terça-feira, 23 de novembro de 2021

A INFLUÊNCIA DAS FORÇAS ASTRAIS SOBRE OS SERES FÍSICOS.



 

 

        O que separa o plano físico do plano astral são as próprias limitações dos seres ainda a passos lentos na senda evolutiva. A diferença entre esses dois planos está simplesmente na frequência vibratória. Podemos dizer grosseiramente que o físico se compõe basicamente de "matéria" grosseira e o astral de "matéria" sutil.

        Mas por que coloquei a palavra matéria entre aspas? Simplesmente porque matéria não existe!  Em textos anteriores, nas dissertações sobre a essência da matéria, vimos que ela se estabelece na "condensação" das energias. É o Todo estruturado no "quase nada". Todas as coisas derivam da energia primordial, ou energia essencial. A ciência já comprovou, através da mecânica quântica, que, no mundo subatômico, as partículas se comportam como ondas, e o que são as ondas senão energias?

        O mundo físico, em toda sua densidade e concretude, está alicerçado nos substratos energéticos. O mundo, aparentemente visível, se estrutura no mundo invisível, energético. Troquemos a palavra energético pela palavra espiritual, sem alterar a realidade que nos apresenta, e teremos o mundo espiritual, o plano de "Kama", na linguagem sânscrita, o plano astral onde se estrutura e nasce toda e qualquer "realidade física".

        Podemos concluir, então, que esses dois mundos se interpenetram, e mais ainda, são uma mesma coisa, dentro daquilo que podemos sentir e vivenciar. E, se eu perguntasse: O que é o pensamento? Já que matéria em si é energia densificada, o pensamento vem ser um tipo de energia, cuja frequência se faz altamente sutil. É o mundo espiritual no qual nosso ser nunca deixou de estar inserido, mesmo que estejamos envolvidos na densificação da "matéria" física. Todas as estruturas forjadas pelo homem têm início no pensamento, o que atesta, sem a mínima sombra de dúvida, que tudo aquilo que se vê tem origem naquilo que não de vê. O astral, pois, não é tão longe. Está aqui, em qualquer lugar que estivermos, com toda a sua sutileza de energias, com todos os seus seres, com toda sua intercambialidade com o mundo físico, no qual muitos néscios ainda supõem ser a única realidade.

        Somos seres deste mundo físico-astral, onde as energias se interpenetram e plasmam infindáveis configurações. E, os seres do astral, em suas inúmeras formas e diversidades, comungam conosco esta "realidade" onde as existências se sequenciam. É nesta interação de diferentes frequências que iremos observar as inúmeras influências que se estabelecem, positivas e negativas. Tudo depende da sutil energia emanada de cada ser que atravessa a "realidade" física — à qual fiz menção inicialmente — essa força chamada Pensamento.

 

 

 

 


 

                                                    Como se dão as influências.

 

        Como vimos anteriormente, o pensamento, expressão espiritual dentro da materialidade, é a energia sutil que emana do próprio espírito do ser, refletindo o seu grau evolutivo. E são essas energias sutis que atraem os seres e entidades do mundo de Kama. Assim como o corpo físico se alimenta das energias densas as quais digere em seu organismo, os seres espirituais se alimentam das energias sutis que se propagam através das emanações do próprio pensamento. De acordo com a natureza dos pensamentos são estabelecidas as atrações com as naturezas das entidades, cujos graus de compatibilidade correspondem ao grau da natureza de cada pensamento. Pensamentos elevados atraem seres de maior evolução; pensamentos torpes atraem entidades que se fazem afins. "Aequalis aequalem delectat" — Igual com o igual se apraz. Este é o segredo!

        As influências astrais nos seres vivos encarnados se processa a todos os instantes sob diferentes formas e diferentes intensidades. Vamos citar as diferentes formas com as quais se estabelecem as influências:

 

 


                                       Influência por laços afetivos:

 

        É muito comum espíritos desencarnados se aproximarem daqueles que estabeleceram laços afetivos durante sua vida terrena. Tais entidades não são de maior evolução, pois se assim fossem não estariam ligadas ao plano físico, do qual cumpriram seu desenlace; e normalmente prejudicam aqueles que se aproximam, pois inconscientemente sugam-lhes as energias e normalmente nada lhes acrescentam a não ser lembranças que acompanham a sua presença. A agonia da separação é transferida, na forma de energia, às pessoas as quais se apegam, assim como suas dores, suas paixões e frustrações que permaneceram em sua antiga existência. Muitas vezes quando lhes vêm a consciência de que se fazem prejudiciais, por iniciativa própria buscam novos caminhos distanciando-se dos laços físicos que até então estiveram ligados.

 

 


                                     O Vampirismo Astral.

 

        Chama-se Vampirismo Astral a drenagem de energia que alguns seres estabelecem sobre outros. Neste caso os obsessores se alinham na adjacência do duplo etéreo do indivíduo e sugam-lhe as energias. É claro que não precisa ser necessariamente um ser desencarnado para estabelecer este tipo de parasitismo, pode ocorrer, e com relativa frequência ocorre, entre dois seres inseridos no invólucro físico.

        Mas quais as energias que esses seres buscam?

        São inúmeros tipos e diferentes seres, cada qual com suas preferências energéticas. Dos diferentes seres explanaremos mais adiante. Contudo, é importante mencionar que vários seres procuram a força vital existente em outros seres, e esta é a energia sexual, da qual inúmeras entidades mantêm seus corpos astrais, veículos essenciais do mundo kamásico.  A energia sexual possui uma força inimaginável, nela estão presentes as potencialidades co-criadoras. Poderemos vislumbrar esta força no despertar do Kundalini, a "serpente ígnea" presente no Chakra Muladhara, a qual também pode ser ativada através da prática do tantrismo, conferindo ao homem todos os poderes inerentes no alinhamento dos Chakras.

        Há também outras energias mais singulares que inúmeras entidades buscam nos seres encarnados, muitas delas energias degradantes, cujos corpos físicos são apenas intermediários. São as energias das substâncias, como álcool, drogas e toda essência viciante que causam dependência. Entidades se acoplam no corpo astral dos seres encarnados sugando a energia provinha destas substâncias, saciando-lhes o vício que trouxeram ao astral, mesmo após o desenlace físico. Estes seres encostam-se aos indivíduos com forte dependência, fazendo com que sejam exacerbadas essas sujeições, tornando muito mais difícil qualquer trabalho de livramento.

        Existem seres ainda presos a vários hábitos terrenos que se prolongam no mundo de Kama, e obsediam com compulsões para jogos, glutonarias, apetites diversos e situações conflitivas. Todos os seres, ainda não suficientemente evoluídos, carregam consigo seus vícios, hábitos, erros e defeitos para o plano astral, e, como estão fortemente aprisionados na materialidade, buscam nos seres encarnados, que possuem suas antigas tendências, a satisfação de todas as compulsões que não conseguiram se livrar mesmo após sua partida para outro plano de vibração.

        Existe outra energia que atrai seres particularmente sinistros no mundo de Kama. É a energia da vida contida no sangue. Inúmeros seres astrais, praticamente estacionários (não estáticos porque nada é estático no universo), mas, não pouco poderosos, que nutrem seu corpo astral com a energia do sangue, por isso incitam a violência e pedem sacrifícios nos quais criaturas são imoladas. Tais seres não são humanos, por isso necessitam manter seus corpos kamásicos neste mundo espiritual.

 

 


                                                          Influência Kármica.

