sexta-feira, 22 de outubro de 2021

PROJEÇÕES ASTRAIS.

 

 


                             

 

 

        Este tema, muito comum nas ciências esotéricas, é bem mais abrangente do que podemos supor, pois, aquilo que entendemos realmente por projeção, não se restringe aos desdobramentos ou mensagens e sinais canalizados através do espaço rompendo distâncias físicas.

                Os indivíduos, familiarizados com o esoterismo, têm o conhecimento de que no universo tudo é energia. E as energias se dispõem em uma infinidade de gradações, das mais densas às mais sutis. Tudo aquilo visível aos nossos olhos humanos são densificações, e estas estão estruturadas nas energias sutis, que vão desde as partículas ou ondas subatômicas até a visível concretude, que aparentemente descreve uma realidade perceptível aos nossos sentidos. As coisas visíveis estão alicerçadas nas invisíveis. E, o que entendemos por projeção? "O invisível percorrendo seus caminhos", exercendo seu dinamismo, e, muitas vezes se fazendo visível quando manifesta ao plano físico. O próprio plano físico é, portanto, uma projeção do Astral efetuada através da Consciência Cósmica. Considerando que o astral é a sutileza de onde se estrutura o plano físico.

        Neste sentido, tudo aquilo que podemos ver é uma projeção, o Mundo de Maya da concepção hindu, o próprio pensamento são energias que se projetam desde Manas, o Corpo Mental, que se deriva desde o Atman. E tais projeções, que se planam do invisível desprovido da forma — arupa — à projeção visível, desde a projeção visível à projeção palpável (materialização); da projeção palpável à projeção provida de consciência própria, e desta ao "Tulku" (Do qual falamos pormenorizadamente em textos anteriores) ao entrante, que falaremos adiante.

 

 


                           Projeção Astral e Viagem Astral.

 

        É muito comum utilizar mencionar a palavra projeção quando se deseja explanar sobre uma "viagem" ou desdobramento astral. Não está errada esta associação. Contudo, para diferenciar dois fenômenos, ou duas situações, utilizarei as duas designações, diferenciando o sentido de cada uma delas de forma exclusivamente didática, pois este assunto se faz muito amplo para que fiquem restritos a uma única referência. Existem, portanto, situações diferentes que precisam ser denominadas de maneiras distintas no ocultismo, e cabem às diferentes designações estabelecerem estas variações essenciais.

        O verbo projetar significa lançar-se, estender-se para fora. Estender não significa mudar a localização, mas atingir determinado alvo sem efetuar um deslocamento significativo. Viajar já estabelece uma deslocação de um local a outro mediante determinado deslocamento. Já a palavra "desdobrar" tem por significação dividir uma unidade, um deslocamento no tempo e espaço.

        Projetar seria estender seu alcance a um determinado local mantendo sua consciência estacionada. Seguindo estas definições, vamos diferenciar um fenômeno do outro através dessas diferentes denominações, facilitando o entendimento de cada situação, de cada sequenciamento.

        O plano físico é uma projeção do astral justamente porque não está em local alheio a este plano, mas no mesmo local em frequências vibratórias diferentes. O que é uma projeção de um filme ou de uma imagem? É "desferir" a imagem para uma tela ou parede a partir de um aparelho projetor. A imagem está inserida neste aparelho, porém emitida à certa distância que permita sua visualização. Aí está a diferença entre uma viagem e uma projeção astral no sentido esotérico. Em ambas estão presentes o corpo físico (o aparelho projetor), porém, na projeção a consciência (foto ou filme) está dentro deste aparelho, na viagem a consciência acompanha a peregrinação astral.

        No livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 16, versículo 9 relata o seguinte evento: "E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: "Passa à Macedônia, e ajuda-nos".

        Certamente o Apóstolo Paulo recebeu um chamado alheio à sua imaginação, pois confirmou-se esta necessidade de auxílio aos macedônios. E, pelas características do relato, tratou-se de uma projeção efetuada por algum membro da principiante igreja local. Pois, normalmente, mensagens céleres e instantâneas denotam uma projeção, diferente de uma visita astral, onde o contato se faz mais extenso, com diálogos e revelações às vezes difíceis de serem relatados sucintamente.

        O mesmo apóstolo Paulo diz, em sua Segunda Epístola aos Coríntios, capítulo 12, versículo 2: "Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei: Deus o sabe) foi arrebatado até ao terceiro céu. E sei que tal homem (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe). Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar."

        Os hebreus costumavam dividir o mundo celeste em sete partes. O terceiro céu, mencionado por Paulo, seria possivelmente o Astral Superior, e, em sua humildade, seria ele próprio ao qual se refere na terceira pessoa. A dúvida em relação ao corpo nos dá a entender que, dentro de suas concepções filosóficas, considerava tanto o desligamento do corpo material quanto à experiência mística envolvendo também o veículo físico. Neste caso específico, Paulo descreve uma viagem no mundo espiritual superior, e não uma projeção.

        Nem sempre, porém, há casos em que as projeções se dão de forma efêmera e nebulosa. Existem inúmeros casos, especialmente na literatura teosófica, onde mestres tibetanos passam instruções a seus discípulos à distância. Assim como adeptos hindus, como no caso das instruções da Doutrina Secreta, como veremos mais adiante.

 

 


                         Graus das Projeções Astrais.

 

 

        É impossível quantificar a espiritualidade, especialmente quando dissertamos sobre as gradações das sutilezas energéticas. No entanto, todas as manifestações extras físicas variam em intensidade, e esta pode ser dimensionada a partir de determinadas condições que propiciam as observações.

        Tudo depende da afinidade extra física do emissor e da afinidade extra física do receptor. Caso tivermos um aparelho projetor em perfeitas condições em uma tela na distância e na disposição correta, a imagem exibida nessa tela será nítida em seus detalhes. Fato que não ocorrerá quando existir alguma deficiência de boas condições, seja no aparelho ou na tela. Se ambos estiverem em condições precárias, nossa imagem será imprecisa, indistinta, ou até mesmo inexistente. Assim, poderemos ter quatro condições que definem a nitidez de uma projeção: a elevada capacidade do emissor e a elevada capacidade do receptor; a elevada capacidade do emissor e a relativa capacidade do receptor; a relativa capacidade do emissor e a elevada capacidade do receptor e a relativa capacidade, tanto do emissor quanto do receptor, neste último caso pode nem mesmo ocorrer qualquer tipo de projeção. Existem casos inusitados onde não há elevada capacidade do emissor, nem do receptor, mas o grau de afinidade, como nos graus de parentesco, especialmente de gêmeos univitelinos, ou mesmo pessoas de almas afins, as projeções podem funcionar como verdadeiros "e-mails", estabelecendo uma conexão espiritual entre tais. Há algumas situações em que são exacerbadas as afinidades extra físicas, fazendo com que as pessoas envolvidas estabeleçam uma paranormalidade, efêmera ou prolongada. Isso pode ocorrer também em situações desesperadoras como veremos mais adiante.

        Os grandes adeptos e magos conseguem estabelecer elevadíssima capacidade de emissão, muitas vezes ocorrendo materialização, aplicando-se o fenômeno místico do Kriyashakty das quais também dissertaremos.

 

 

 


                                      Da Projeção à Viagem.

 

        Aproveitando da palavra viagem, gostaria de citar um trecho do livro As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, que, longe de ser um livro infantil como sugere a aparência, é uma inteligente e verdadeira sátira ao gênero humano. Quando, no país de Lilliput, Gulliver notou que entre eles havia uma guerra muito feroz entre dois povos dessa terra, e ficou muito surpreso ao saber que, a razão de todo aquele conflito se dava em razão de um dos lados, no horário de seu desjejum, quebrava os ovos cozidos pela parte de baixo, enquanto que o outro pela parte de cima.

        Isto pode nos espelhar o quão ridículo vem ser as contendas pelas simples nomenclaturas. Os mestres foram unânimes em afirmar que a diferença entre as nomenclaturas "viagem" e "projeção" se fazia simplesmente para destacar as gradações de um mesmo fenômeno. Gradações estas que podem se tornar nulas quando deixamos de visualizar suas características mais divergentes, especialmente quando é difícil distinguir um aspecto do outro como faremos agora.

        Existe algum padrão constatado em todo o universo conhecido?

        Certamente não é a simetria, pois este é um padrão presente em inúmeros seres vivos. O padrão presente em todo o universo é a dinâmica, o movimento que gera transformações. Todas as coisas tanto físicas, astrais e mentais seguem está padronização específica presente em todo cosmo. Por essa razão, cada evento, cada fenômeno, cada circunstância deriva de outras circunstâncias, de outros fenômenos ou particularidades. Difícil, ou quase impossível é traçar seus lindes, onde começam determinados aspectos, e onde terminam.

        São, na verdade, diferentes aspectos, que se diferenciam nas gradações, de um mesmo fenômeno. Assim como todas as energias derivam de uma essência energética primordial, que faz sua diferenciação através dos níveis de condensação, à semelhança de diferentes formas de gelo, que dão formatos diferentes à água congelada: a água é a mesma, a diferença é aparente segundo a forma de gelo que modela seu aspecto solidificado. Tudo no universo é um. Isto é algo que todo estudante de esoterismo deve ter consciência.

        Em inúmeras ocasiões, a projeção astral é a precursora dos desdobramentos. Sabemos que entre os mestres e adeptos não se processa desse modo, pois, em inúmeras escolas secretas, todo contato a distância, em vigília, se faz através da projeção, e em outras escolas as práticas se iniciam com o desdobramento para depois executar a projeção consciente.

        Ocorre que muitos místicos, propositalmente ou não, iniciam alguns contatos à distância através da projeção, mantendo sua consciência onde está o seu corpo físico, contudo, seu corpo astral acabasse desprendendo durante o processo, iniciando uma projeção com a consciência desprendida do físico, e muitas vezes presente na própria projeção que havia iniciado, tornando, desta forma, aquilo que caracteriza o desdobramento ou viagem astral.

