em cima" — reza o postulado hermético. Assim como nossos amigos, parentes, o ambiente de trabalho, e o conjunto de informações advindo dos meios comunicativos exercem algum tipo de influência sobre nós, as energias astrais sutilmente influenciam nossas ideias e informações. Insights, compulsões, estados de espírito, ímpetos e afloramentos de sensações podem ser advindos por intermédio das energias astrais nas quais estamos envolvidos. Carregamos o corpo, como nosso veículo e componente físico e nossos pensamentos como contraparte espiritual. Somos, pois, densidades e sutilezas entremeadas dentro da dicotomia espírito e matéria (apesar de que a diferença entre espírito e matéria se dá unicamente a nível de densidade e condensação energética). Existem pessoas extremamente influenciáveis às correntes astrais, outras parcialmente, e outras minimamente, porém, todas possuem níveis de conectividade com o mundo sutil que as envolve. Nestes níveis de conectividade é que são expressas as afinidades extrafísicas — a chamada mediunidade — diretamente proporcional aos graus de influência anteriormente citados. O astral mais elevado, através de suas legiões direcionadas à evolução, podem influenciar grupos e indivíduos para predispor interesses positivos à redenção da humanidade. O astral, representado pelos grupos contrários à regeneração humana, pode influenciar, da mesma forma, grupos e indivíduos para interesses contrários aos processos evolutivos, essenciais para manter o poderio de antigos grupos que compartilham o poder e o domínio das elevadas esferas de poder mundial. Este último aspecto merece uma atenção especial no estudo deste contexto sobre as Entidades Coletivas.

 

        As elevadas esferas do poder mundial: Desde a mais remota antiguidade, no tempo em que os humanos se reuniram em clãs, surgiram-se os líderes, e, à medida que se estruturava a sociedade e já se encetavam a formação de reinos e nações, as lideranças que prevaleciam davam início a uma nova casta espiritual ligada à ancestralidade — a casta dos líderes guerreiros, os futuros monarcas que se engrandeciam conforme o prolongamento de suas dinastias.

 

        Algumas nações, sob o resultado das mais variadas circunstâncias, cresciam mais que as outras, aumentando seu poder, tanto econômico quanto bélico, absorvendo as nações menores e mais frágeis ao seu contorno, surgindo o rudimento dos grandes impérios, que acabariam por se estabelecer ao longo da história da humanidade.

 

        Como citado anteriormente, “o que ocorre no físico também tem sua ocorrência no astral e vice-versa”. Da mesma forma que se formaram as famílias monárquicas imperiais no plano físico, formaram-se também a sua sequência no mundo espiritual, com todo seu poder, sua influência e sua dominância sobre vastas regiões de toda a nosso orbe. Tais "conglomerados espirituais", à medida que as sociedades humanas se transformavam, deixaram as orientações imperialistas de essência tribal do passado, para adquirir outro aspecto de domínio, controle e manutenção de seu, podemos dizer, "establishment", que é o poderio econômico, protegido pelo próprio sistema consolidado através do contexto humano estruturado na ganância e no individualismo. A grande batalha espiritual travada, tanto no mundo físico quanto no mundo espiritual, é pela manutenção do pode e desses grupos privilegiados, contra os grupos que buscam o fim da opressão e a libertação dos oprimidos. Lembremos que entre os mistérios da reencarnação está o DNA astral — seguindo o princípio da correspondência do DNA físico — os espíritos reencarnam, via de regra, em seus próprios clãs, famílias e nações.

 

 

 


                                                           Os pactos e alianças.

 

        Não são poucos aqueles que fazem pactos com as poderosas forças negativas do plano espiritual. Como citamos anteriormente, determinados grupos detêm o poder desde a formação dos grandes impérios, e as legiões espirituais ligadas a eles dispensam seus favores àqueles que se submetem aos seus propósitos. Na semelhança com o plano físico, é como que um apadrinhamento, a pessoa recebe regalias e proteção dando como moeda de troca a sua total submissão, sob a severa pena de ser lançada no "limbo espiritual", as prisões astrais onde o tempo rasteja sob os referenciais do isolamento.

 

        Temos uma demonstração deste poder nos próprios evangelhos:

 

        "E o diabo, levando-o (a Jesus Cristo) a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, é dou-o a quem quero; Portanto, se me adorares, tudo será teu". (Lucas, 4, 5 a 7).