 

        Este tipo de influência astral pode ser a mais trágica e mais veemente. Indivíduos que já cometeram crimes, na atual ou em outras vidas pretéritas, muitas vezes atraem para si as vítimas dos acontecimentos, as quais, de alguma forma, buscam saciar sua sede de vingança. As "neuroses de guerra" não são, em inúmeras ocasiões, apenas efeitos traumáticos das inumeráveis atrocidades que presenciam os combatentes. Há severas perturbações de ordem espiritual, especialmente de vítimas cujo conhecimento da espiritualidade tende a ser quase nulo. Mesmo entre aqueles que não foram responsáveis por nenhuma morte, podem ser acometidos por sérias influências astrais apenas por estarem inseridos em tais contextos tão macabros, repletos de todo tipo de energia negativa. Este tipo de influência, no entanto, não se restringe aos homicidas ou aos genocidas, inúmeros seres, que adentram no plano astral, são guiados pelo espírito de vingança contra aqueles que arruinaram ou desgraçaram suas vidas. Toda atrocidade gera terríveis karmas, e entre o choque do retorno sempre está presente o ódio daqueles que foram vitimados por tais atrocidades.

 

 


                                                            As Possessões.

 

        Através das inúmeras obras da indústria cinematográfica que exploram o tema no gênero do terror, passou-se a ideia de que a possessão espiritual por entidades astrais é algo ininterrupto, permanente. Isto, porém, ocorre em raríssimos casos. Embora o agravamento seja gradativo, em inúmeras ocasiões a entidade obsessora tem que ser invocada para se manifestar através do indivíduo no qual exerce influência. Contudo, nas inúmeras vezes em que se teve constatação deste nível de influência, a pessoa obsediada possuía alguma enfermidade de ordem psíquica associada ao problema espiritual. Haja vista que enfermidades, tipo a esquizofrenia, fazem com que as influências astrais sejam fortemente acentuadas. Indivíduos portadores deste tipo de enfermidade possuem uma afinidade extra física elevadíssima, a chamada mediunidade; pois a "Tela Búdhica", da qual já falamos em textos anteriores, se encontra praticamente em estado de rompimento, favorecendo o livre acesso do mundo de Kama no íntimo dessa pessoa.

       Não são, porém, todos os casos de possessão que são necessariamente acompanhados de alguma anormalidade psíquica. Este tipo de influência pode ocorrer sob inúmeros graus assim como em diversas circunstâncias, como ocorre, ainda que raramente, em fortes choques de ordem emocional.

        O que é preciso, em qualquer um dos casos e graus de intensidade, é descobrir a origem de tais perturbações. Existem aquelas originárias de uma auto hipnose, e neste caso é fácil de distinguir, pois a pretensa "entidade" acaba se revelando como sendo a própria pessoa em estado alterado de consciência, um transe facilmente apercebido por qualquer pessoa com experiência nos âmbitos da espiritualidade. O que se torna mais difícil distinguir são as classes de seres ou entidades astrais que estabelecem este tipo de obsessão. Ao contrário do que se pensa, não é o número de entidades que faz difícil um estado de possessão, mas sim a categoria na qual se inserem tais entidades. Entidades humanas desencarnadas tanto o grau de manifestação quanto o expurgo e banimento são, de maneira geral, não causam maiores complicações. Contudo, se forem o que chamamos Kama-Rajas (Reis do Astral em sânscrito — os não evoluídos desta categoria certamente), todo o trabalho se torna mais difícil. São aqueles que as igrejas chamam demônios — se bem que as igrejas chamam todos os seres astrais de demônios — cujas manifestações são quase sempre aterradoras. No diálogo com essas entidades poderemos ver facilmente quando se trata de Kama-Rajas. Diferentemente dos espíritos desencarnados humanos, estes possuem um conhecimento largamente superior à média dos seres humanos, tanto em metafísica, filosofia, detalhes da vida das pessoas que os cercam, e, fundamentalmente as línguas. Pois respondem quando se dirigem a eles em qualquer outro idioma, incluindo o latim e outras línguas mortas.

        A recorrência do estado de total possessão, quando a entidade assume plenamente o controle do corpo físico do indivíduo, pode variar muito. Muitas vezes por um curto período de tempo, mesmo um relance de início, aumentando gradativamente no transcorrer do tempo, mas raramente chegando ao controle ininterrupto. Normalmente o poder de controle obedece ao sequenciamento astrológico e o posicionamento dos planetas, normalmente as quadraturas e oposições aos maléficos, assim como as próprias lunações — aquilo que nós chamamos a "Hora da Mudança", período em que as sub categorias, ou castas, destas entidades ficam mais enfraquecidas, o qual favorece o banimento.

        O que causa mais espanto, mesmo aos místicos mais versados em demonologia, é que as possessões são mais comuns do que se possa supor, pois, como citei anteriormente, o controle total do corpo pode se dar em um relance, em uma questão de segundos, sem que o próprio indivíduo obsediado se dê conta. Nos demais momentos, em que não há a tomada total do corpo, poderão ocorrer longos intervalos de mal estar, inquietações, sonhos confusos e agonizantes e pensamentos difusos, afetando diretamente o comportamento, o que faz, em muitas vezes, explicitar um quadro de demência. Muitos são aqueles diagnosticados como loucos cujo problema reside nestas situações e circunstâncias. Podemos observar no evangelho de Mateus, mais precisamente no capítulo oito, versículos  vinte e oito a trinta e quatro, os endemoninhados gergesenos, tidos como loucos devido ao modo de vida e à ferocidade.

        Mas qual a razão de certas entidades se apossarem do corpo físico de certos indivíduos?

        Uma das razões é a afinidade com tais seres, advindas de antigos pactos em vidas anteriores, especialmente nos antigos rituais onde existiam os sacrifícios humanos a essas entidades. Outra razão, também de raiz kármica, vem ser atrocidades cometidas em existências pretéritas que despertaram o apetite da "energia do sangue" desses seres, servindo-se do sadismo e ímpetos diabólicos de seis executores, os quais propiciaram este "acompanhamento" nas vidas que sucederam. Há uma terceira e mais rara causa: pessoas acometidas pelo mais baixo tipo de magia, suscetíveis a estas devido a inúmeras particularidades intrínsecas.

 

 

 


                                                          Os desavisados.

 

        Muitas pessoas, por arrojo, desconhecimento ou total ignorância, buscam sistemas mágicos e outras formas de magia buscando contato com seres que desconhecem absolutamente, e, sem preparo algum, através de inúmeras ritualísticas e invocações entram em contato com forças que não conseguem definitivamente controlar. E, ao invés de tornarem senhores, tornam-se escravos de tais seres, recebendo destes as influências mais nefastas, cujas consequências são sempre as mais sombrias.

 

 


                                                         Ataques dos Elementais.

 

        Em algumas ocasiões a obsessão se dá através dos espíritos elementais. E esta se dá de duas diferentes maneiras. Uma delas é quando, através de procedimentos incorretos, tenta-se o controle e o domínio dessas entidades, especialmente os elementos da terra, os mais zelosos de seus domínios.

        A segunda forma da obsessão destes seres está no caráter destruidor do gênero humano. A grande maioria dos verdadeiros místicos reconhecem a afinidade que esses seres dinamizadores da natureza têm com os índios, pois estes, em sua grande maioria, estão harmonizados com a natureza e preservam o ambiente no qual estão inseridos e de onde vem sua própria cultura. Aqueles que destroem a natureza provocam um turbilhão efusivo no mundo Elemental, e a energia destrutiva de suas intenções mesquinhas atrai a fúria dos elementos. Podemos ver que a natureza agredida se traduz no dano ambiental, sempre acompanhado de desequilíbrios dos quais derivam as catástrofes. Essas energias desprendidas não são apenas as forças aparentemente cegas que irradiam sob as perspectivas geográficas, mas também da energia desses seres direcionadas àqueles que promovem o dano. É fácil observar o que ocorre com aqueles que deliberadamente destroem o meio ambiente. A destruição da vida tem um preço, e este é cobrado com os "altos juros" de um pesadíssimo karma.

        "Uma vez cortei uma grande árvore que havia no quintal de casa, pois esta fazia muita sujeira com as folhas que lhe caíam. Depois olhei o vazio que ela deixou, e pensei nos anos que levaria para atingir o tamanho no qual estava. Isso me dói até hoje profundamente, pois os anos que me restam seriam insuficientes para ver uma árvore como aquela atingir aquele tamanho. Pois as árvores crescem devagar e a vida passa depressa". — Disse-me alguém certa vez.