        Nos fenômenos onde ocorre a materialização, poderão ocorrer com a consciência presente no fenômeno, assim como à distância. Pouco importa, no entanto, o desligamento ou não do corpo físico, ou qual a nomenclatura que deveremos externar. O adepto ou magista, que possui o poder de materializar, tem assim o domínio pleno do Kriyashakty, que é a plasmação física à partir da capacidade volitiva no domínio da "Luz Astral", assim como o poder da criação de um Tulku (fenômeno do qual foi dedicado um texto completo anteriormente), que é uma réplica provida do reflexo da consciência de seu criador. Nestes casos temos a gradação de poderes que se estruturam naquilo que foi mencionado no início do texto: "o plano físico é a projeção do Astral", e, aquele que compreende este sequenciamento cósmico, possui a chave mestra da potencialidade sequencial, nos lindes entre o gênero humano e aquilo que poderemos denominar "sobre humano".

 

 

 


                   Como se estabelecem esses fenômenos.

 

        A partir do momento em que pensamos em alguém, já projetamos nossa mente em direção à pessoa alvo de nossos pensamentos. Imaginemos se pensamos em um indivíduo altamente sensitivo; ele receberá esta emissão como um sinal, e, muitas vezes, sem mesmo saber o porquê, pensará na pessoa que emitiu seu pensamento em direção a ele. Isso ocorre também em pessoas nem tanto sensitivas; pode ocorrer o mesmo com pessoas unidas por fortes laços afetivos, ou que tenham propósitos comuns veementemente almejados. Tudo se inicia no pensamento, e, assim como o físico é uma projeção do astral efetuado pela grande consciência cósmica, todo pensamento é poderoso para a operação de sinais extra físicos, especialmente quando canalizado dos mais recônditos "compartimentos" de nosso ser — nossos corpos superiores, de muito maior sutileza. Quanto maior a sutileza maior seu deslocamento pelos espaços, e até tempos, como veremos mais adiante. O pensamento não apenas se projeta e viaja, mas também cria, estabelece destinos, formas e realidades.

        Todas as afinidades extra físicas estão relacionadas ao desenvolvimento, ao alinhamento e à ativação dos Chakras. Uma pessoa poderá até possuir elevado potencial para realização de experiências e fenômenos espirituais, contudo de houver bloqueios em seus chakras, dificilmente ocorrerá alguma manifestação de seus dons intrínsecos. A partir do desenvolvimento dos chakras superiores, acima do Anahata (não descreverei os processos de ativação, pois são por demais extensos, os quais já foram amplamente descritos em textos anteriores), iniciam-se os domínios de inúmeros sentidos astrais, cada qual correspondente às determinadas funções de cada centro energético. Dessa forma, teremos a audição astral expressa pelo Chakra Vishuda; a visão astral pelo Ajnã, ou Olho de Shiva, até alcançar o desenvolvimento do Sahashara ou Brahmaranda, o Lótus das Mil Pétalas, que, plenamente ativado, absorve todas as funções de cada um dos demais chakras, na convergência dos poderes conferidos pela ativação de todos eles, conferindo uma consciência cósmica àquele que assim alcançar seu pleno desenvolvimento. Todavia, este desenvolvimento se faz de maneira gradativa. A partir do momento no qual se estabelece a ativação deste Chakra, se inicia a manifestação de inúmeras atividades extra físicas, e entre elas está o poder da projeção astral assim como seu desdobramento. O início da consciência plena estabelece o domínio do espírito sobre a materialidade, permitindo que sejam suplantadas as inúmeras limitações impostas pelo físico e sua inerente materialidade.

        O corpo astral, assim como os demais corpos superiores, deixa de estar totalmente submisso às impressões físicas, e passa desvencilhar-se de seu apresamento, assim como o faz durante o sono quando submergem os sentidos físicos, só que de maneira consciente, seguindo a própria intencionalidade. (Existem as projeções e desdobramentos desintencionais, porém, ocorrem, assim como durante o sono, em um momentâneo arrefecimento dos sentidos).

 

 

 


                               Projeções no Futuro.

 

        O futuro não existe, e isso todo estudante sério de esoterismo sabe perfeitamente, pois quando existir será o presente e não um período de tempo por vir. O que existe é um encadeamento de circunstâncias, assim como perspectivas de intencionalidade. Um indivíduo que sempre dirige alcoolizado, fatalmente, algum dia provocará um acidente e arcará com as suas sempre nefastas consequências. Isto é um encadeamento de circunstâncias, de maneira mais simples de entender: causas e suas consequências. Conhecendo aquilo que pode se configurar como causa, poderemos antever suas possíveis e prováveis consequências. Muitos indivíduos, como a própria história demonstra, foram capazes de se projetar em um hipotético futuro e visualizar aquilo que o encadeamento circunstancial tende a concretizar. Tal visão, contudo, jamais irá representar uma fatalidade, mas uma noção compreendida, através de um nível superior de consciência, que se esquadrinha mediante um equacionamento de fatores cujo resultado se estabelece no fluir do tempo. Grosseiramente, seria como um indivíduo sedentário, dado a inúmeros vícios e hábitos nocivos, alimentação gordurosa e excessiva, com histórico familiar de inúmeras enfermidades de origem vascular, observado por alguém conhecedor das ciências médicas, o qual fará um sombrio prognóstico a este indivíduo. Um possível óbito poderá ser evitado por uma drástica mudança de estilo de vida, mesmo que a probabilidade disso acontecer seja muito baixa.

        São chamados videntes aqueles que conseguem projetar os encadeamentos que se sucedem e visualizar suas possíveis consequências. Miguel de Nostradamus foi uma dessas personalidades que projetou sua consciência muito além de seu tempo, assim como inúmeros outros; jamais estabelecendo uma forma fatalista em um "Maktub" inexorável, mas como a "Profecia de Jonas", que, revelando a destruição da cidade de Nínive, fez com que seus habitantes se redimissem, alterando as causas assim como suas futuras consequências.

 

 

 

 

 

 


                                 Projeções ao Passado.

 

        Existem registros cósmicos impressos na alma de cada ser, na alma de cada grupo, na alma de cada planeta, na alma de todo o universo. Toda a memória cósmica fica registrada no Akasha, o elemento primordial do qual derivam todos os elementos, onde congregam as partículas ou energias formadoras de cada átomo, desde a sua mais ínfima intimidade, até as estrelas, os astros e supernovas. É como se fosse um infinito oceano, do qual derivam tudo aquilo inserido em suas próprias águas, com seus componentes da mais plena insignificância aos da mais elevada magnitude. Akasha em sânscrito significa espaço ou éter, a energia substancial da qual é formada tudo aquilo que possui existência, como a conhecemos, atuando como um arquivo, o computador cósmico abrangendo tudo aquilo que ocorreu no universo. É a memória da natureza, a Luz Astral, matriz de todo o universo de onde tudo deriva e se sequencia através das diferenciações (densificações). Assim como há este registro cósmico em sua totalidade, há o registro a partir dessas diferenciações, os registros de cada espírito em suas encarnações e peregrinações através dos tempos, espaços e mundos.

        Há aqueles que conseguem acessar o Registro Akáshico de seus espíritos, assim como de cada coisa e do próprio planeta.

        É possível executar a projeção e visualizar as vidas pretéritas e tudo aquilo que teve evento na história do mundo e do universo. Muitos erros poderão ser corrigidos através do conhecimento de suas causas e de suas origens. Existe o esquecimento daquilo que se passou, porém existe a forma de acessar esses arquivos. Assim como a história é uma importante disciplina para que sejam mais bem conhecidas as realidades presentes, o acesso aos registros akáshicos permite compreender o sequenciamento evolutivo, a trajetória e seus caminhos, as consequências a partir das causas, as sendas das transformações.

 

 


                                           A Psicometria.

 

        Seguindo as projeções direcionadas ao pretérito, não poderemos deixar de comentar sobre a Psicometria, porém, por um prisma místico e esotérico. A psicometria é a capacidade que algumas pessoas têm de ler as impressões e a história de objetos através do toque, do contato.

        Conforme a dissertação anterior, todas as coisas, tudo aquilo que existe tem sua história impressa no registro akáshico. O indivíduo que possui o dom de projetar em sua mente toda a memória akáshika de determinada coisa exerce a habilidade da psicometria, pois acessa e capta esses registros. Como diz um velho ditado ocultista: "Todas as coisas falam. É preciso conhecer as suas vozes para adentrar nos mistérios do mundo".

        No próprio Salmo 19 se faz referência a esta linguagem oculta: "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes".

        Um verdadeiro psicômetra consegue ouvir essas "vozes" e ler toda a história de um determinado objeto, de uma determinada coisa qualquer, e ver a sua história, desde sua fabricação, os lugares por onde esteve e as pessoas as quais pertenceu, assim como as condições, os momentos, e as sensações dessas pessoas nas suas proximidades. O indivíduo que tem acesso ao registro akáshico de um objeto não está restrito, porém, a coisas inanimadas. Este acesso é possível também no contato com seres vivos: plantas, animais e homens, que, uma vez estabelecido o contato, abre-se-lhe os livros de suas existências.

        Os graus de alcance dos psicômetras variam de indivíduo para indivíduo. Existem aqueles que apenas veem cenas e imagens projetadas em suas telas mentais, existem também aqueles que sentem, vivenciam e interpenetram os cenários que se descortinam em seus sentidos extra físicos.

 

 

 


                                            Entrantes.

 

        Certamente que este termo "entrante" possui outro significado mais abrangente no ocultismo, o qual se faz um não menos interessante tópico, contudo, não foi possível uma definição melhor para este fenômeno, do qual mais se utilizam os Magos das Sombras e alguns feiticeiros versados no poder oculto da goécia.

        Diferentemente da possessão espiritual, existe um fenômeno no qual uma entidade, encarnada ou não, se utiliza temporariamente de um veículo físico, normalmente corpos de animais, para efetuar tarefas ou viajar consideráveis distâncias para participar de algum ritual ou evento, sem que possa ser notado. O que parece um conto das obras de "Lovecraft" é algo muito mais real que se supõem. Pois muitos magos não adivinham nem leem pensamentos, mas ouvem e veem determinadas situações presencialmente. Este tipo de "controle astral", em raras ocasiões, pode ser feito em humanos de vontade fraca e sugestionáveis, semelhante a uma forte hipnose, fazendo com que indivíduos cumpram suas funções como se estivessem sendo teleguiados por uma força sinistras, e tais funções, algumas vezes, podem ir além de simples tarefas, redundando em ações nefastas e criminosas, após as quais o executor nem mesmo sabe como cometeu tal ato.