 

        Trata-se, logicamente, de um texto simbólico, o qual, no entanto, não exige grandes noções de exegese para sua lógica interpretação. Vemos aqui o "poder" espiritual, dominante no mundo, sugerindo um pacto de adoração e subserviência em troca de riquezas, poder e notoriedade. Mesmo nos dias atuais, embora esse poder tenha sido mitigado ao sabor das sendas evolutivas, permanece ainda dominante sobre a essência da materialidade física, tanto no âmbito político econômico quanto em grande parte das instituições religiosas, onde a hipocrisia substitui os verdadeiros propósitos do amor e da fraternidade, pela intolerância e a exaltação do individualismo — diferente daquilo que muitos acreditam, a grande batalha espiritual do mundo não se dá entre o bem e o mal, uma vez que ambas são gradações de uma mesma grandeza, o que presenciamos é o grande embate entre a verdade e a mentira, as quais não é algo tão simples de se diferenciar, uma vez que a mais persuasiva das mentiras é justamente aquela que possui a forma de verdade.

 

        Quase todas as pessoas já ouviram falar de "pactos con o diabo", o que existe é justamente o pacto com as grandes legiões ligadas aos poderes presentes no mundo espiritual. O que nos perguntaram certa vez foi: "E por que os poderes supremos do amor, da Luz e da sabedoria não intervêm e destroem os poderes das trevas presentes no mundo?" A resposta é que a luz nunca se impõe sobre as trevas. A luz preserva o direito ao sagrado livre arbítrio de cada ser para caminhar segundo sua própria consciência. Não são através do condicionamento ou imposição de leis que irá desabrochar a consciência de um indivíduo. O libertador de cada ser não será jamais um agente externo. As coisas externas são apenas indutores nos caminhos da regeneração. O grande libertador é o poder intrínseco de compreensão existente em cada mônada, pois os níveis de consciência se elevam apenas através da própria consciência individual, e não através de sacrifícios alheios. O grande exemplo crístico, ao contrário do que se propaga, não se dá através de sua morte, mas através de seu exemplo de vida, pois seu próprio sacrifício é a "exteriorização" de seu propósito libertador.

 

        Todo e qualquer pacto se estrutura no individualismo daquele que anseia pela grandeza. Ainda que existam diversas formas de estabelecer um pacto, o mais comum ainda se estabelece através da "magia das trevas", nos rituais macabros onde sempre são exigidos os sacrifícios de sangue. O preço, no entanto, a pagar, costuma não compensar os ilusórios prazeres momentâneos.

 

        Existem alianças que se fazem com os seres espirituais mais evoluídos, as quais diferem dos pactos justamente porque o pacto pressupõe algo peremptório, inquebrantável sob penas severas. As alianças predispõem um caráter mais ameno, cujo rompimento não traz malefícios além da supressão das vantagens por ela postulados. Nestas não são necessariamente estabelecidos rituais, pois uma "promessa" feita fervorosamente constitui uma aliança com os seres espirituais assim conclamados. Muitas vezes as alianças são estabelecidas através de atitudes preliminares que referendam a boa disposição da fé do postulante. Um exemplo vívido é a promessa a Abraão, após ter submetido a vida de seu próprio filho ao sacrifício, interrompido pela intervenção dos elevados seres que permeavam seus caminhos. Normalmente estas associações com seres evoluídos têm seus propósitos direcionados a um ideal coletivo, e não a anseios individuais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

                                                 O Discernimento dos Espíritos.

 

        Antes de adentrarmos nestas considerações essenciais dentro do ocultismo, convém aqui salientar que distinguir o verdadeiro do ilusório é o maior desafio nas práticas esotéricas. Pois exige uma extensa amplitude de visão espiritual, ou seja, a vivência da própria espiritualidade, muito acima da hipocrisia comum àqueles que presumem de si mesmos como guardiães da fé, da moral e do conhecimento.

 

        As chaves da verdadeira espiritualidade são três: a humildade, o respeito e o discernimento. A espiritualidade é a própria senda da sabedoria, pois sem ela todo o conhecimento se torna vazio.

 

        O indivíduo que se propõe a adentrar nos insondáveis arcanos da sabedoria ancestral e não sabe discernir perfeitamente os espíritos, ao invés de senhor das energias se tornará escravo, ao invés de estabelecer o domínio das forças invisíveis será dominado, joguete das forças mais nefastas de controle mental.