 

 


                                                             Os Seres.

 

        São inúmeros os seres astrais que podem exercer influência sobre os seres humanos encarnados no plano físico. Segundo o grande mestre de Yoga, Caio Miranda, em seu magnífico livro A Libertação pelo Yoga, até mesmo os animais, no plano astral, podem atacar os seres humanos, notadamente aqueles que fizeram matança indiscriminada desses seres no mundo físico. Contudo, os ataques e influências comumente se dão por aqueles seres que já possuem o corpo mental concreto desenvolvido, o Manas Inferior, dos quais vamos citar cada um deles, com exceção dos Elementais e dos Kama-Rupa, que descreveremos separadamente.

        As mais comuns influências se dão pelos espíritos humanos desencarnados, muitos dos quais permanecem no astral em estado de torpor desconhecendo sua própria condição quanto ser vivendo no mundo espiritual. São os de mais fácil trabalho de expurgo, pois, assim como os humanos no mundo físico, possuem suas limitações, seus traumas, seus medos e também seu respeito, ou pelo menos temor às hierarquias existentes nos dois mundos. Os banimentos como se estabelecem veremos mais adiante.

        Os Kama-Rajas, como fizemos referência em parágrafos anteriores, são seres de pretéritas civilizações que já não existem, cujos seres eram maiores e diferentes dos humanos atuais, sendo que a maioria não acompanhou as transformações do gênero humano, tornando-se incompatíveis com o "DNA astral" do homem moderno, tornando quase impossível que reencarnem nos seres humanos do presente. Dessa maneira, vivem exclusivamente no plano astral há muitos milhares de anos; e, através dessa experiência exclusiva neste mundo, adquiram notáveis poderes de adaptação alheia ao mundo físico, por isso são chamados kama      Rajas, reis do astral.

        Assim como os humanos, possuem graus diferentes de evolução, alguns extremamente evoluídos, outros estacionários, todos, no entanto, dotados de poderes muito superior à maioria dos humanos, entre os quais adquirirem a forma astral que desejarem assim como as peculiaridades que desejarem se apresentar aos humanos, pois desde a antiguidade, se apresentam como deuses, anjos e demônios, respondendo a chamados individuais ou em grupos. Como exemplo de sua atuação grupal, poderemos citar o deus Baal, divindade Cananéia e fenícia do ar atmosférico. Poderia ser invocado desde Israel até os confins da Assíria, pois um enorme grupo desses seres personificava o deus, como executivos atuais que falam em nome de uma grande empresa, como se está fosse um ser provido de realidade. Os Kama-Rajas se adaptavam, ou ainda se adaptam em todas as culturas, desde orixás da cultura africana até deuses ou divindades xamânicas do leste siberiano, formando correntes espirituais, de todas as ordens e níveis evolutivos. Aqueles, de graus inferiores no processo evolutivo, necessitam da energia do sangue para manterem seus corpos astrais, presentes nos rituais onde são exigidos imolações. São os seres de mais trabalhoso expurgo e banimento.

        Existem as influências dos seres encarnados em trabalhos no plano astral, geralmente são magos ou feiticeiros com elevado poder de desdobramento e projeção.

        Quando se fala em elementais logo se imaginam os correspondentes dos quatro elementos, os clássicos e "estáticos" na concepção da maioria das pessoas: os gnomos, os ondinos, os ígneos e os silvanos, terra, água, fogo e ar, respectivamente. Porém, nada é estático no universo, os elementais situam-se na escala evolutiva entre os homens e os animais, e há uma infinidade de subgrupos dentro de cada correspondência aos elementos. Existem algumas castas de elementais que muito de aproxima dos humanos. Neste universo das inúmeras possibilidades, poderemos até supor que muitos seres presentes nas lendas humanas podem não ser apenas frutos das férteis imaginações das mentes mais sugestionáveis. Simplesmente porque, em todas as culturas e povos, existe uma semelhança destes seres presentes em suas narrativas, e tais entidades sempre se indispõem contra aqueles que inadvertidamente invadem seus domínios.

        Outra categoria a parte vem ser os kama Rupas, também chamados elementares. Estes seres são criados por magos e mestres do ocultismo, assim como as "formas-pensamento”, criadas pela própria pessoa através do poder volitivo de sua imaginação. Alguns deles podem durar por tempo indefinido no astral, especialmente quando recebem parte da consciência de seu criador. Magos trevosos e feiticeiros, dotados de grande conhecimento, criam tais seres com duas finalidades: uma quando desejam criar um guardião para determinado local que deve permanecer livre de interferências externas; outra quando desejam assombrar ou atormentar algum desafeto, podendo aparecer-lhes em sonhos ou mesmo em momentos de vigília, por um tempo previamente estabelecido. Muitas vezes esta prática abominável pode levar inúmeras pessoas à loucura, pois normalmente estes seres são propositalmente idealizados sob a forma mais horripilante possível.

        As formas pensando são criadas involuntariamente por pessoas com elevado poder volitivo, o que, em muitas vezes causa espanto e terror quando surgem diante de seus próprios criadores, que desconhecem que eles mesmos os criaram através de seus pensamentos co-criadores. Tanto uma categoria quanto a outra são facilmente dissipadas por algum conhecedor das práticas esotéricas, pois carecem de qualquer realidade, não se configurando como seres dotados de livre árbitro e de existência concreta. Na obra Tibete Magia e Mistério de Alexandra David-Neel, é descrito todo o processo da criação destas "formas-pensamento, uma excelente obra para adentrar profundamente neste assunto por demais inusitado.

 

 

 


                                                            Os Entrantes.

 

        Na escassez de outro nome para este tipo insólito de manifestação astral, chamarei de "entrante" os seres astrais que adentram em corpos físicos não humanos. Os animais da escala zoológica superior possuem, além do corpo astral, um rudimento do mental concreto (Manas Inferior), variando de acordo com a espécie. Dessa maneira não é difícil, para magos e ocultistas poderosos, entrar no corpo de determinados animais. Este fenômeno não é tão raro entre os verdadeiros xamãs. No livro Isis sem Véu, de Helena Petrovna Blavatsky, ela descreve um mestre tibetano entrando no corpo de uma criança. Contudo, seres astrais também são capazes de assumir a condição de entrantes, e, devido à facilidade que existe no corpo dos animais, podem até mesmo utilizá-los para inúmeras tarefas no plano físico.

        Este fenômeno, contudo, é algo comum e até natural entre os próprios animais. A familiaridade e as energias do ambiente, e do próprio território, confere um fluxo de energia ao animal que vive ou viveu em determinada localidade, isso tem muito a ver com a energia dos campos mórficos ou morfogenéticos, já reconhecidos pela ciência oficial. Alguns animais para retornar ao próprio meio podem entrar, literalmente "roubar o corpo" de um filhote para retornar ao local que lhe é próprio (de forma permanente). Inúmeras são as pessoas que observam em seu novo cachorro ou gato, as mesmas características de seus animais anteriores já falecidos. Isso não é um mero acaso ou uma simples coincidência.

 

 


                                  Exorcismos, expurgos ou banimentos.

 

        Certamente que bons pensamentos, uma boa dosagem de amor incondicional, e um ego não demasiadamente inflado podem ser excelentes escudos contra influências astrais negativas, porém, quando tais condições se fazem insuficientes, são necessários os banimentos. Os expurgos desses seres que parasitam todo o campo biopsicoenergético dos seres em sua jornada pelo plano de vibração física.

       Existem inúmeras formas de banimentos, exorcismos e expurgos, cada qual incrustrado com os preceitos das religiões ou escolas de seus executores. Aqueles que conhecem as práticas esotéricas mais profundamente sabem que todo ritual, regras e liturgias, nada mais são que ancoragens para que a força volitiva possa ser potencializada e canalizada, para que todo o impulso das entidades seja minimizado, e, a própria pessoa envolvida estabeleça o domínio pleno de seu corpo, atributo facultado pela própria natureza essencial, mais forte que qualquer legião de seres abissais.