        Alguns xamãs dominam este fenômeno entrante, se utilizando de animais para guiar as pessoas a determinados locais pouco acessíveis. As infinitas possibilidades do universo não excluem inusitadas circunstâncias, mesmo que pareçam meras ficções.

 

 

 


                  Descrição de alguns casos na literatura esotérica.

 

        O caso mais peculiar e também de maior notoriedade nos meios oculistas foi da própria compilação, por Helena Petrovna Blavatsky, das obras Isis sem Véu e A Doutrina Secreta. É inegável que Blavatsky não possuía o conhecimento esotérico, como ela própria sempre alegou, nem as obras das quais faz inumeráveis citações, muitas destas em manuscritos que jamais o ocidente teve acesso, alguns presentes apenas no museu britânico. Segundo a própria autora, ela tinha acesso à projeção de obras através da Luz Astral, e também em contato com os mestres, mais frequentemente Moriá e Kuthumi, o primeiro ela pode conhecer fisicamente em Londres no ano de 1851, sendo ele um grande iniciado de Rajaput, o qual lhe passava as instruções estando ele na Índia, descartando qualquer forma de contato mediúnico, mas projecional.

 

        É impressionante um caso de projeção que nos traz o Mestre Papus em sua obra Tratado Elementar de Magia Prática no qual expõe o relato de Gustavo Bonjanoo, cuja família tinha herdado uma casa no vilarejo P. Vizinha a esta casa residia uma mulher, conhecida como Tia B, a qual era uma conhecida feiticeira naquela região. Esta mulher exibia uma evidente heterocromia em seus olhos, um deles era azul, outro negro. Junto com a herança, ficou também um cão do antigo morador da casa, e este ficava apavorado quando via a Senhora B, fugindo de sua presença.

        Em certa ocasião, à aproximação da Senhora B, o cão, fugiu desesperadamente. Gustavo, indignado com todo aquele tempo, até então infundado, chamou o cão de volta, e este acatou a ordem de seu dono, perdendo o receio da presença da senhora. Esta, por sua vez, não gostou da atitude de Gustavo, e este notou um semblante de ódio brotar na fisionomia da Senhora B que deixou o local.

        À noite Gustavo foi dormir na casa, seu quarto ficava no primeiro andar, e, para adentrar neste aposento, era necessário atravessar outro quarto. Assim que ele se deitou ouviu um ruído como se arranhassem a porta do primeiro quarto. Pensando se tratar do cachorro, abriu sua porta, atravessou o primeiro quarto, vasculhou a casa e nada encontrou. Intrigado voltou a dormir. Por volta da meia noite ouviu o mesmo som, como se arranhassem agora a porta de seu quarto. Tomou a súbita decisão de utilizar seu sabre contra a porta, atravessando-a do outro lado. Sentiu como se o sabre resvalasse em algum prego emitindo chispas. Abriu a porta e não havia nada além da fenda que abrira.

        No dia seguinte foi informado que a Senhora B estava à morte, com um ferimento profundo que lhe abrira o crânio. Esta veio a falecer poucas horas depois intrigando todos os habitantes do vilarejo.

        A constatação que Gustavo pode fazer, com a qual tenho plena concordância, foi de que a mulher projetava seu corpo astral em sua casa, fazendo se passar pelo cão com o intuito de assustá-lo. Ao deferir o golpe, seu corpo físico fora atingido, pois, certamente esta projeção carregava seu corpo vital (Duplo Etérico).

 

        Conforme citado anteriormente, o plano físico é a projeção do plano astral. E, em determinadas obras, algumas das quais clássicas na literatura esotérica, mostram a projeção de recessos astrais no plano físico. Quem já teve a oportunidade de ler a magnífica obra, a qual ouso chamar de uma sublime novela iniciática, "Uma Aventura na Mansão dos Adeptos Rosa-Cruzes", do escritor teosófico Franz Hartmann, onde o próprio autor é o protagonista, percebe claramente que o templo, e todo o seu santuário, não estão assentados em circunscrições físicas; mesmo o inusitado guia, descrito no início da obra, desaparece assim que saúda o surgimento do Imperator.

        No famoso livro do insigne mestre Paramahansa Yogananda, "Autobiografia de um Yogue", podemos ver, no capítulo 34, a materialização de um palácio no Himalaia diante dos olhos do Guru Lahiri Mahasaya, durante seu encontro com o Yogue Crístico Mahavatar Babaji, este cujos dons projecionais atingem patamares divinamente inspirados.

        São inúmeros os relatos, aparentemente fantásticos de projeções de paragens extra físicas, expostas por escritores tão sérios quanto sábios. E, tais situações, se assemelham aos muitos insights, muito comum na vida costumeira, o que difere é o grau de manifestação. Existem projeções momentâneas, a partir do astral, que se confundem com a "realidade física". Podemos ver tal situação no próprio livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 12, onde uma luz resplandecente liberta Pedro da prisão onde se achava detido.

        Inúmeros casos há, também, devidamente catalogados, de chamamentos, onde seres astrais interferem no plano físico para a realização de algumas tarefas como também para evitar algumas tragédias, como no caso de um motorista que vinha por uma estrada, que parou no local onde "pensou" ver alguém acenando, e descobriu um veículo acidentado oculto em um despenhadeiro entre a mata, no qual estava uma criança, ainda vivia, presa entre os outros ocupantes mortos.

        Os seres humanos são meros animais enquanto semelhança corpórea, porém, divinos enquanto semelhança divina; aptos â operação de maravilhas quando conscientes plenos de sua natureza essencial.

 

 

 


                   Alguns Casos Comprovadamente Constatados.

 

        Este caso, pude constatar toda a veracidade dos fatos, pois vários membros da família confirmaram o ocorrido: No interior de São Paulo, um senhor de idade muito avançada morava sozinho em um quarto de hotel e era muito amigo de toda uma família, especialmente da menina caçula. Passado algum tempo este senhor M foi ficando cada vez mais debilitado, e, conseguiu uma vaga em uma casa de beneficência no estado do Rio de Janeiro, de onde costumeiramente escrevia para a família e para a menina.

        Certa manhã a menina chamou sua mãe espantada, dizendo que havia visto o Senhor M na porta de seu quarto sorrindo para ela. Soube-se, posteriormente, que este senhor veio a falecer no dia seguinte ao relato da menina que afirmava tê-lo visto.

        Certamente ele, em estado terminal, fez uma projeção astral, talvez para se despedir da menina. E esta, já em idade madura relatou-me o ocorrido, caso confirmado por seus irmãos e irmãs que também residiam no mesmo lar na época.

 

 

        Um indivíduo, o qual conheço muito bem, conheceu uma jovem senhora que, segundo ela própria, dizia fazer projeções astrais à distância, criando imagens que ela quisesse, as quais seriam perfeitamente visível a qualquer indivíduo que tivesse afinidades extra físicas (mediunidade), notadamente a visão astral. Este indivíduo, ao qual chamarei de Fausto resolveu fazer uma experiência com está senhora, a qual passarei a chamar de Vânia. (Tais nomes não correspondem aos nomes reais de tais pessoas)

        Em uma noite, a senhora Vânia intencionou projetar uma imagem, a partir de sua residência, que pudesse ser vista por Fausto em sua casa em uma determinada hora da noite. Vânia pediu para que Fausto ficasse em seus aposentos com as luzes apagadas meia hora antes do momento combinado, assim como meia hora depois, totalizando uma hora de atenção. Neste período de tempo, Fausto notou, na escuridão, a formação de uma silhueta, que foi tomando a forma de uma imagem religiosa, mais precisamente "Nossa Senhora", como anda gruta de Lourdes, a qual rapidamente se desvaneceu. Rapidamente Fausto fez uma ligação para Vânia referindo ter visto "Nossa Senhora de Lourdes", o que no entanto, não correspondeu à imagem emitida, que, segundo Vânia, seria Kuan Yin.   O importante foi que houve uma projeção e foi visualizada. Uma difícil nitidez é muito comum quando não existe uma maior sintonia entre o emissor e o receptor.

        As experiências se sucederam, até quando, por iniciativa de ambos, resolveram colocar junto a Vânia um casal de amigos de Fausto, e junto a Fausto um casal de amigos de Vânia. Vânia então mostrou ao casal que a acompanhava a figura de um triângulo com uma ponta dourada em seu vértice superior, e se concentrou para projetar a imagem a Fausto. Este, na escuridão de seu quarto, falou para o casal do lado de fora que estava vendo uma ponta de flecha cuja extremidade era de ouro. Pode-se então constatar a realidade deste fenômeno, sendo que Fausto pretendeu que se fizesse esta experiência com cobertura e divulgação de veículos informativos, ideia rejeitada por Vânia, em virtude de um possível comprometimento de sua posição junto a um determinado setor da sociedade.

 

 

 


               O Desenvolvimento da Capacidade de Projeções.

 

        Este dom dificilmente é alcançado em apenas uma vida. Aqueles que o possuem já iniciaram suas jornadas místicas em outras existências. Assim como Lahiri Mahasaya, o guru, que certamente possuía suas faculdades latentes, despertadas a partir do encontro com Mahavatar Babaji. E, certamente, este encontro não foi uma circunstância fortuita, mas um momento definido pelo destino, como um capitão que chama seu imediato para uma longa jornada em mares desconhecidos.

        Sabemos que não existem exercícios específicos para este ou aquele dom espiritual. "O Espírito sopra onde quer". Sabemos que toda e qualquer habilidade ou afinidade extra física se inicia com a ativação dos chakras, a concentração e a meditação, com todas suas fases intermediárias; o Pranayama, o Dharana e o Dhyiana, passos do Raja Yoga. Todas as coisas seguem o princípio da gradualidade. Os caminhos da iluminação sempre começam na aceitação das próprias imperfeições e na consciência da extensão dos caminhos.

        O grande segredo para despertar as afinidades extra físicas é abstrair-se à materialidade. Descortinar a nova realidade do espírito além do invólucro físico.

        Uma antiga lenda hindu conta que havia um tempo em que todos os homens eram deuses, porém estes abusaram de seus poderes divinos a tal ponto que Brahma resolveu tirar este poder dos seres humanos. Então, Brahma convocou os deuses menores para que fosse discutido onde se poderia esconder esse poder, de tal forma que fosse quase impossível ao homem encontrá-lo. Um daqueles deuses sugeriu que fosse enterrado todo esse poder nas profundezas da terra, porém a ideia desagradou a Brahma, o qual alegou que o homem acabaria por encontrá-lo quando remexesse a terra. Outro deus então sugeriu que se colocasse no mais profundo dos oceanos. Ideia não acatada por Brahma, pois, segundo ele, o homem exploraria as regiões abissais e acabaria por encontrar o poder divino.