 

        Cabe aqui ressaltar que este conhecimento não está restrito aos seres desencarnados. É fundamental que se conheça espíritos, no plano em que possam estar. Pois os perigos de não reconhecer as forças negativas astrais é o mesmo de não distinguir as forças destruidoras existentes no plano físico — o princípio hermético da correspondência indica-nos a necessidade de distinguir, cada ser, em qual veículo esteja em manifestação, seja astral ou seja físico. Lembremos que as piores atrocidades perpetradas pelos homens se deram através da ignorância, tomando como luz as trevas e como trevas a luz, incidindo nos mais horrendos crimes pensando estar servindo a Deus. Quem conhece a história da "Inquisição" sabe muito bem do perigo da falta de discernimento.

 

        Existem algumas instruções espiritualistas que colocam a linguagem como fator de diferenciação entre seres espirituais evoluídos e seres espirituais atrasados. Isto poderia apenas servir para descartar algumas entidades mais grotescas, mas não classificar os seres de luz em comunicação com o plano físico.

 

        As entidades mais perigosas do astral são justamente aquelas que possuem elevado nível de conhecimento e cultura. Diferenciar as entidades segundo este critério é, simplesmente, desconsiderar a astúcia das mais poderosas forças de negatividade. Devemos ter em mente que o pior dos criminosos é justamente aquele que não traz traço algum de sua iniquidade. Um inimigo camuflado sempre será muito mais perigoso que um inimigo explícito.

 

        Há pessoas que não precisam de técnica alguma para discernir espíritos — considerado nos evangelhos como um dos nove dons do Espírito Santo.

 

        Observemos o que diz o apóstolo João sobre o discernimento dos espíritos: "Amados, não creiais a todo o espírito, mas provei se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo". (1 João 4, 1 a 3).

 

        Para entender este método bíblico de distinção é necessário que se entenda o que significa "vir em carne". Ora, ao pé da letra não faria sentido algum: imaginemos qualquer entidade perversa se questionada se Cristo veio ou não em carne… ela, conhecendo a natureza do teste diria simplesmente: "Sim, veio em carne". E seria simplesmente qualificada como uma entidade de luz. Por esta razão, ao pé da letra esta consideração não faria sentido, como qualquer leigo poderia constatar. "Vir em carne" significa a redenção espiritual do gênero humano — a unção do espírito vivificante sobre a alma vivente" — lembremos que "Cristo significa Ungido". "Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante". (1 Coríntios 15, 45). Testificar que "Cristo veio em carne" não é o simples pronunciamento de uma frase feita, e sim a vivência de um paradigma espiritual de luz. "Mas não é o primeiro o espiritual, senão o animal: depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor é do céu. Qual o terreno, tais são também terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais" (1 Coríntios, 46 a 48). Aqui o escritor bíblico assevera a transformação, o mortal revestido do espiritual — a auto realização advinda do novo nascimento na espiritualidade. A entidade não é reconhecida pela emissão de palavras, mas pela sua essência abnegada advinda atravessa supressão de seu próprio ego. Falar com um ser de luz é como se entabulasse uma conversação com o Todo, pois o interlocutor não é mais uma pessoa aprisionada no ser individual, mas um ser que respira, vive e sente as dores do mundo, na mais plena empatia com o sequenciamento universal. "O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde ele vem, nem para onde vai, assim é todo aquele que é nascido do Espírito". (João 3, 8).

 

        Ele não tem mais passado nem um futuro, vive na eternidade, no "Agora", permeando o infinito, muito além do que seria a restrição individual.

 

        Voltemos agora às três chaves da espiritualidade: a humildade, o respeito e o discernimento. Estes três pontos são essenciais para analisar o grau evolutivo dos seres, tanto encarnados quanto desencarnados.

 


        Humildade é uma palavra advinda do antigo latim "humus", cujo significado vem ser "terreno fértil". É, pois a terra arada, promissora para o plantio da semente, a seara espiritual na esperança da futura messe. Explicita a virtude sublime de reconhecer as suas limitações e suas insuficiências e agir em concordância com esse nível compreensão.

 

        Mesmo os mais elevados seres de luz são cônscios de sua insignificância em relação ao Todo, e sabe que quanto mais avança em sua plenitude espiritual, mais integrado se faz ao próprio Todo, como um rio que lentamente conflui suas águas no oceano. Se faz também consciente que toda a sua sabedoria, não passa de uma pequena gota d'água dentro desse imenso oceano das águas purificadoras.