        São necessários, além do próprio sistema de ancoragem designado, alguns fundamentos chave, um deles é a "hora astral da mudança", outro é o "nome astral da entidade", e, finalmente, a "negação" de poder e de realidade.

 

        A Hora da Mudança: vem ser o momento em que as forças astrais decaem. Sabemos que na lua minguante e nova ocorre um distanciamento entre as frequências das energias físicas das astrais, e isso faz com que todos os rituais de expurgo e banimento se deem nestas lunações, preferencialmente na minguante onde as forças kamásicas sentem o definhamento de suas potencialidades em relação às densidades físicas. Acrescentando a esta particularidade astrológica, temos as horas planetárias, nas quais as entidades (os Kama-Rajas no caso) entram em um estado de torpor absorvidas pela influência dos Espíritos Planetários, algumas dessas entidades, sob o efeito da lua minguante, revelam essa hora durante os trabalhos de banimento, especialmente as categorias menos poderosas desses seres. Assim como os planetas têm a exaltação e o exílio em determinados graus de determinados signos do zodíaco, tais entidades possuem as horas nas quais se fortalecem ou se enfraquecem no movimento de rotação da Terra. Caso não sejam reveladas essas horas de enfraquecimento, devemos fazer o cálculo exato das horas planetárias, sabendo que a hora da mudança sempre ocorre nas respectivas aos planetas benéficos, Vênus e Júpiter. (A hora da mudança, quando revelada, é uma hora específica de um desses dois planetas, na qual o enfraquecimento atinge seu ponto de maior fragilidade). O expurgo deve ser efetuado ou na hora revelada, ou nas horas relativas a esses dois planetas benéficos.

 

        O Nome Astral: Quem conhece a Numerologia Cabalística, a Guematria, sabe da importância do nome em nosso destino e em nossas vidas. O domínio desses espíritos, os Reis do Astral, se baseia no poder que reside em cada nome. No livro O Grande Arcano, do mestre Eliphas Levi, há uma parte dedicada inteiramente na arte de se servir destes seres. O que desejamos, no entanto, não é o domínio desses seres, mas sua momentânea obediência para que o banimento seja efetuado.

        O nome astral de um Kama-Raja possui todo o esquadrinhamento energético de suas próprias frequências. Seu nome proferido pelo operador funciona à semelhança de uma patente superior de um militar exposta para o batalhão de soldados. É onde reside a essência espiritual daquele ser. É o nome "escrito na pedra branca, o qual conhece apenas aquele que o recebe" e aqueles a quem o quiser revelar. Este nome é revelado na hora da mudança, e sob sua pronúncia as entidades guardam obediência. Quando são várias entidades é revelado o nome grupal, normalmente formado com as primeiras sílabas de seus líderes.

 

        A Negação do Poder: Aqui está a mais importante chave de toda e qualquer batalha astral, para qualquer categoria ou casta de entidades, para a qual nem se faz fundamental importância a hora da mudança nem mesmo o nome astral.

        Todo banimento,  muito mais que o expurgo, deve criar as condições, como disse anteriormente, do indivíduo reassumir seu corpo, seu templo. Seu Templo é um "presente" divino, um sequenciamento sagrado do Todo, por isso há a necessidade de que se ordene ao indivíduo que assuma aquilo que lhe é próprio. E, ao contrário de muitos trabalhos que se veem nas instituições, na fantasia e na própria literatura, não deve explicitar aquela atmosfera de tensão e seriedade. O segredo é a negação do poder da entidade, ou a negação de sua própria existência, dissipando o medo, pois uma das energias que mais fortalecem tais seres é justamente o medo; tanto que esses seres assumem formas aterrorizantes para gerar toda essa energia de terror e apavoramento.

        A primeira coisa que um operador deverá ter em mente é que, tal ser, nada mais é que um sugador de energias. Um ser relés, que, se fosse o contrário não estaria ali, atormentando o corpo de uma pessoa simples e sem qualquer poder temporal. Os piores e mais poderosos seres estão na cúpula dos "grandes impérios", nas superpotências, de onde derivam todo ímpeto de transformações, e não em um corpo de algum jovem sem nenhuma relevância dentro da sociedade humana.

        O importante é negar a existência de seres que, por definição poderemos constatar sua mediocridade; não apenas nos casos de possessões, mas em qualquer outra situação de banimentos espirituais, e poderemos ir até um pouco mais longe: não são apenas seres astrais que atormentam a vida dos seres humanos, na maioria das vezes os seres humanos são atormentados por outros seres humanos nas mesmas condições que ele; como seres inseridos no invólucro físico. A estes também a negação da existência resulta em excelentes resultados. O desprezo total é sempre mais humilhante que qualquer tipo de reação ou enfrentamento. Um ser astral, quando sua existência é negada, deixa de absorver a energia do medo. O indivíduo, através de seu poder volitivo, acentuado pela negação, reassume sua condição de único senhor de seu corpo, de seu meio e de seu próprio destino, pois em sua mente crê, com toda convicção que nenhum obstáculo se entrelaça em seus caminhos, e nada é mais forte que o poder da fé. ¬ (sabemos disso perfeitamente). Na excelente obra de Antônio O. Rodrigues, Curso de Iniciação Esotérica é exaltado o grande poder inerente às negações e às afirmações; sabemos que o universo sempre responde positivamente às convicções, e o Todo é infinitamente mais poderoso que qualquer uma de suas partes.

        Em certa ocasião, dois operadores foram chamados para verificar um caso extraordinário de obsessão. Antes de serem iniciadas as práticas que envolviam a hora da mudança e o nome astral, assim como as demais ancoragens da ritualística que lhes era própria, instruíram a família da pessoa e a própria pessoa quanto a negar qualquer importância ao obsessor até mesmo a própria existência. A mãe da pessoa obsediada então, disse que tentaria negar a existência de qualquer entidade espiritual. À qual respondeu um dos operadores que, se condicionasse a negação a uma “tentativa” já estaria fracassando desde o início, pois não caberia tentar negar a existência de tais seres, mas ter a certeza de sua inexistência.  Foi através da total negação juntamente com os demais procedimentos que houve o sucesso pleno no trabalho de banimento. Tentar pressupõe a incerteza, e o que repele toda e qualquer energia negativa é a fé, e esta é consubstanciada na certeza da realização, “chamando as coisas que ainda não são como se já fossem”.

 

 

 


        Os verdadeiros operadores quase ninguém os conhece, simplesmente porque o autêntico mestre nunca revela seu êxito, diferentemente de muitos que, teatralmente, expõem suas obras, dissimuladas e eivadas de pretensões falaciosas.  Sabemos que, o maior operador de cura e banimento, descrito nos evangelhos, pedia o silêncio após efetuar qualquer obra, e condenava todo tipo de hipocrisia. Que “a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita”; esta prescrição, quanto à caridade, deve ser seguida em todas as considerações.

        O conhecimento nos é dado como um favor do universo, uma oportunidade de compartilhar, expandir e vivenciar tudo aquilo que dele se deriva para o bem da humanidade.  O ego é sempre um obstrutor das potencialidades inerentes ao gênero humano. O essencial é que seja alcançada a sublimidade do ser, no despertar do Eu Superior que canaliza todas as virtudes, no fluxo sagrado que aflui das moradas celestes. Seremos seu veículo na era da regeneração.

 

        Paz e Luz.

 

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

PROJEÇÕES ASTRAIS.

 

 


                             

 

 

        Este tema, muito comum nas ciências esotéricas, é bem mais abrangente do que podemos supor, pois, aquilo que entendemos realmente por projeção, não se restringe aos desdobramentos ou mensagens e sinais canalizados através do espaço rompendo distâncias físicas.