        Foi então que Shiva de manifestou e disse: "Vamos esconder nas profundezas deles mesmo, pois será o último lugar onde o homem irá procurar este poder, e, mesmo que cogite esta localização, será difícil que o encontre, pois seu único caminho se faz através da sabedoria, a qual alcançará vencendo todas as ilusões, incluindo seu egoísmo, até que sejam queimadas suas sementes kármicas". A partir de então Brahma preparou alguns mestres para que ministrassem o ensinamento da busca interior, para que auxiliassem os homens a reencontrar sua divindade perdida.

        Enquanto o homem estiver iludido com a materialidade exterior, poder algum será encontrado além da ilusão presente na transitoriedade. Todo poder advém do Eu superior, o qual se torna acessível à medida que se desvencilha do ego.

 

 

        Paz e Luz.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

A HIPNOSE

 


 

                                                  A Hipnose.

 

        A Hipnose não deixa de ser um magnetismo, conhecido desde remota antiguidade, onde uma pessoa, dotada de grande impulso volitivo, executa sua sugestão sobre outro indivíduo, ou grupo, cujo ânimo se caracteriza por uma disposição suscetível à sua influência. Este domínio se expressa em uma espécie de transe, onde o indivíduo é submetido às determinações do seu indutor.

        Quando se fala em hipnose muitas pessoas logo imaginam uma pessoa sentada de frente ao operador com um pêndulo, ou um relógio suspenso em uma corrente, oscilando-o diante de seus olhos. Existem , obviamente, incontáveis técnicas capazes de induzir o paciente ao transe, e, boa parte destas suprime a utilização de objetos e dispositivos.

       O paciente, sob o efeito da hipnose, tem seu estado normal alterado, e este estado não difere muito de alguns outros que nos deparamos costumeiramente. Pois, nas inúmeras vezes que nos concentramos em algo, isolamos a percepção das coisas ao nosso redor encetamos um estado de transe, ainda que tênue. O estado hipnótico seria a potencialização desta circunstância, sob a regência de um magnetizador. Quando, portanto, há um desligamento daquilo que está à adjacência, e é focalizado determinado objeto, é possível dizer que há um estado de transe. E esta condição possui vários graus de intensidade; um grau elevado possibilita o acesso às potencialidades intrínsecas do indivíduo e é neste ponto que atua o hipnoterapeuta, que, incentivando à concentração e ao relaxamento, busca imprimir seu comando ao subconsciente quebrando padrões indesejáveis, e, ao mesmo tempo, estabelecendo paradigmas positivos que redirecionam os aspectos cognitivos que facultam a melhoria comportamental e a fluência harmoniosa dos pensamentos (para que tais condutas, mencionadas acima, sejam efetivas, são necessários conhecimentos acadêmicos regulamentados para diversas áreas específicas).

 

 


        É impossível falar da hipnose moderna sem mencionar seu precursor, Franz Anton Mesmer, nascido no sul da Alemanha, região da Suábia, século XVIII. Este começou a aplicar técnicas semelhantes à moderna hipnose, pois, segundo sua teoria, do Magnetismo Animal, os corpos eram percorridos por fluxos magnéticos que, uma vez desequilibrados, se estabeleciam as enfermidades, as quais poderiam ser combatidas através da transmissão de energia de uma pessoa para outra. A diferença entre o mesmerismo e a hipnose está justamente nessa percepção, onde a transferência energética se dá através de fatores externos; sendo que na hipnose o caminho da cura está intrínseco à própria pessoa, sobre a qual a hipnose atua com efeito indutor.

        Mesmer sofreu inúmeras críticas e rejeições da classe médica de seu tempo, mas se constituiu como precursor da hipnose, pavimentando os caminhos para novas concepções, alheios à exaltação da racionalidade iluminista de sua época. No entanto, já no século XIX, no ano de 1843, James Braid deu continuidade aos estudos nessa área empreendendo inúmeras experiências, nas quais obteve fenômenos semelhantes, substituindo, porém, o magnetizador por objetos que possuíssem brilho. Diferentemente de Mesmer, Braid teve maior aceitação no meio científico, sendo ele que nomeou tais fenômenos por hipnose, termo este derivado do grego "hypnos", cujo significado é "sono". Este termo, por sua vez, produziu e provavelmente produz, até os dias de hoje, certa confusão entre aquilo que vem a se considerar como transe e o sono profundo, estados estes completamente diversos.

        Posteriormente, o neurofisiologista russo Ivan Pavlov fez amplo estudo sobre os efeitos produzidos pela hipnose no córtex cerebral, porém, erroneamente, acreditou que a hipnose fosse uma inibição cortical assim como o sono. Contudo, foi de fundamental importância para que este fenômeno fosse levado a sério na comunidade científica, pois a simples atenção de um vencedor do Prêmio Nobel doava relevância àquilo que, anteriormente, era classificado como crendice e sem evidência científica.

        Mais tarde a hipnose foi analisada e comprovada na prática pelo médico francês, Jean Charcot, professor do emérito psicanalista Sigmund Froid, que por sua vez também se utilizou da hipnose por determinado período. Mais recentemente podemos citar o psiquiatra norte americano Milton Erickson, o qual desenvolveu um novo tipo de hipnoterapia que ficou amplamente conhecido como "hipnose ericksoniana", que, substituindo a indução clássica, passou a estabelecer a indução indireta ou permissiva, a qual não impõe ao paciente uma sugestão hipnótica, mas estabelece ao paciente uma aceitação e consciência plena daquilo que lhe é proposto, de maneira efetivamente mais conversacional, onde o estado de concentração é aprazado de modo confortável segundo a tônica do próprio indivíduo, sem gerar resistência por parte deste. 

 


 

 


 

                                  Graus de Passividade e Resistência à Hipnose.

 

        Algumas pessoas têm maior facilidade de serem hipnotizadas, outras possuem maior resistência. Diante dessa diferença, inúmeros terapeutas adotaram os métodos de Erickson.

        A hipnose é na verdade uma auto hipnose, e, dessa forma, tudo depende do próprio indivíduo e sua disposição em interagir às sugestões do terapeuta. É notório o poder da fé nos inúmeros fenômenos de cura que chamamos "milagre". "A tua fé te salvou" — o próprio Jesus disse isso a inúmeras pessoas que firmemente acreditavam poderiam ser curadas. Alguém que esteja mal disposto, ou que simplesmente zombe deste método terapêutico, não terá o mesmo sucesso que de alguém direcionado ao propósito de cooperação e interação com os princípios que regem a terapia. Qualquer prática que seja exercida necessita de um prévio condicionamento e certamente existem pessoas alheias a qualquer tipo de condicionamento, assim como existem pessoas suscetíveis a interagir e buscar uma sintonia favorável à sequência do procedimento.

        Uma vez tive a oportunidade de participar de um curso de hipnose ministrado por um velho magista. Em um seleto grupo de aproximadamente 50 pessoas ele se propôs a fazer uma demonstração de sua técnica. Primeiramente ele pediu para que todos fechassem os olhos e que todos imaginassem caminhar por uma estrada de chão meio ao ermo; e, logo adiante, mentalizassem uma pessoa vindo vagarosamente em sua direção, se aproximando mais e mais. Quando pediu para abrirem os olhos perguntou-lhes quais deles viram na pessoa que surgia a sua própria figura, ou de alguém que fizesse lembrar sua fisionomia. Aproximadamente metades das pessoas disseram tê-lo visto, ou alguém que a ele se assemelhasse no cenário imaginado. A estes ele pediu que sentassem na fileira da frente. Em seguida pediu-lhes que cruzassem os dedos de ambas as mãos, como se fossem fazer oração, e disse com firmeza, olhando firmemente para o grupo: "Vocês agora estão com as mãos presas uma à outra, por mais força que façam não conseguirão soltá-las". Após alguns instantes ele perguntou se alguém estava com as mãos presas. Apenas duas pessoas assim estavam. E, com o consentimento destas iniciou a demonstração da hipnose superficial, pois se tratava de pessoas fortemente passíveis de sugestão. (a hipnose superficial, assim como a hipnose profunda, será explanada mais adiante). Quanto às pessoas que não viram outras pessoas, conhecidas ou totalmente desconhecidas na estrada, afirmou o velho magista que era este grupo de pessoas dificilmente influenciáveis. Quanto àqueles que o viram, mas que não "colaram" as mãos eram moderadamente influenciáveis.

        Dessa forma podemos constatar que existem pessoas com maior facilidade de se submeterem à hipnose, outras essencialmente refratárias, ainda que se disponham para tal intervenção.

        Alguns autores chamam as pessoas mais suscetíveis à sugestão e à influência pessoal de "sensitivas". Denominação esta que, particularmente, prefiro evitar, pois considero existir uma diferença muito grande entre o que vem a ser sensível do que pode se estabelecer como susceptível. Contudo, é sempre positivo conhecer as classificações de alguns autores e, acima de tudo respeitá-las.

        Outros métodos simples de se detectar as pessoas susceptíveis ou impressionáveis é sugerindo alguma perspectiva a estas, por exemplo, mandá-la estender os braços para frente e perguntar porque ela está tremendo as extremidades. Se após isto ela começar a tremer é um sinal clássico de suscetibilidade. Assim como pedir que fique de pé e com os olhos cerrados, afirmando que ela está prestes a cair no chão. Caso a pessoa comece a oscilar o corpo está explícita a condição sugestionável.

        Existem casos em grupos religiosos fortemente sugestionáveis que se consegue derrubar várias pessoas ao mesmo tempo com um simples assopro, criando a ideia no subconsciente destas que assim ocorrerá. Poderá também afirmar que determinada pessoa está vermelha, se esta ideia lhe for sugestionável, esta prontamente irá corar.

 

 

 


           A Forma pela qual a Hipnose pode atuar no tratamento das enfermidades.