 

        Certa vez um velho mestre e um de seus discípulos foram convidados a assistir o pronunciamento de um ilustre magistrado. Assim que se acomodaram na assistência o discípulo perquiriu o velho mestre: "Mestre, há algum modo de conhecermos o nível espiritual de uma pessoa através de suas próprias palavras". "Claro que sim" — Respondeu o vetusto sábio — "Conte quantas vezes ele profere as palavras 'eu', 'meu' e 'minha', aí conhecerá a natureza intrínseca de sua alma".

 

        "E qual o número de vezes seria o ideal para que o considere como um ser iluminado?" — Inquiriu mais uma vez o aluno. "Para considerá-lo como uma alma de luz, seria ideal que não dissesse sequer uma única vez" — Explanou o velho mestre.

 

        O ego, pois, necessita se afirmar, evidenciar, ser visto, reverenciado, desejar, possuir. Buda, certa vez, quando perguntado o que era o Nirvana espiritual respondeu: "É a ausência de desejos".

 

        Certamente o grande iluminado referia à ausência de seus próprios desejos, excetuando o ideal coletivo de amor e fraternidade.

  

        É muito importante saber que a verdadeira adoração a Deus só é possível através da humildade. Simplesmente porque aquele que não é humilde adora-se a si mesmo, e quem é idólatra incorre na mais ignominiosa das faltas, a "egolatria", a razão essencial de todos os crimes, conflitos e vicissitudes que marcharam toda a história da humanidade. É muito simples identificar um ser "ególatra", seja como entidade astral ou inserida no invólucro físico; basta observar sua peculiar reação exacerbada a qualquer ofensa que é dirigida ao seu "deus supremo" — o seu próprio ego.

 

        Na análise do comportamento de cada ser em relação ao contraditório, em relação às diferenças, em relação aos adversários, poderemos constatar o grau evolutivo de seu espírito — tendo em mente a segunda chave da espiritualidade que é o "Respeito". Sem ele caem por terra todas as considerações essenciais que determinam o bom aspecto das relações humanas.

 

        Aquele que se faz implacável e premente contra seus adversários, expõe toda as trevas reinantes em sua própria alma. Pois a luz clareia a compreensão, e faz com que se veja em cada ser um pouco de si mesmo. "Não existe um santo sem passado, nem um pecador sem futuro" — Disse um grande mestre. O santo de hoje foi o pecador de ontem, o pecador de hoje será o santo do amanhã. Aquele que compreende e vivencia estas palavras já cruzou o "portal da compreensão", o recinto sagrado do Templo da Virtude.

 

        "Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer: se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem". (Romanos, 12, 19 e 20).

 

        O desrespeito, ainda que seja com o pior dos seres humanos, é o decaimento da espiritualidade. Um ser que desrespeita outro ser demonstra, por si só, que seu nível de consciência rasteja no substrato limboso de suas errôneas considerações.

 

        Os povos orientais juntam a palma de suas mãos acima de seus peitos e fazem reverência às pessoas que encontram. Esta saudação simboliza o respeito ao Deus interior existente dentro de cada um. A palavra sânscrita "Namastê", proferida nas saudações hindus, tem como significado "curvo-me diante de você", que, em um sentido mais amplo, significa: "O Deus que habita dentro de mim saúda o Deus que habita dentro de você".

 

        "Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós" — Disse Paulo. (1 Coríntios 3, 16). Um ser que desrespeita outro ser expõe toda a perversão de sua alma. Qualquer indivíduo que se faz desrespeitoso externa seu largo distanciamento da luz.

 

        Disse Buda: "Você, o seu ser, tanto quanto qualquer pessoa em todo o universo, merece o seu amor e sua afeição". Desrespeito é, portanto, a escassez do próprio amor, e o amor é  a meta suprema da própria espiritualidade.

 

        "Vê a verdade aquele que percebe o Senhor excelso presente da mesma forma em todas as criaturas, Imperecível no seio do perecível". (Bhagavad Gita, canto 13, vers. 27). A verdade, portanto, só é constatada quando enxergamos Deus em todos os seres. Os seres de luz veem a divindade inerente a cada criatura, o imperecível amor latente mesmo nas mais densas formas da natureza egóica.

 

        Um ser que se apresenta como um mensageiro celeste, que, no entanto, exala ódio ou desrespeito para aqueles que lhe são contrários, expõe a falácia intrínseca em sua própria essência.

 

        O respeito não deve, no entanto, estar restrito aos seres humanos. O respeito  dilação e a deferência, deverão ser amplificado a todos os seres — no amor aos animais, no respeito à natureza e na preservação do meio ambiente — inúmeros problemas, que engendram o desequilíbrio climático e ambiental da atualidade, são advindos da desconsideração humana com o seu próprio meio.