                Os indivíduos, familiarizados com o esoterismo, têm o conhecimento de que no universo tudo é energia. E as energias se dispõem em uma infinidade de gradações, das mais densas às mais sutis. Tudo aquilo visível aos nossos olhos humanos são densificações, e estas estão estruturadas nas energias sutis, que vão desde as partículas ou ondas subatômicas até a visível concretude, que aparentemente descreve uma realidade perceptível aos nossos sentidos. As coisas visíveis estão alicerçadas nas invisíveis. E, o que entendemos por projeção? "O invisível percorrendo seus caminhos", exercendo seu dinamismo, e, muitas vezes se fazendo visível quando manifesta ao plano físico. O próprio plano físico é, portanto, uma projeção do Astral efetuada através da Consciência Cósmica. Considerando que o astral é a sutileza de onde se estrutura o plano físico.

        Neste sentido, tudo aquilo que podemos ver é uma projeção, o Mundo de Maya da concepção hindu, o próprio pensamento são energias que se projetam desde Manas, o Corpo Mental, que se deriva desde o Atman. E tais projeções, que se planam do invisível desprovido da forma — arupa — à projeção visível, desde a projeção visível à projeção palpável (materialização); da projeção palpável à projeção provida de consciência própria, e desta ao "Tulku" (Do qual falamos pormenorizadamente em textos anteriores) ao entrante, que falaremos adiante.

 

 


                           Projeção Astral e Viagem Astral.

 

        É muito comum utilizar mencionar a palavra projeção quando se deseja explanar sobre uma "viagem" ou desdobramento astral. Não está errada esta associação. Contudo, para diferenciar dois fenômenos, ou duas situações, utilizarei as duas designações, diferenciando o sentido de cada uma delas de forma exclusivamente didática, pois este assunto se faz muito amplo para que fiquem restritos a uma única referência. Existem, portanto, situações diferentes que precisam ser denominadas de maneiras distintas no ocultismo, e cabem às diferentes designações estabelecerem estas variações essenciais.

        O verbo projetar significa lançar-se, estender-se para fora. Estender não significa mudar a localização, mas atingir determinado alvo sem efetuar um deslocamento significativo. Viajar já estabelece uma deslocação de um local a outro mediante determinado deslocamento. Já a palavra "desdobrar" tem por significação dividir uma unidade, um deslocamento no tempo e espaço.

        Projetar seria estender seu alcance a um determinado local mantendo sua consciência estacionada. Seguindo estas definições, vamos diferenciar um fenômeno do outro através dessas diferentes denominações, facilitando o entendimento de cada situação, de cada sequenciamento.

        O plano físico é uma projeção do astral justamente porque não está em local alheio a este plano, mas no mesmo local em frequências vibratórias diferentes. O que é uma projeção de um filme ou de uma imagem? É "desferir" a imagem para uma tela ou parede a partir de um aparelho projetor. A imagem está inserida neste aparelho, porém emitida à certa distância que permita sua visualização. Aí está a diferença entre uma viagem e uma projeção astral no sentido esotérico. Em ambas estão presentes o corpo físico (o aparelho projetor), porém, na projeção a consciência (foto ou filme) está dentro deste aparelho, na viagem a consciência acompanha a peregrinação astral.

        No livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 16, versículo 9 relata o seguinte evento: "E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: "Passa à Macedônia, e ajuda-nos".

        Certamente o Apóstolo Paulo recebeu um chamado alheio à sua imaginação, pois confirmou-se esta necessidade de auxílio aos macedônios. E, pelas características do relato, tratou-se de uma projeção efetuada por algum membro da principiante igreja local. Pois, normalmente, mensagens céleres e instantâneas denotam uma projeção, diferente de uma visita astral, onde o contato se faz mais extenso, com diálogos e revelações às vezes difíceis de serem relatados sucintamente.

        O mesmo apóstolo Paulo diz, em sua Segunda Epístola aos Coríntios, capítulo 12, versículo 2: "Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei: Deus o sabe) foi arrebatado até ao terceiro céu. E sei que tal homem (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe). Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar."

        Os hebreus costumavam dividir o mundo celeste em sete partes. O terceiro céu, mencionado por Paulo, seria possivelmente o Astral Superior, e, em sua humildade, seria ele próprio ao qual se refere na terceira pessoa. A dúvida em relação ao corpo nos dá a entender que, dentro de suas concepções filosóficas, considerava tanto o desligamento do corpo material quanto à experiência mística envolvendo também o veículo físico. Neste caso específico, Paulo descreve uma viagem no mundo espiritual superior, e não uma projeção.

        Nem sempre, porém, há casos em que as projeções se dão de forma efêmera e nebulosa. Existem inúmeros casos, especialmente na literatura teosófica, onde mestres tibetanos passam instruções a seus discípulos à distância. Assim como adeptos hindus, como no caso das instruções da Doutrina Secreta, como veremos mais adiante.

 

 


                         Graus das Projeções Astrais.

 

 

        É impossível quantificar a espiritualidade, especialmente quando dissertamos sobre as gradações das sutilezas energéticas. No entanto, todas as manifestações extras físicas variam em intensidade, e esta pode ser dimensionada a partir de determinadas condições que propiciam as observações.

        Tudo depende da afinidade extra física do emissor e da afinidade extra física do receptor. Caso tivermos um aparelho projetor em perfeitas condições em uma tela na distância e na disposição correta, a imagem exibida nessa tela será nítida em seus detalhes. Fato que não ocorrerá quando existir alguma deficiência de boas condições, seja no aparelho ou na tela. Se ambos estiverem em condições precárias, nossa imagem será imprecisa, indistinta, ou até mesmo inexistente. Assim, poderemos ter quatro condições que definem a nitidez de uma projeção: a elevada capacidade do emissor e a elevada capacidade do receptor; a elevada capacidade do emissor e a relativa capacidade do receptor; a relativa capacidade do emissor e a elevada capacidade do receptor e a relativa capacidade, tanto do emissor quanto do receptor, neste último caso pode nem mesmo ocorrer qualquer tipo de projeção. Existem casos inusitados onde não há elevada capacidade do emissor, nem do receptor, mas o grau de afinidade, como nos graus de parentesco, especialmente de gêmeos univitelinos, ou mesmo pessoas de almas afins, as projeções podem funcionar como verdadeiros "e-mails", estabelecendo uma conexão espiritual entre tais. Há algumas situações em que são exacerbadas as afinidades extra físicas, fazendo com que as pessoas envolvidas estabeleçam uma paranormalidade, efêmera ou prolongada. Isso pode ocorrer também em situações desesperadoras como veremos mais adiante.

        Os grandes adeptos e magos conseguem estabelecer elevadíssima capacidade de emissão, muitas vezes ocorrendo materialização, aplicando-se o fenômeno místico do Kriyashakty das quais também dissertaremos.

 

 

 


                                      Da Projeção à Viagem.

 

        Aproveitando da palavra viagem, gostaria de citar um trecho do livro As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, que, longe de ser um livro infantil como sugere a aparência, é uma inteligente e verdadeira sátira ao gênero humano. Quando, no país de Lilliput, Gulliver notou que entre eles havia uma guerra muito feroz entre dois povos dessa terra, e ficou muito surpreso ao saber que, a razão de todo aquele conflito se dava em razão de um dos lados, no horário de seu desjejum, quebrava os ovos cozidos pela parte de baixo, enquanto que o outro pela parte de cima.

        Isto pode nos espelhar o quão ridículo vem ser as contendas pelas simples nomenclaturas. Os mestres foram unânimes em afirmar que a diferença entre as nomenclaturas "viagem" e "projeção" se fazia simplesmente para destacar as gradações de um mesmo fenômeno. Gradações estas que podem se tornar nulas quando deixamos de visualizar suas características mais divergentes, especialmente quando é difícil distinguir um aspecto do outro como faremos agora.

        Existe algum padrão constatado em todo o universo conhecido?