 

        Como vimos, a hipnose é uma espécie de transe onde a mente do indivíduo se acha centrada conectando-se diretamente com o subconsciente, e é justamente nesse estado que poderemos adentrar profundamente na raiz de determinados problemas, medos, complexos e traumas, e também, sem deixar de ser, as inúmeras doenças, pois estas advém sempre de desequilíbrios energéticos do corpo astral, também acionado através do subconsciente. (Logicamente determinados distúrbios exigem conhecimento acadêmico excetuando a atuação de leigos).

        Conhecendo a raiz, ou as causas de inúmeros problemas torna-se mais fácil determinar a conduta de seu tratamento, especialmente aquelas de ordem emocional. Alguns problemas emocionais podem ser resolvidos acessando a memória traumática do indivíduo durante as sessões de hipnose, e atuar diretamente na causa, processando as informações nela presentes, fazendo com que a mente assuma uma perspectiva mais consciente daquele trauma, diminuindo ou eliminando seus efeitos somatórios sobre os padrões comportamentais da pessoa afetada.

        É fato conhecido que, durante guerras e conflitos onde inexistiam sequer anestésicos que possibilitassem a execução de procedimentos cirúrgicos, profissionais da medicina, conhecedores da hipnoterapia, conseguiram bloquear ou inibir a sensibilidade dolorosa, assim como acionar a produção de substâncias, pelo próprio corpo, que realizaram o efeito da analgesia.

        Quando, através da hipnose, é diagnosticada a origem de determinados males e problemas, essa raiz pode ser trabalhada, realizando assim a sua transformação ou também a sua eliminação, atuando nas percepções sensoriais do indivíduo, desfazendo fobias, vícios, ansiedades e transtornos, bloqueios, distúrbios, e até mesmo depressões.

 

 

 


                                     Preparações essenciais para praticar a hipnose.

 

        Existem três fatores fundamentais para o desenvolvimento do capacidade de indução e domínio dos fenômenos hipnóticos, os quais são o olhar, o gesto e o comando de voz. É claro que, anteriormente a estes três fatores a concentração é o pré requisito básico para que possa se direcionar o próprio pensamento.

 

        A fixidez do olhar dá ao terapeuta uma grande força de penetração. Psicologicamente é a caracterização do domínio que este, necessariamente, deverá apresentar, enunciando a necessária competência para que seja obtido o respeito e confiabilidade.

        Na prática esta fixidez se expressa através do direcionamento direto e penetrante do olhar à pessoa alvo, assim como na diminuição maior possível do ato de pestanejar. Quanto menor o número de piscadas melhor a impressão de fixidez. Muitas pessoas confundem essas expressões com procedimentos que visam impressionar, como abrir demasiadamente os olhos e aspecto sombrio, os quais poderão exprimir aspectos de desequilíbrio, dissipando assim a confiança necessária. O olhar penetrante, e os olhos piscando o mínimo possível, não devem ter, de maneira nenhuma, aspecto de sisudez; a simpatia nunca foi sinônimo de desmerecimento.

        Inúmeros exercícios poderão ser feitos para que os olhos diminuam as piscadas satisfatoriamente, inclusive técnicas elaboradas pela própria pessoa disposta a fazê-los. Certamente que piscar os olhos é essencial para lubrificação da córnea, e isso ocorre, em média, vinte vezes por minuto. Reduzindo este número, sem que ocorra ardume ou lacrimejamento, é o preconizado. Tudo com moderação e equilíbrio, sem exageros. A sobriedade é a essência de todos aqueles que seguem os caminhos místicos.

        No olhar sempre residiu o poder da fascinação, o qual exerce domínio sobre a própria vontade do interlocutor para que sejam vencidas inúmeras resistências. Sob esta influência, palavras, atitudes e gestos poderão ter potencializado seu caráter de persuasão, essencial para a sugestionabilidade.

 

        O tom de voz estabelece o comando, o poder da palavra por meio do qual é imprimida a ideia no cérebro do indivíduo, efetuando a sugestão. Esta é chamada sugestão verbal, onde a palavra é carregada de energia, a qual promove a sintonia essencial para o bom efeito do procedimento proposto.

        São fundamentais não apenas a maneira da emissão das palavras, mas também a escolha dessas palavras, as quais devem expressar de forma direta e nitidamente aquilo que o hipnoterapeuta pretende auferir do indivíduo a ser hipnotizado, e estas deverão ser entendíveis de acordo com a capacidade cognitiva deste.

        As palavras deverão ser proferidas com firmeza e determinação, e isso não significa falar vociferar alterando o tom de voz, gritar sempre é um sinal de perda de controle, e através do próprio controle que é estabelecida a capacidade.

        É preciso falar lentamente, com voz firme demonstrando convicção e segurança. Voz tímida e insegura denota vacilação, algo que põe tudo a perder na hipnoterapia. É preciso previamente elaborar o conjunto de palavras que irá ser utilizado, para que ocorra uma boa fluência imprescindível para o entendimento e o consequente comando.

        Durante uma sessão o terapeuta deverá imprimir o seu comando utilizando-se de frases imperativas, estando convicto da energia que emana de suas palavras, podendo ele dizer, por exemplo: "Você está agora sentindo uma forte sonolência!" — Expressando-se de maneira veemente e incisiva, sem alterar o tom de voz, mas emitindo uma ordem ainda que morosamente.

        Assim como o olhar e as palavras, os gestos devem ser pautados pela sobriedade, estruturado na postura, sempre correta buscando a elegância própria daquele que exprime o equilíbrio através do porte e do refinamento. Os movimentos estabelecem uma ancoragem psíquica enfatizando a verbalização, se dispondo como canalização das energias que incidem sobre o paciente, intensificando o vínculo necessário para o bom andamento da atividade.

        Os gestos devem ser expressivos e centrados, eivados de comedimento, sem jamais serem intempestivos ou agitados, pois, de maneira alguma, deverão ser espalhafatosos, o que seria ridículo e, até mesmo, cômico.

        Em algumas situações deverão ser lentos e em outras mais céleres, sendo, no primeiro caso, para promover o adormecimento, estendendo os braços, com a palma das mãos voltadas para o paciente, de cima para baixo. E, no segundo caso, mais rapidamente, de baixo para cima quando o desejo é de despertar.

        Certamente não existem regras específicas para que sejam determinadas as maneiras pelas quais devem ser programados os gestos. Estes devem seguir a forma pelo qual o terapeuta possa se sentir a vontade para equilibrá-los às expressões de suas palavras, da mesma forma o direcionamento do olhar, fazendo com que seus membros se disponham como dispositivos canalizadores de magnetismo, semelhantes aos passes no direcionamento energético.

        O olhar e a voz incidem na aplicabilidade da sugestão; o gesto promove sua potencialização. As sugestões não estão restritas às hipnose, mas em inúmeras aplicações dentro e fora da terapêutica. Um efeito sugestivo poderá promover a motivação, e esta alavancar o indivíduo na busca do êxito em qualquer empreitada, inaugurando novas disposições onde a segurança e a autoestima possam  engendrar todo o otimismo, essencial para a efetivar as realizações. "Você está transparecendo disposição e boa saúde hoje" — É algo que poderá ser proferido a uma pessoa em recuperação, e, mesmo que não corresponda plenamente à realidade, irá servir de alento à pessoa debilitada, a qual muito provavelmente irá se sentir recuperando a saúde, um passo extremamente importante para que tal situação venha a ocorrer. "Esse garoto está se tornando um bom aluno, e logo se tornará um dos melhores da classe" — Pode ser declarado a um estudante, ainda que medíocre, que, certamente, trará entusiasmo e motivação para que se qualifique como um destacado discente no bom caminho do sucesso acadêmico. O elogio, desde que feito de maneira pertinente, será uma sugestão motivadora, pois a motivação faz com que sejam desvanecidas muitas limitações, desânimos e inseguranças. Do mesmo modo existem as sugestões negativas, que poderão arrasar pessoas mais susceptíveis, como expressar que esta parece doente, ou mal apessoada, ridícula, mais gorda, mais velha, incapaz e inúmeros outros adjetivos deprimentes.

        As sugestões são poderosas tanto para elevar como para abater e a intensidade de seus efeitos será diretamente proporcional à vulnerabilidade. O sugestionador deve sempre ter em mente que a crítica muitas vezes é fortemente destrutiva, e, quando se servir desta, deverá fazê-la "elogiosa"; para que, da mesma forma que os defeitos sejam evidenciados, as potenciais virtudes sejam salientadas. "Seu desenho não ficou bom, embora você tenha formidável habilidade acentuada aptidão para fazer algo consideravelmente melhor". — Poderá assim dizer lançando uma sugestão positiva para que seja incentivada uma superação.

 

 

 


                                Treinamento Preliminar.

 

        Conheço inúmeras pessoas que praticaram exercícios preliminares, prescritos em cursos de hipnose, com parentes, amigos e mesmo com pacientes, com a devida permissão destes, nas áreas profissionais em que atuam.

        Um destes exercícios é por demais simples e muito significativo, embora sejam necessários alguns cuidados para que nenhum incidente venha a ocorrer. Com uma venda cobre-se totalmente os olhos da pessoa certificando-se que lhe seja impossível enxergar coisa alguma, para que seja possível praticar o exercício de maneira eficiente. É necessário que haja dois cômodos disponíveis; um onde se prepara o indivíduo, outro em que possua uma meseta (esta não pode ser, de maneira alguma, alta) e uma pequena escada, ou, no lugar desta, uma simples cadeira. É necessário ter um ou dois auxiliares neste exercício, o qual não deve ser recomendável para idosos ou para quem possua qualquer tipo de comorbidade que comprometa seu equilíbrio ou locomoção. O paciente, com os olhos vedados, é introduzido no segundo cômodo. A este é passada a seguinte instrução: "Você subirá em uma plataforma ajustável, a qual será inclinada para frente e para trás, para o lado direito e esquerdo, a fim de que seja testado seu equilíbrio". Servindo-se de uma escada, ou de uma cadeira, sempre bem amparado pelos auxiliares, a pessoa é colocada em pé sobre meseta. Exercitando o comando de voz, diz á pessoa que fará uma inclinação lateral à esquerda, ou a qualquer um dos lados que preferir, trepidando levemente a mesa na simulação de um movimento. Provavelmente o indivíduo tenderá a executar um movimento abrupto tentando recuperar o equilíbrio, deslocando a perna esquerda para o lado esquerdo, caso a sugestão seja feita para a inclinação deste lado, ou para a frente, caso seja-lhe induzida uma inclinação para frente, e assim para todos os lados aos quais seja dirigida a sugestão. Temendo cair a pessoa tentará manter-se em pé, sempre amparado, ainda que secretamente, pelos auxiliares, para que o sustentem caso perca definitivamente o equilíbrio. Este exercício, além de testar o efeito da voz sobre a mente, é uma ótima técnica para que seja testada a suscetibilidade ou a sensibilidade do indivíduo às sugestões.