 

         A terceira chave da espiritualidade vem ser o discernimento. Esta é a chave essencial para adentrar nos domínios invisíveis aos olhos físicos — na verdade é a visão necessária para que não se venha a cair nos escabrosos precipícios da ausência de entendimento.

 

        Discernir é julgar a árvore através de seus frutos. Imaginemos: uma entidade astral defensora de um determinado ponto de vista. Não devemos analisá-la apenas por aquilo que seu ponto de vista demonstra ser, isso seria óbvio demais e facilmente passível de dissimulações. Deveremos observar como esta entidade se refere àqueles que se posicionam contrariamente ao seu ponto de vista. Um ser consubstanciado na luz irá, acima de tudo, compreender as razões dos seus contrários, sem a demonstração de ódio, desprezo, desplantes ou afrontas. As trevas se impelem ao confronto, as luzes procuram conciliações.

 

        Se estudarmos a história e atentarmos na "Inquisição", o Tribunal do Santo Ofício, instituído dentro da cristandade, tinha como base o combate à heresia, às feitiçarias, aos costumes contrários às normas e regras estabelecidas pela igreja, enfim, a todas as obras cuja inspiração era procedente do "demônio e suas hostes infernais".

 

        Isso poderia parecer "lindo" aos olhos de um cristão da época, controlado através de sua própria natureza humana (segundo os sábios, a grande maioria dos seres humanos, no atual estágio evolutivo, age segundo o medo e os próprios interesses — o controle das massas, dentro dos antigos impérios, se fazia através do medo do inferno e o interesse na eterna bem aventurança celestial), que apoiavam, abominavam e denunciavam qualquer tipo de supostas "heresias". Acreditando que faziam um serviço a Deus, acabavam por suscitar os maiores e mais perversos crimes que a história da humanidade já presenciou. Inúmeros seres humanos foram entregues à tortura, ao confisco de seus bens, e à terrível pena de morte na fogueira — queimados vivos para que a "alma fosse salva pelas chamas" (Interessante é que tal crime baseou-se em uma interpretação errônea das escrituras — "Eu na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente que o que tal ato praticou, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, seja entregue a Satanás para a destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus"; 1 Coríntios 5, 3 a 5.). A falta de discernimento faz com que sejam feitas as opções e as obras mais perversas acreditando estar à serviço do amor e da luz.

 

        Observemos que as trevas sempre incitam o ódio a determinado alvo. No caso da inquisição, o ódio era dirigido aos hereges, pois viam nessas pessoas, algumas das quais eram praticantes das antigas religiões e práticas tribais do povo celta antes do advento do cristianismo (muito a eram cientistas adeptos do Heliocentrismo), signatários de pactos com "Satanás". Da mesma maneira que na Alemanha de Hitler, onde este idolatrado como um "salvador da dignidade ariana", escolheu como alvo o povo judeu e também os ciganos, para os quais dirigiram todo seu ódio, exterminando mais de seis milhões de seres humanos, em câmaras de gás e outras mais horrendas formas de assassínios. Considerável segmento da população alemã acreditava estar fazendo o bem diante desses mais perversos crimes da história recente.

 

        A escassez de discernimento não é um aspecto restrito às pessoas que viviam na Idade Média. A Idade Média está muito mais presente na alma dos seres humanos atuais que estes podem imaginar. Falsos profetas, líderes hipócritas, referências mundiais esdrúxulas poderão surgir a cada momento, formando um secto de seguidores incautos. No mundo espiritual da mesma forma, pois as ideias, que vemos presentes no mundo físico, são as mesmas que se propagam em meio às correntes astrais. Os seres astrais, ligados às extensas e poderosas legiões espirituais, exercem forte influência nas mentes daqueles que possuem frequências vibratórias semelhantes.

 

        Toda uma "Matrix" aprisiona a humanidade há milênios, onde a grande maioria desconhece suas próprias imperfeições, e, neste desconhecimento, colocam sua confiança em seres não apenas imperfeitos, mas nefastos, na manutenção das hierarquias espirituais que retardam a evolução espiritual do gênero humano.

 

        O primeiro passo da libertação está em reconhecer os próprios erros e limitações — aqui está a humildade, primeira chave da espiritualidade.