        Certamente não é a simetria, pois este é um padrão presente em inúmeros seres vivos. O padrão presente em todo o universo é a dinâmica, o movimento que gera transformações. Todas as coisas tanto físicas, astrais e mentais seguem está padronização específica presente em todo cosmo. Por essa razão, cada evento, cada fenômeno, cada circunstância deriva de outras circunstâncias, de outros fenômenos ou particularidades. Difícil, ou quase impossível é traçar seus lindes, onde começam determinados aspectos, e onde terminam.

        São, na verdade, diferentes aspectos, que se diferenciam nas gradações, de um mesmo fenômeno. Assim como todas as energias derivam de uma essência energética primordial, que faz sua diferenciação através dos níveis de condensação, à semelhança de diferentes formas de gelo, que dão formatos diferentes à água congelada: a água é a mesma, a diferença é aparente segundo a forma de gelo que modela seu aspecto solidificado. Tudo no universo é um. Isto é algo que todo estudante de esoterismo deve ter consciência.

        Em inúmeras ocasiões, a projeção astral é a precursora dos desdobramentos. Sabemos que entre os mestres e adeptos não se processa desse modo, pois, em inúmeras escolas secretas, todo contato a distância, em vigília, se faz através da projeção, e em outras escolas as práticas se iniciam com o desdobramento para depois executar a projeção consciente.

        Ocorre que muitos místicos, propositalmente ou não, iniciam alguns contatos à distância através da projeção, mantendo sua consciência onde está o seu corpo físico, contudo, seu corpo astral acabasse desprendendo durante o processo, iniciando uma projeção com a consciência desprendida do físico, e muitas vezes presente na própria projeção que havia iniciado, tornando, desta forma, aquilo que caracteriza o desdobramento ou viagem astral.

        Nos fenômenos onde ocorre a materialização, poderão ocorrer com a consciência presente no fenômeno, assim como à distância. Pouco importa, no entanto, o desligamento ou não do corpo físico, ou qual a nomenclatura que deveremos externar. O adepto ou magista, que possui o poder de materializar, tem assim o domínio pleno do Kriyashakty, que é a plasmação física à partir da capacidade volitiva no domínio da "Luz Astral", assim como o poder da criação de um Tulku (fenômeno do qual foi dedicado um texto completo anteriormente), que é uma réplica provida do reflexo da consciência de seu criador. Nestes casos temos a gradação de poderes que se estruturam naquilo que foi mencionado no início do texto: "o plano físico é a projeção do Astral", e, aquele que compreende este sequenciamento cósmico, possui a chave mestra da potencialidade sequencial, nos lindes entre o gênero humano e aquilo que poderemos denominar "sobre humano".

 

 

 


                   Como se estabelecem esses fenômenos.

 

        A partir do momento em que pensamos em alguém, já projetamos nossa mente em direção à pessoa alvo de nossos pensamentos. Imaginemos se pensamos em um indivíduo altamente sensitivo; ele receberá esta emissão como um sinal, e, muitas vezes, sem mesmo saber o porquê, pensará na pessoa que emitiu seu pensamento em direção a ele. Isso ocorre também em pessoas nem tanto sensitivas; pode ocorrer o mesmo com pessoas unidas por fortes laços afetivos, ou que tenham propósitos comuns veementemente almejados. Tudo se inicia no pensamento, e, assim como o físico é uma projeção do astral efetuado pela grande consciência cósmica, todo pensamento é poderoso para a operação de sinais extra físicos, especialmente quando canalizado dos mais recônditos "compartimentos" de nosso ser — nossos corpos superiores, de muito maior sutileza. Quanto maior a sutileza maior seu deslocamento pelos espaços, e até tempos, como veremos mais adiante. O pensamento não apenas se projeta e viaja, mas também cria, estabelece destinos, formas e realidades.

        Todas as afinidades extra físicas estão relacionadas ao desenvolvimento, ao alinhamento e à ativação dos Chakras. Uma pessoa poderá até possuir elevado potencial para realização de experiências e fenômenos espirituais, contudo de houver bloqueios em seus chakras, dificilmente ocorrerá alguma manifestação de seus dons intrínsecos. A partir do desenvolvimento dos chakras superiores, acima do Anahata (não descreverei os processos de ativação, pois são por demais extensos, os quais já foram amplamente descritos em textos anteriores), iniciam-se os domínios de inúmeros sentidos astrais, cada qual correspondente às determinadas funções de cada centro energético. Dessa forma, teremos a audição astral expressa pelo Chakra Vishuda; a visão astral pelo Ajnã, ou Olho de Shiva, até alcançar o desenvolvimento do Sahashara ou Brahmaranda, o Lótus das Mil Pétalas, que, plenamente ativado, absorve todas as funções de cada um dos demais chakras, na convergência dos poderes conferidos pela ativação de todos eles, conferindo uma consciência cósmica àquele que assim alcançar seu pleno desenvolvimento. Todavia, este desenvolvimento se faz de maneira gradativa. A partir do momento no qual se estabelece a ativação deste Chakra, se inicia a manifestação de inúmeras atividades extra físicas, e entre elas está o poder da projeção astral assim como seu desdobramento. O início da consciência plena estabelece o domínio do espírito sobre a materialidade, permitindo que sejam suplantadas as inúmeras limitações impostas pelo físico e sua inerente materialidade.

        O corpo astral, assim como os demais corpos superiores, deixa de estar totalmente submisso às impressões físicas, e passa desvencilhar-se de seu apresamento, assim como o faz durante o sono quando submergem os sentidos físicos, só que de maneira consciente, seguindo a própria intencionalidade. (Existem as projeções e desdobramentos desintencionais, porém, ocorrem, assim como durante o sono, em um momentâneo arrefecimento dos sentidos).

 

 

 


                               Projeções no Futuro.

 

        O futuro não existe, e isso todo estudante sério de esoterismo sabe perfeitamente, pois quando existir será o presente e não um período de tempo por vir. O que existe é um encadeamento de circunstâncias, assim como perspectivas de intencionalidade. Um indivíduo que sempre dirige alcoolizado, fatalmente, algum dia provocará um acidente e arcará com as suas sempre nefastas consequências. Isto é um encadeamento de circunstâncias, de maneira mais simples de entender: causas e suas consequências. Conhecendo aquilo que pode se configurar como causa, poderemos antever suas possíveis e prováveis consequências. Muitos indivíduos, como a própria história demonstra, foram capazes de se projetar em um hipotético futuro e visualizar aquilo que o encadeamento circunstancial tende a concretizar. Tal visão, contudo, jamais irá representar uma fatalidade, mas uma noção compreendida, através de um nível superior de consciência, que se esquadrinha mediante um equacionamento de fatores cujo resultado se estabelece no fluir do tempo. Grosseiramente, seria como um indivíduo sedentário, dado a inúmeros vícios e hábitos nocivos, alimentação gordurosa e excessiva, com histórico familiar de inúmeras enfermidades de origem vascular, observado por alguém conhecedor das ciências médicas, o qual fará um sombrio prognóstico a este indivíduo. Um possível óbito poderá ser evitado por uma drástica mudança de estilo de vida, mesmo que a probabilidade disso acontecer seja muito baixa.

        São chamados videntes aqueles que conseguem projetar os encadeamentos que se sucedem e visualizar suas possíveis consequências. Miguel de Nostradamus foi uma dessas personalidades que projetou sua consciência muito além de seu tempo, assim como inúmeros outros; jamais estabelecendo uma forma fatalista em um "Maktub" inexorável, mas como a "Profecia de Jonas", que, revelando a destruição da cidade de Nínive, fez com que seus habitantes se redimissem, alterando as causas assim como suas futuras consequências.

 

 

 

 

 

 


                                 Projeções ao Passado.