        Muitas pessoas costumam a sentir coceira na cabeça só de ouvir falar que chegou perto de uma pessoa cheia de piolhos. E isso já é um sinal de sugestionabilidade. Toma nas mãos um pequeno boné ou boina, previamente especificando que se trata de um exercício, e pede que este seja colocado sobre sua cabeça. Após alguns segundos retira-lhe o boné, e fixando os olhos entre as sobrancelhas da pessoa, utilizando da voz como especificado anteriormente, diz a esta que o boné fora utilizado por uma pessoa cheia de piolhos e lêndeas. Pode ser que nada ocorra no primeiro instante, porém, na grande maioria das vezes, o paciente levará as mãos à cabeça devido ao prurido que, psicologicamente, estará sentindo. (O olhar direcionado entre as sobrancelhas possui uma razão fundamental. Aí está localizado o Chakra Ajnã, o "Olho de Shiva", por onde são captadas todas as percepções astrais. A força energética volitiva aplicada diretamente a este local se faz muito mais eficiente que aplicada sobre outros locais).

        Outro exercício, que deve ser praticado após um maior treino nos anteriores por ser o mais avançado, é o do "controle das pálpebras". Após verificar o alto grau de suscetibilidade do indivíduo, fixa o olhar entre as sobrancelhas, e diz firmemente que suas pálpebras estão pesadas, cada vez mais, até que estas se fechem como em uma forte sonolência. Em seguida determina que ele não mais consiga abrir os olhos, e que, quanto mais intentar abrir mais pesadas elas ficarão. Posteriormente diz ao paciente que poderá abrir os olhos, e suas pálpebras estão leves. O que ocorrerá sem demora.

        Alguns autores preconizam o estalar dos dedos sinalizando o fim do transe. Conforme explanado anteriormente, cabe a cada um adaptar um método que seja mais propício à sua própria tônica individual. É através desta tônica intrínseca que é produzida a ação magnética, o método é justamente seu ancoramento. A ação sugestiva não deixa de ser uma atividade magnética, tudo aquilo que atrai possui a ação do magnetismo, estes exercícios visam estabelecer a atração, seja ela através de palavras, olhares ou gestos.

 

 

 


                                                        A hipnose superficial.

 

        É o tipo de hipnose em que, aparentemente, o paciente está em estado pleno de consciência, em nada digerindo de sua "normalidade", embora mantenha seus olhos fechados. É o estado de obediência, no qual o indivíduo, no primeiro grau do sono hipnótico (por isso a denominação de hipnose superficial), aceita todas as sugestões, inclusive as sugestões pós-hipnóticas. Este estado requer o máximo de silêncio possível, pois pode ser rompido por um súbito ruído ou conversações nas proximidades.

        É na hipnose superficial que se põe inteiramente em prática o olhar, para que se chegue a este estado, e a voz para imprimir as sugestões; os gestos servem para ancoramento das energias do próprio operador.

        Certamente existem variações de acordo com as técnicas utilizadas pelo operador. Em alguns casos o paciente permanece com os olhos abertos, ou abrem os olhos respondendo os ditames do hipnotizador. Houve na idade média um magista que se aproveitava de seu grande poder hipnótico para que, com suas sugestões pós-hipnóticas, fazer com que pessoas sugestionáveis executassem suas determinações, e também, em inúmeros casos relatados, fazia com que lhe fossem revelados íntimos segredos assim como fossem seduzidas mulheres que desejava. Aqui é importante reiterar que, assim como explorar a boa fé em proveito próprio, o mau uso dos conhecimentos esotéricos implica em um karma avassalador: "Àqueles que muito foram dado, muito será pedido". A intensidade implícita neste advérbio é mais rigorosa que se possa pensar.

        A hipnose superficial é muito diferente da técnica ericksoniana, embora à primeira vista possam muito se assemelhar. No segundo método há um profundo relaxamento no qual o subconsciente é aflorado, enquanto que na hipnose superficial, o transe é estabelecido eclipsando a consciência, embora não transpareça esta ocorrência. Outra diferença que existe entre as tais é que, de acordo com o nível de sugestionabilidade das pessoas, a hipnose superficial é possível, na grande maioria dos casos, em pacientes altamente susceptíveis, o que não se implica na ericksoniana.

        Esse estado de obediência permitirá que sejam obedecidas as determinações do operador desde que estes comandos não encontrem oposição severa, da parte do paciente, em seu pleno estado de consciência. É claro que há exceções, como referido anteriormente, desde que sejam diretamente proporcionais o grau de suscetibilidade do indivíduo e a experiência empírica do hipnotizador.

        Na hipnose superficial, seguindo as insinuações que lhes são impostas, as tendências do paciente tendem a ser exacerbadas, podendo ser mais emotivo que normalmente é, mais detalhista e mais intenso em inúmeras outras características presentes em sua própria personalidade.

        Neste tipo de hipnose é possível extrair diversos detalhes de seu caráter, de sua personalidade e todo e qualquer "ferida aberta" em seu subconsciente, razão de inúmeros vícios, depressões, bloqueios e transtornos comportamentais. O objetivo deste texto, no entanto, não é, de forma alguma adentrar na área destinada à psicologia, e sim expor ao conhecimento a hipnose como ela é em se tratando de uma área da "medicina oculta", uma vez que a hipnose há um tempo relativamente curto entrou no reconhecimento da ciência oficial, não existindo ainda, no Brasil, uma legislação que a regulamente. No conselho federal da profissão a qual fui graduado há mais de 30 anos, há o amparo legal para seu uso, contudo, muito pouco se fala nos períodos de graduação, cabendo ao profissional, por conta própria, buscar um curso específico nessa área. Hoje qualquer pessoa poderá fazer uso da hipnose, até o presente momento, por isso que os cursos de hipnose não exigem como pré-requisito nenhuma formação em qualquer área da saúde.

        Existem os mais diversificados métodos e técnicas para conduzir o paciente à hipnose superficial. Passarei aqui a técnica que conheço e da qual já foi possível comprovar a eficácia em inúmeras ocasiões.

        Devemos executar a operação em pacientes que sejam suscetíveis, pois, do contrário, será desperdício de tempo, paciência e energia. O objetivo é levar o paciente do estado de vigília ao estado de transe, e para isso é necessário, pacientemente, demonstrar segurança, domínio e confiança àquele que se deseja exercer sugestão. Colocar o paciente em uma posição confortável é imprescindível. Ninguém consegue dormir facilmente em uma posição incômoda. O operador deve observar este detalhe e testar nele mesmo a confortabilidade do local onde deseja iniciar sua prática, que poderá ser uma cama, uma poltrona, uma cadeira reclinável ou qualquer outra adaptação que culmine com seus objetivos imediatos. Feito isto deverá tomar as mãos do paciente sobre as suas, as palmas das mãos do indivíduo deverão se posicionar sobre as palmas das mãos do operador, mão direita do primeiro sobre a esquerda do último, mão esquerda sobre sua direita. O operador, com suavidade, deverá segurar as mãos do paciente dando-lhe evidente sensação de amparo e proteção. Fixa em seguida o olhar entre as sobrancelhas da pessoa e, com firmeza de voz expressando toda sua segurança, diz a ela pra olhar diretamente em seus olhos, afirmando com convicção que suas pálpebras se tornarão mais e mais pesadas, e estará sentindo forte sonolência, desejo de dormir profundamente pois sabe que estará plenamente segura. Faz-se silêncio por alguns segundos e repete enfatizando a chegada do sono incontrolável, sendo-lhe impossível manter as pálpebras suspensas. Faz a pequena pausa e afirma com a voz mais baixa possível, quase em tom de murmúrio, que seus braços estão soltos, moles, sem força alguma que possam manter seus músculos tensos. Pode-se fazer mais uma vez as sugestões do sono, pesando-lhe pálpebras, braços, corpo todo, entrando em estado de dormência, em voz quase inaudível, e repetir as pausas e afirmações quantas vezes sentir necessário.

        Após perceber que o paciente se encontra em profundo estado de relaxamento, com seus braços, faz um suave movimento de embalo com os braços do paciente, como uma rede que descreve uma oscilação quase imperceptível. Faz então a afirmação para que o paciente durma profundamente, sob um sono extremamente pesado. Solta então vagarosamente os braços do paciente acomodando-os da mais confortável maneira possível.

        Após isso, através de perguntas pré-elaboradas, vasculha-se tudo aquilo que possa trazer informações de relevância sobre a pessoa; não detalhes de sua intimidade, mas iniciando pelas coisas que a afligem, o porquê desta aflição e o histórico de vida que gerou esta inquietude em seu ser, buscando a raiz de tudo aquilo que se configura anormal na sua relação com o mundo, ou consigo mesmo.

        Experiências recreativas de ilusões contínuas em um indivíduo hipnotizado, segundo a ética esotérica, são algo que pode expô-lo ao ridículo, especialmente se não tiver prévio consentimento. Particularmente acredito que a hipnose deve se primar pela seriedade.

        Certa vez observei um indivíduo hipnotizado que, de acordo com as sugestões do operador, comeu uma fatia de cebola como se fosse esta um pedaço de maçã. Penso que os propósitos da hipnose são por demais elevados para que se deixem levar pela espetacularizações. Vencer traumas, medos e bloqueios devem ser a meta essencial.

        O transe hipnótico deverá terminar sob o comando do operador, o qual dará a ordem para que este desperte e retorne à normalidade.

 

 

 

 


                                                     A Hipnose Profunda.

 

        A hipnose superficial se caracteriza como um sono leve no qual o paciente se interage normalmente com o operador, e isto se dá de maneira que não é perceptível distinguir do estado de vigília.