 

        O segundo passo está em reconhecer as mesmas limitações e erros nos seres adjacentes, compreendendo tais condições dentro das circunstâncias estabelecidas nos caminhos evolutivos — esta compreensão se configura no respeito devido a todos os seres, mergulhados nas tribulações do mundo.

 

        O terceiro passo consiste em seguir as veredas do amor, a única força capaz de descortinar o Dharma, o Caminho Correto da Regeneração — aqui está o discernimento consubstanciado no amor, a luz essencial para diferenciar aquilo que é real daquilo que é ilusório.

 

        "Se você é incapaz de detectar um infame encarnado, como irá detectar um farsante desencarnado?" — Disse certa vez um velho mestre a um pretenso "doutrinador" espiritual. Trabalhar o mundo espiritual, como já frisamos, é como adentrar em águas profundas, aquele que ainda não aprendeu a "nadar" certamente será afogado em seus abismos. A maioria dos "Magos das Trevas" nem mesmo sabem de suas próprias condições. Consideram-se a si mesmos como trabalhadores da luz, sem saber que efetuam, apoiam e realizam obras prejudiciais à regeneração humana. O maior triunfo das trevas é, justamente, ter como obreiros aqueles que acreditam estar praticando o bem. Volto a aludir a auspiciosa frase proferida por um grande sábio: "Muito pior que a ignorância é a ilusão do conhecimento". Um néscio que nada ensine, é muito menos nefasto que outro néscio que acredita ser um mestre.

 

        Aqueles que decidem adentrar nos arcanos profundos da alta magia, deverão estar munidos do discernimento, pois, além das canalizações e direcionamentos, uma das práticas essenciais dos sistemas mágicos é a busca de conhecimento. E, como sabemos, o conhecimento deve advir de uma fonte extremamente confiável, pois os lindes entre a verdade e a mentira podem ser muito tênues e difíceis de detecção. O mais persuasivo dos enganos é aquele que possui justamente a aparência de verdade.

 

        Observemos um exemplo hipotético: se uma entidade astral diz que a terra é plana, tal inverdade é de facílima comprovação: basta observar os dois tipos de voos possíveis de qualquer aeroporto internacional do Brasil ou Argentina para Sidney na Austrália — chegará ao destino tanto se seguir rota para o Pacífico Sul, quanto se for pelo Atlântico, sobrevoando a África do Sul. Se, contudo, tal entidade apontar algo cuja análise não seja tão óbvia como a redondeza da terra, como por exemplo, a demonização de uma determinada ideologia, poderíamos ter de volta, mesmo que em menor grau, algo semelhante à tão famigerada e "santa" inquisição, incitando atitudes perversas em nome de um pretenso livramento.

 

        As entidades de luz, acima de tudo, respeitam o livre arbítrio de cada ser, sob o lento e contínuo ritmo próprio da evolução espiritual — a "revolução das consciências” deve preceder quaisquer revoluções ou transformações sociais, pois novas concepções, que não estejam alicerçadas da conscientização, irão fatalmente se desvanecer ao sabor das conflagrações do tempo — não interferindo diretamente na dinâmica política e social; ao contrário dos seres atrasados, que diretamente tentam impor conceitos, práticas e influências. Recentemente, em uma mensagem atribuída a um ser ascensionado, chegou-se ao cúmulo de atribuir um determinado ex-presidente norte americano uma missão quase messiânica — muitos chegaram a acreditar em tais falácias: a primeira que era realmente um determinado mestre espiritual, a segunda que tal figura era de fato um missionário da nova era.

 

        Para concluir o discernimento das entidades astrais, é essencial apontar a mais evidente característica das dissimulações no mundo de kama, que é a denominação. Para explicitarmos esta flagrante evidenciação diferencial é importante lembrar que, um ser ascensionado, está liberto de sua identidade egóica, ele já é um com o Todo, aglutinado à unidade suprema — não possui mais um nome ao qual possa identificar sua essência, simplesmente porque dia essência faz parte da essência primordial do próprio sequenciamento cósmico.

 

        Em Gênesis, capítulo 32, versículo 29, Jacó, após segurar um anjo lhe inquiriu acerca de seu nome. "E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali". Em Juízes capítulo 13, versículos 17 a 20, Manoah perguntou ao anjo qual era o nome dele, e este, da mesma maneira, não lhe respondeu. "E disse Manoah ao anjo do Senhor: Qual o teu nome? Para que, quando cumprir a tua palavra, te honremos. E o anjo do Senhor lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso?"