 

        Existem registros cósmicos impressos na alma de cada ser, na alma de cada grupo, na alma de cada planeta, na alma de todo o universo. Toda a memória cósmica fica registrada no Akasha, o elemento primordial do qual derivam todos os elementos, onde congregam as partículas ou energias formadoras de cada átomo, desde a sua mais ínfima intimidade, até as estrelas, os astros e supernovas. É como se fosse um infinito oceano, do qual derivam tudo aquilo inserido em suas próprias águas, com seus componentes da mais plena insignificância aos da mais elevada magnitude. Akasha em sânscrito significa espaço ou éter, a energia substancial da qual é formada tudo aquilo que possui existência, como a conhecemos, atuando como um arquivo, o computador cósmico abrangendo tudo aquilo que ocorreu no universo. É a memória da natureza, a Luz Astral, matriz de todo o universo de onde tudo deriva e se sequencia através das diferenciações (densificações). Assim como há este registro cósmico em sua totalidade, há o registro a partir dessas diferenciações, os registros de cada espírito em suas encarnações e peregrinações através dos tempos, espaços e mundos.

        Há aqueles que conseguem acessar o Registro Akáshico de seus espíritos, assim como de cada coisa e do próprio planeta.

        É possível executar a projeção e visualizar as vidas pretéritas e tudo aquilo que teve evento na história do mundo e do universo. Muitos erros poderão ser corrigidos através do conhecimento de suas causas e de suas origens. Existe o esquecimento daquilo que se passou, porém existe a forma de acessar esses arquivos. Assim como a história é uma importante disciplina para que sejam mais bem conhecidas as realidades presentes, o acesso aos registros akáshicos permite compreender o sequenciamento evolutivo, a trajetória e seus caminhos, as consequências a partir das causas, as sendas das transformações.

 

 


                                           A Psicometria.

 

        Seguindo as projeções direcionadas ao pretérito, não poderemos deixar de comentar sobre a Psicometria, porém, por um prisma místico e esotérico. A psicometria é a capacidade que algumas pessoas têm de ler as impressões e a história de objetos através do toque, do contato.

        Conforme a dissertação anterior, todas as coisas, tudo aquilo que existe tem sua história impressa no registro akáshico. O indivíduo que possui o dom de projetar em sua mente toda a memória akáshika de determinada coisa exerce a habilidade da psicometria, pois acessa e capta esses registros. Como diz um velho ditado ocultista: "Todas as coisas falam. É preciso conhecer as suas vozes para adentrar nos mistérios do mundo".

        No próprio Salmo 19 se faz referência a esta linguagem oculta: "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes".

        Um verdadeiro psicômetra consegue ouvir essas "vozes" e ler toda a história de um determinado objeto, de uma determinada coisa qualquer, e ver a sua história, desde sua fabricação, os lugares por onde esteve e as pessoas as quais pertenceu, assim como as condições, os momentos, e as sensações dessas pessoas nas suas proximidades. O indivíduo que tem acesso ao registro akáshico de um objeto não está restrito, porém, a coisas inanimadas. Este acesso é possível também no contato com seres vivos: plantas, animais e homens, que, uma vez estabelecido o contato, abre-se-lhe os livros de suas existências.

        Os graus de alcance dos psicômetras variam de indivíduo para indivíduo. Existem aqueles que apenas veem cenas e imagens projetadas em suas telas mentais, existem também aqueles que sentem, vivenciam e interpenetram os cenários que se descortinam em seus sentidos extra físicos.

 

 

 


                                            Entrantes.

 

        Certamente que este termo "entrante" possui outro significado mais abrangente no ocultismo, o qual se faz um não menos interessante tópico, contudo, não foi possível uma definição melhor para este fenômeno, do qual mais se utilizam os Magos das Sombras e alguns feiticeiros versados no poder oculto da goécia.

        Diferentemente da possessão espiritual, existe um fenômeno no qual uma entidade, encarnada ou não, se utiliza temporariamente de um veículo físico, normalmente corpos de animais, para efetuar tarefas ou viajar consideráveis distâncias para participar de algum ritual ou evento, sem que possa ser notado. O que parece um conto das obras de "Lovecraft" é algo muito mais real que se supõem. Pois muitos magos não adivinham nem leem pensamentos, mas ouvem e veem determinadas situações presencialmente. Este tipo de "controle astral", em raras ocasiões, pode ser feito em humanos de vontade fraca e sugestionáveis, semelhante a uma forte hipnose, fazendo com que indivíduos cumpram suas funções como se estivessem sendo teleguiados por uma força sinistras, e tais funções, algumas vezes, podem ir além de simples tarefas, redundando em ações nefastas e criminosas, após as quais o executor nem mesmo sabe como cometeu tal ato.

        Alguns xamãs dominam este fenômeno entrante, se utilizando de animais para guiar as pessoas a determinados locais pouco acessíveis. As infinitas possibilidades do universo não excluem inusitadas circunstâncias, mesmo que pareçam meras ficções.

 

 

 


                  Descrição de alguns casos na literatura esotérica.

 

        O caso mais peculiar e também de maior notoriedade nos meios oculistas foi da própria compilação, por Helena Petrovna Blavatsky, das obras Isis sem Véu e A Doutrina Secreta. É inegável que Blavatsky não possuía o conhecimento esotérico, como ela própria sempre alegou, nem as obras das quais faz inumeráveis citações, muitas destas em manuscritos que jamais o ocidente teve acesso, alguns presentes apenas no museu britânico. Segundo a própria autora, ela tinha acesso à projeção de obras através da Luz Astral, e também em contato com os mestres, mais frequentemente Moriá e Kuthumi, o primeiro ela pode conhecer fisicamente em Londres no ano de 1851, sendo ele um grande iniciado de Rajaput, o qual lhe passava as instruções estando ele na Índia, descartando qualquer forma de contato mediúnico, mas projecional.

 

        É impressionante um caso de projeção que nos traz o Mestre Papus em sua obra Tratado Elementar de Magia Prática no qual expõe o relato de Gustavo Bonjanoo, cuja família tinha herdado uma casa no vilarejo P. Vizinha a esta casa residia uma mulher, conhecida como Tia B, a qual era uma conhecida feiticeira naquela região. Esta mulher exibia uma evidente heterocromia em seus olhos, um deles era azul, outro negro. Junto com a herança, ficou também um cão do antigo morador da casa, e este ficava apavorado quando via a Senhora B, fugindo de sua presença.

        Em certa ocasião, à aproximação da Senhora B, o cão, fugiu desesperadamente. Gustavo, indignado com todo aquele tempo, até então infundado, chamou o cão de volta, e este acatou a ordem de seu dono, perdendo o receio da presença da senhora. Esta, por sua vez, não gostou da atitude de Gustavo, e este notou um semblante de ódio brotar na fisionomia da Senhora B que deixou o local.

        À noite Gustavo foi dormir na casa, seu quarto ficava no primeiro andar, e, para adentrar neste aposento, era necessário atravessar outro quarto. Assim que ele se deitou ouviu um ruído como se arranhassem a porta do primeiro quarto. Pensando se tratar do cachorro, abriu sua porta, atravessou o primeiro quarto, vasculhou a casa e nada encontrou. Intrigado voltou a dormir. Por volta da meia noite ouviu o mesmo som, como se arranhassem agora a porta de seu quarto. Tomou a súbita decisão de utilizar seu sabre contra a porta, atravessando-a do outro lado. Sentiu como se o sabre resvalasse em algum prego emitindo chispas. Abriu a porta e não havia nada além da fenda que abrira.

        No dia seguinte foi informado que a Senhora B estava à morte, com um ferimento profundo que lhe abrira o crânio. Esta veio a falecer poucas horas depois intrigando todos os habitantes do vilarejo.

        A constatação que Gustavo pode fazer, com a qual tenho plena concordância, foi de que a mulher projetava seu corpo astral em sua casa, fazendo se passar pelo cão com o intuito de assustá-lo. Ao deferir o golpe, seu corpo físico fora atingido, pois, certamente esta projeção carregava seu corpo vital (Duplo Etérico).