        O estado de hipnose profundo seria uma fase posterior à superficial. (Pedimos, na preparação para a hipnose superficial, que o paciente durma profundamente com o intuito de simplesmente adormecer, ainda que não entre em estado de sono profundo, senão o leve). Certamente que as pessoas refratárias à hipnose leve, mesmo que se consiga adentrá-las nesse estado, tentar a hipnose profunda nem é recomendável, pois seria, na maioria dos casos, perda de tempo. Os magistas se utilizam da hipnose profunda para imprimir sugestões de maneira mais resoluta, quando se deseja que o indivíduo abandone um hábito nocivo ou um vício que lhe possa ser altamente prejudicial. Uma determinação incutida inconscientemente no indivíduo poderá, ainda que aos poucos, resolver em muitos casos problemas com a dependência; criando obstáculos e até mesmo repulsa e aversão a esta. Certamente que para isto o operador deverá possuir conhecimento acadêmico a fim de evitar consequências indesejáveis às suas determinações.

        A partir da hipnose superficial, após certificar-se que o indivíduo adentrou neste estado (para constatar esta circunstância, descartando possíveis dissimulações, pode-se, por exemplo, tomar creolina em um frasco e imprimir a sugestão que se trata de um perfume agradável — após a aproximação do nariz do indivíduo verifica se este expressa sensação ditosa ao sentir o cheiro), toma a mão operativa do paciente, segurando fortemente seu dedo polegar. Em seguida o operador coloca sua outra mão suavemente sobre a cabeça da pessoa, com a palma das mãos diretamente sobreposta na direção do Chakra Sahashara; e, com a voz bem lenta e muito baixa imprimir as seguintes sugestões: "Desligue do mundo. Esqueça-se de tudo totalmente ao seu redor. Ouça apenas minha voz; todos eu ser mergulha na mais profunda dormência. O universo embala seu sono como um colo materno. Agora você se encontra envolvido em um sono celestial, só minha voz pode ouvir, e ela despertará você no devido momento. Está seguro e amparado." Esses comandos poderão ser modificados como o operador assim o quiser. Isto nada mais é que um modelo elaborado segundo o que costuma ser eficiente. Retirando a palma das mãos do topo da cabeça do paciente, sem encostar-se a seu corpo, desliza frontalmente passando pelo Chakra Ajnã, onde se detém em movimentos circulares, em sentido horário sempre, passa pelo Chakra Vishuda fazendo os mesmos movimentos, desliza até o Chakra Anahata, também fazendo neste os movimentos circulares, subindo novamente com as mesmas sequências. Sempre fazendo as mesmas ou semelhantes sugestões até que o paciente esteja desligado completamente do mundo.

        Neste estado hipnótico o paciente responderá como se estivesse em estado de torpor, muitas vezes com dificuldade em responder. Alguns falam como se estivessem sob efeito do álcool. Para fazer o paciente voltar, pode-se acrescentar na sugestão para que retorne ao estalar dos seus dedos. Estas técnicas são modelos. Assim como não existe uma técnica específica de convencimento ou persuasão, tudo é adaptável, devendo ser seguida a técnica que permita alcançar o objetivo que se deseja, podendo ser aprimorada de acordo com a experiência adquirida com o tempo.

        Alguns autores consideram como hipnose profunda a letargia, a catalepsia e o sonambulismo, porém, na minha modesta opinião, não devem ser enquadradas na mesma classificação que a hipnose profunda.

        Quanto à letargia, considero como um estado de prostração, que é ocasionada por inúmeros fatores. A catalepsia é um estado com origens multifatoriais, advindo de certas patologias e condições, na qual o indivíduo aparenta estar morto, inúmeras vezes assim identificado. Já o sonambulismo é um distúrbio que ocorre na fase mais profunda do sono, configurando-se como um transtorno, a parassonia, na qual o sonâmbulo pode executar inúmeras tarefas, dotado de habilidades patentes, permanecendo todo tempo inconsciente.

        Outros autores, no entanto, utilizam as nomenclaturas dessas três condições apenas para definir as fases peculiares do sono hipnótico, sendo a letargia o estágio no qual o uso dos sentidos do paciente é suprimido; a catalepsia quando ocorre o enrijecimento muscular e o sonambulismo quando o indivíduo realiza tarefas as quais o indivíduo não será capaz de recordar assim que seja despertado.

 

 

 


                                               A impressão das sugestões.

 

        Através das sugestões é possível produzir ilusões, determinar propósitos e ações, curar inúmeras doenças, vícios e maus hábitos assim como direcionar perspectivas positivas ao indivíduo. É claro que existem sugestões malignas que visam a induzir pessoas ao erro e atitudes prejudiciais. Em todas as partes há pessoas do bem e pessoas que visam seu próprio interesse contrariando o princípio da virtude e do amor que regem as ciências esotéricas. Mas é importante ter em mente a existência de sugestões criminosas. Muito embora tais condições são impressas nas mentes extremamente susceptíveis, pois, via de regra, as condições que contrariam absolutamente a vontade do paciente não são acatadas.

        Um paciente alcoólatra, o qual tive a oportunidade de conhecer, em hipnose profunda, foi-lhe incutida a sugestão de que o álcool lhe queimava fortemente a garganta e esôfago, causando-lhe fortes ânsias de vômito. Algum tempo depois este abandonou o vício, após longas crises de abstinência. O operador, na época ainda com pouca experiência em sugestões, deveria ter imposto outras sugestões que dissipassem tais crises, proporcionando assim uma cura sem tanto sofrimento.

        Os grandes magistas ou adeptos conseguem, através da simples observação, detectar os graus de suscetibilidade nos indivíduos às sugestões.

        Um fator preponderante do sucesso é isolar o indivíduo, ao qual serão aplicadas as sugestões, das impressões externas, principalmente aquelas que podem em algum momento desviar a sua atenção, sejam visuais, auditivas, táteis ou olfativas. Caso ocorra tal atuação em algum curso ou qualquer outra eventualidade onde exista a presença de assistentes, o indivíduo deverá ser posicionado de modo que permaneça de costas às demais presenças, e no maior distanciamento possível, onde o silêncio deve ser essencial.

        O treinamento sugestivo deverá ser iniciado de maneira simples. Durante o estado hipnótico impõe a ideia, por exemplo, de que o paciente está sentindo muito frio. Com isso observa as reações deste, próprias à baixa sensação térmica. E, posteriormente, pode se dizer: "Estarei contando até três. Assim que terminar a contagem cessará o frio".

        Pode-se também dizer ao paciente: "A partir de agora você está privado de seus movimentos. Não consegue se movimentar". Posteriormente se aplica o mesmo comando que o exemplo anterior, fixando um determinado número, que, após a contagem, quebra  o efeito sugestivo.

        Após um período de treinamento com as sugestões simples, poderá adentrar em outro tipo de sugestão, a chamada "Terapêutica Sugestiva", esta, no entanto, exige que seja estabelecido um contato mais próximo com o paciente. Vejamos um paciente acometido por algum mal estar qualquer. Durante alguns instantes toma as mãos do paciente, previamente acomodado em um local que lhe seja altamente confortável, fixa o olhar entre suas sobrancelhas, pede a ele que feche os olhos imprimindo-lhe a mais plena sensação de calma sob o necessário relaxamento. Coloca os braços do paciente em confortável posição, posicionando suas mãos sobre a cabeça do indivíduo suavemente sem exercer qualquer tipo de pressão. Imprime a partir deste momento as sugestões neste sentido: "Estou vendo o bem estar estampado em seu rosto. Você a partir de agora está bem, está disposto e plenamente saudável. Respire fundo para que a leveza do ar purifique todo seu ser". Em seguida afasta suas mãos do contato com a cabeça do paciente e, próxima à sua frente executa lentos movimentos circulares impondo-lhe magnetismo, repetindo as mesmas sugestões ou palavras semelhantes a estas quantas vezes necessárias, sempre afirmando positivamente, fazendo-se convicto daquilo que diz, passando dessa forma a certeza de cura ao paciente, sem deixar transparecer qualquer palavra que exprima dúvidas.

        Existe além das sugestões que se utilizam da voz, as sugestões mentais, aquelas que transmitem mensagens, as chamadas telepáticas, que também expressam comando.

        O fenômeno da transmissão de pensamento é algo que está além do conjunto de reações químicas presentes no corpo físico. Estas transmissões podem ocorrer de maneira inusitada e espontânea. Há pessoas que possuem este do inato, alguns de captar, outros de transmitir e, até mesmo, de ambas as capacidades. Há, porém, formas de indução destas transmissões, resultado de muita concentração de pensamento, à semelhança do Dharana no Raja Yoga. Alguns indivíduos, quando em estado hipnótico, aumentam seu grau de captação dos comandos sugestivos emitidos pelas ondas mentais, e nestes o operador poderá emitir a sugestão mental dispensando palavras. E isto se dá através da concentração em determinada ordem, direcionando-a diretamente ao Chakra Vishuda, que se situa na garganta, também chamado Chakra Tireóideo, o Chakra da audição astral. A frase que o emissor deseja enviar deve sempre estar ancorada a uma imagem que caracteriza o propósito do comando.

        Este tipo de transmissão, contudo, é um privilégio de poucos, alguns que possuem este dom de outras existências, que lhes são auferidos pela hereditariedade (que acompanha a transmigração do espírito nas encarnações), ou através de treinamento místico efetuado ao longo da vida. Na literatura há inúmeros exercícios para alcançar a transmissão e a captação de pensamentos, porém, os resultados são pífios, e, na maioria dos casos, nulos. Recomendo aqui exercícios de concentração e meditação (Dharana e Dhyiana do Yoga).

        Existe também a transmissão à distância, que poderá ser efetuado entre duas pessoas, onde previamente combinado, uma delas, ou as duas entram no estado de sono e, por aí se estabelece o comando sugestivo. Neste caso também necessita de profusa experiência do operador, especialmente quando se trata de um adepto.

        É comum, tanto na literatura quanto no cinema, o aparecimento de personagens dotados de poderes extraordinários, que, com um simples olhar ou um gesto imperceptível, hipnotizar qualquer pessoa fazendo com que estas ajam segundo seus próprios desejos, aniquilando-lhes a vontade própria ou o livre árbitro. A ficção muitas vezes pode não estar restrita à mera fantasia. Valho-me da repetitiva afirmação de que vivemos no universo das infinitas possibilidades. Grandes Magos podem, muitas vezes, alcançar estados de consciência indescritivelmente superior à média normal dos demais seres humanos. Existem adeptos que vivem em "Estado de Jinas" (condição já descrita em textos anteriores), e se conseguem sublimar a própria materialidade, é perfeitamente possível que consigam operar o controle das mentes. Existem, no entanto, magos espiritualmente comprometidos com a humanidade e magos comprometidos com seu próprio ego. Algo que todo estudante sério de esoterismo precisa saber é que "poder não é sinônimo de luz".