 

        Quando Moisés, na visão da sarça ardente, pergunta a Deus qual o seu nome (Êxodo, 3, 14), este lhe responde: "E disse Deus a Moisés: Eu sou o que sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu sou me enviou a vós" — do hebraico Ehyeh Asher Ehyeh, ou simplesmente Yahweh, o sagrado tetragrama: "Eu Sou".

 

        Mas poderia surgir a dúvida: Existem, porém, na literatura hebraica, inúmeros nomes de anjos, inclusive na lista dos 72 anos de Deus, sem contar Gabriel, que, no evangelho de Lucas, 1, 16, o evangelista dá seu nome na descrição. Os "anjos", como princípio ativo de Deus, não possuem nomes designativos, absolutamente, mas sim as atribuições. Gabriel, por exemplo, provém de duas palavras hebraicas justapostas: "Geburah" — o mesmo nome da 5° Sephirah — significando "poder", e "el", cujo significado muitos erroneamente traduzem como "Deus", provém da tradição "eloítica", "Elohim" plural de "Eloah", cujo significado é "mensageiro divino", ou simplesmente "anjo" — onde, na tradução diretamente do hebraico, Sepher Bereshit, o Livro do Gênesis, capítulo 1, versículo 1, temos "No princípio os Eloim criaram os céus e a terra". Da mesma forma, as demais atribuições que, popularmente, se tornaram como "nomes" de anjos — "Miguel", que deriva de "Mikhael", tem origem no hebraico "mikhayáh", "quem é como El", em uma indagação, contando o sentido de que ninguém é como "El".

 

        Jamais qualquer ser iluminado expressou seu nome como um homem, ou um nome de alguma encarnação anterior, muito se apresentam como "Espírito da Verdade", "Servo da Consciência", entre tantos epítetos. Portanto, alguma entidade astral que se apresente como, por exemplo, um determinado santo, um determinado mestre, um determinado líder, por si só, já se desqualifica como um ser vinculado à grande obra da regeneração.

 

        Podemos concluir que a comunicação com o plano astral é por demais perigosa, no estágio evolutivo atual da humanidade, tanto que não poucas escolas esotéricas desencorajam, ou até mesmo, reprimem as práticas de incorporação entre seus sectários. A mesma preocupação havia entre os precursores dos ritos mosaicos, como podemos ver no livro do Deuteronômio, quando o legislador define a proibição das práticas comuns às antigas nações cananéias.

 

…” Nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos". (Deuteronômio, 18, 11).

 

        Se nos tempos atuais, onde existe mais amplo conhecimento e incontáveis acessos às novas informações, o discernimento ainda se faz extremamente precário, mesmo em meios espiritualistas, podemos imaginar a dificuldade no rústico panorama de uma nação recém liberta em suas peregrinações pelos desertos da Iduméia.

 

        O verdadeiro ocultista, no entanto, jamais proíbe ou impõe alguma ideia que considera como pétrea, ele simplesmente expõe, analisa e direciona dentro das perspectivas que equacionam todas as possibilidades. As elevadas escolas esotéricas não proíbem o contato com o astral,  mas advertem aqueles que buscam os caminhos invisíveis quanto à necessidade do preparo. Como diz a literatura mística: "Muitos são aqueles que invocaram demônios acreditando estes serem anjos"; ou em outro fragmento: "A pior das entidades é aquela que consegue se passar pelo melhor dos espíritos"; ou "Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas" (Lucas 11,35).

 

        Blavatsky escreveu suas obras Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta auxiliada por mestres invisíveis em projeção astral. Era ela uma pessoa portadora das "três chaves da espiritualidade", a humildade, o respeito e o discernimento. Tanto que, qualquer místico que atentamente ler suas obras, atestará a elevação e a grandeza advindas de suas considerações. Muitos são os místicos, inspirados pelo plano invisível, que revolucionaram os pensamentos da humanidade até então atolada em dogmas e preceitos extremamente limitantes.

 

        Passamos aqui o "mapa da espiritualidade", essencial a todos aqueles dispostos a "lançar suas redes em águas mais profundas" — às quais são necessárias a devida iluminação para que não tome por luz aquilo que se configura como trevas.

 

        "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal: que fazem da escuridão luz, e da luz escuridade; e fazem do amargo doce, e do doce o amargo" (Isaías 5, 20).