 

        Conforme citado anteriormente, o plano físico é a projeção do plano astral. E, em determinadas obras, algumas das quais clássicas na literatura esotérica, mostram a projeção de recessos astrais no plano físico. Quem já teve a oportunidade de ler a magnífica obra, a qual ouso chamar de uma sublime novela iniciática, "Uma Aventura na Mansão dos Adeptos Rosa-Cruzes", do escritor teosófico Franz Hartmann, onde o próprio autor é o protagonista, percebe claramente que o templo, e todo o seu santuário, não estão assentados em circunscrições físicas; mesmo o inusitado guia, descrito no início da obra, desaparece assim que saúda o surgimento do Imperator.

        No famoso livro do insigne mestre Paramahansa Yogananda, "Autobiografia de um Yogue", podemos ver, no capítulo 34, a materialização de um palácio no Himalaia diante dos olhos do Guru Lahiri Mahasaya, durante seu encontro com o Yogue Crístico Mahavatar Babaji, este cujos dons projecionais atingem patamares divinamente inspirados.

        São inúmeros os relatos, aparentemente fantásticos de projeções de paragens extra físicas, expostas por escritores tão sérios quanto sábios. E, tais situações, se assemelham aos muitos insights, muito comum na vida costumeira, o que difere é o grau de manifestação. Existem projeções momentâneas, a partir do astral, que se confundem com a "realidade física". Podemos ver tal situação no próprio livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 12, onde uma luz resplandecente liberta Pedro da prisão onde se achava detido.

        Inúmeros casos há, também, devidamente catalogados, de chamamentos, onde seres astrais interferem no plano físico para a realização de algumas tarefas como também para evitar algumas tragédias, como no caso de um motorista que vinha por uma estrada, que parou no local onde "pensou" ver alguém acenando, e descobriu um veículo acidentado oculto em um despenhadeiro entre a mata, no qual estava uma criança, ainda vivia, presa entre os outros ocupantes mortos.

        Os seres humanos são meros animais enquanto semelhança corpórea, porém, divinos enquanto semelhança divina; aptos â operação de maravilhas quando conscientes plenos de sua natureza essencial.

 

 

 


                   Alguns Casos Comprovadamente Constatados.

 

        Este caso, pude constatar toda a veracidade dos fatos, pois vários membros da família confirmaram o ocorrido: No interior de São Paulo, um senhor de idade muito avançada morava sozinho em um quarto de hotel e era muito amigo de toda uma família, especialmente da menina caçula. Passado algum tempo este senhor M foi ficando cada vez mais debilitado, e, conseguiu uma vaga em uma casa de beneficência no estado do Rio de Janeiro, de onde costumeiramente escrevia para a família e para a menina.

        Certa manhã a menina chamou sua mãe espantada, dizendo que havia visto o Senhor M na porta de seu quarto sorrindo para ela. Soube-se, posteriormente, que este senhor veio a falecer no dia seguinte ao relato da menina que afirmava tê-lo visto.

        Certamente ele, em estado terminal, fez uma projeção astral, talvez para se despedir da menina. E esta, já em idade madura relatou-me o ocorrido, caso confirmado por seus irmãos e irmãs que também residiam no mesmo lar na época.

 

 

        Um indivíduo, o qual conheço muito bem, conheceu uma jovem senhora que, segundo ela própria, dizia fazer projeções astrais à distância, criando imagens que ela quisesse, as quais seriam perfeitamente visível a qualquer indivíduo que tivesse afinidades extra físicas (mediunidade), notadamente a visão astral. Este indivíduo, ao qual chamarei de Fausto resolveu fazer uma experiência com está senhora, a qual passarei a chamar de Vânia. (Tais nomes não correspondem aos nomes reais de tais pessoas)

        Em uma noite, a senhora Vânia intencionou projetar uma imagem, a partir de sua residência, que pudesse ser vista por Fausto em sua casa em uma determinada hora da noite. Vânia pediu para que Fausto ficasse em seus aposentos com as luzes apagadas meia hora antes do momento combinado, assim como meia hora depois, totalizando uma hora de atenção. Neste período de tempo, Fausto notou, na escuridão, a formação de uma silhueta, que foi tomando a forma de uma imagem religiosa, mais precisamente "Nossa Senhora", como anda gruta de Lourdes, a qual rapidamente se desvaneceu. Rapidamente Fausto fez uma ligação para Vânia referindo ter visto "Nossa Senhora de Lourdes", o que no entanto, não correspondeu à imagem emitida, que, segundo Vânia, seria Kuan Yin.   O importante foi que houve uma projeção e foi visualizada. Uma difícil nitidez é muito comum quando não existe uma maior sintonia entre o emissor e o receptor.

        As experiências se sucederam, até quando, por iniciativa de ambos, resolveram colocar junto a Vânia um casal de amigos de Fausto, e junto a Fausto um casal de amigos de Vânia. Vânia então mostrou ao casal que a acompanhava a figura de um triângulo com uma ponta dourada em seu vértice superior, e se concentrou para projetar a imagem a Fausto. Este, na escuridão de seu quarto, falou para o casal do lado de fora que estava vendo uma ponta de flecha cuja extremidade era de ouro. Pode-se então constatar a realidade deste fenômeno, sendo que Fausto pretendeu que se fizesse esta experiência com cobertura e divulgação de veículos informativos, ideia rejeitada por Vânia, em virtude de um possível comprometimento de sua posição junto a um determinado setor da sociedade.

 

 

 


               O Desenvolvimento da Capacidade de Projeções.

 

        Este dom dificilmente é alcançado em apenas uma vida. Aqueles que o possuem já iniciaram suas jornadas místicas em outras existências. Assim como Lahiri Mahasaya, o guru, que certamente possuía suas faculdades latentes, despertadas a partir do encontro com Mahavatar Babaji. E, certamente, este encontro não foi uma circunstância fortuita, mas um momento definido pelo destino, como um capitão que chama seu imediato para uma longa jornada em mares desconhecidos.

        Sabemos que não existem exercícios específicos para este ou aquele dom espiritual. "O Espírito sopra onde quer". Sabemos que toda e qualquer habilidade ou afinidade extra física se inicia com a ativação dos chakras, a concentração e a meditação, com todas suas fases intermediárias; o Pranayama, o Dharana e o Dhyiana, passos do Raja Yoga. Todas as coisas seguem o princípio da gradualidade. Os caminhos da iluminação sempre começam na aceitação das próprias imperfeições e na consciência da extensão dos caminhos.

        O grande segredo para despertar as afinidades extra físicas é abstrair-se à materialidade. Descortinar a nova realidade do espírito além do invólucro físico.

        Uma antiga lenda hindu conta que havia um tempo em que todos os homens eram deuses, porém estes abusaram de seus poderes divinos a tal ponto que Brahma resolveu tirar este poder dos seres humanos. Então, Brahma convocou os deuses menores para que fosse discutido onde se poderia esconder esse poder, de tal forma que fosse quase impossível ao homem encontrá-lo. Um daqueles deuses sugeriu que fosse enterrado todo esse poder nas profundezas da terra, porém a ideia desagradou a Brahma, o qual alegou que o homem acabaria por encontrá-lo quando remexesse a terra. Outro deus então sugeriu que se colocasse no mais profundo dos oceanos. Ideia não acatada por Brahma, pois, segundo ele, o homem exploraria as regiões abissais e acabaria por encontrar o poder divino.

        Foi então que Shiva de manifestou e disse: "Vamos esconder nas profundezas deles mesmo, pois será o último lugar onde o homem irá procurar este poder, e, mesmo que cogite esta localização, será difícil que o encontre, pois seu único caminho se faz através da sabedoria, a qual alcançará vencendo todas as ilusões, incluindo seu egoísmo, até que sejam queimadas suas sementes kármicas". A partir de então Brahma preparou alguns mestres para que ministrassem o ensinamento da busca interior, para que auxiliassem os homens a reencontrar sua divindade perdida.

        Enquanto o homem estiver iludido com a materialidade exterior, poder algum será encontrado além da ilusão presente na transitoriedade. Todo poder advém do Eu superior, o qual se torna acessível à medida que se desvencilha do ego.

 

 

        Paz e Luz.