 

 

 


                                                            O magnetismo pessoal

 

        Existem pessoas, ou até mesmo coisas, que possuem um magnetismo intrínseco. Aqui não falo, absolutamente, de beleza exterior, mas da atração, e até mesmo do encantamento que se manifesta à maioria das pessoas.

        O magnetismo envolve o porte, o aspecto e a projeção que se enuncia através da perspectiva do olhar, da fala, dos gestos e do fascínio que deflagra a sintonia.

        O operador pode possuir inato o poder da atração assim como desenvolvê-lo através de inúmeras técnicas acessíveis ao desenvolvimento pessoal. Muitos oradores e também políticos recorrem a este recurso com a finalidade de "seduzir" o público ao qual se dirigem, se utilizando daquilo que é chamado "Psicologia das Massas", na qual o comportamento de um determinado grupo de pessoas assume a condição de entidade única esvanecendo a individual.

        Este magnetismo pode assumir papel controlador sobre as consciências em níveis ainda exíguos, acarretando o fanatismo, o desacerto e inúmeros equívocos dos quais testemunha a história da humanidade. Um dos seres mais nefandos da história recente, Adolf Hitler, utilizando-se do elevado atributo do magnetismo e da incisiva habilidade discursiva, visceralmente cativante, levou multidões a apoiar as mais equivocadas decisões que perpetraram os mais terríveis crimes registrados na história contemporânea.

Todo estudante do esoterismo deve se pautar no domínio próprio, se alicerçando no discernimento, essencial para que seja refratária a toda influência propensa à negatividade.

 

 

 


                                                                   A auto hipnose.

 

        Se procurarmos na literatura esotérica, veremos que muitos autores definem a auto hipnose como um tipo de sugestão que o indivíduo faz sobre si mesmo reproduzindo os inúmeros fenômenos realizados quando o operador executa sua influência sobre o paciente alvo. Contudo este estado é muito mais abrangente do que alguns autores o consideram.

        Conforme vimos no início do texto, a hipnose se consiste em fazer com que o indivíduo entre em um estado de transe, e este estado é o mesmo, embora em grau diferente, daquele quando o indivíduo alcança uma concentração profunda. O transe é um estado de semiconsciência, e este estado possui vários graus desde o superficial até o profundo. A etimologia da palavra provém do latim, "transire" que significa "cruzar". Vou entrar aqui no profundo conhecimento do ocultismo para descrever a essência deste estado, necessário para que haja o amplo entendimento dos detalhes do que vem a ser o transe. Os lindes do plano físico com o plano espiritual, embora gradativos, se fazem como uma enorme barreira àqueles que estão encarnados no mundo material. Tanto que a maioria das pessoas não acredita ou simplesmente desconhece a existência dos planos de existência sutis. Poucos são aqueles que conseguem, conscientemente, entrar em contato com o plano astral, terem sonhos lúcidos, que nada mais são que desdobramentos onde o espírito abandona o corpo físico e se desloca pelos planos extra físicos. O sonho da maioria das pessoas é confuso, sem nitidez, embaçado, pois não conseguimos alcançar a consciência no acesso a esses planos devido à nossa condição de encarnados, aprisionados na concretude material. O transe é justamente esse estado onde o indivíduo atinge os lindes entre esses planos (físico e espiritual) sem que deixe totalmente o físico. Isso não quer dizer que seja um estado estático, pois muitas vezes é necessário passar pelo transe para que ocorra o desdobramento consciente.

        Fazendo a concentração, o operador entra em contato com seu próprio subconsciente, o que possibilitará imprimir sugestões sobre si mesmo para que sua mente aceite alguma ideia, elimine algo que assim o deseje, como hábitos, manias ou transtornos.

        São poucos os operadores que dominam a auto hipnose, porém são muitos aqueles que o fazem sem o devido preparo. Inúmeras alucinações são advindas da auto hipnose, na maior parte aquelas que surgem de maneira involuntária. Há o estado de "êxtase" no qual o indivíduo está auto hipnotizado, acreditando ter visões de todos os gêneros, podendo também proferir palavras desconexas e muitas vezes inexistentes. Isso não quer dizer que seja impossível a alguém extático ver realmente mundos espirituais superiores ou inferiores, contudo, segundo o conhecimento dos antigos mestres, menos de 1% dos casos assim ocorre. Da mesma maneira fenômenos mediúnicos. A mente humana é infinitamente imaginativa; ela pode criar inúmeros personagens ou simplesmente resgatá-los do inconsciente coletivo (sobre o qual dissertarei mais adiante), tais personagens afloram neste estado, fazendo com que, aparentemente, um espírito desencarnado, incorporou no indivíduo. Isto é o produto da auto hipnose, e sob este aspecto vou relatar uma experiência de um pesquisador que conheço.

        Estava ele participando de uma sessão mediúnica, na qual, em um determinado momento, o médium pareceu receber uma incorporação. A pretensa entidade afirmou ser um tio muito querido deste pesquisador, iniciando um diálogo com este. Foi quando o amigo resolveu assumir seu caráter investigativo, dizendo: "Você é meu Tio X?" "Sim"— Foi a resposta. “Então, por favor me confirme alguns dados apenas para que seja justificada a veracidade de sua presença. — Prosseguiu o amigo — "Eu ia muito em sua casa na cidade Y quando eu era jovem. Por favor me diga o nome da rua que você morava. “Pode ser tanto da primeira casa onde morou, ou da segunda na qual você viveu até seu desenlace físico”. Simplesmente não houve qualquer resposta razoável.

         Este caso, embora não fosse uma farsa previamente combinada, não passava de uma ilusão advinda das próprias criações mentais.

        Seguramente existem médiuns que realmente trazem à comunicação entidades do mundo espiritual, as quais se testadas revelam impressionante conhecimento que ninguém mais poderia saber senão as mesmas em sua passagem pelo plano físico.

        Existe também alguns fenômenos de histeria coletiva, advindo também da auto hipnose em grupos que deixam de se comportar propriamente como indivíduo agindo como um grupo.

        No caso acima poderemos até falar de algo semelhante ao inconsciente coletivo, onde, segundo Jung, é a camada mais profunda da psique, onde estão armazenados traços funcionais herdados desde a mais remota antiguidade comuns a todo o gênero humano, onde residem os arquétipos, as antigas impressões adquiridas ao longo da evolução, modelando as concepções.

        É possível acessar o inconsciente coletivo e a partir daí penetrar na imensa rede de consciências existente no Plano Mental. Foi desta maneira que o paranormal Edgar Cayce ganhou notoriedade. O texto estaria incompleto se não falássemos deste insigne norte americano, conhecido como "O Profeta Adormecido", pois canalizava respostas para inúmeras questões, enigmas, problemas, assim como predições em estado de transe sobre seu divã. Cayce era filho de trabalhadores rurais, e, ainda quando criança, esteve às portas da morte, até que, subitamente, em estado de transe, relatou que seu estado se devia a uma bolada de baseball em determinado segmento da coluna, prescrevendo um cataplasma de inúmeras ervas maceradas. A família assim o fez e Cayce milagrosamente se recuperou. Posteriormente se tornou fotógrafo, e, nas horas vagas, atendia as pessoas que o procuravam devido a todo tipo de enfermidade, às quais, em estado de transe ministrava-lhes medicações proporcionando-lhes a cura. Edgar Cayce recusava-se terminantemente a aceitar qualquer donativo para seus serviços, vivendo exclusivamente de sua profissão de fotógrafo (Um exemplo a ser seguido por todos aqueles que utilizam da espiritualidade para se enriquecer). E quando despertava do transe não se recordava absolutamente de nada que havia falado ou prescrito.

        Em certa ocasião um magnata recorreu aos seus extraordinários dons, e Cayce prescreveu uma determinada medicação. Contudo, não foi possível encontrá-la em lugar algum. Utilizando-se de seu poderio econômico, o magnata publicou em inúmeros jornais o nome de tal fármaco — Codiron era o nome respectivo — houve então a resposta de um laboratório, o qual afirmou ainda nem ter colocado tal medicamento no mercado, pois acabara de ser elaborado, destarte, desconhecido do público até então. Certa vez, em estado de transe, Cayce foi indagado sobre seu misterioso dom, ao que respondeu ser capaz de adentrar em qualquer cérebro humano em busca de respostas.

        Segundo o que poderemos supor, Edgar Cayce entrava em um estado de auto hipnose, no qual através do inconsciente coletivo, era capaz de acessar as mentes que disponham do conhecimento que buscava. Ou simplesmente acessar uma "consciência coletiva" onde toda consciência estabelece contínua interação e correspondência, algo que se assemelha em partes com a "Teoria dos Campos Mórficos" assim como os próprios Registros Akáshicos, do qual fazem acesso os psicômetras. Além de qualquer conjectura possível, poderemos afirmar que Cayce fazia suas consultas em estado de transe, através da auto hipnose.

 

 


        A mente humana é um território que tem ainda muito a ser desvendado. Os caminhos da espiritualidade passam por este ponto ao qual chamamos mente, o portal da dimensionalidade sutil, a saída para o físico e a entrada para o espiritual.

        Nessa tríade, corpo, mente e espírito, o equilíbrio se faz essencial, a mente é a conexão entre o corpo físico e a espiritualidade interligando-os sob a sutileza dos eflúvios energéticos. O corpo em desarmonia com a mente tende ao desequilíbrio e a consequente degeneração; a mente em desarmonia com o espírito cria ilusões e veleidades. O espírito deve conformar a mente para esta estruturar o corpo. A vida é a grande jornada do espírito, e este se assemelha ao vento que sopra sobre as velas pondo o barco em movimento. O barco que interliga os mundos e segue sua jornada nos mares de tempos e espaços. A mente é a vela desta embarcação, a qual, corretamente posicionada, direciona perfeitamente os caminhos na rota dos portos seguros.

 

 

Paz e Luz.

 

23/09/2021.