 

Muitos são os iníquos que se escondem atrás das religiões e das filosofias para angariar a confiança dos incautos. Os hipócritas são muito piores que os inimigos explícitos. Tanto que Jesus direcionou suas maus veementes censuras, não aos ladrões, às prostitutas e aos demais pecadores — a estes acolheu em sua misericórdia — mas sim aos hipócritas, religiosos zeladores da lei é do mandamento das "letras".

 

        O místico, portanto, só estará pronto para adentrar às "águas profundas" quando tiver superado a "letra morta" e revestido do "espírito vivificante".

 


        Certa vez um velho mestre nos contou uma outra versão da história de Milarepa e a Boca do Demônio, um tanto diferente da história original, mas de uma profundidade inigualável que é de essencial ilustração a este texto.

 

        Milarepa, como muitos sabem, foi um grande mestre do budismo tibetano do século XXI e inúmeras histórias derivam de suas experiências de vida.

 

        Certa vez, ele preparava-se para sair de sua caverna quando iniciou uma tempestade. Adiando sua partida recolheu-se em seu lar até que a tempestade passasse. Logo que entrou ouviu do lado de fora um pedido de ajuda, atendendo ao chamado deparou-se com um pequeno grupo de leprosos que parecia sob a inclemente intempérie. Chamando-os para dentro, acolheu-os servindo-lhes daquilo que era necessário para que se mantivessem seguros e confortados.

 

        Assim que a tempestade passou o líder do grupo, em meio à despedida, tocou-lhe as mãos dizendo: " Através de sua luz interior, você nos acolheu e nos supriu sem receio algum da enfermidade que carregamos. Por esta razão lhe darei uma sagrada instrução: 'Sejam as palavras brandas mais determinantes que quaisquer imposições'".

 

        Após essas palavras o grupo se transformou em um ajuntamento de luzes que fluiu para o azul do firmamento.

 

        Milarepa, então, considerou aquele encontro como um presságio divino para sua viagem, e partiu rumo ao velho mosteiro.

 

        Após alguns dias de estadia, regressou às paragens onde situava sua caverna. Assim que lá chegou, viu inúmeros seres radiantes de luz assentados por todos os cantos.

 

        — Viemos abrilhantar as suas as trevas — Disse o principal dos seres — Sirva-nos e lhe daremos poder, força e conhecimento.

 

No mesmo instante o eremita se lembrou do grupo de leprosos, que se apresentaram como andarilhos, pediram permissão para entrar, e gratuitamente deram-lhe uma palavra de instrução para depois revelar sua luz.

 

        — Reconheço vocês — Disse o monge — diferentes do grupo de andarilhos, vocês entraram sem pedir, observaram minhas trevas, e travestiram-se de luz, e me pedem para servi-los. Vocês são na verdade demônios e não seres celestes.

 

        Reconhecidos, os seres tomaram a sua forma original exibindo suas formas grotescas e horrendas.

 

        O monge, em um acesso de desespero, iniciou uma série de rituais de expurgo contra aquelas tétricas figuras. Estas, ao invés de serem impelidas, passaram a zombar das atitudes do eremita. Quanto mais ele esconjurava, mais eles gracejavam.

 

        Foi então que, reconhecendo seu erro em tentar impor-se através de banimentos, se lembrou das palavras dos andarilhos: "Sejam as palavras brandas mais determinantes que quaisquer imposições".

 

        Aquietando-se, sentou calmamente sobre o chão e começou a explanar sobre o amor, a luz, a entrega e a abnegação. Os demônios incomodados pelas palavras sábias, começaram a sair, um a um, até que restou apenas o demônio principal, um monstro grotesco, de garras e dentes afiados, que parecia não se incomodar com as palavras de luz.

 

        Aproximando-se do monge, abocanhou-lhe a cabeça para devorá-lo.

 

        — Não tenho medo algum da morte física — Disse Milarepa a sorrir na mais plena serenidade  — Devore-me se assim quiser. Seguirei a luz sob quaisquer circunstâncias que o destino impor sobre meus caminhos.

 

        Vendo que não o amedrontava e que o monge lhe era completamente indiferente, o ser macabro acabou por se desvanecer sob os primeiros raios de sol que se insinuavam no interior da gruta.

 

        Milarepa, então, saiu tranquilamente recolher lenha para a próxima fogueira.

 

        Nesta história poderemos ver, perfeitamente, o respeito — dedicado aos andarilhos enfermos; o discernimento — em reconhecer os demônios travestidos de luz; e a humildade — em reconhecer os próprios erros, acatar ensinamentos e aceitar o seu destino diante das próprias tribulações.

 

Paz e Luz